Explore every episode of the podcast SommCast - Podcast de Vinho
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| Ronaldo Rossi - Chef, Sommelier de Cervejas e Proprietário da Cervejoteca #EP125 | 26 Feb 2026 | 02:30:24 | |
Ronaldo Rossi não caiu na cerveja por acaso. Chef de formação, consultor com dezenas de cozinhas no currículo e professor por vocação, ele transformou curiosidade em estudo — e estudo em movimento de mercado. Neste episódio do SommCast, a gente atravessa a ponte entre gastronomia e cerveja especial para entender como o Brasil saiu de poucas dezenas de rótulos disponíveis para quase 2 mil plantas fabris — e por que isso não significa maturidade. A conversa começa na infância, com a memória afetiva de “rapelar o fundinho dos copos” enquanto os adultos iam jantar. Passa pela descoberta de rótulos importados como Duvel e Delirium, pela fase em que decidiu comprar todas as cervejas disponíveis no mercado brasileiro para estudar na prática, e desemboca na virada de chave: transformar paixão em profissão. De lá para cá vieram harmonizações (algumas, segundo ele mesmo, desastrosas no início), formação de sommelier, consultorias, a criação da Cervejoteca em 2011 e uma visão extremamente crítica sobre o mercado, a industrialização e a sobrevivência das pequenas cervejarias. No meio disso tudo tem matemática da harmonização, crítica ao uso indiscriminado do termo “artesanal”, análise brutal sobre impostos e uma leitura clara sobre o colapso estrutural do setor: crescimento exponencial de cervejarias, mas participação de mercado que continua minúscula. É um episódio sobre paixão, resiliência e realidade. Sobre entender que qualidade não se sustenta só com discurso — precisa de técnica, estratégia e visão de longo prazo. Se você acha que cerveja é só “lager para acompanhar feijoada”, talvez esteja na hora de rever seus conceitos. E se você já bebe especial, talvez esteja na hora de entender o que realmente sustenta (ou derruba) esse mercado. Destaques 🍺 Primeira memória com cerveja O paladar começa antes da técnica. Ronaldo relembra a infância, quando já gostava da amargura que muitos rejeitavam. Antes de estilo, existe curiosidade. Antes de rótulo, existe memória. 📚 Estudo raiz, sem glamour Sem internet estruturada, sem bibliografia fácil. Ele decidiu comprar todas as cervejas disponíveis no Brasil na época para entender diferenças, estilos e nuances. Autodidatismo na prática, quando o mercado ainda engatinhava. 🍽️ Harmonização é matemática, não achismo A conversa desmonta a romantização da harmonização “regional”. Nem tudo que é tradicional é tecnicamente equilibrado. Intensidade, acidez, gordura e textura precisam conversar — e não brigar no prato. 🏪 Cervejoteca e curadoria radical Criada em 2011, a loja nasceu com todos os rótulos disponíveis no país. Hoje trabalha com centenas de opções e alta rotatividade. A lógica é simples: descoberta constante e valorização de quem faz bem feito. 📉 O número que assusta o mercado O Brasil saiu de pouco mais de uma centena de cervejarias para quase dois mil CNPJs ligados à produção — mantendo menos de 1% de participação real frente às gigantes. Crescimento estrutural não significa consolidação. 💰 A conta invisível da cerveja Entre garrafa, rótulo, logística e impostos, o custo fixo é brutal. Antes de dizer que “cerveja especial é cara”, talvez seja preciso entender o que compõe o preço. 🏆 Qualidade não se inventa Na Copa Capixaba, a regra foi clara: medalha só se for merecida. A evolução técnica das cervejarias participantes mostra que exigência puxa o mercado para cima. 🍷 Cerveja e vinho no mesmo palco O episódio reforça algo essencial: o sommelier moderno precisa entender líquidos, cultura e mercado. Não é sobre competir com o vinho — é sobre ampliar repertório. | |||
| Silvia Percussi - Sócia-Proprietária da Vinheria Percussi e Guardiã da Cozinha Italiana #EP124 | 23 Feb 2026 | 01:39:43 | |
Quatro décadas de restaurante no Brasil não são sorte. São propósito. Neste episódio do SommCast, recebemos Silvia Percussi, guardiã da cozinha italiana autêntica em São Paulo, para uma conversa que mistura memória, resiliência e a defesa apaixonada de uma gastronomia feita à mão — literalmente. O que mantém uma casa viva por 40 anos em um mercado que abre e fecha portas todos os dias?Silvia relembra a infância com o pai descendo à adega antes do jantar, fala da ousadia de vender vinho em taça nos anos 80, da pandemia que obrigou a repensar o modelo de negócio e da decisão de manter a massa feita manualmente mesmo em tempos de automatização. Entramos em temas delicados: gourmetização vazia, comida instagramável sem alma, azeite trufado sintético, menus “adaptados” para modismos e até o impacto cultural de medicamentos que mudam a relação das pessoas com a mesa. No meio disso tudo, uma defesa firme: vinho e comida não são ostentação — são hábito, convivência e memória afetiva.Mais do que uma entrevista sobre gastronomia italiana, esse episódio é um manifesto sobre tempo, tradição e atualização constante. Sobre mudar para permanecer. Se você acredita que mesa é lugar de conversa, que carbonara não leva creme de leite e que vinho é filosofia líquida, esse papo é para você. Episódio completo disponível no YouTube e no Spotify do SommCast.Destaques🍝 40 anos em um mercado implacávelManter um restaurante por quatro décadas no Brasil exige muito mais do que boa comida. Silvia fala sobre gestão, crises econômicas, pandemia, rebranding e a necessidade constante de se reinventar sem perder identidade. “Não existe baixa guarda”, ela afirma.🍷 Vinho como missão, não como luxoDesde os anos 80, a casa trabalha o vinho como parte essencial da refeição. Menus harmonizados, wine dinners com produtores internacionais e uma brigada treinada para vender vinho com naturalidade — não com arrogância.👩🍳 Cozinha feita à mão em tempos de automaçãoMassa manual, gnocchi passado na tábua um a um, molho de tomate feito na casa. Silvia defende que o futuro pode até ser tecnológico, mas o valor estará cada vez mais no artesanal — no que a inteligência artificial não consegue replicar.🇮🇹 Regionalidade italiana de verdadeNada de “italiano genérico”. Ligúria, Piemonte, Toscana, Sardenha, Veneto. Silvia viajou, estagiou, trouxe moldes, ingredientes e referências diretamente da Itália. A cozinha regional é pilar da identidade da casa.🔥 A luta contra a gourmetização vaziaAzeite trufado artificial, pratos pensados para viralizar, excesso de creme de leite. Silvia critica a estética que atropela o sabor e defende o clássico bem executado como ato de resistência.📱 Instagram, marketing e realidadeHoje o restaurante precisa ser marca, conteúdo e vitrine digital. Mas até que ponto isso ajuda — e até que ponto desvirtua? O episódio aborda a tensão entre autenticidade e performance.🍽️ A mesa como espaço de convivênciaEm tempos de celular na mão e refeições aceleradas, a comida italiana ainda carrega o ritual do encontro. Silvia fala sobre a importância de manter viva a cultura da mesa — entrada, primo, secondo, vinho compartilhado e conversa.🌿 Comida de verdade vs. ultraprocessadosDa defesa do arroz com feijão à crítica aos ultraprocessados, o papo passa por saúde, educação alimentar e o papel da cozinha como espaço de formação cultural.🍷 As uvas do coraçãoChardonnay, Riesling, Ribolla Gialla. Nebbiolo e Sangiovese. Silvia compartilha suas preferências e reforça: primeiro você aprende a gostar, depois você aprofunda. Vinho não é prova — é prazer. | |||
| Guilherme Mora - Forbes Under 30 e Sócio-Proprietário do Saída de Emergência Bar de Vinhos #EP123 | 19 Feb 2026 | 01:59:44 | |
Ele nasceu dentro de restaurante, virou empreendedor under 30 da Forbes, estudou engenharia em Coimbra e transformou um segundo andar esquecido na Rua dos Pinheiros em um dos bares de vinho mais comentados de São Paulo. Guilherme Mora não fala de vinho como fetiche — fala de vinho como vivência. E neste episódio, a conversa vai muito além da taça: passa por família, risco, Europa, mercado e a construção de um negócio que mistura hambúrguer, Pingus 98 e champanhe com frango frito. O papo começa com uma memória poderosa: um Barca Velha Magnum 2000 guardado dos 11 aos 18 anos como símbolo de conquista e afeto. A partir daí, mergulhamos na trajetória da família — do primeiro restaurante simples em posto de gasolina ao boom das casas autorais como Core, Osso e Incêndio. Guilherme conta como Portugal virou escola líquida (Dão e Bairrada no radar), como foi formado por mentores que abriram Borgonhas raras na sua frente e como nasceu o Saída de Emergência: um bar que aposta em vinho natural bom, carta profunda, taça séria e zero pompa. Democratizar vinho, aqui, não é baixar preço — é ampliar acesso real. No fim, fica a reflexão: vinho é técnico, mas é principalmente contexto. É possível vender garrafas de R$ 80 e de R$ 15 mil na mesma noite, na mesma mesa, com a mesma felicidade. O segredo está no ambiente, na curadoria e na verdade do projeto. Quer entender como transformar paixão em modelo de negócio sem perder identidade? Destaques 🍷 A memória que molda o paladar O Barca Velha Magnum 2000 guardado por anos não foi apenas um vinho — foi rito de passagem. Guilherme reforça como o contexto transforma a percepção e como a experiência emocional pode ser mais marcante do que qualquer análise técnica. 👨👩👦 Empreender em família (de verdade) Do pai motoboy ao restaurante 24 horas, da chuleta ao contrafilé argentino: a construção foi na base do risco e da perseverança. A história mostra que restaurante é estatística difícil — e que dar certo exige visão, coragem e resiliência. 🇵🇹 Portugal como escola líquida Coimbra, Dão, Bairrada e o custo-benefício imbatível dos vinhos portugueses. Guilherme explica por que Portugal entrega qualidade absurda por preço justo e como a vivência europeia influenciou seu olhar sobre serviço e consumo. 📚 Mentoria e acesso aos grandes vinhos Entre Rafa (Uva Vinhos) e Jussiê em Bordeaux, ele teve acesso a Borgonhas raras e ícones mundiais ainda jovem. Mais do que beber rótulos caros, foi aprender a pensar vinho — sem frescura, sem idolatria cega. 🔥 O nascimento do Saída de Emergência Um segundo andar subutilizado virou laboratório. Investimento enxuto, carta ousada, 90 rótulos que viraram 500, meta de 80 garrafas por semana que virou 160 na terceira semana. Modelo validado pelo público. 🍔 Frango frito, hambúrguer e champanhe O bar quebra a lógica tradicional da harmonização formal. Champanhe de R$ 3.000 com frango frito? Sim. Pingus 98 ao lado de vinho de R$ 80? Também. A atmosfera elimina barreiras sociais e cria convivência real. 📊 Democratizar sem banalizar Para Guilherme, democratizar vinho não é nivelar por baixo — é oferecer diversidade real de escolha. Ter 50 rótulos abaixo de R$ 150 e 100 acima de R$ 1.000 na mesma carta é criar pluralidade, não elitismo. 🎶 Serviço descomplicado, taça séria Sem toalha branca, sem ritual performático, mas com taça de qualidade e curadoria forte. A influência europeia aparece na informalidade consciente — menos protocolo, mais verdade. | |||
| Carolina Orantes - Assessora de Imprensa Especializada no Mercado de Vinho e Gastronomia #EP122 | 16 Feb 2026 | 01:58:54 | |
O que muda mais rápido: o vinho ou a forma como a gente fala sobre ele? No episódio #122 do SommCast, Carol Orantes mostra que a comunicação sempre foi — e continua sendo — o motor silencioso por trás das grandes marcas do mercado. De assessoria no tempo do fax ao marketing de influência na era do Instagram, ela viveu todas as fases da transformação. A conversa passa pela evolução da imprensa tradicional, o impacto de uma matéria de revista que lotava restaurante, o nascimento das ativações com celebridades no vinho e os bastidores do marketing de influência antes mesmo desse termo existir. Falamos sobre erros estratégicos das marcas, a diferença entre alcance e credibilidade, o papel do enoturismo como ferramenta de educação do consumidor e o desafio de traduzir conteúdo técnico em desejo real de consumo. Mais do que um episódio sobre comunicação, esse é um papo sobre posicionamento, visão de mercado e responsabilidade na construção de marca. Se você trabalha com vinho — ou quer entender por que algumas marcas crescem enquanto outras desaparecem — esse episódio é obrigatório. Destaques 📠 Da assessoria clássica ao digital Carol relembra o tempo em que press releases eram enviados por fax e uma matéria impressa tinha poder imediato de lotar um restaurante. A comparação com o cenário atual mostra como as ferramentas mudaram — mas a essência da comunicação continua sendo relacionamento e estratégia. 📲 Marketing de influência antes do hype Muito antes de existir manual ou métrica consolidada, ela já ativava marcas de vinho com celebridades e criadores de conteúdo. O aprendizado? Influência sem alinhamento estratégico não gera construção de marca. 🎯 Alcance x credibilidade Um dos pontos mais provocativos do episódio é a diferença entre volume e conexão real. Não adianta falar com todo mundo se você não está falando com quem realmente importa para o seu negócio. 🍷 Vinho como comportamento, não como status A discussão sobre consumo cotidiano é central. O crescimento do vinho no Brasil passa por experiência, acessibilidade e naturalidade — não por discurso elitizado. 🏗 Comunicação 360° Assessoria hoje não é só enviar release. É entender público, ajustar narrativa, integrar redes sociais, trabalhar posicionamento e construir reputação de forma consistente. 🇧🇷 O desafio do vinho brasileiro O preconceito ainda existe, mas o avanço do enoturismo e a qualidade crescente das vinícolas mostram que o mercado está amadurecendo. A comunicação tem papel fundamental nessa virada de chave. | |||
| Tiago Menezes - Sommelier do Tuju, Restaurante 2 Estrelas Michelin #EP121 | 12 Feb 2026 | 01:44:50 | |
Tiago Menezes não nasceu no meio do vinho fino. Vindo de uma pequena cidade alemã no interior do Rio Grande do Sul, onde a cerveja reina soberana e o vinho de garrafão faz parte do cotidiano, ele construiu sua trajetória com estudo, curiosidade e uma dose generosa de coragem. Neste episódio do SommCast, a gente mergulha na caminhada de quem saiu do interior para conquistar espaço nos salões mais exigentes do Brasil — incluindo o Tuju, restaurante duas estrelas Michelin. A conversa percorre desde os primeiros vinhos coloniais até a experiência intensa em churrascarias tradicionais, passando pela hotelaria de luxo no Palácio Tangará e chegando ao universo da harmonização criativa em alta gastronomia. Tiago fala sobre disciplina, resiliência, o papel do sommelier como ponte entre produtor e cliente, os bastidores da construção de harmonizações sazonais e o desafio diário de manter o padrão de excelência em um restaurante que busca a terceira estrela Michelin. No fim das contas, é um papo sobre tempo, consistência e pessoas. Sobre como o vinho é mais do que técnica: é cultura, entrega e sensibilidade. Se você quer entender o que realmente acontece por trás de uma harmonização de alto nível — e o que diferencia um bom sommelier de um grande sommelier — esse episódio é obrigatório. Destaques 🍷 Da origem simples à alta gastronomia Tiago relembra seus primeiros contatos com vinho de garrafão no interior gaúcho e como essa base “raiz” moldou sua visão de mundo. A trajetória mostra que excelência não nasce pronta — ela é construída com estudo, humildade e consistência. 📚 A virada pela disciplina e formação Enquanto muita gente usa a folga pra descansar, ele usou pra estudar: ABS no dia de folga, feiras, degustações, curiosidade ativa. Esse caminho acelera repertório — e abre portas num mercado que exige prática e teoria andando juntas. 🏙️ Por que São Paulo muda o jogo Tiago explica como São Paulo oferece um nível de oportunidade e experiência que não existe em nenhum outro lugar do Brasil pra quem trabalha com vinho: mais rótulos, mais público, mais exigência — e, principalmente, mais chance de evolução rápida. 🥩 Churrascaria vs. Fine Dining Na churrascaria, o serviço é volume, intensidade e carta mais “clássica” (Chile/Argentina dominando). No fine dining, o jogo vira: menos mesas, mas muito mais detalhe, precisão e expectativa. A diferença não é só o vinho — é o teatro inteiro. 🎼 O serviço como orquestra No Tuju, nada é por acaso: taças, hospitalidade, ritmo de sala, timing, energia do time. Tiago reforça que a experiência de alto nível nasce do conjunto — e que o cliente percebe quando a equipe está feliz, alinhada e afiada. 🧭 Clássica vs. DescobertasDois conceitos na harmonização: a “clássica” (velha escola, França/Itália e referências) e a “descobertas” (vinhos intrigantes, uvas e regiões fora do radar, estilos com menos intervenção). Um abraça mais o prato; o outro caminha junto e provoca conversa. 🍶 Quando a harmonização sai do vinho (e faz sentido) Saquê, espumante de saquê, cidra da Normandia, bebidas não alcoólicas pensadas por estação… tudo entra quando tem propósito. A provocação não é performática: é ferramenta de sabor e experiência. 🇧🇷 Vinho brasileiro na carta de um duas estrelas Brasil já tem presença relevante na carta do Tuju (na ordem de 10% ou mais). E quando entra, entra com intenção: seja em rótulos consistentes, seja em garrafas especiais (como safras mais antigas guardadas a sete chaves) que entregam outra camada de história. ⭐ O desafio de manter duas estrelas (e buscar a terceira)Chegar é difícil. Manter é mais. Tiago fala de consistência diária, zero relaxamento e do impacto que um três estrelas teria pra gastronomia e pro mercado de vinho no Brasil. É pressão? É. Mas também é construção de legado. | |||
| Cibele Siqueira - Sommelière e Embaixadora de Marcas do Grupo Wine #EP120 | 09 Feb 2026 | 01:41:37 | |
Sair do interior, romper expectativas, construir repertório e virar referência. Neste episódio do SommCast, a sommelier e brand ambassador Cibele Siqueira compartilha uma trajetória que mistura coragem, trabalho de base e uma obsessão saudável por tornar o vinho mais acessível, humano e conectado com quem realmente bebe. Da infância acompanhando o pai na distribuidora em Ribeirão Preto até a mudança para São Paulo para integrar o Grupo Wine, Cibele conta como o vinho deixou de ser apenas um ritual familiar para se tornar profissão, propósito e plataforma de comunicação. Sem romantizar o caminho, ela mostra como varejo, estudo, redes sociais e experiência de consumidor se cruzam na vida real. O papo avança por temas como carreira no vinho, comunicação digital, consumo no Brasil, clubes, marcas autorais e o papel do sommelier hoje — menos guardião do saber e mais tradutor de experiências. Um episódio para quem quer entender o vinho além da técnica: como cultura, negócio, trabalho duro e conexão genuína com pessoas. Destaques 🍇 Primeira memória com o vinho O início não foi casual: o vinho surge como ritual diário ao lado do pai, após o trabalho. Um hábito simples que despertou curiosidade, repertório e a vontade de experimentar sempre algo diferente — desde cedo, o vinho como descoberta, não como status. 🏙️ Do interior para o mercado nacional A virada acontece quando Cibele decide sair da empresa da família para buscar identidade própria. A entrada no Grupo Wine marca o encontro entre vivência de varejo, estudo formal e um ambiente de alta velocidade, onde um ano parece cinco. 📱 Comunicação como diferencial real Antes de virar tendência, ela já usava o Instagram como ferramenta de tradução do vinho. A naturalidade diante da câmera, a linguagem acessível e o foco em experiência foram decisivos para sua contratação e crescimento dentro da empresa. 🧠 Sommelier além da taça O episódio escancara um ponto-chave: sommelier não é só degustação. É métricas, clube, produto, treinamento, conteúdo, experiência do consumidor e impacto direto no negócio. Profissão romantizada? Só para quem vê de fora. ✈️ A vida real de uma brand ambassador Viajar o Brasil, lidar com culturas diferentes, adaptar discurso, enfrentar perrengues e criar conexão local. O glamour acaba rápido — o que fica é repertório, escuta e leitura de público. 🍾 Marcas autorais e escuta do consumidor Nada de ego enológico: os vinhos apresentados no episódio nascem de dados, feedbacks reais e testes de consumo. A pergunta não é “qual o melhor vinho?”, mas “qual o vinho que o consumidor quer beber de novo?”. 💬 Democratizar não é simplificar demais Falar fácil não significa falar raso. Cibele defende uma comunicação que acolhe quem está começando, sem afastar quem já sabe mais — vinho como convite, não como barreira. | |||
| Eduardo "Duzinho" Nogueira - Vinícola Maria Maria #EP119 | 05 Feb 2026 | 01:41:32 | |
O que acontece quando tradição agrícola, ciência e coragem se encontram? Neste episódio do SommCast, o papo é com Eduardo “Duzinho” Nogueira, da Vinícola Maria Maria, responsável por um marco histórico: o primeiro vinho brasileiro a alcançar 96 pontos na Decanter. Uma conversa que começa no café, passa pela dupla poda e chega a um novo capítulo do vinho nacional.Ao longo do episódio, Duzinho conta como a história da Maria Maria nasce de uma virada inesperada — um problema de saúde que levou seu pai a trocar a cerveja pelo vinho — e se transforma em um projeto visionário no Sul de Minas. Falamos de agricultura como indústria a céu aberto, da influência do café na viticultura de inverno, da parceria com Murillo de Albuquerque Regina e da construção paciente de um terroir que, até pouco tempo atrás, parecia improvável para grandes vinhos.O episódio também mergulha no impacto real das premiações internacionais, no amadurecimento do consumidor brasileiro e no futuro do vinho de inverno: IG, rastreabilidade, enoturismo, sustentabilidade e tempo — o ativo que não se compra. Um episódio para entender por que o vinho brasileiro não é mais promessa, é realidade.Destaques🍇 A origem da Maria MariaDa cafeicultura de seis gerações ao vinho de inverno: como a experiência agrícola foi decisiva para reduzir erros, entender o terroir e apostar em qualidade desde o início.❄️ Dupla poda e a nova geografia do vinho brasileiroPor que colher no inverno mudou tudo? Duzinho explica como a técnica abriu caminho para vinhos de alta qualidade fora do eixo tradicional do Sul.🏆 96 pontos na Decanter: impacto e responsabilidadeMais do que uma medalha, a pontuação histórica elevou a régua — para a vinícola e para todo o vinho brasileiro — e mostrou o poder real do reconhecimento internacional.⏳ Tempo, videiras e paciênciaPor que não existe atalho no vinho? A conversa revela como a idade das videiras muda o perfil dos vinhos e por que imediatismo é um dos maiores erros do setor.🌱 Sustentabilidade e custo de produçãoComo equilibrar produtividade, qualidade e viabilidade econômica em um cenário de altos custos, tributos complexos e clima cada vez mais imprevisível.🗺️ Indicação Geográfica e futuro do vinho de invernoA importância da IG do Sul de Minas, da rastreabilidade e da união entre produtores para fortalecer o setor e proteger o consumidor.🎶 Maria, Maria: vinho, música e identidadeA história por trás do nome da vinícola, a homenagem a Milton Nascimento e a conexão entre cultura, território e emoção no vinho. | |||
| Claudio Góes - CEO do Grupo Góes, Presidente da Anprovin e Ex-Prefeito de São Roque #EP118 | 02 Feb 2026 | 01:03:41 | |
O vinho brasileiro está vivendo um ponto de virada — e Cláudio Góes está no centro dessa transformação. CEO do Grupo Góes, presidente da Anprovin e ex-prefeito de São Roque, ele carrega na bagagem mais de quatro gerações de história no vinho e uma visão clara: sem gestão, associação e consumidor informado, não existe futuro possível para o setor.Neste episódio do SommCast, a conversa vai muito além da taça. Cláudio revisita memórias de infância entre barricas e vinhedos, passa pelos momentos de crise do vinho paulista, explica como a dupla poda mudou o jogo da qualidade no Brasil e defende, com firmeza, o papel do enoturismo como motor econômico, cultural e social para regiões produtoras.O papo também entra em terrenos sensíveis — preconceito contra o vinho nacional, custo Brasil, políticas públicas, profissionalização das vinícolas familiares e o desafio de tornar o vinho mais acessível sem abrir mão de identidade e qualidade. Um episódio denso, honesto e provocador, que ajuda a entender por que o vinho de inverno não é moda passageira, mas um novo capítulo da vitivinicultura brasileira. Dá o play no YouTube ou no Spotify e venha pensar o vinho além do rótulo.Destaques🍇 Origem e memória afetivaCláudio relembra sua primeira vivência com o vinho ainda criança, dentro das antigas adegas de São Roque. Uma história que mostra como tradição, família e território moldaram não apenas um produtor, mas uma visão de longo prazo sobre o vinho brasileiro.🌱 Da crise à reinvenção de São RoqueO episódio percorre o declínio da vitivinicultura paulista nos anos 80 e 90 e o esforço de poucas famílias — entre elas a Góes — para segurar a atividade viva. Um relato importante sobre resiliência, êxodo rural e reconstrução de identidade produtiva.✂️ Dupla poda e o nascimento do vinho de invernoCláudio explica como a dupla poda mudou completamente o padrão de qualidade dos vinhos brasileiros fora do Sul, trazendo colheitas no inverno, mais sanidade, concentração e frescor. Um divisor de águas técnico e cultural para o setor.🏛️ Associativismo e o papel da AnprovinA conversa detalha a criação, estrutura e importância da Anprovin para organizar regras, garantir rastreabilidade e dar força política ao vinho de inverno. Mais do que produzir bem, é preciso falar em bloco e educar o mercado.🍷 Filosofia: reposicionamento e quebra de preconceitosO nascimento da Vinícola Philosophia surge como resposta direta ao preconceito com marcas tradicionais ligadas ao vinho de mesa. Um novo rótulo, nova comunicação e a mesma raiz — mostrando que qualidade não mora no endereço, mas dentro da garrafa.🚜 Profissionalização familiarCláudio defende com clareza que vinícola familiar não pode ser amadora. Competência vem antes do sobrenome. O episódio traz exemplos concretos de como gestão, formação técnica e respeito entre gerações sustentam negócios longevos.🌍 Enoturismo como vetor de desenvolvimentoMuito além do vinho, o enoturismo aparece como ferramenta de geração de emprego, renda e identidade local. São Roque, Mantiqueira e outras regiões mostram como o vinho movimenta gastronomia, hotelaria e cultura.⚠️ Alerta ao consumidorO episódio também traz um recado direto sobre vinhos adulterados, “vinhos de contatinho” e os riscos à saúde pública. Consumir vinho é também um ato de responsabilidade. | |||
| Tio Limongi - Sommelier e Mestre Cervejeiro nas Cervejaria SP330 e Kraken #EP117 | 29 Jan 2026 | 01:35:04 | |
Sair da zona de conforto também é parte da cultura do vinho. Neste episódio do SommCast, o papo dá um giro completo para mergulhar no universo da cerveja artesanal — sem abandonar o olhar gastronômico, cultural e sensorial que sempre guiou o podcast. O convidado é Tio Limongi, argentino radicado no Brasil, figura icônica da cena cervejeira de Ribeirão Preto, que conecta cerveja, vinho, gastronomia e identidade como poucos. A conversa começa pela memória afetiva: infância na Argentina, vinho com soda como parte da cultura familiar, o aroma da fábrica de cerveja no caminho da escola e o primeiro chope que virou camiseta — literalmente. A partir daí, o episódio se expande para discutir mercado, elitização das bebidas, consumo real, erros do passado e aprendizados que moldaram tanto o vinho quanto a cerveja artesanal na América do Sul. Não é sobre moda: é sobre entender pessoas, contexto e prazer. Ao longo do episódio, surgem reflexões profundas sobre harmonização, terroir líquido, negócios, crises econômicas, migração, planejamento e paixão. Do restaurante cervejeiro pioneiro na Argentina à construção da SP330 em Ribeirão Preto, Tio Limongi mostra que bebida boa nasce do equilíbrio entre técnica, cultura e propósito. Um episódio para quem gosta de pensar antes de beber — e beber melhor depois. Destaques 🍺 Cerveja também é cultura A conversa desmonta a ideia de que cerveja artesanal é só técnica ou tendência. Ela é memória, identidade local e expressão cultural — assim como o vinho sempre foi. 🍷 Vinho, cerveja e elitização Um dos pontos mais provocativos do episódio: quando o vinho se elitizou demais, perdeu espaço para a cerveja. A mesma armadilha pode acontecer com a cerveja artesanal se ela se afastar do consumidor real. 🌎 Ribeirão Preto como polo cervejeiro O episódio revela os bastidores da construção do polo cervejeiro de Ribeirão Preto, mostrando como colaboração entre produtores é essencial para crescer mercado — não apenas disputar preço. 🧠 Harmonização como ferramenta de venda e prazer Muito além da teoria, a harmonização aparece como elo entre gastronomia, bebida e experiência. Quando bem feita, transforma percepção, valor e consumo. 🔥 Negócio, crise e resiliência Da crise argentina de 2001 à pandemia, Tio Limongi compartilha aprendizados duros sobre empreender em mercados cíclicos — e por que planejamento e paixão precisam caminhar juntos. 🇧🇷 Estilos brasileiros e identidade líquida Maniçoba, mandioca, uvas brasileiras e barrica: o episódio mostra como é possível criar bebidas com identidade local sem copiar modelos prontos de fora. 🎸 Branding, rock and roll e coerência Nada é aleatório: nomes, estilos, rótulos e música fazem parte de uma narrativa pensada desde o plano de negócios. Marca forte nasce de coerência, não de improviso. | |||
| Bianca Colnago - Sommelière ISG, WSET3 e criadora do perfil WineToB #EP116 | 25 Jan 2026 | 01:44:56 | |
Advogada tributarista por quase uma década, comunicadora nata e hoje uma das vozes mais relevantes na educação vínica digital, Bianca Colnago chega ao SommCast para desmontar um dos maiores mitos do mercado brasileiro: a ideia de que vinho é coisa de gente chata, elitista ou inacessível. A conversa parte da memória afetiva, passa por Champagne, praias da Provence e desemboca em algo muito maior — cultura, comunicação e pertencimento.Ao longo do papo, Bianca reconstrói sua trajetória com honestidade e profundidade. Do vinho presente na infância, às dúvidas diante da prateleira do supermercado; da carreira sólida no direito tributário à virada de chave ao perceber que poderia transformar conhecimento em impacto real. O episódio mostra como estudar vinho não é sobre criar barreiras, mas justamente o oposto: aprender para traduzir, simplificar e gerar autonomia em quem está do outro lado da taça.Mais do que falar de uvas, regiões ou certificações, este episódio discute comportamento, linguagem e responsabilidade na comunicação. Bianca explica por que evita termos técnicos quando eles afastam, defende que ninguém precisa “entender” para beber vinho e provoca: por que o brasileiro pede licença para tomar vinho, mas nunca para tomar cerveja? Uma conversa que conecta vinho, cultura e gente de verdadeDestaques🍷 Vinho como memória e afetoDesde a infância, o vinho aparece na vida de Bianca como elo familiar e símbolo de encontro. Não como objeto de status, mas como parte do cotidiano, algo que acolhe, aproxima e cria pertencimento.🛒 A prateleira como ponto de viradaO momento em que ela se vê sozinha diante da gôndola do supermercado revela um problema estrutural do mercado: a falta de mediação. É ali que nasce sua vontade de estudar — e, mais tarde, ajudar outras pessoas a não se sentirem perdidas.🌍 França, Champagne e o choque culturalA experiência em Champagne e no sul da França escancara uma verdade simples: onde o vinho é cultura, ele é descomplicado. Beber vinho na praia, sem cerimônia, muda completamente a percepção do que ele pode ser.🧠 Simples sem ser simplórioUm dos conceitos centrais do episódio. Bianca defende que simplificar não é empobrecer o conteúdo, mas demonstrar domínio real sobre ele. Quem entende de verdade, consegue explicar sem afastar.📱 Comunicação responsável no vinhoInfluenciar é coisa séria. O episódio discute a responsabilidade de quem fala sobre vinho nas redes, a importância do estudo contínuo e o compromisso ético com quem confia naquela informação.🎓 Do direito ao vinho: a transição de carreiraA virada profissional não veio do desgosto pelo direito, mas do encontro com algo que fazia o olho brilhar mais. Comunicação, no fim das contas, sempre foi o fio condutor.🍇 Educação para autonomia, não dependênciaCursos, conteúdos e eventos pensados para transformar o consumidor na pessoa que escolhe o vinho da mesa — e não alguém eternamente dependente de indicações alheias.🤝 Vinho como conexão humanaComunidade, encontros, trocas reais. O vinho aparece como ferramenta social poderosa, capaz de criar laços, histórias e experiências compartilhadas. | |||
| Paulo Brammer - CEO da Vinícola Guasparí e um dos maiores Especialistas de vinhos do Brasil #EP115 | 22 Jan 2026 | 01:56:15 | |
O vinho está mudando — e talvez nunca tenha sido tão urgente falar disso com honestidade. Neste episódio do SommCast, Paulo Brammer compartilha uma trajetória que passa longe do glamour e se aproxima do que realmente sustenta o setor: trabalho de base, educação, visão de negócio e capacidade de adaptação.Da formação no Reino Unido à criação da Inocultura, Paulo construiu uma leitura rara sobre o vinho como indústria cultural, econômica e social. A conversa avança para temas centrais do nosso tempo: queda global do consumo, demonização do álcool, mudanças de comportamento, pressão da indústria farmacêutica e o desafio de manter o vinho relevante sem recorrer a discursos ultrapassados.Mais do que um episódio sobre carreira, este é um papo sobre futuro. Sobre como o vinho precisa sair do pedestal, voltar à mesa, ao convívio, à vida real — e como educação, comunicação e estratégia podem definir quem sobrevive (e quem fica para trás) nos próximos anos.Destaques🍇 Uma entrada nada romantizada no vinhoPaulo começa desmontando o mito da “origem nobre”: sua primeira memória com vinho envolve garrafão, gelo e excesso. O ponto não é a anedota — é mostrar como a cultura do vinho no Brasil nasce distante, improvisada e sem repertório, e como isso molda gerações inteiras de consumidores.🇬🇧 O Reino Unido como escola prática de mercadoLondres aparece como um divisor de águas. Um ambiente meritocrático, profissional e altamente competitivo, onde Paulo passa por todas as camadas da hospitalidade — da operação ao nível executivo — construindo uma visão pragmática sobre bebidas, consumo e gestão.🍸 Do bar ao vinho: sensibilidade treinadaAntes do vinho, vieram os destilados, a coquetelaria e o treino sensorial intenso. Essa base influencia diretamente sua leitura de vinho, menos dogmática e mais conectada à experiência, ao prazer e à percepção real do consumidor.🎓 Eno Cultura e a virada educacional no BrasilA escola nasce com uma proposta clara: comunicação mais leve, design, metodologia moderna e foco no aluno — não no professor ou no título. A vitória como Educador do Ano pela WSET simboliza uma mudança de paradigma no ensino do vinho no país.🧠 Educação além do diplomaPaulo provoca: educação não pode existir apenas para certificar pessoas. Ela precisa impactar negócios, consumo, cultura e sustentabilidade da cadeia. O vinho não se sustenta apenas com experts — precisa de gente engajada, curiosa e conectada.📉 A crise global do consumo de vinhoDados, contexto e leitura estratégica: queda histórica em mercados maduros, retração na China, pressão nos EUA e campanhas governamentais para erradicação de vinhedos na Europa. O consumo caiu — e isso muda tudo.💊 Demonização do álcool e novas disputas culturaisA conversa entra em temas sensíveis: lobby farmacêutico, cannabis, novos hábitos de relaxamento e a mudança na relação das pessoas com o álcool. O vinho disputa atenção em um cenário completamente diferente do passado.🍽️ O vinho como elemento social, não medicinalSai o discurso do “faz bem para a saúde”, entra o vinho como ferramenta de convivência, prazer, celebração e saúde mental coletiva. Voltar o vinho para a mesa é mais estratégico do que qualquer argumento científico isolado.🇧🇷 Brasil: crescimento, mas com base frágilApesar de ser um dos poucos países que cresce em consumo, o Brasil ainda tem um mercado pequeno, altamente taxado e pouco acessível. Preço inibitório, falta de política pública e distância do cotidiano seguem como entraves centrais.📊 Impostos, preço e acessoO episódio aprofunda como a carga tributária impede o vinho de se tornar um produto cotidiano. Não é só cultura — é estrutura econômica que limita o alcance do vinho no país.🚀 O futuro do vinho passa por estratégiaPara Paulo, o próximo ciclo do vinho exige menos romantização e mais inteligência: educação aplicada, comunicação eficiente, visão de longo prazo e coragem para repensar modelos que já não funcionam. | |||
| Emiliana Medauar - Sommelière e proprietária da importadora e clube de assinatura Emi Wine #EP114 | 19 Jan 2026 | 01:12:30 | |
Engenheira civil de formação, sommelier por escolha e importadora por paixão, Emiliana Medauar construiu um caminho pouco convencional no mundo do vinho. Neste episódio, ela conta como trocou o universo corporativo por um mergulho profundo em vinhos portugueses fora do mainstream — daqueles que carregam território, emoção e identidade em cada garrafa.Ao longo da conversa, Emiliana compartilha sua transição profissional, o impacto da formação pela ABS e pelo WSET, e como a pandemia acelerou a criação de um clube de vinhos baseado em curadoria, liberdade e confiança. O papo passa por Portugal como lugar de pertencimento, pelas ilhas atlânticas, pelos vinhos vulcânicos dos Açores e pela decisão consciente de trabalhar apenas com pequenos produtores, frescor, acidez e mínima intervenção.Mais do que falar de rótulos, o episódio provoca uma reflexão sobre consumo, mercado e propósito. O que faz um vinho emocionar? Qual o papel de quem seleciona e apresenta esses vinhos ao público? E por que fugir de modelos engessados pode ser, justamente, a maior força de um projeto autoral? Um episódio para quem quer entender o vinho além da prateleira.Destaques🍷 Curadoria como identidadeEmiliana explica por que decidiu importar apenas vinhos portugueses fora do circuito óbvio. A escolha por pequenos produtores, regiões menos conhecidas e estilos mais frescos não é estratégia de marketing — é reflexo direto do que ela acredita como vinho bem feito e relevante hoje.🌋 Açores, Madeira e o vinho que nasce do limiteOs relatos sobre a Ilha do Pico impressionam: vinhas rasteiras protegidas por muros de pedra vulcânica, vento salino constante e solos quase sem matéria orgânica. O resultado são vinhos de alta acidez, salinidade marcante e profunda conexão com o lugar.📚 ABS, WSET e a construção de repertórioO episódio mostra como formações diferentes moldam olhares distintos sobre o vinho. Enquanto a ABS constrói base sensorial e de salão, o WSET trouxe vocabulário, visão de mercado e estrutura analítica — complementos importantes para quem atua na importação.🔄 Clube de vinhos sem assinaturaNada de contratos ou obrigatoriedade. O clube funciona por adesão mensal, apenas quando o cliente se identifica com a seleção. Um modelo mais arriscado comercialmente, mas que garante liberdade criativa e fidelidade genuína.🍇 Frescor acima de tudoSem vinhos pesados, sem madeira protagonista e sem excesso de álcool. A curadoria prioriza equilíbrio, acidez, fruta e bebibilidade — vinhos que funcionam tanto à mesa quanto sozinhos, no ritmo do consumidor brasileiro.🌍 Viagem, território e emoçãoEmiliana defende que visitar os lugares muda completamente a forma de comunicar o vinho. Sentir o vento, o cheiro do mar e a paisagem cria uma conexão emocional impossível de transmitir apenas com técnica.🧠 Mercado, bolhas e novos consumidoresO episódio também discute como o público brasileiro está mais aberto a estilos diferentes, menos alcoólicos e mais gastronômicos — e como isso abre espaço para projetos autorais e nichados crescerem com consistência. | |||
| Juliano Lourenço - Sócio do Rancho Churrascada e Vice-presidente da AVVINE #EP113 | 15 Jan 2026 | 01:26:46 | |
O episódio #113 do SommCast recebe Juliano Lourenço, engenheiro agrônomo, empreendedor e vice-presidente da AVVINE, associação que articula um dos movimentos mais interessantes do vinho brasileiro hoje: a Serra dos Encontros, entre São Paulo e Minas Gerais. A conversa começa com uma provocação clara — o vinho não foi um plano, foi um chamado — e se transforma num mergulho profundo sobre território, tempo, investimento e experiência. Ao longo do papo, Juliano conta como o Rancho Churrascada, em Espírito Santo do Pinhal, nasceu da busca por qualidade de vida, hospitalidade e conexão com o campo, e como o vinho entrou nesse ecossistema quase como consequência natural. A conversa atravessa temas como vinhos de inverno, dupla poda, café, altitude, terroir, logística, turismo de experiência e a força coletiva dos produtores que decidiram construir uma região — e não apenas marcas individuais. O episódio é um retrato vivo de um Brasil que ainda está se formando no vinho, mas que já mostra números, visão estratégica e, principalmente, consciência de processo. Um convite para entender por que vinho não é só bebida, mas território, cultura, tempo e escolha de vida. Aperta o play e vem enxergar o vinho por outra lente. Destaques 🌄 Serra dos Encontros: uma região em construção Juliano detalha o surgimento do quadrilátero que une cidades de São Paulo e Minas Gerais, com dezenas de projetos vitivinícolas, centenas de hectares plantados e um crescimento acelerado. Mais do que uma denominação, trata-se de um movimento coletivo que aposta em identidade, cooperação e visão de longo prazo. 🍇 Vinho de inverno, dupla poda e tempo O episódio reforça que qualidade não nasce do improviso. A viticultura de inverno exige técnica, paciência e humildade. O vinho brasileiro já provou seu potencial, mas precisa de tempo — no vinhedo, na garrafa e na percepção do mercado. ☕ Café e vinho: terroirs que conversam A conversa mostra como a tradição cafeeira da região ajudou a abrir caminho para o vinho, seja pelo entendimento de altitude, solo e clima, seja pela cultura agrícola já enraizada. Dois mundos que se cruzam no mesmo território. 🏡 Experiência como valor central Mais do que vender garrafa, o episódio escancara o papel do enoturismo como motor econômico e cultural. Beber vinho no lugar onde ele nasce muda tudo: percepção, memória, valor e vínculo com a marca. 🤝 Associação, cooperação e futuro A AVVINE surge como exemplo de maturidade coletiva: produtores compartilhando dados, desafios, estratégias e infraestrutura para fortalecer a região como um todo. Uma visão rara — e necessária — no vinho brasileiro. 📈 Investimento, valorização e oportunidade Juliano apresenta números concretos de crescimento, valorização de terras e interesse de investidores. O vinho aparece como catalisador de desenvolvimento regional, turismo qualificado e novos modelos de negócio. | |||
| Jean Claude Cara - Especialistas em vinhos da Borgonha #EP112 | 12 Jan 2026 | 01:57:31 | |
Existe vinho… e existe produto. No episódio #112 do SommCast, o convidado é Jean Claude, chef de formação, autor do livro Vinhos da Borgonha e um pensador inquieto do universo do vinho. Dividindo sua vida entre Brasil e França, Jean Claude provoca desde o primeiro minuto: será que ainda sabemos o que é vinho de verdade? A conversa percorre memórias afetivas, filosofia, gastronomia, espiritualidade e mercado. Jean compartilha sua primeira lembrança com o vinho — o dedo do pai molhado na taça — e, a partir daí, constrói uma visão profunda sobre textura, paladar, tempo e verdade. O papo entra em temas como vinhos “nascidos prontos”, padronização industrial, a perda de conexão com a terra, a educação do gosto desde a infância e o choque entre tradição e tecnologia. No fechamento, fica o convite ao incômodo: ouvir este episódio é confrontar certezas, repensar consumo e entender por que Borgonha não é só uma região, mas um símbolo de resistência cultural. Se você quer ir além da taça, este episódio não é confortável — e exatamente por isso, é essencial. Destaques 🍷 Vinho como alimento, não como produto Jean Claude defende que o vinho nasceu como comida, parte da mesa e da cultura cotidiana. Quando ele passa a ser tratado apenas como rótulo, status ou storytelling de mercado, perde sua função original e sua verdade. 👃 Textura antes do aroma Antes de falar em notas aromáticas, ele propõe algo quase esquecido: sentir o vinho com a boca. A textura, a salivação e a estrutura vêm antes da cor e do cheiro — uma abordagem ancestral, anterior à “degustação técnica” moderna. 🌍 A desconexão com a terra Um dos pontos mais provocadores do episódio é a crítica a profissionais que falam de vinho sem nunca terem pisado num vinhedo. Para Jean, sem contato com a terra, só sobra discurso — e o vinho vira marketing. ⏳ Tempo como ingrediente essencial Vinhos verdadeiros não nascem prontos. Eles exigem anos — às vezes décadas — para se revelar. O problema? Um mundo apressado, apartamentos pequenos e um mercado que exige giro rápido. 🧠 Educação do paladar começa na infância Jean conecta vinho, comida e memória sensorial. O que bebemos e comemos quando crianças molda nosso gosto adulto. Açúcar excessivo, ultraprocessados e padronização explicam muito do consumo atual. ⚖️ Tecnologia vs. tradição A enologia moderna trouxe controle e segurança, mas também afastou o risco — e com ele, a alma do vinho. O episódio questiona onde está o equilíbrio entre técnica e autenticidade. 🔥 Borgonha como símbolo, não como moda Mais do que uma região, Borgonha aparece como um manifesto: vinhos de lugar, de tempo, de silêncio e de paciência. O oposto da lógica industrial que domina o mercado global. | |||
| Diego Bertolini - Consultor e especialista em negócios de vinhos #EP111 | 08 Jan 2026 | 02:15:06 | |
O vinho brasileiro não se constrói só com romantismo — ele exige chão, erro, estratégia e visão de longo prazo. Nesse episódio do SommCast, a conversa com Diego Bertolini parte de uma taça de Nebbiolo da Serra do Sudeste para atravessar décadas de história real do vinho no Brasil. De Bento Gonçalves ao mercado global, Diego é daqueles personagens que viveram o vinho antes dele virar discurso. A conversa passa pela infância no berço da viticultura gaúcha, pela formação prática dentro de vinícolas, pela quebra de projetos promissores, pela escola dura do mercado e pela virada de chave: entender que não basta fazer vinho bom — é preciso saber vender, posicionar e construir canal. Diego fala sem filtro sobre terroir, multicanalidade, erros históricos do setor, o papel do marketing, da educação e da profissionalização, além de bastidores pouco contados da consolidação do vinho brasileiro no mercado interno e externo. Esse episódio é um mergulho profundo em tudo aquilo que sustenta o vinho para além da taça: gente, estratégia, política, mercado e propósito. Um papo indispensável para quem produz, vende, comunica ou simplesmente quer entender o vinho brasileiro de forma adulta e conectada com a realidade. Dá o play e escuta com atenção — porque aqui tem aprendizado de verdade. Destaques 🍷 Memória afetiva e identidade A primeira lembrança de vinho vem da mesa de casa, do vinho de garrafão, da família e da cultura enraizada na Serra Gaúcha. O vinho aparece como identidade antes de ser produto — e isso molda toda a trajetória. 🌍 Serra do Sudeste e novos terroirs Diego ajuda a entender por que regiões como a Serra do Sudeste se tornaram estratégicas para o vinho brasileiro, com solos graníticos, menor índice pluviométrico e maior aptidão para tintos de qualidade. 📉 Projetos certos na hora errada Ganhar prêmio não garante sobrevivência. O episódio escancara como vinícolas premiadas quebraram por falta de mercado preparado, estratégia comercial e timing — uma lição dura, mas essencial. 📊 Vinho também é venda Um dos pontos mais fortes da conversa: vinho bom é o básico. Atendimento bom é o básico. Conhecer o produto é o básico. O diferencial está na estratégia de canal, no posicionamento e na execução comercial. 🔄 Multicanalidade sem romantismo Pré e pós-pandemia mudaram tudo. Clube, e-commerce, loja física, B2B, on-trade e off-trade hoje coexistem. Quem não entende isso fica para trás — simples assim. 🏷️ Reposicionamento de produto e mercado A experiência na Aurora e no reposicionamento do Keep Cooler vira aula prática sobre gôndola, canal, público e percepção de valor — marketing aplicado, sem teoria vazia. 🇧🇷 Marca Brasil e o desafio da origem Mais difícil do que vender uma vinícola era vender o Brasil como origem. O episódio mostra como o preconceito contra o vinho nacional moldou estratégias, erros e aprendizados. 🤝 O papel do Ibravin e da construção coletiva Diego detalha bastidores do trabalho institucional, da promoção internacional, das feiras, do relacionamento com importadores e da visão de que o concorrente do vinho não é outro país — é a falta de cultura. 🧠 Razão + emoção no vinho Nada de extremismos. Agricultura orgânica, leveduras autóctones, viticultura de precisão e inovação precisam caminhar junto com pesquisa, planejamento e viabilidade econômica. 🚀 Vender vinho é vender cultura No fim, a grande mensagem: vinho é propósito, mas também é método. Sem profissionalismo, não existe mercado sustentável. Sem mercado, não existe cultura. | |||
| Gabriella Justino - Enóloga da Casa Tés #EP110 | 05 Jan 2026 | 01:07:34 | |
O vinho brasileiro está mudando de patamar — e muito disso passa pelas mãos de uma nova geração de enólogos. Neste episódio do SommCast, o papo é com Gabriella Justino, enóloga da Casa Tés, uma vinícola boutique que vem chamando atenção com vinhos elegantes, precisos e profundamente conectados ao terroir da Mantiqueira paulista. Da adolescência cervejeira em Barretos ao comando técnico de um dos projetos mais comentados do país, Gabriella mostra que o caminho do vinho não precisa ser óbvio para ser potente. A conversa mergulha na trajetória de formação da enóloga, passando pela decisão de trocar a gastronomia pela enologia, as vendimas no Brasil, Uruguai e Argentina, e o aprendizado prático que moldou sua visão de vinho. No centro do papo está a Casa Tés: um projeto que nasce pequeno, mas com ambição clara de fazer “pouco e muito bem feito”. Falamos de terroir vulcânico, altitude, dupla poda, microvinificações, fermentações em inox, concreto e ovos, além da influência direta de Pierre Lurton, um dos nomes mais respeitados do vinho mundial, que acompanha de perto cada etapa do projeto. Mais do que técnica, o episódio entrega visão. Gabriella discute elegância versus excesso, amadurecimento do vinho brasileiro, os desafios de formar equipes em regiões sem tradição vitivinícola e a importância de investir em conhecimento antes de volume. Um episódio para quem quer entender por que o Brasil deixou de ser promessa e passou a ser conversa séria no mundo do vinho. Destaques 🍇 Da sommelier à enólogaGabriella conta como um curso de sommelier mudou completamente seu rumo profissional, levando-a ao bacharelado em enologia no Rio Grande do Sul e a uma formação prática intensa em diferentes países e realidades vitivinícolas. ⛰️ Casa Tés e o terroir da Mantiqueira O projeto nasce no Vale da Grama, em São Sebastião da Grama (SP), com solos vulcânicos, altitude elevada e grande amplitude térmica — combinação que imprime frescor, precisão e identidade aos vinhos. 🧪 Microvinificações e escolhas técnicas Fermentações separadas por parcelas, uso de inox, concreto e ovos, barricas de primeiro e segundo uso e volumes pequenos permitem decisões mais finas e cortes mais complexos, sempre buscando elegância. ✂️ Dupla poda sem exageros O episódio aprofunda como a dupla poda pode gerar vinhos mais equilibrados quando o foco deixa de ser potência e passa a ser finesse, respeitando a maturação fenólica e o limite da madeira. 🌍 Pierre Lurton e a troca internacional A presença ativa do consultor francês traz método, questionamento e ajustes finos, sem impor modelos prontos — a ideia é adaptar conhecimento clássico a um terroir totalmente novo. 📈 O vinho brasileiro em ascensão Gabriella reflete sobre o momento do Brasil no cenário global: menos comparação com o velho mundo e mais entendimento do próprio território, clima e identidade. 🍷 Pouco, bem feito e com propósito Produção limitada, venda por alocação, presença em restaurantes icônicos e zero pressa para crescer. A Casa Tés aposta em consistência e longo prazo, não em volume. | |||
| Luiz Gastão - Vice-Presidente do Mercado Eletrônico e colunista de vinhos no Brazil Journal #EP109 | 01 Jan 2026 | 02:02:55 | |
O vinho não entra na vida de Luiz Gastão Bolonhez como profissão — entra como paixão. Engenheiro de formação, executivo do mercado de tecnologia há décadas e um dos grandes difusores da cultura do vinho no Brasil, Gastão construiu uma relação profunda com a bebida muito antes das redes sociais e dos discursos prontos. Para ele, vinho é infinito: um território onde convivem memória, prazer, conhecimento e gente. Ao longo do episódio, Gastão costura histórias pessoais e profissionais com uma visão muito clara: o vinho só faz sentido quando está ligado à mesa, à comida e às pessoas. A conversa passa por sua trajetória autodidata, pelas viagens que moldaram seu olhar — Borgonha, Sicília, Madeira, Napa, Chile, Brasil — e pela transformação do enoturismo no mundo. Ele fala sobre obsessão saudável, disciplina, saúde, redes sociais, mercado e sobre como o vinho pode ser ao mesmo tempo sofisticado e simples. Esse não é um episódio sobre rótulos caros ou discursos técnicos. É sobre viver o vinho com propósito, curiosidade e afeto. Sobre entender que aprender, compartilhar e servir também fazem parte da experiência. Se você acredita que vinho é cultura viva — e não vitrine — esse episódio é obrigatório. Dá o play e senta à mesa com a gente. Destaques 🍷 Vinho como elo de conexão Para Luiz Gastão Bolonhez, o vinho não é o centro da mesa, mas o fio que conecta comida, conversa, memória e convivência. Ele existe para aproximar pessoas, não para afastá-las. 🧠 Paixão, curiosidade e estudo contínuo Autodidata por escolha, Gastão defende que só se ama o que se conhece. Estudar vinho é um processo infinito — e é exatamente isso que torna a jornada tão fascinante. 🌍 Viagens que transformam a percepção do vinho Das regiões clássicas às ilhas vulcânicas, o vinho é porta de entrada para entender geografia, história, gastronomia e cultura local. Sicília e Madeira surgem como exemplos de territórios que mudam a forma de pensar o vinho. 🏡 Safras, família e memória afetiva Garrafas guardadas como marcos da vida: casamento, filhos, encontros, datas importantes. O vinho como arquivo emocional, capaz de contar histórias que palavras não dão conta. 📱 Redes sociais como espaço de troca real Longe do glamour vazio, Gastão enxerga o digital como ferramenta de difusão cultural, aprendizado e conexão genuína — onde o vinho vira linguagem universal. 🪑 Descomplicar para incluir Um dos pontos mais fortes do episódio é a defesa de um vinho menos pedante e mais acessível. Degustar vem antes de entender. Provar vem antes de julgar. O vinho precisa convidar, não intimidar. | |||
| Raquel Poleto - Sommelière e colunista de vinhos no Espírito Santo #EP108 | 29 Dec 2025 | 01:18:00 | |
O vinho nem sempre começa na taça — às vezes começa na memória, na família e na cultura do lugar. Neste episódio do SommCast, a conversa com Raquel Poleto revela como o vinho pode ser um agente de transformação cultural em mercados fora do eixo tradicional, conectando pessoas, histórias, literatura e experiências sensoriais no Espírito Santo. Uma trajetória que mistura números, afeto e muita criatividade. Raquel compartilha sua jornada pouco óbvia: contadora há mais de duas décadas, ela constrói em paralelo uma atuação sólida no mundo do vinho como sommelier formada pelo IFSP, colunista do jornal Dia a Dia e colaboradora da Revista Adega. O papo passa por confrarias que nascem do caos e ganham método, pela evolução do consumo de vinho em cidades menores e pela importância de deselitizar o discurso sem banalizar o conteúdo. O episódio aprofunda ainda projetos autorais que vão além da degustação tradicional, como o Livros & Vinhos, onde literatura, música, teatro e vinho se encontram para criar experiências memoráveis. É uma conversa sobre formação, ética, mercado, cultura e, principalmente, sobre como o vinho pode — e deve — ser um instrumento de encontro, pertencimento e curiosidade. Dá o play e descubra como o vinho ganha novas camadas quando sai do óbvio. Destaques 🍷 Primeira memória com vinho Raquel relembra a infância em família italiana, onde o vinho de garrafão fazia parte da rotina — inclusive adaptado para as crianças. Uma lembrança afetiva que ajuda a entender sua visão descomplicada e humana sobre o consumo. 📊 Duas carreiras, um mesmo propósito A convivência entre contabilidade e vinho traz um olhar estratégico raro: vender sonho é importante, mas pagar contas também. Raquel fala sobre a necessidade de unir paixão e sustentabilidade financeira no mercado do vinho. 🌎 O vinho fora do eixo tradicional O Espírito Santo surge como um mercado em construção, com crescimento de confrarias, consumo mais consciente e até produção local. Um retrato realista de como a cultura do vinho se espalha pelo Brasil. 🎓 Formação e responsabilidade profissional O impacto do curso de sommelier na forma de provar, indicar e comunicar vinho. Separar gosto pessoal de análise técnica se torna um divisor de águas na atuação profissional. 🎭 Confrarias como experiências culturais Nada de degustação engessada: música, dança, teatro e narrativa fazem parte das confrarias organizadas por Raquel, criando memórias e aproximando novos públicos do vinho. 📚 Livros & Vinhos: literatura na taça Um projeto autoral que harmoniza obras literárias com vinhos, comidas e contextos históricos. Cada encontro é pensado como uma jornada sensorial completa, não apenas como um evento de degustação. 🍽️ Cartas de vinho com escuta ativa Raquel fala sobre a construção de cartas de vinho realistas, que respeitam o perfil do público, o clima da região e a operação do restaurante — sempre com treinamento de equipe e visão de longo prazo. 🤝 Descomplicar sem banalizar Talvez a maior mensagem do episódio: não existe certo ou errado na taça. Existe contexto, momento e vontade. O vinho cresce quando acolhe, não quando afasta. | |||
| Diego Fabris - Sócio Fundador e CEO na Wine Locals #107 | 25 Dec 2025 | 01:52:40 | |
O vinho entrou cedo na vida de Diego Fabris, mas nunca como obrigação técnica ou exercício de erudição. Entre memórias de família, espumantes bebidos com gelo na juventude e uma relação visceral com comida, viagem e hospitalidade, ele construiu um olhar raro: o vinho como experiência viva, social e emocional — não como prova ou diploma. É desse lugar que nasce a Wine Locals, hoje a maior plataforma de enoturismo da América do Sul. Ao longo da conversa, Diego passa por sua formação em publicidade, a vivência transformadora nos Estados Unidos, a criação do projeto Destemperados e o mergulho profundo no universo da experiência como valor central. Ele explica por que sempre acreditou que conteúdo, curadoria e vivência real são mais importantes do que tecnicismo — e como isso moldou sua forma de comunicar gastronomia, vinho e turismo ao longo de mais de uma década. O papo ganha ainda mais densidade quando ele conta como decidiu lançar uma plataforma de enoturismo no meio da pandemia — quando tudo parecia impossível. Ao invés de recuar, Diego apostou em tecnologia, conteúdo e parceria com produtores, ajudando vinícolas a estruturar experiências, vender visitas e criar vínculos reais com o consumidor. Um episódio que mostra que vinho não é só produto: é território, gente, tempo e memória. Dá o play e repense sua relação com a taça. Destaques 🍷 Vinho sem perder a diversão Diego defende uma relação menos técnica e mais honesta com o vinho. Para ele, estudar é importante, mas não à custa do prazer, da curiosidade e da leveza que fazem o vinho ser social e humano. 🌍 Experiência como motor de cultura Muito antes da palavra “experiência” virar buzzword, ele já apostava na vivência como forma de criar conexão real. Visitar, sentir, conversar e estar presente transforma a percepção sobre vinho — e sobre qualquer território. 📣 Conteúdo como ativo estratégico Desde os tempos do Destemperados até a Wine Locals, o conteúdo nunca foi acessório. Ele é ferramenta de desejo, educação e curadoria, ajudando o consumidor a navegar em um dos mercados mais complexos do mundo. 🏔️ Enoturismo e vinho brasileiro A vivência nas vinícolas muda completamente a narrativa sobre o vinho nacional. Quem visita, entende. Quem entende, valoriza. E quem valoriza, consome de outra forma. 🦠 Criar na crise Lançar a Wine Locals no auge da pandemia parecia loucura — e foi exatamente isso que abriu espaço. Com o turismo tradicional parado, o enoturismo foi o primeiro a reagir, impulsionado por natureza, distanciamento e desejo de reconexão. 🎟️ Eventos como extensão da experiência Festivais, vindimas e encontros não são só entretenimento: são ferramentas poderosas para fidelizar, educar e fortalecer regiões inteiras. Quando bem feitos, conectam conteúdo, venda e comunidade. 📖 Curadoria acima de tudo Guias impressos, séries e experiências vendidas na plataforma passam pelo mesmo filtro: alguém do time viveu aquilo. A curadoria nasce da experiência real, não apenas da ficha técnica. | |||
| Juliana Haddad - Sommelière e Embaixadora da Sacramentos Vinifer #EP106 | 22 Dec 2025 | 02:07:01 | |
Migrar de carreira já é um desafio. Fazer isso para o universo do vinho exige ainda mais coragem, método e desapego de romantizações. Neste episódio do SommCast, Juliana Haddad compartilha uma trajetória real, construída longe de atalhos: da Educação Física ao mercado do vinho, passando por formação técnica, prática intensa, erros, acertos e escolhas conscientes ao longo do caminho. A conversa percorre desde as primeiras memórias afetivas com o vinho até a decisão de investir em educação formal — ABS, WSET, cursos internacionais e o início no Court of Master Sommeliers. Juliana fala com franqueza sobre o peso da litragem, a importância do repertório prático e o perigo de confundir certificado com especialização. O episódio também escancara o lado pouco glamouroso da profissão: bastidores de importadoras, treinamentos, eventos, logística, vendas e construção de marca no dia a dia. Mais do que uma história pessoal, o episódio funciona como um retrato honesto do mercado do vinho no Brasil hoje. Educação, serviço, comunicação, networking, posicionamento profissional e qualidade de vida aparecem como decisões estratégicas — não como consequência automática da carreira. Um episódio essencial para quem quer entender o vinho para além da taça e das aparências. Destaques 🍇 Memória afetiva e origem do interesse pelo vinho O vinho surge primeiro como cultura e afeto, antes de virar profissão. Uma base emocional que ajuda a explicar escolhas mais conscientes ao longo da carreira. 📚 Formação técnica como ferramenta, não como fim ABS, WSET e cursos internacionais aparecem como pontos de partida. O aprendizado real acontece quando estudo e prática caminham juntos. 🧠 Certificação não é especialização Um dos momentos mais provocadores do episódio: diplomas ajudam, mas não substituem tempo de mercado, repertório e vivência real. 🍷 Litragem como escola definitiva Provar muito, provar diverso e estar presente em eventos é apresentado como um diferencial real — mesmo quando o bolso impõe limites. 🏷️ Bastidores do mercado e das importadoras Da montagem de caixas à emissão de notas fiscais, o episódio desmonta a ideia de glamour e mostra o trabalho invisível que sustenta o setor. 🎓 Educação e treinamentos na prática Ensinar vinho exige preparo, método e repetição. Juliana compartilha inseguranças iniciais e o processo de construção como educadora. 🌍 O papel real da embaixadora de marca Muito além de eventos e imagem, o trabalho envolve vendas, treinamento de equipes, alinhamento estratégico e disponibilidade constante. 🎙️ Podcast como ferramenta de posicionamento A experiência no Talk Taças mostra como o conteúdo também educa, gera autoridade e constrói mercado — quando feito com consistência. 🔄 Cabeça aberta como princípio profissional No vinho, opinião fixa é um erro. Evoluir passa por ouvir, rever conceitos e aceitar que aprender nunca termina. | |||
| Fabio Lobosco - Criador do perfil Dose Bacanal #EP105 | 18 Dec 2025 | 01:29:49 | |
Existe vinho além da taça — e Fábio Lobosco é a prova viva disso. Educador, pesquisador, provocador nato e uma das vozes mais ácidas do vinho brasileiro, ele chega ao SommCast para desmontar romantizações, desafiar consensos e colocar o dedo onde o mercado prefere esconder. Da formação acadêmica ao consumo real, o papo começa sem anestesia. Ao longo da conversa, Lobosco atravessa temas que quase nunca aparecem juntos: educação em vinho, modelos de ensino (WSET, WSG, Senac), mercado brasileiro, desigualdade estrutural, vinho como produto de luxo, desalcoolização, vinhos de baixa intervenção, precificação abusiva e o fetiche da exclusividade. Tudo costurado por história, política, análise sensorial e uma visão crítica sobre como o discurso muitas vezes se distancia — e muito — da realidade. No fim, fica a pergunta incômoda: estamos bebendo vinho ou apenas comprando narrativa? Este episódio não entrega respostas fáceis, mas oferece algo muito mais valioso — repertório, pensamento crítico e coragem intelectual. Dá o play e prepare-se para sair da zona de conforto. Destaques 🍷 Educação em vinho sem romantização Formação não é sobre decorar regiões ou repetir discursos prontos. É sobre entender história, política, mercado e desenvolver senso crítico para não ser refém de modismos ou narrativas vazias. 🧠 WSET, WSG, Senac e os diferentes caminhos do ensino Cada método carrega um DNA próprio — comercial, cultural ou técnico. Navegar por todos é essencial para construir uma visão pessoal e não depender de uma única lente. 💰 Vinho como produto de luxo no Brasil Do campo à prateleira, o vinho nasce caro. Estrutura agrária, falta de incentivo ao pequeno produtor e desigualdade econômica moldam o que chega à taça — e para quem. 🌱 Baixa intervenção: filosofia ou fetiche? Quando sustentabilidade vira discurso de elite, o vinho deixa de ser democrático. A provocação não é contra o conceito, mas contra a distância entre narrativa e realidade. 🚫 Desalcoolização e seus paradoxos Uma tendência de mercado legítima, mas cheia de contradições sensoriais e conceituais. Dá pra chamar de vinho sem álcool algo que depende estruturalmente do álcool? 🏷️ Precificação e a ilusão do desconto Escadinhas mágicas de preço, margens infladas e o consumidor tratado como ingênuo. Uma aula prática sobre como funciona — e como se vende — o luxo no vinho. 📚 Clássicos antes da vanguarda Nada nasce do nada. Vinhos modernos dialogam com Bordô, Piemonte, Mosel e Borgonha. Ignorar o clássico é perder o fio da história. 🔥 O papel do educador: incomodar A boa aula não agrada — provoca. Questiona certezas, gera desconforto e obriga o aluno a pensar além da superfície. | |||
| Juan Pablo Solís - Enólogo chefe da Bodega Kaiken #EP104 | 15 Dec 2025 | 01:23:16 | |
Quando Juan Pablo Solís senta diante dos microfones do SommCast, não é apenas um enólogo que fala — é a voz de uma nova Argentina. Formado entre vinhedos, tradições familiares e a visão ousada de Aurelio Montes, Solís traz uma perspectiva rara: a de quem entende o vinho como território, cultura e tempo. Um episódio que questiona o óbvio e revela a essência de uma região que aprendeu a pensar terroir antes de pensar técnica. Ao longo da conversa, mergulhamos desde sua infância entre mistelas caseiras até a construção da Kaiken como referência sul-americana. Falamos de altitude, solos, clima, identidade e da revolução silenciosa que transformou o Malbec de volume em Malbec de origem. Solís explica por que o vinho argentino evoluiu tão rápido, como a equipe lê cada parcela do Valle de Uco, a filosofia de “vinho começa na vinha” herdada de Aurelio e o papel da sustentabilidade como ponte entre homem e natureza. Uma aula viva de viticultura real, sem romantização — só verdade. Fechamos entendendo por que a Kaiken virou símbolo de precisão, propósito e consistência. É um episódio para quem quer enxergar além da taça e compreender o que torna um vinho realmente grande. Se você ama Malbec, adora terroir ou simplesmente quer escutar alguém que vive o vinho de dentro pra fora, aperte o play e mergulhe nessa jornada. Destaques 🍷 O início improvável de um enólogo Como a infância em Mendoza — roubando mistelas caseiras da mãe — moldou a curiosidade que virou profissão. Um relato que conecta afeto, território e a gênese da identidade argentina. 🌱 A filosofia “o vinho nasce na vinha” Solis explica como a influência de Aurelio Montes mudou sua forma de trabalhar, colocando o vinhedo no centro de tudo: clima, rendimento, equilíbrio, manejo e presença constante no campo. Não é técnica; é cultura. 🏔️ Argentina além do Malbec: terroir, altitude e precisão Por que a nova viticultura argentina é mais climática do que varietal. Como a leitura de microzonas — Altamira, Gualtallary, Chacayes — transformou o perfil dos vinhos e abriu espaço para frescor, identidade e elegância. 🍇 A evolução da Kaiken e a herança chilena A adaptação da escola chilena de alta gama ao contexto argentino: foco na qualidade, seleção minuciosa de parcelas, crianzas mistas, sustentabilidade e consistência global. O encontro de duas culturas do vinho em um só projeto. 🥇 O impacto do Ultra e do Luxury no mercado mundial A história por trás do Malbec Ultra premiado pela Wine Spectator e o nascimento do Luxury, um vinho de edição limitada que traduz a maturidade da Kaiken. Um estudo de precisão que mostra como a vinícola pensa longo prazo. 🔬 Vinho como processo, não como produto Do manejo ao blend, Solís detalha como decisões pequenas — temperatura, tempo de maceração, ponto de colheita — mudam tudo. Uma visão que aproxima qualquer pessoa do trabalho real da enologia. 🌎 O vinho como ponte cultural Como as garrafas da Kaiken desbravam 70 países, contam histórias da cordilheira e despertam turismo, identidade e pertencimento. O vinho como experiência 360°. | |||
| Juscelino Pereira - Proprietário do Piselli #EP103 | 11 Dec 2025 | 01:08:20 | |
O que conecta uma horta de ervilhas no interior de Joanópolis a um dos restaurantes mais prestigiados do Brasil? No SommCast, Juscelino Pereira — fundador do Piselli — revela uma trajetória improvável, emocionante e cheia de propósito. Da roça à alta gastronomia, ele mostra como humildade, coragem e visão podem transformar destinos. No papo, revisitamos memórias, tropeços, brisas de sorte e decisões que mudaram uma vida inteira: o sonho de ser garçom nos Jardins, o encontro com Manuel Beato, as viagens para a Itália, a primeira taça de grandes vinhos, a fundação do Piselli aos 35 anos e a magia que fez a ervilha virar destino gastronômico. Também mergulhamos nos bastidores da expansão da marca, nos rituais do Piemonte, no impacto dos vinhos brasileiros e no que realmente significa servir com alma. Este episódio entrega mais que inspiração: entrega legado. Uma conversa sobre trabalho, raízes, gastronomia, vínculos, vinho, generosidade e ambição — daquele tipo que acende a vontade de criar algo maior do que nós mesmos. Aperte o play e viva essa jornada completa com a gente. Destaques 🍇 A primeira memória com vinho — e ela começa na venda da família Na adolescência, Juscelino servia cerveja, cachaça e vinho de São Roque no balcão do pai. A curiosidade pela bebida nasceu ali, sem glamour, mas com verdade. Uma lembrança que moldou tudo que viria depois. 🌱 A ervilha que mudou o destino A história é real: depois de plantar ervilha torta sem saber e perder toda a safra, ele decidiu largar a roça. Esse fracasso o empurrou para São Paulo — e a decisão foi o primeiro passo rumo ao Piselli. Mais tarde, seria justamente a “ervilha” a batizar o restaurante. 🥂 O despertar para o vinho fino Como segundo sommelier de Manuel Beato, ele abriu grandes Bordeaux, Borgonhas e Barolos. Foi ali que a paixão se instalou — no contraste entre a simplicidade da infância e o universo dos grandes rótulos do mundo. 🇮🇹 Itália: o país que entrou na veia Viagens para Toscana e Piemonte redefiniram seu olhar gastronômico. juscelino viveu experiências que mudaram sua relação com terroir, vinho e cozinha — e trouxe esse repertório para o Piselli. 🎂 Piselli nasce no dia em que ele completa 35 anos Com um caderno cheio de anotações e coragem para pedir demissão no auge da carreira, ele abre o restaurante exatamente no dia do aniversário — fechando o “ciclo da ervilha”, como ele mesmo diz. 🏛️ Da Vila Jardins a Brasília: o Piselli como marca afetiva Juscelino conta como levou a alma do restaurante para outras unidades, mantendo a hospitalidade como DNA. Ele também revela a emoção de abrir uma casa em Brasília, terra símbolo de JK — justamente o político que inspirou seu nome. 🥖 A alquimia do pão, da banha càuda e dos rituais piemonteses Os detalhes que ninguém vê: levain centenário trazido da Itália, receitas exclusivas, curadoria minuciosa. O Piselli virou uma embaixada sensorial do Piemonte em São Paulo. 🍷 A carta de vinhos: Piemonte, Itália e Brasil lado a lado O restaurante valoriza produtores nacionais — dos espumantes do Sul aos vinhos de inverno do Sudeste. Ele conta até a reação de Angelo Gaja ao provar rótulos brasileiros no Piselli. 💼 Servir é verbo, é vocação, é cultura O jargão “maravilhoso” nasceu como incentivo ao cliente e virou assinatura da casa. No Piselli, serviço é escuta, acolhimento e autenticidade. | |||
| Garbo Enologia Criativa - Andrei e Jhonatan, duas das mentes por trás da vinícola #EP102 | 08 Dec 2025 | 02:08:36 | |
A Garbo nasceu de uma amizade que virou propósito — e de três enólogos inquietos que decidiram desafiar o óbvio no coração da Serra Gaúcha. No SommCast, Andrei e Jhonatan revisitam memórias de infância entre vinhedos, o início na enologia ainda adolescentes e como essa jornada evoluiu para uma das vinícolas mais criativas do Brasil. É um episódio sobre raízes, coragem e a força de uma visão compartilhada. A conversa mergulha na formação dos três sócios, nos anos de experimentação que deram origem ao conceito de “enologia criativa” e na construção de uma marca que cresceu sem vinhedo próprio — guiada por sensibilidade, técnica e muita parceria. Eles revelam o nascimento do Inquieto, o blend que virou símbolo da vinícola, contam histórias dos bastidores, da confraria que dura 17 anos, da construção do Winebar e do novo vinhedo em Pinto Bandeira. Um retrato íntimo de como tradição e inovação podem coexistir na mesma taça. No final, fica o convite para olhar o vinho com outros olhos: menos rigidez, mais curiosidade. Este episódio entrega inspiração para quem cria, para quem empreende e para quem acredita que o futuro do vinho brasileiro passa por ousadia, afeto e novas leituras do terroir. Aperte o play e descubra por que a Garbo conquistou tanta gente sem abrir mão da essência. Destaques 🍇 Infâncias entre vinhedos Histórias sensoriais da Vindima, do cheiro de uva ao sorvete na cooperativa, e como crescer na Serra moldou a relação dos enólogos com o vinho. 👨🎓 Da sala de aula ao laboratório da vida Como o curso técnico em enologia — ainda adolescentes — e os anos na Casa Valduga construíram uma base sólida que mistura técnica e intuição. 🤝 Amizade como alicerce da vinícola Uma confraria de 17 anos, decisões coletivas e o equilíbrio entre sociedade e afeto como motor de um negócio que mantém a alma intacta. 🔥 O nascimento da enologia criativa O desejo de questionar o “caminho óbvio”, o blend de Merlot com Sauvignon Blanc e o surgimento do Inquieto — o vinho que redefiniu a identidade da Garbo. 🧪 Experimentação como método Madeiras brasileiras, novas leveduras, leituras alternativas de uvas clássicas e a busca por vinhos ousados que não abrem mão da elegância. 🏞️ Terroirs múltiplos, possibilidades infinitas Como trabalhar com uvas de diferentes regiões (Serra, Encruzilhada, Campanha) ampliou o repertório e deu liberdade criativa aos enólogos. 🥂 O Winebar e a experiência Garbo Degustações criativas — como vinho + gelato —, rótulos ilustrados e a construção de um espaço que valoriza pessoas, histórias e presença. 🌱 O futuro plantado em Pinto Bandeira O primeiro vinhedo próprio, a construção da cave subterrânea e o sonho de uma vinícola que começa a tomar forma com paciência e propósito. | |||
| Marcel Miwa — Jornalista, crítico e consultor de vinhos, coautor do Guia dos Vinhos #EP101 | 04 Dec 2025 | 01:51:46 | |
O universo do vinho é feito de começos improváveis — e poucos são tão bons quanto o de Marcel Miwa. De um bar na Vila Olímpia aos bastidores das maiores referências do jornalismo e da crítica do vinho no Brasil, Marcel mostra que a curiosidade, a coerência e a coragem de recomeçar podem transformar uma vida inteira de propósitos. Neste episódio, ele abre o jogo sobre formação, escrita, mercado, ego, tradição, amadurecimento e tudo o que existe entre uma taça e outra.No papo, revisitamos a história de quem entrou no vinho por necessidade, mergulhou por teimosia e ficou por paixão. Marcel narra a transição do direito para o balcão, do balcão para a sala de degustação, e da sala para as mesas onde só a elite mundial do vinho senta — aquelas onde se liga diretamente para o diretor do Château Margaux ou se conversa sobre futebol com Gérard Basset. Falamos de jornalismo, de texto, de estilo, de confrarias, da pressão moderna por aparecer e da beleza de simplesmente observar o mercado com calma e profundidade.No fim, o episódio provoca uma reflexão simples: como encontramos o nosso lugar dentro de um mundo tão sedutor quanto o vinho? Marcel responde com honestidade e leveza — e te convida a ouvir uma das conversas mais humanas e inspiradoras do SommCast. Aperte o play e venha degustar ideias que ficam na memória tanto quanto um grande rótulo.Destaques🍷 A primeira taça ninguém esquece — mesmo quando não é marcanteMarcel relembra seus primeiros contatos com o vinho, ainda na faculdade, e como uma necessidade operacional no bar o obrigou a estudar mais, transformando um “perrengue” em vocação. 📚 Do direito ao vinho: coerência como bússolaEle explica por que o mundo jurídico nunca entregou a coerência que encontrou no vinho: no campo, na adega e na taça, tudo tem causa, consequência e significado.📝 Como nasce um jornalista do vinhoO episódio revela bastidores deliciosos — desde revisar livros até realizar pesquisas para Jorge Lucki, passando pela evolução da sua própria escrita (de petições travadas para textos mais leves, diretos e humanos).🤝 A humanidade por trás das grandes referênciasHistórias impactantes com Gérard Basset, René Barbier e Christopher Cannon mostram que os gigantes do vinho são, antes de tudo, gigantes como pessoas. A simplicidade, o acolhimento e a generosidade deles viram lição para a vida.📲 Redes sociais, pressões modernas e autenticidadeMarcel fala sobre o amor e ódio com o digital, a falta de tempo para “digerir” conteúdo, o FOMO do mundo do vinho e a importância de encontrar um ponto de equilíbrio sem trair a própria personalidade.🍇 O consumidor apaixonado continua o mesmo — só o bolo cresceuEventos, confrarias, viagens, descobertas, WhatsApp… a estrutura mudou, mas a jornada de quem se apaixona pelo vinho permanece essencialmente igual.🧠 A maturidade de entender o próprio ritmoO episódio traz reflexões sobre paciência, digestão do conhecimento, controle do ego e o entendimento de que não é preciso estar em todos os lugares — apenas no lugar certo para você. | |||
| Dra. Aline Mabel - PhD em viticultura, WSET3, Diretora da Anprovin e ABE #EP100 | 01 Dec 2025 | 01:55:06 | |
A viticultura brasileira nunca mais será a mesma — e ouvir a Dra. Aline Mabel deixa isso claro desde o primeiro minuto. PhD em viticultura, diretora técnica, consultora e uma das vozes mais respeitadas do país quando o assunto é uva, terroir e manejo, ela chega ao SommCast com uma história que combina técnica, sensibilidade, pesquisa, desafios climáticos e muita paixão pela agricultura. Este é um episódio que mostra o vinho como ele realmente é: um ato de resistência, ciência e cultura. Ao longo do papo, mergulhamos na trajetória que levou Aline da Serra Catarinense à coordenação de mais de 40 projetos pelo Brasil — passando por Embrapa, UFRGS, Itália, Campanha Gaúcha, Serra do Sudeste, Mantiqueira e o universo revolucionário da dupla poda. Ela revela bastidores raros: geadas históricas, clones, porta-enxertos, erros que custam safras inteiras, manejo biodinâmico impossível no Brasil, preconceitos no campo, riscos climáticos, viticultura de precisão e a expansão de novos terroirs entre SP, MG, RJ, GO e DF. Um mapa vivo da viticultura contemporânea. No fechamento, Aline entrega uma visão poderosa: fazer vinho no Brasil é para quem entende de clima, solo, ciência — e coragem. Um país sem inverno definido, com extremos climáticos e mão de obra em transformação, exige técnica e estratégia desde o primeiro talhão. O episódio é uma aula para quem ama vinho e um chamado para quem quer entender (de verdade) o que existe por trás de cada garrafa. Aperte o play e prepare-se para ver o vinho brasileiro com outros olhos. Destaques 🍇 A primeira memória de vinho Como a cultura italiana na infância, o contato familiar com a agricultura e o ambiente rural abriram caminho para um futuro na viticultura. Uma lembrança afetiva que se tornou vocação científica. 🎓 Da Agronomia ao PhD: quando a uva escolhe você Aline conta como entrou no grupo Neuvim, iniciou pesquisas em São Joaquim, acompanhou poda de nebiolo no frio extremo e encontrou sua trilha na pesquisa científica ainda na graduação. 🌬️ Geada, calor e caos climático: o Brasil real da viticultura Por que variedades precoces como chardonnay e pinot noir sofrem tanto com picos de calor no inverno. Como geadas tardias devastam safras. E por que a videira está brotando fora da hora. 🌿 A verdade técnica sobre o Dormex Desmistificação completa: o que o produto é, o que NÃO é, como funciona e por que não deixa resíduos no vinho. Explicação científica direta, sem tabus. 🧪 O doutorado que virou ferramenta para salvar vinhedos Seu projeto sobre manejo para evitar danos por geadas tardias virou referência e ajudou vinícolas inteiras na Serra Gaúcha a preservar produtividade e qualidade. 🚜 Ser mulher na linha de frente da viticultura A resistência inicial, a equipe desconfiada, o olhar enviesado do campo — e como competência, ciência e resultados mudaram tudo. Uma história forte sobre liderança e respeito. 🌍 Viticultura de inverno explicada de um jeito simples Por que o Brasil não tem dormência natural. Como funciona o ciclo invertido da dupla poda. O impacto da seca, amplitude térmica e maturação no inverno. Uma aula de clareza. 🔥 Safra 2025: talvez o ciclo mais difícil da história Seca, geada, granizo, calor extremo e maturação lenta. Como se salva um vinhedo em um ano imprevisível e por que essa safra será lembrada por décadas. 🧬 Cabernet Franc, a queridinha dos novos terroirs A uva que mais se adaptou aos diferentes solos e climas do Sudeste e Centro-Oeste. Por que ela entrega qualidade incrível e produtividade consistente na dupla poda. 🍷 Bastidores da expansão vitícola no Sudeste Como escolher o terroir, o porta-enxerto, o clone e até o talhão certo. E por que um erro no início custa uma década de prejuízo. 👩🔬 Da Serra Gaúcha ao Brasil inteiro: 40 projetos e 5 estados A escala da atuação de Aline na Vitacea/Provin: de vinhedos jovens a cultivos consolidados, de SP a Brasília. Um retrato da nova viticultura brasileira. | |||
| Alberto Siegel - Proprietário da Siegel Family Wines, localizada no Valle de Colchagua, Chile #EP99 | 27 Nov 2025 | 01:18:56 | |
O Chile que você acha que conhece — cheio de Carménère clássico e Cabernet previsível — ganha outra dimensão quando entra em cena Alberto Siegel, CEO e enólogo da Siegel Family Wines, terceira geração de um legado que mistura arquitetura austríaca, vinhedos entre cordilheiras e uma obsessão por identidade. Direto de Los Lingues, um terroir andino que virou DO em 2018, Alberto abre o jogo sobre tradição, modernidade e por que o Chile ainda tem muito para surpreender. No papo, mergulhamos em terroirs, microvinificações, escolhas ousadas e vinhos que tomaram o Brasil de assalto — como o Naranjo de Viognier, hoje um fenômeno entre os consumidores brasileiros. Alberto conta como o estilo surgiu, por que é tão diferente dos laranjas tradicionais e como a vinícola chegou a uma precisão técnica capaz de entregar frescor, textura e persistência mesmo em vinhos de clima mais quente. Também falamos sobre Carménère (e seus traumas no Brasil), novas variedades mediterrâneas, microparcelas e o papel do capital humano na construção de uma vinícola familiar contemporânea. No fim, fica claro: este episódio não é só sobre vinho chileno — é sobre evolução, pesquisa, coragem e identidade. Se você gosta de entender por que um rótulo se torna grande (e como isso se traduz na taça), este papo é obrigatório. Dá o play e descobre como o Chile está sendo reescrito safra após safra. Destaques 🍇 A força do terroir de Los Lingues Alberto explica por que o vale, aos pés da Cordilheira dos Andes, tem clima mais fresco, brisas constantes e enorme diversidade de solos — fatores que trouxeram elegância, acidez e identidade aos vinhos da casa. 🏺 O Naranjo que virou sensação no Brasil Feito 100% de Viognier, fermentado com cascas e envelhecido em barricas de quinto uso em hiperoxidação por um ano. O resultado? Frutas secas, jasmim, kumquat, textura oleosa e acidez vibrante. Um estilo próprio, muito distante dos laranjas oxidativos tradicionais. 🌿 Carménère: da confusão ao protagonismo Do “Merlot tardio” à uva-símbolo do Chile, Alberto detalha a descoberta, os erros históricos, o preconceito no Brasil e como hoje, plantada no terroir certo, entrega taninos sedosos, elegância e frescor. 🍇 O ícone de origem vulcânica Blend de Syrah, Carménère, Petit Verdot e Cabernet Franc feito a partir dos melhores microblocos dos Lingues, com 30 meses de carvalho francês. Recém-eleito entre os 100 melhores vinhos do Chile no James Suckling. 🧪 Microvinificação e mapeamento eletromagnético A vinícola usa tanques abertos, pisoneio automático e separação de microparcelas para entender o solo em profundidade e decidir quais lotes viram vinhos especiais — prática de alta precisão. 🍒 As novas apostas mediterrâneas Cariñán, Grenache, Mourvèdre e Cinsault entram para o portfólio com surpreendente qualidade, trazendo leveza, fruta vibrante e frescor — estilos perfeitos para o clima brasileiro. 🔥 Petit Verdot: o “cavalo selvagem” domado Alberto descreve a variedade como intensa, explosiva e desafiadora, mas extremamente gastronômica quando equilibrada — especialmente com picanha brasileira. 👨👩👦 O peso do legado familiar Quatro gerações vivendo entre vinhas, ensinamentos passados no campo e a filosofia de que o vinho carrega tanto o terroir quanto as pessoas que o produzem. 🥇 Pontuações e reconhecimento internacional Descorchados, Wine Spectator, James Suckling — da elite chilena aos top 100 do mundo, a consistência das avaliações confirma o trabalho técnico e o estilo elegante da casa. 🍽 O diálogo com a gastronomia brasileira Do frescor dos brancos e rosés ao equilíbrio dos tintos, Alberto explica por que o portfólio Siegel se encaixa tão bem na culinária diversa do Brasil. | |||
| Wallace Neves - Melhor Sommelier do Brasil 2022 e Embaixador Vinhos do Alentejo #EP98 | 24 Nov 2025 | 02:07:18 | |
Wallace Neves não nasceu no vinho — ele se fez no vinho. Neste episódio poderoso, acompanhamos a trajetória de um dos nomes mais respeitados da sommelieria brasileira: do primeiro gole de garrafão no Natal da infância ao título de Melhor Sommelier do Brasil. Um convidado que carrega história, técnica, vivência e — acima de tudo — humildade. Um episódio sobre meritocracia real, resiliência e coragem de recomeçar. A conversa mergulha em suas origens, nos desafios da juventude, nas portas que se abriram (e principalmente nas que se fecharam), na brutal realidade dos bastidores da profissão e no impacto transformador que mestres, mentores e amigos tiveram em seu caminho. Wallace relembra demissões, viradas de chave, erros que moldaram sua postura e as grandes competições que expandiram sua mente — tudo temperado com histórias de hotelaria, gastronomia, aulas, palestras, fracassos e vitórias memoráveis. No fim, sobra uma mensagem que vale como ouro: talento importa, mas disciplina, humildade e preparo constroem carreiras. Um episódio que inspira qualquer pessoa que busca evolução — dentro ou fora do mundo do vinho. Venha entender por que Wallace Neves é hoje uma das maiores referências do país. Destaques 🍷 A primeira memória com vinho — e o garrafão que mudou tudo Wallace conta como seu primeiro contato foi com vinho de mesa, ainda criança, em um Natal simples — uma lembrança afetiva que, sem ele saber, seria a semente de tudo. 👨🍳 Hotelaria, restaurante, chão de salão — e a verdadeira escola da vida Ele revisita os anos como garçom, a rotina intensa de A&B e o impacto de aprender com profissionais experientes. Um começo duro, mas essencial para moldar seu olhar e sua postura. 🎓 ABS, mentorias e a formação que abriu caminhos Sua entrada na ABS-Rio, a bolsa estudantil, o encontro com Efraim Moraes e o valor de ter bons professores e referências. A virada de mentalidade começou ali. 💥 Erros, demissões e humildade: a realidade nua e crua O episódio traz cases reais — como a demissão no primeiro restaurante por falta de jogo de cintura — e a importância de aprender a liderar com e não contra a equipe. 🏆 A arte de competir: como as provas mudaram sua mente Das notas baixíssimas nas primeiras tentativas às grandes conquistas. Wallace descreve como o estudo e a persistência o levaram à excelência e, mais tarde, ao título nacional. 🏨 A virada na hotelaria: Sheraton, alta gastronomia e o mundo Michelin Histórias de bastidores, serviços icônicos, encontros com grandes chefs e até uma oportunidade de estágio com Alain Ducasse — quase realizada. 🥂 O poder do relacionamento — e da coragem de pedir Do cross training no W Santiago ao reconhecimento da Coca-Cola internacional: Wallace mostra como conexões genuínas mudaram seu destino. 🇧🇷 Vinhos brasileiros na mesa da alta cozinha Um dos momentos mais marcantes: a harmonização 100% brasileira montada para Alain Ducasse — e a reação surpreendente do chef. 🧠 Liderança, gestão e maturidade A transição do técnico para o gestor: metas, planilhas, equipe e a capacidade de crescer junto com as pessoas. Uma aula de postura profissional. | |||
| António Maçanita - Enólogo português com vinhos no Alentejo, Douro e Açores #EP97 | 20 Nov 2025 | 01:08:36 | |
O enólogo e provocador nato António Maçanita chega ao SommCast com uma história que desafia qualquer narrativa tradicional: biólogo marinho por vocação, surfista por paixão, enólogo por acaso — e um dos nomes mais influentes na reinvenção do vinho português. Entre memórias de vindimas na infância, pão com azeite escondido no lagar e o desejo de viver perto do mar, ele revela como o acaso o levou ao vinho e como esse mesmo acaso moldou sua filosofia ousada, inquieta e profundamente cultural. Ao longo do episódio, viajamos pela formação de Maçanita entre Califórnia, Austrália e França, explorando as influências que expandiram sua visão: da importância da mente aberta à precisão extrema, da humildade para aprender à arrogância necessária para inovar. Ele conta como nasceu o Fita Preta, por que recuperou castas esquecidas, como reergueu o Terrantez do Pico e como usa técnica, ciência e intuição para criar vinhos que expressam identidade — não tendência. A conversa mergulha em terroir, fermentações espontâneas, sustentabilidade, tradições, erros do passado e a complexa dança entre cultura, história e modernidade. No final, Maçanita provoca: que valor existe em um vinho perfeito, mas que poderia ter sido feito em qualquer lugar do mundo? O que diferencia um vinho de verdade é o que não se copia — o território, o tempo, o gesto. Um episódio imperdível para quem quer entender o vinho com mais profundidade, mais verdade e mais coragem. Destaques 🍇 Memórias de infância que não viraram destino Vindimas com os primos, cheiro de uva a fermentar e pão com azeite no lagar marcaram a infância de Maçanita — mas ele só conectou essas lembranças muito mais tarde. Um lembrete poderoso de que o vinho começa na terra, no cheiro, na experiência sensorial. 🌊 Da biologia marinha ao vinho por acaso Queria ser biólogo marinho para viver nos Açores. Um professor o convenceu a mudar a inscrição para agronomia — e um erro de código o jogou direto na enologia. O acaso como força de destino. 🌎 A volta ao mundo que moldou seu estilo Viagens de trabalho nos EUA, Austrália e França mostraram métodos completamente opostos de vinificação — e ensinaram que não existe “a” resposta certa. Existem caminhos. Ensaios. Curiosidade infinita. 🔥 Precisão extrema e intervenção mínima Fermentações espontâneas, controle de temperatura, caves frias, prensagens por fração… Maçanita explica como unir baixa intervenção com altíssima precisão para elevar o terroir, não esconder. 🏴☠️ Fita Preta: ousadia, crítica e o primeiro grande impacto O primeiro vinho do projeto foi recebido com frieza pela crítica local — até ganhar o troféu de melhor vinho do Alentejo em Londres. Começava ali sua trajetória de “mexer no charco”. 🌋 A revolução dos Açores e do Porto Santo Recuperou o Terrantez do Pico, valorizou uvas quase extintas, aumentou o preço pago ao viticultor em mais de 10 vezes e reacendeu regiões inteiras. Vinho como transformação social e cultural. 🍊 Laranja Mecânica: técnica antiga, estética contemporânea Um vinho feito com a última fração de prensa — um “caldo” ancestral valorizado pelos viticultores de ilhas. Um exemplo perfeito de como tradição e inovação podem coexistir. 📜 Cultura acima da moda Para Maçanita, o vinho antes de tudo é cultura: variedades, tradições, formas de fazer, escolhas éticas. Sem isso, o vinho vira fórmula — e fórmula qualquer um copia. 🌱 A solução para o futuro está no passado Castas antigas, pouco alcoólicas e tardias — as que foram descartadas nos últimos 50 anos — podem ser a chave para enfrentar o aquecimento global. Os vinhedos velhos carregam respostas. 🧭 Terroir como aquilo que não se copia Se um vinho pode ser replicado em qualquer lugar, ele perde sentido. Terroir é identidade, é raiz, é história — e precisa ser sentido no nariz e na boca, não em um manual técnico. | |||
| Adriano Miolo - Superintendente do Grupo Miolo #EP96 | 17 Nov 2025 | 01:02:46 | |
O episódio traz um dos nomes mais emblemáticos do vinho brasileiro: Adriano Miolo, herdeiro de uma tradição centenária e protagonista direto das transformações mais profundas da nossa vitivinicultura. Gravado dentro do Wine Locals Festival, o papo mergulha na história da família, na construção da Miolo como gigante nacional e na visão estratégica que está redesenhando o futuro do vinho brasileiro. É uma conversa sobre legado, coragem e reinvenção — tudo aquilo que move quem ama o vinho feito com identidade. Ao longo do episódio, Adriano revisita suas primeiras memórias entre parreirais ainda em sistema de latada, conta como o sonho de “fazer vinho” virou realidade em meio a crises de venda de uva e revela bastidores importantes: a reconversão dos vinhedos, a chegada de Michel Rolland, a expansão para novos terroirs (Campanha, Vale do São Francisco, Argentina) e as escolhas técnicas que mudaram o padrão de qualidade no país. Ele também comenta o surgimento dos vinhos de inverno, o papel do enoturismo na formação de novos consumidores e como IPs e DOs estão educando o mercado. No final, o episódio entrega algo raro: uma visão estratégica e honesta sobre para onde o vinho brasileiro precisa — e pode — caminhar. Adriano fala sobre internacionalização, exportações, novos comportamentos de consumo e a importância de enxergar o Brasil como um país com três grandes viticulturas e terroirs capazes de produzir de tudo, do espumante ao tinto de guarda. Um episódio para entender de verdade o vinho brasileiro e suas revoluções. Destaques 🍇 Da infância nos vinhedos ao nascimento da Miolo moderna Adriano relembra o início entre parreirais da família, ainda no sistema de latada, e como o sonho de produzir seu próprio vinho surgiu em meio às dificuldades na venda de uva. Uma história que mostra que a Miolo nasceu de necessidade, teimosia e visão de longo prazo. 🧬 Reconversão, tecnologia e a virada de qualidade Ele explica como arrancaram 100% dos vinhedos antigos para replantar tudo em espaldeira — um movimento arriscado e impensável para a época. A chegada das mudas certificadas e o trabalho técnico com Michel Rolland elevaram o padrão dos vinhos brasileiros e “aceleraram 30 anos em 10”. 🌍 A expansão para novos terroirs: Campanha, Vale do São Francisco e Argentina O grupo se lança em viticulturas completamente diferentes — do clima temperado ao tropical seco — para buscar consistência, diversidade e novos estilos. A ida ao Vale do São Francisco revela números impressionantes, como vinhedos com 40 anos que já produziram 80 safras. 🍾 Espumantes brasileiros conquistando a Argentina Adriano revela a estratégia ousada de entrar no mercado argentino com espumante brasileiro — incluindo Terra Nova e Moscatel — e fala sobre como essa dobradinha pode reposicionar o Brasil nas Américas. 🚂 O papel do enoturismo na formação do consumidor Da visita clássica no Vale ao Trem do Pampa e ao passeio de barco no Sobradinho, o grupo mira experiências que encantam e educam. Enoturismo, para Adriano, é a porta de entrada para o vinho brasileiro — e ferramenta essencial para gerar pertencimento. 📈 O novo consumidor brasileiro e o desafio da brasilidade Mais crítico, mais informado e menos preso a preconceitos: Adriano descreve o perfil que começa a valorizar vinhos nacionais e explica por que a chave está em educar, aproximar e mostrar a diversidade real do país. 🔬 Os próximos passos: microvinificações e novas uvas Com três grandes grupos climáticos e milhares de possibilidades, o Brasil entra na fase das microparcelas, microvinificações e testes com variedades de países como Geórgia e Romênia. Um movimento que deve definir o futuro da tipicidade brasileira. 🌎 Internacionalização da marca e o futuro da Miolo A compra da Renascer em Mendoza marca uma nova fase: agora o foco é transformar a Miolo em player multinacional, levando vinho brasileiro ao mundo e trazendo Argentina para dentro do Brasil. | |||
| Rose White - Poeta dos Vinhos #EP95 | 13 Nov 2025 | 01:47:36 | |
O vinho como ponte entre corpo, espírito e palavra. Neste episódio sensível e potente, Rose White — poeta, performer e criadora do conceito de enopoesia — compartilha sua jornada de transformação: de fisioterapeuta na Amazônia a artista do vinho e das emoções. A conversa mergulha no papel do vinho como ritual, memória e presença cultural em celebrações, amores e reencontros consigo mesma. Mais do que técnica ou protocolo, o vinho surge aqui como experiência estética, afetiva e espiritual. Rose revela como encontrou na taça uma metáfora viva para seus processos internos, criando poesias que tocam, arrepiam e resgatam o prazer de estar presente. Falamos de origem, solitude, batom na taça, transições corajosas e o valor de viver (e beber) com intenção e beleza. Prepare-se para um episódio que emociona e inspira. Uma conversa sobre sensibilidade, pertencimento e potência criativa — que mostra que o vinho não precisa ser entendido: ele precisa ser sentido. Destaques 🍷 Vinho como ritual afetivo no Pará: da celebração do nascimento ao vestibular, Rose revela como o vinho sempre esteve presente em momentos de passagem e pertencimento. 📖 A origem da enopoesia: como o silêncio, a arte e a espiritualidade conduziram Rose a criar um estilo único que une poesia e vinho como alimento da alma. 🧳 Transição de alma, não só de carreira: depois de 28 anos como fisioterapeuta, Rose ouviu o chamado interior e se entregou à arte — sem pressa, mas com coragem e verdade. 🥂 "Vinho não é fuga, vinho é encontro": a frase que se tornou lema do seu trabalho nasceu de uma inquietação com o consumo exagerado na pandemia e virou mantra. 💄 O batom na taça como símbolo de presença: de um comentário em Jundiaí nasceu a poesia que virou confraria em Portugal e emocionou mulheres em diferentes países. 🎭 Performance, presença e memorização: Rose vê o palco como extensão da alma — recita de cor suas poesias, se caracteriza como artista e entrega cada verso como se fosse o último. 🪞 A taça como espelho: sozinha, a poeta degusta devagar; entre amigos, celebra com leveza. Para ela, o vinho é testemunha íntima de encontros, amores e cicatrizes. 📚 Do Pará para o mundo com dois livros publicados: “Trilhas” e “Astrologia com vinho e poesia” marcam sua trajetória literária, com apoio de vinícolas e astrólogas. 🌌 Astrologia, signos e vinho: o desafio de traduzir cada signo em uma poesia e criar uma exposição sensorial que virou livro, vernissage e performance. 🎻 Sarau enopoético com música e emoção: Rose une poesia, vinho e violino em experiências únicas — em jantares, confrarias e eventos no Brasil e em Portugal. 🎙️ Criação do termo 'enopoesia' e sua missão: mais que rótulo, é filosofia de vida — transformar a experiência do vinho em narrativa, sentimento e memória. 🛡️ Propriedade intelectual e autenticidade na era da IA: o desafio de proteger a autoria das frases e poesias em um tempo de algoritmos e colagens digitais. 🌍 Portugal, acolhimento e reconhecimento: nos saraus lusitanos, Rose ouviu: “Você tem algo novo a oferecer ao mundo do vinho” — e selou ali um novo ciclo da sua arte. | |||
| Marcelo Copello - Um dos nomes mais influentes do jornalismo do vinho no Brasil #EP94 | 10 Nov 2025 | 01:21:39 | |
Hoje o papo é com Marcelo Copello — uma referência quando o assunto é crítica e jornalismo de vinhos no Brasil. Da Gazeta Mercantil às colunas atuais, do palco musical às taças, Copello cruza cultura, mercado e serviço com a naturalidade de quem vive a cena há décadas. Na conversa, ele abre o jogo sobre a trajetória que começa na informática (IBM, Telemar, Vivo, TIM) e desemboca no vinho, passando por livros, TV e a fundação de revistas especializadas. Falamos de ABS x WSET, da virada “vinho + música/cinema” que ele ajudou a popularizar, e da mudança de discurso do setor — menos fetiche técnico, mais experiência e referência cultural. Também entramos em tendências de consumo: lata (e o contexto de falta de garrafa), a onda dos desalcoolizados (e seus limites sensoriais), e — no Brasil — o impacto da dupla poda abrindo novas rotas de enoturismo e ampliando o público. É um Copello direto: mais opções são bem-vindas, mas nem tudo entrega complexidade; ao mesmo tempo, a dupla poda expande mercados e cria cultura em volta. Destaques 🎼 Vinho encontra música e cinema: analogias que aceleram o entendimento e fazem o conteúdo grudar na memória do público. 📰 Do teclado ao decanter: a guinada de carreira, a coluna na Gazeta Mercantil e a criação de revistas especializadas. 🏫 ABS x WSET: metodologias, raízes (Itália x Inglaterra) e como isso molda a formação do paladar. 🎤 Palco, rádio e improviso: por que comunicar vinho é mais sobre ritmo e plateia do que sobre jargões. 🪐 Vinho & astrologia (e outras artes): quando a provocação vira ponte didática em eventos e livros. 🥫 Lata na pandemia: a embalagem sobe por falta de vidro — e como isso muda ocasiões de consumo. 🥂 Desalcoolizados em alta: por que ainda é difícil entregar equilíbrio e profundidade sem álcool. 🌱 Dupla poda como avenida: novas regiões, mais turismo e um público mais próximo das vinícolas. 🧭 Educação sem pedantismo: simplificar sem perder conteúdo — e por que “referências culturais” ajudam mais que tecnicês. 🧪 Serviço que conta história: da escolha da taça ao tom de voz, tudo é parte do sabor. | |||
| Marcelo Papa - Diretor Técnico de todo portfólio da Concha y Toro. #EP93 | 06 Nov 2025 | 00:59:22 | |
O Chile é sinônimo de vinho, mas poucas figuras traduzem essa história com tanta autoridade quanto Marcelo Papa — diretor técnico da Concha y Toro há quase 30 anos. No SommCast, ele abre a taça (e o coração) para contar como transformou uma gigante global em referência de consistência e elegância, sem perder o sotaque do terroir chileno. Um papo que começa com suas raízes italianas e a infância com vinho na mesa, e desemboca nas grandes decisões que moldaram o estilo moderno da vinícola mais emblemática do país. Ao longo da conversa, Papa revisita as décadas que mudaram o perfil do vinho chileno — da fase de Parkerização dos anos 2000 à busca por vinhos mais equilibrados, menos marcados pela madeira e com frescor autêntico. Fala sobre os bastidores do Casillero del Diablo, o marketing lendário da marca e a filosofia por trás da linha Amelia, que elevou o Pinot Noir e o Chardonnay de Limarí ao status de ícones. Entre Carménère, terroirs andinos e novos experimentos com Pinot Grigio, ele revela como a Concha y Toro continua se reinventando em meio à tradição. No fim, o episódio é um brinde à paciência, à precisão e à capacidade de enxergar longe. Marcelo fala sobre os desafios climáticos, o papel da irrigação e o futuro da viticultura chilena — com foco na alta gama e na sustentabilidade. Um mergulho raro na mente de quem faz história todos os dias, lembrando que o vinho, antes de tudo, é uma missão de vida. Destaques 🍇 Da infância italiana ao vinho como missão Marcelo conta como o vinho sempre esteve na mesa de sua família, desde a infância no Chile, e como isso o levou da agronomia à enologia, transformando paixão em propósito. 🏛️ A virada histórica da Concha y Toro De uma vinícola tradicional à potência global que exporta para mais de 140 países. Papa relembra as mudanças técnicas, a profissionalização e o salto qualitativo das últimas três décadas. 🔥 Casillero del Diablo e o poder do marketing Do “fogo do diabo” às campanhas com o Manchester United — bastidores de uma das marcas mais icônicas do planeta e de como o storytelling ajudou a eternizar o vinho chileno. 🌿 Menos madeira, mais frescor Como Marcelo liderou a transição estética da Concha y Toro, deixando para trás os vinhos supermaduros e criando um novo padrão de elegância e equilíbrio. 🏔️ O mapa do terroir chileno Do Alto Maipo aos vales frios de Limarí e Casablanca, o enólogo detalha as regiões e as uvas que expressam a alma do país — com destaque para o Carménère e o Pinot Noir. 🍷 Pinot Grigio: a nova estrela A aposta recente da Concha y Toro em uma variedade de acidez vibrante e apelo gastronômico — e como o Chile encontrou um terroir perfeito para ela florescer. 🌎 O desafio da água e o futuro da viticultura Papa fala com realismo sobre o impacto das secas, o uso consciente da irrigação e a necessidade de precisão climática no novo cenário do vinho mundial. 🥂 Amelia, Don Melchor e o legado Os rótulos de alta gama que sintetizam o novo momento da Concha y Toro — e a visão de Marcelo sobre o que vem nos próximos anos: menos volume, mais identidade. | |||
| Adolar Hermann - Fundador da Importadora Decanter e da Vinícola Hermann #EP92 | 03 Nov 2025 | 01:21:55 | |
Poucas histórias do vinho brasileiro têm tanto peso quanto a de Adolar Hermann — fundador da importadora Decanter e da Vinícola Hermann. Neste episódio do SommCast, ele revisita sua jornada com uma sinceridade rara: da infância humilde em Guaramirim, passando pelo exército e pela indústria têxtil, até se tornar um dos nomes mais respeitados do vinho no país. Uma conversa que mistura trabalho, disciplina e uma paixão que atravessa gerações. Entre memórias emocionadas e bastidores do mercado, Adolar revela como transformou uma curiosidade em vocação. Ele conta o início da Decanter — nascida literalmente na churrasqueira de casa — e compartilha o que o motivou a apostar em produtores desconhecidos, antes que se tornassem ícones. Fala sobre a logística que revolucionou o atendimento aos restaurantes, o conceito de “joalheria do vinho” e o papel essencial da família na continuidade do legado. Mais do que um depoimento, é um mergulho em valores que moldaram o vinho brasileiro: ética, perseverança e amor genuíno pelo ofício. Um episódio que inspira não só quem trabalha com vinho, mas quem acredita em construir algo duradouro. Destaques 👨🌾 Raízes e superação: a infância simples no interior catarinense, a disciplina herdada do exército e o olhar de quem aprendeu cedo o valor do trabalho. 🏭 Da indústria têxtil ao vinho: 38 anos de carreira na área industrial antes de se reinventar no universo enológico. 🚛 O nascimento da Decanter: como uma pequena importadora familiar virou referência nacional, com portfólio inovador e logística de 24h. 🌍 Descobertas e pioneirismo: as primeiras viagens à Argentina, Chile, Itália e França e o olhar visionário sobre produtores que viriam a se tornar lendas. 💎 A “joalheria do vinho”: a filosofia que transformou o portfólio da Decanter em um verdadeiro mosaico de terroirs. 👨👩👧👦 Família e legado: o papel dos filhos na continuidade do negócio e a cultura de profissionalização sem perder o DNA familiar. 🏡 A Vinícola Hermann: como nasceu o projeto no Sul, o trabalho ao lado de Anselmo Mendes e a criação do icônico Lírica Crua, um espumante de alma artesanal. 🧠 Sabedoria de uma vida: reflexões sobre disciplina, paciência e a importância de servir com propósito — dentro e fora da taça. | |||
| Eduardo Valduga - Enólogo da Famiglia Valduga, eleito o enólogo do ano pelo Descorchados 2025 #EP91 | 30 Oct 2025 | 01:08:13 | |
Poucos nomes carregam tanto peso e emoção na história do vinho brasileiro quanto Eduardo Valduga. Neste episódio do SommCast, direto do Wine Locals Festival, ele abre o coração e a memória — da infância entre parreirais e tratores em Bento Gonçalves às transformações que moldaram o Grupo Famiglia Valduga. Uma conversa sobre herança, propósito e a força de quem nasceu dentro do vinho. Entre lembranças e reflexões, Eduardo revisita o passado da família, a transição das uvas americanas para as viníferas, a criação da Casa Madeira e o nascimento do ícone 130, espumante que redefiniu o prestígio do Brasil no cenário mundial. Ele fala também sobre o projeto Mundos, que nasce do sonho de produzir vinhos em doze terroirs pelo planeta — e sobre como o amor, a fé e a curiosidade seguem guiando sua jornada. Mais do que um episódio sobre vinho, é um relato sobre coragem, inovação e legado. Eduardo mostra que o verdadeiro sabor do sucesso está na persistência — e que o futuro do vinho brasileiro, especialmente dos espumantes, está apenas começando. Destaques 🍇 Raízes e infância entre parreirais Eduardo compartilha memórias da infância na Serra Gaúcha, revelando como o trabalho duro e o contato direto com o vinho moldaram sua visão de mundo. 🏡 A origem da Casa Madeira Do conselho sábio do avô nasceu uma das marcas mais queridas do grupo, transformando uvas americanas em sucos e geleias de excelência. 🍾 O nascimento do 130 Criado para celebrar 130 anos da imigração italiana da família Valduga, o espumante se tornou um ícone do Brasil — e um marco de inovação e qualidade. 🌍 Projeto Mundos: dar a volta ao planeta pelo vinho Eduardo conta o sonho de produzir em 12 terroirs, unindo cultura, técnica e emoção em uma verdadeira odisseia enológica. ✨ O futuro dos espumantes brasileiros Com convicção e visão, ele defende que o Brasil tem vocação para se tornar referência mundial em espumantes, valorizando o terroir e a criatividade nacional. ❤️ Amor, fé e propósito Da devoção a Fátima ao amor que o levou a mudar de cidade, Eduardo mostra que grandes vinhos nascem de histórias ainda maiores. 🌱 Dupla poda e revolução vitícola Um elogio à ousadia brasileira: Eduardo enaltece o trabalho de Murillo de Albuquerque Regina e reconhece a dupla poda como uma virada histórica para o vinho nacional. | |||
| Sherry Week com Gabi Frizon, a Louca do Jerez, e Bernardo Pinto #EP90 | 27 Oct 2025 | 01:53:15 | |
Poucos estilos de vinho despertam tanta paixão quanto o Jerez — e poucos nomes representam tão bem essa devoção quanto Gabi Frizon, a “Louca do Jerez”, e Bernardo Pinto, um dos maiores divulgadores do estilo no Brasil. Neste episódio, o papo vira uma celebração à insanidade deliciosa que é amar um vinho tão complexo, histórico e, ao mesmo tempo, incompreendido. A conversa começa com memórias marcantes: a primeira taça que mudou tudo, as aulas na ABS e o encontro com a cultura espanhola que transformou curiosidade em vocação. De Pedro Ximénez a Manzanilla, de venências improvisadas na pandemia à criação da Semana do Jerez (Sherry Week), Gabi e Bernardo revelam como o amor por esse vinho virou movimento, resistência e catequese. Entre risadas, histórias e taças compartilhadas, o episódio vai além da técnica: fala sobre tempo, paciência, comunicação e prazer. Mostra que o Jerez é mais que um vinho — é um universo próprio, onde tradição e irreverência se misturam. E, se depender dessa dupla, não vai demorar para ver uma taça de Jerez em cada boteco do Brasil. Destaques 🍇 A primeira taça inesquecível: Gabi relembra o dia em que provou Pedro Ximénez e sentiu o “estalo” que mudaria sua vida — a gênese da Louca do Jerez. 🧠 Um universo paralelo: Bernardo descreve o impacto de conhecer os vinhos da Equipo Navazos, o projeto espanhol que redefiniu o Jerez moderno. 🎭 Da paixão à profissão: Como o encantamento virou propósito — de aulas e lives na pandemia à fundação da Semana do Jerez no Brasil. 🍸 Jerez na coquetelaria: O vinho fortificado que ganha nova vida nos bares, provando que pode ser versátil, elegante e lucrativo. 🌍 História líquida: A conexão do Jerez com a expansão marítima e a cultura ibérica — uma bebida que acompanhou séculos de descobertas. 💬 Comunicar é simplificar: O desafio de traduzir um vinho complexo em linguagem acessível, tornando o Jerez mais próximo de todos. 🎉 O sonho do carnaval do Jerez: Gabi imagina um trio elétrico de taças e manzanillas — o Sherry Week como o “carnaval” dos apaixonados. | |||
| Murillo de Albuquerque Regina e Pedro Olavo - A revolução da Dupla Poda / Colheita de Inverno #EP89 | 23 Oct 2025 | 02:09:45 | |
Poucas histórias traduzem tão bem o poder da curiosidade e da persistência quanto a de Murillo de Albuquerque Regina, criador da técnica da dupla poda — a inovação que redefiniu a viticultura no Sudeste e abriu caminho para o vinho de inverno brasileiro. Ao lado do filho Pedro Olavo, ele compartilha no SommCast uma conversa que mistura ciência, família e propósito: um mergulho na gênese da técnica que transformou um desafio climático em vantagem competitiva. Entre lembranças de campo e viagens à França, Murillo reconstrói o percurso que o levou de Varginha a Bordeaux, passando por décadas de experimentos, até provar que o Sudeste podia, sim, produzir vinhos finos. Pedro, por sua vez, conta como deu novo fôlego comercial à Estrada Real, reposicionando a marca e criando rótulos que falam com o consumidor jovem — como o “Primeira Estrada 127”, um Syrah leve e fresco pensado para a nova geração de bebedores curiosos. O episódio é um encontro entre tradição e reinvenção. Um pai que semeou o futuro da viticultura brasileira e um filho que traduz essa herança em linguagem contemporânea. Um lembrete de que o vinho é, antes de tudo, uma história de tempo — e de gente que acredita que dá pra fazer melhor. Destaques 🍇 O nascimento da dupla poda Murillo relembra o raciocínio que o levou a inverter o ciclo da videira para colher no inverno. Da observação do clima das lavouras de café à comprovação científica em campo, ele revela os bastidores da técnica que colocou o Sudeste no mapa dos vinhos finos. 🇫🇷 De Varginha a Bordeaux: a jornada do pesquisador Entre estações experimentais, bolsas na Espanha e o doutorado na França, o episódio mostra como o intercâmbio de conhecimento foi essencial para conectar terroirs tropicais à lógica europeia da viticultura de precisão. 🏡 A força do legado familiar Pedro conta como cresceu cercado por vinhedos, aprendendo mais nas estradas e nas visitas a clientes do que em qualquer sala de aula. Hoje, assume o papel de conectar tradição e futuro — traduzindo a história da família em novas formas de comunicar o vinho brasileiro. 💡 O desafio de vender vinho nacional Durante a pandemia, Pedro transformou a presença digital da Estrada Real e criou estratégias de marketing direto ao consumidor. O resultado? Um reposicionamento que mostrou que o público jovem está pronto para descobrir — e defender — o vinho brasileiro. 🌎 O Brasil como país vitícola continental Da Mantiqueira à Chapada Diamantina, os convidados refletem sobre a diversidade de terroirs e o papel do conhecimento técnico em consolidar o Brasil como produtor de vinhos de qualidade em todas as latitudes. 🧠 Ciência, sensibilidade e visão de futuro Mais que uma técnica, a dupla poda representa uma filosofia: a ideia de que entender o tempo e o clima é o mesmo que entender a alma do vinho. | |||
| Ettore Finetto - Fundador da Vinícola Garbole (Vêneto) #EP88 | 20 Oct 2025 | 01:15:56 | |
Poucos produtores encarnam tão bem a ideia de “vinho como expressão de vida” quanto Ettore Finetto, cofundador da Garbole, vinícola de Verona que desafia tradições e reescreve as regras do Valpolicella. No episódio, Ettore revela suas origens, sua relação afetiva com o vinho e a filosofia que sustenta sua trajetória — uma história que começa na infância, com o avô e a avó fazendo vinho em casa, e culmina em uma marca que se tornou símbolo de autenticidade e coragem criativa. Ao lado do irmão Filippo, Ettore transformou uma paixão de infância em manifesto. Desde 1994, a Garbole trilha um caminho próprio, recusando denominações oficiais e optando pela independência como valor central. Em vez de seguir fórmulas, Ettore aposta em uma abordagem quase poética: “excelência sem compromisso” — onde o vinho deve ser fiel à ideia que o inspira, não às regras que o limitam. O lema “pessoas antes do vinho, valores antes do preço, e vinho antes do rótulo” sintetiza uma ética que vai além da taça e se traduz em tudo: da escolha das uvas à forma de se relacionar com o público. Na conversa, o produtor italiano fala sobre o terroir de Verona, a complexidade dos vales de Valpolicella, o impacto humano no vinho e a importância das uvas autóctones — muitas delas resgatadas do esquecimento. Explica também o processo de criação do Hurlo, seu vinho ícone, que levou vinte anos para ser concluído e carrega a vida inteira dos irmãos Finetto dentro da garrafa. Ettore ainda reflete sobre o mercado de luxo, a relação com o Brasil e o futuro do vinho como arte, cultura e linguagem. Destaques 🍇 Raízes e primeira taça – Ettore relembra o início de tudo: as primeiras vinhas, o vinho do avô e o dialeto vêneto que moldou sua relação com a terra e com a autenticidade. 🏛️ De Verona para o mundo – A Garbole nasce em 1994 com um sonho ambicioso: criar vinhos que expressem pensamento, não apenas técnica. Em 2000, o projeto se consolida como vinícola e filosofia. 🧩 Fora da curva – Ettore e Filippo se consideram outsiders do mundo do vinho. Essa distância do tradicional permitiu enxergar o setor com liberdade e criar um estilo sem amarras. 🧠 Excelência sem compromisso – Um princípio que guia tudo: clareza de propósito, visão de futuro e autenticidade — sem concessões ao mercado, às modas ou às pontuações. 💬 Pessoas, valores e rótulos – “Pessoas antes do vinho, valores antes do preço e vinho antes do rótulo.” Um manifesto que desafia a lógica comercial e resgata o sentido humano da taça. 🥂 A verdade está na garrafa – Finetto critica a influência de críticos e guias, defendendo que o vinho deve ser julgado pelo que há dentro da garrafa, não pelo que está escrito fora. 🌿 Terroir e humanidade – Cada vale do Valpolicella tem sua alma. Mas Ettore lembra: o fator humano é o verdadeiro diferencial — o que transforma o solo em expressão. 🍷 Hurlo: o grito do tempo – Um vinho que levou 20 anos para nascer. Feito com uvas autóctones recuperadas, representa a síntese da vida, da experiência e da filosofia da Garbole. 🔥 Quando a natureza fala mais alto – Há anos em que o vinho não nasce. Ettore explica por que prefere não lançar certas safras, preservando integridade e honestidade com o público. 🌍 O Brasil e o futuro – O mercado brasileiro chega até a Garbole antes mesmo da exportação começar. Ettore fala da importância do país e da conexão afetiva entre Itália e Brasil — unidas por cultura, hospitalidade e paixão. | |||
| Gerardo Landulfo - Delegado da Accademia Italiana della Cucina #EP87 | 16 Oct 2025 | 01:57:23 | |
Neste episódio do SommCast, o embaixador da cozinha italiana no Brasil, Gerardo Landulfo, leva a conversa muito além da taça. Nascido em Avelino, criado em Sorocaba e formado em Direito, Gerardo cruzou oceanos entre o jornalismo esportivo e a enogastronomia para se tornar uma das vozes mais respeitadas na defesa da cultura italiana no país. Uma trajetória que conecta o aroma do azeite enviado pela avó nos anos 60 às celebrações que hoje unem São Paulo e as vinte regiões da Itália.A conversa passa por memórias afetivas, histórias de imigração, futebol, vinhos e o nascimento da Settimana della Cucina Regionale Italiana, evento que transformou São Paulo em capital mundial da cozinha italiana. Entre lembranças da infância e reflexões sobre hábitos alimentares, Gerardo revela como os imigrantes moldaram o paladar brasileiro — do vinho nas cantinas às massas que contam a história de um povo. Ele também narra sua transição do jornalismo esportivo à curadoria cultural e explica por que acredita que cada garrafa e cada prato carregam séculos de identidade e emoção.Mais do que uma entrevista, o episódio é uma aula de história viva: sobre tradição, pertencimento e o poder de um prato em contar quem somos. Um mergulho nas origens da nossa relação com o vinho e a mesa, costurado por histórias que unem continentes.Destaques🍇 As raízes italianas no Brasil – Da chegada dos imigrantes à formação dos bairros paulistanos e dos hábitos alimentares que moldaram nossa mesa.📜 Do futebol ao vinho – Como Gerardo passou do jornalismo esportivo, cobrindo o campeonato italiano, à promoção da enogastronomia e da cultura regional.🍷 Memórias líquidas – A infância marcada por azeites, queijos e vinhos enviados da Itália — e o que esses sabores ensinaram sobre identidade e afeto.🇮🇹 A Settimana della Cucina Regionale Italiana – O evento que nasceu em São Paulo e hoje inspira o mundo, celebrando os sabores das 20 regiões italianas.🍝 Cantinas, tratorias e tradição – A origem das cantinas paulistanas, suas adaptações e o papel central do vinho e da comida na vida dos imigrantes.🏛️ A força cultural de São Paulo – Por que a cidade é considerada o maior enclave italiano fora da Itália e como isso se reflete na gastronomia e na arte.🔥 Curiosidades que surpreendem – Do nascimento da pizza e da burrata à história por trás da polenta, do galeto e do filé à parmegiana.🎖️ Um cavaleiro da cultura italiana – As honrarias recebidas por Gerardo da República Italiana e o legado de quem dedica a vida a preservar sabores e memórias. | |||
| Élvio Rocha – O Queijólatra #EP86 | 13 Oct 2025 | 01:33:32 | |
Em um dos episódios mais saborosos do SommCast, Renato Vincoletto recebe o mineiro Élvio Rocha, fundador do Queijólatra, referência nacional em queijos artesanais e educação sensorial. Um verdadeiro mestre das fermentações, Élvio transformou o queijo em manifesto cultural — uma forma de contar o Brasil pela boca, pela terra e pela alma. Entre taças de Riesling e tábuas com queijos de norte a sul do país, o episódio percorre uma jornada de sabores e histórias. Do queijo do Marajó ao Pardinho, Élvio fala sobre terroir, microbiota, maturação e o valor de preservar o saber fazer. Relembra sua virada de vida — de radiologista frustrado a empreendedor que começou vendendo queijos na mochila — e explica como a pandemia o levou à digitalização do negócio e ao nascimento do Queijólatra. A conversa mergulha ainda nas relações entre queijo e vinho, comparando fermentações, aromas e texturas, e mostra como cada produto artesanal carrega uma identidade, uma geografia e um tempo. Mais do que um episódio sobre queijo, é uma reflexão sobre o prazer, o ofício e o valor das pequenas coisas. Élvio mostra que o Brasil tem um mapa de sabores únicos, ainda pouco explorado, e que cada queijo pode ser um portal para nossa própria cultura. Um episódio para ouvir com calma, taça na mão e queijo na tábua. Destaques 🇧🇷 O Brasil pela tábua Uma viagem sensorial do Norte ao Sul: do queijo do Marajó, feito com leite de búfala na Amazônia, aos premiados queijos de Pardinho, em São Paulo — uma radiografia do país em texturas e terroirs. 🥛 Leite cru e terroir vivo Élvio explica por que o leite cru carrega o “DNA” da região e defende o valor da microbiota natural como assinatura de sabor e identidade — o terroir em forma de queijo. 🔬 Fermentação, alma e ciência Bactérias e fungos como alquimistas: o episódio desvenda como o queijo é uma fermentação viva, semelhante ao vinho, e como a ciência pode coexistir com o instinto artesanal. 🧬 O queijo me escolheu A história de vida que virou lenda: um estudante de radiologia sem dinheiro em São Paulo que começou a vender queijos na mochila e acabou criando um dos maiores movimentos de valorização do queijo artesanal brasileiro. 💡 Do Trem Bom de Minas ao Queijólatra A transformação de uma marca regional em um projeto nacional de educação e curadoria sensorial, que uniu tradição, digitalização e propósito. 🥂 Queijo e vinho: fermentações que se encontram Renato e Élvio provam e discutem harmonizações com Riesling, espumantes e tintos, mostrando que o diálogo entre acidez, textura e gordura é pura arte — e pura química. 🏞️ Educação e revolução queijeira Como o conhecimento, a curiosidade e a nova geração de produtores transformaram o cenário — de produtos ilegais à presença em mesas estreladas. 📦 Logística artesanal e desafios do frescor Dos pequenos produtores aos voos com isopor: bastidores de como manter vivo um produto sensível e artesanal em um país continental. ❤️ Amor, família e propósito O papel da esposa como parceira e mente estratégica do negócio. Uma história de amor que também é de resiliência e cumplicidade. 🌍 O queijo como patrimônio cultural Reflexões sobre identidade, legislação e respeito aos nomes de origem — por que não existe “tipo Brie”, e sim o queijo com alma brasileira. 💎 O mami e o prazer Do sabor que salivou o país à química da felicidade: Élvio revela como o aminoácido tirosina, presente nos queijos maturados, estimula serotonina e dopamina — literalmente, o gosto da alegria. 🔥 Uma filosofia à mesa “O queijo é poesia sólida”, diz Élvio. O episódio termina com uma celebração da imperfeição, da diversidade e da beleza de tudo que é vivo, mutável e saboroso. | |||
| Luli Dias - Sócio da Épice Importadora #EP85 | 09 Oct 2025 | 01:45:30 | |
No novo episódio do SommCast, recebemos Luli Dias, nome que carrega uma das histórias mais bonitas e saborosas do vinho no Brasil. Pernambucano de alma e herdeiro da tradição da Família Dias, ele cresceu entre os aromas da lendária Casa dos Frios, berço do famoso bolo de rolo, e transformou essa herança em uma trajetória de sucesso à frente da Épice Importadora — fundada em 1989 por seu tio Licínio Dias, pioneiro da enogastronomia nacional. Entre memórias e bastidores, Luli fala sobre as raízes familiares, a criação da Épice, as relações com produtores de Portugal, França, Espanha, Chile e Argentina, e o papel da empresa na evolução do mercado de vinhos brasileiro. A conversa também mergulha em temas como curadoria de portfólio, sustentabilidade, tendências de consumo e as experiências únicas de Luli em confrarias internacionais como Cavaleiro do Vinho do Porto, Prud’homme de Saint-Émilion, Hospitalier de Pomerol e Commandeur du Bontemps. Um episódio elegante, afetivo e cheio de histórias que conectam pessoas, territórios e emoções — um verdadeiro brinde à cultura do vinho. 🍇✨ | |||
| Larissa Morales - Primeira Sommelier de Carnes do Brasil e criadora do Canal Larica na Brasa #EP84 | 06 Oct 2025 | 01:24:20 | |
Larissa Morales é muito mais do que a primeira sommelier de carnes do Brasil — ela é uma força que une técnica, sensibilidade e fogo. Criadora do Larica na Brasa, colunista da Folha de São Paulo e referência em churrasco e gastronomia brasileira, Larissa chega ao SommCast para mostrar que carne é cultura, identidade e prazer sensorial. Da cozinha da avó à parrilla argentina, ela compartilha uma trajetória de coragem, curiosidade e reinvenção — sempre guiada pelo sabor e pela verdade. No papo, Larissa conta como o digital reacendeu sua conexão com a gastronomia, transformando vídeos caseiros em um dos maiores canais de churrasco do país. Ela revela bastidores do seu curso na Argentina, fala sobre o machismo no setor, sobre como aprendeu a degustar carne como se degusta vinho — analisando textura, suculência, aroma e terroir — e sobre a importância de respeitar o ciclo completo do alimento, do pasto ao prato. O episódio é uma jornada inspiradora sobre autenticidade e propósito: como uma mulher, mãe e comunicadora construiu uma profissão inexistente, elevando o churrasco a um novo patamar cultural. Destaques 🥩 A primeira sommelier de carnes do Brasil Larissa conta como descobriu, quase por acaso, a existência do curso de sommelier de carnes na Argentina — e como decidiu embarcar, sozinha, em uma jornada de mais de um ano e meio para conquistar o título. Entre saudade, frio e preconceito, ela transformou a dificuldade em combustível e abriu caminho para uma nova profissão no Brasil. 📚 O curso que mudou tudo: técnica, terroir e sensações Durante sua formação, Larissa aprendeu a degustar carne de forma científica: sem sal, sem gordura e sem interferências. O foco era entender textura, suculência, aromas e sabor em sua forma mais pura. Ela explica como a carne, assim como o vinho, expressa o lugar de onde vem — o terroir — e como alimentação, raça e ambiente moldam o perfil sensorial de cada corte. 👩🍳 Do fogão à câmera: a criação do Larica na Brasa Antes de virar referência, Larissa começou gravando vídeos no quintal de casa com uma câmera emprestada e um celular ruim. O que era hobby virou propósito: comunicar com verdade, simplicidade e alegria. Hoje, o Larica na Brasa é símbolo de autenticidade — um espaço que aproxima gastronomia, humor e representatividade feminina. 🇦🇷 Argentina: uma imersão de cultura e fogo Morando em Buenos Aires, Larissa mergulhou em uma cultura onde a carne é religião. Aprendeu sobre parrillas, cortes diferentes e o respeito dos argentinos à tradição. Entre rinhas culturais e descobertas gastronômicas, ela viu de perto a diferença entre o churrasco brasileiro e o argentino — e como cada um traduz sua própria alma coletiva. 💥 O poder da mulher na brasa Larissa fala sobre ocupar o espaço da churrasqueira — um ambiente historicamente masculino — com naturalidade e força. Conta os desafios de se posicionar como profissional em meio a estereótipos e o quanto representatividade importa. Para ela, estar na brasa é também um ato de afirmação e inspiração para outras mulheres. 🍷 Quando o vinho encontra a carne A conversa flui entre copos e cortes: Larissa e Renato exploram as afinidades entre enologia e carnologia. Ambos mundos falam de terroir, de sensações e de respeito ao processo. Um paralelo poético e técnico sobre como harmonizar mais do que sabores — experiências. 🌎 Carne com identidade e consciência Mais do que sabor, Larissa defende o conhecimento: entender de onde vem a carne, como foi criada e o que ela expressa. Fala sobre alimentação a pasto versus grãos, raças britânicas e índicas, sustentabilidade e o papel do consumidor na valorização de produtores éticos e locais. 🔥 Churrasco como experiência sensorial e cultural No Brasil, o churrasco é um ritual coletivo. Mas Larissa propõe um novo olhar — menos sobre quantidade e mais sobre experiência. Ela fala da evolução do consumo, da importância de comer melhor e com mais consciência, e de como a brasa é um palco para conexões humanas. | |||
| Guilherme Carvalho - Sommelier e fundador da Trigo e Uva, uma curadoria de vinhos brasileiros #EP83 | 02 Oct 2025 | 02:01:05 | |
Guilherme Carvalho, fundador da Trigo e Uva, traz uma visão única sobre vinho brasileiro e hospitalidade. Sua trajetória mistura panificação artesanal, experiências corporativas em grandes empresas e a criação de um e-commerce que hoje é referência em curadoria de vinhos nacionais. Na conversa, ele compartilha como a paixão por fermentação natural o levou a explorar harmonizações criativas entre pão e vinho, além de viagens marcantes para regiões como Champagne, Toscana e Douro. Também fala sobre a força do espumante brasileiro, o papel do sommelier como consultor e os diferenciais logísticos que fazem a Trigo e Uva se destacar no mercado. Mais do que técnica, é um olhar sobre estilo de vida, prazer à mesa e a importância de valorizar o trabalho artesanal. A reflexão é clara: como equilibrar gosto pessoal e análise técnica? E quais caminhos o vinho brasileiro pode trilhar para se consolidar ainda mais? Destaques 🍷 Primeiras memórias com o vinho De “porres de procedência duvidosa” à assinatura de clubes de vinho, Gui conta como descobriu a bebida já na vida adulta e como ela virou paixão a ponto de criar a Trigo e Uva. 🥖 Pão, fermentação e vinho A pandemia despertou nele o ofício da panificação artesanal. O tempo e a paciência da fermentação natural se conectaram ao universo do vinho e abriram caminho para harmonizações criativas e experiências gastronômicas únicas. 🚀 Da Diageo ao empreendedorismo A experiência no mundo corporativo, especialmente em empresas como a Diageo, moldou sua visão de inovação, suprimentos e logística, elementos que hoje estruturam a Trigo e Uva. 🥂 O papel do espumante brasileiro Defensor dos espumantes nacionais, Gui mostra como eles refletem o estilo de vida brasileiro: leves, gastronômicos, plurais e ainda subestimados no mercado. 📦 Logística como diferencial Entrega ágil, consultoria personalizada e cartas de vinho sob medida para restaurantes fazem parte da proposta da Trigo e Uva — um modelo que une eficiência e curadoria técnica. 👨🍳 Hospitalidade e prazer à mesa Receber bem é filosofia de vida. Gui fala sobre cozinhar, harmonizar e usar o vinho como elo de conexão entre pessoas. 🌍 Viagens que transformam Champagne, Toscana, Douro, Porto e Bélgica moldaram sua visão sobre bebida, hospitalidade e prazer, reforçando o impacto cultural do vinho. 📚 Formação e aprendizado contínuo O curso da ABS ampliou horizontes: do entendimento técnico dos vinhos à descoberta de universos como azeites e águas, mostrando como ampliar repertório é fundamental. 💡 Técnica vs. gosto pessoal Um vinho pode não agradar no paladar individual, mas ainda assim ser tecnicamente impecável. Gui defende o olhar crítico e equilibrado na seleção de rótulos. 🔥 Consultoria para restaurantes Além de fornecer vinhos, a Trigo e Uva ajuda restaurantes a montar cartas coerentes com ticket médio, público e identidade gastronômica. 🔄 Mudança de vida e propósito Gui compartilha a virada da pandemia, quando transformou o lazer em negócio e descobriu um novo propósito ligado à autenticidade e ao prazer de servir. | |||
| João Roquette Álvares Ribeiro - Quinta geração à frente da Quinta do Vallado #EP82 | 29 Sep 2025 | 01:07:37 | |
O Douro não é apenas uma região de vinho: é um território de cultura, memória e transformação. Como se reinventa um legado de mais de 300 anos sem perder a essência? Quem responde é João Roquette Álvares Ribeiro, quinta geração da família que conduz a histórica Quinta do Vallado, uma das propriedades mais antigas e emblemáticas de Portugal. Entre herança, inovação e visão estratégica, João mostra como o Douro se tornou, ao mesmo tempo, guardião da tradição e palco de novas possibilidades. Neste episódio, ele relembra a trajetória da família, marcada pela figura de Dona Antónia Ferreira — mulher à frente do seu tempo, símbolo de coragem e visão social. A partir desse legado, o Vallado deixou de ser apenas fornecedor de uvas para vinhos do Porto e abraçou o desafio de criar sua própria marca de vinhos tranquilos, hoje reconhecidos internacionalmente. João fala sobre o papel decisivo dos Douro Boys, a redescoberta das vinhas velhas com estudos genéticos inéditos, a ousadia de lançar rótulos provocativos como o Lady Baga e a expansão do enoturismo como uma força tão importante quanto a própria produção. Mas o papo vai muito além da taça. João reflete sobre o futuro da região, a busca por vinhos mais leves e gastronômicos que dialogam com o consumidor contemporâneo, e o impacto cultural e econômico do Vallado no Brasil — hoje principal mercado da marca fora de Portugal. O episódio é uma verdadeira aula de estratégia e identidade, costurando passado e futuro, emoção e racionalidade, sempre com a convicção de que o vinho é uma forma de contar histórias. Prepare-se para um mergulho no Douro como você nunca ouviu. Destaques 🍇 O legado de Dona Antónia Ferreira Muito antes de sustentabilidade virar pauta, Dona Antónia já cuidava da terra e das pessoas. Símbolo de visão e coragem, continua sendo referência para o Vallado e para todo o Douro. 🏰 Da tradição ao risco calculado Nos anos 1990, a família decidiu criar vinhos com a marca própria. Foi um passo ousado que transformou o Vallado em protagonista do Douro moderno. 🌱 Vinhas velhas, tesouros vivos Com estudos genéticos, o Vallado identificou dezenas de castas autóctones em field blends centenários, preservando diversidade e criando vinhos únicos. 🥂 Douro Boys: união que fez história Um grupo de amigos e concorrentes que se uniu para promover o Douro no mundo. O marketing coletivo virou referência global. 🔥 Lady Baga e a ousadia criativa Um baga fresco e elegante, com nome divertido inspirado na Lady Gaga, que representa a nova cara do Douro e a tendência de vinhos mais leves. ⚖️ Tradição + tecnologia Do pisa a pé em lagares às técnicas modernas de vinificação, o Vallado mostra como unir passado e futuro pode ser sua maior força. 🌍 O Brasil como vitrine Mais de 20% dos visitantes do Vallado são brasileiros, e o país já é o maior mercado para seus vinhos tranquilos. 🏨 Enoturismo que encanta Hotéis, restaurantes, spas e experiências sensoriais transformam o Vallado em destino obrigatório no Douro. 🚤 Experiências únicas no Douro Vindima, passeios de barco, pedaladas e provas de vinhos: cada estação oferece uma vivência diferente. 🥇 Reconhecimento mundial O Vallado está entre os 50 melhores vinhedos do mundo, prova de que tradição e inovação caminham juntas. 🍷 O futuro do Douro Menos quantidade, mais identidade: vinhos brancos em ascensão e tintos mais leves desenham o amanhã da região. | |||
| Danio Braga - Chef, enólogo e sommelier. Presidente da ABS e diretor de vinhos do Grupo Fasano #EP81 | 25 Sep 2025 | 01:33:45 | |
Poucas pessoas podem dizer que ajudaram a mudar a história do vinho em um país inteiro. Danio Braga pode. Chef, enólogo, sommelier e fundador da ABS Brasil, ele é uma das vozes mais influentes quando falamos de profissionalização, cultura e futuro do setor. Neste episódio, ele revisita memórias de infância na Itália, conta como o lambrusco fazia parte do café da manhã no pós-guerra e revela como decidiu romper com a tradição para criar algo novo — uma ousadia que também o trouxe ao Brasil, onde plantou sementes que transformaram o mercado. Ao longo da conversa, Danio mergulha em sua trajetória de mais de quatro décadas: da fundação da ABS no Rio de Janeiro à expansão pelo Brasil, da revolução na gastronomia carioca aos marcos da vitivinicultura nacional, como a dupla poda e a ascensão dos espumantes brasileiros. Ele mostra como a formação de sommeliers se tornou uma missão de vida e por que acredita que o salão continua sendo a escola definitiva para moldar grandes profissionais. Este episódio é mais do que uma entrevista: é um manifesto sobre tradição, inovação e legado. Danio provoca, inspira e reforça a ideia de que o vinho vai muito além da taça. É sobre cultura, comportamento, persistência e a capacidade de transformar um mercado inteiro. Um convite para ouvir, refletir e se apaixonar ainda mais pelo universo do vinho brasileiro. Destaques 🍷 A infância marcada pelo vinho: como o lambrusco adoçado no café da manhã do pós-guerra foi a primeira memória de Danio com a bebida, revelando a força da cultura italiana que tratava o vinho como alimento e não apenas como prazer. 🇮🇹 Tradição versus ruptura: inspirado por sua experiência londrina, Danio decidiu transformar a osteria da família em restaurante moderno, desafiando tradições e mostrando desde cedo sua vocação para subverter o estabelecido. ✈️ A chegada ao Brasil: sem falar português, comprou um restaurante no Rio e criou o Enotria, que se tornou referência gastronômica e abriu caminho para novas experiências vínicas no país. 🏛️ A fundação da ABS: a falta de profissionais qualificados para o próprio restaurante deu origem à Associação Brasileira de Sommeliers, que cresceu até se tornar uma das maiores do mundo e pilar da formação no setor. 📈 A evolução do vinho brasileiro: dos vinhedos em pergola da Serra Gaúcha à revolução da dupla poda, Danio mostra como novas regiões produtoras revelam a criatividade e resiliência da viticultura nacional. 🥂 Espumantes nacionais como orgulho: Danio defende que nenhum país sul-americano alcança a consistência e qualidade do Brasil nessa categoria, que reposiciona nossa viticultura no cenário global. 👨🏫 A formação do sommelier: para ele, carregar bandeja e viver o salão é essencial. Critica a ideia de formar sommeliers sem prática de serviço, reforçando que o aprendizado real acontece no contato direto com o cliente. 💧 Muito além do vinho: Danio destaca a importância de dominar águas minerais, cervejas, destilados e coquetelaria, mostrando como o sommelier moderno deve ser um intérprete completo da bebida à mesa. 🔮 O futuro da profissão: a expansão das ABS regionais e o reconhecimento legal mostram um caminho de consolidação. O desafio agora é formar gestores capazes de unir técnica, liderança e visão de mercado. | |||
| Wesley Moreira - Sommelier e fundador da Sommelier School #EP80 | 22 Sep 2025 | 02:30:59 | |
Você já conheceu alguém que largou tudo depois de provar um Barolo? Wesley Moreira é esse alguém. Ex-padeiro, mineiro “carioca da pandemia” e fundador da Sommelier School, ele compartilha no SommCast uma trajetória improvável e inspiradora — marcada por curiosidade insaciável, viradas ousadas e uma paixão real pelo vinho como linguagem e legado. A conversa começa com a infância em Barbacena, passa por pães madrugueiros e culmina em um momento de epifania com uma garrafa de Gaia 1982 escondida na copa de um hotel. O papo mergulha fundo no universo da formação de sommeliers no Brasil, na construção do material didático próprio da Sommelier School e nas escolhas pedagógicas que diferenciam a escola de gigantes como ABS, WSET e ISG. Wesley fala com autoridade e afeto sobre metodologias, os três módulos da formação, o foco no vinho brasileiro e a importância de ensinar com objetividade e propósito. É um episódio sobre técnica, sim, mas acima de tudo sobre a formação de pessoas que vão mudar o serviço de vinho por onde passarem. Se você trabalha com vinho ou sonha em trabalhar, esse episódio é uma aula de vida. É também um lembrete de que a curiosidade é uma força transformadora — seja em uma padaria às 3 da manhã ou no nariz de um Barolo memorável. Destaques 🍞 Do forno para a taça Antes do vinho, Wesley foi padeiro. E foi essa curiosidade obsessiva por processos e ingredientes que o levou a buscar o Senac e, mais tarde, a descobrir o universo do vinho profissional. 🍷 A noite que mudou tudo: Barolo 1982 Em um hotel em Bragança Paulista, Wesley teve acesso a um Gaia 1982 em garrafa Magnum. O serviço foi recusado pelos clientes — mas a experiência solitária com aquele vinho mudou sua vida para sempre. 📚 Estudo autodidata e garra insana Sem acesso a materiais, Wesley escrevia para órgãos internacionais pedindo conteúdo técnico — e traduzia tudo com dicionário na mão. Um exemplo de autodidatismo radical e apaixonado. 🏫 Criação da Sommelier School A escola nasceu em 2013 com um objetivo claro: formar profissionais prontos para o mercado. A metodologia é própria, dividida em 3 módulos (viticultura + países + serviço), com foco em prática, clareza e muita degustação. 🍇 Vinho brasileiro como parte do currículo Desde o início, Wesley fez questão de inserir o vinho nacional nos materiais, degustações e aulas da Sommelier School — e reforça a importância de um olhar técnico, sem preconceitos, para o Brasil vitivinícola. 📈 Metodologia afiada e foco no aluno real Nada de enfeitar. Os conteúdos são filtrados para o que é essencial no dia a dia do sommelier. O aluno aprende o que precisa saber para trabalhar e explicar o vinho com segurança e clareza. 🎓 ISG, ABS, WSET e a escolha pela independência Wesley estudou e representou grandes escolas, mas optou por fortalecer sua própria abordagem — rompendo com a ISG em 2018 para reposicionar a Sommelier School como um legado educacional brasileiro. 🔥 Formação, paixão e legado Mais do que certificados, Wesley quer formar profissionais que transformem o serviço de vinho. Cada turma é uma nova chance de gerar impacto real na vida das pessoas que passam pela escola. | |||
| Malu Sevieri - Diretora da ProWine Brasil e CEO da Emme #EP79 | 18 Sep 2025 | 01:30:12 | |
Como se constrói um império de taças, rótulos e conexões? Neste episódio especial do SommCast, mergulhamos nos bastidores da ProWine São Paulo com Malu Sevieri, CEO da Emme Brasil e uma das grandes responsáveis por transformar a feira em um ponto de encontro essencial para o setor do vinho. Com mais de 20 anos de estrada no universo de eventos, Malu compartilha histórias que misturam infância em pavilhões, visão estratégica e um amor sincero por vinho e encontros. A conversa percorre desde a relação afetiva de Malu com o vinho — marcada por lembranças familiares, diversidade de rótulos na mesa e experiências com espumantes sem álcool — até os desafios técnicos e logísticos de realizar uma feira internacional com mais de 1.500 marcas de 35 países. Falamos de curadoria de expositores, da filtragem de público, da gestão de 50 mil taças por dia, e da importância de educar o mercado — tanto visitantes quanto marcas — para gerar valor real e relações comerciais sólidas. Spoiler: também teve desabafo sobre falsificação de vinho e críticas ao mercado informal. No fim das contas, este episódio é um retrato do que faz o setor crescer: profissionalismo, paixão, diversidade e um olhar crítico para o futuro. É pra quem ama vinho, mas também quer entender o que movimenta esse ecossistema nos bastidores. Destaques 🍷 Vinho como afeto e cultura familiar Malu compartilha suas primeiras memórias com vinho: o pai que dizia "dá uma bicadinha", a mãe baiana que servia portinho no fim da noite e o ritual da mesa cheia de variedades. Um relato que mostra como o vinho nasce do convívio, não do rótulo. 🏗️ Nascida no pavilhão, moldada pela rotina de feiras Desde criança acompanhando os pais na montagem de eventos, Malu revela como o DNA da organização e da resiliência foi formado entre estandes, brindes de capacetes e madrugadas sem EPI. 🚫 Por que a ProWine não é um evento para enófilos amadores? Ela explica como funciona a curadoria de participantes: só entra quem comprova atuação no setor. A ideia é manter o nível profissional, garantir foco comercial e preservar a dinâmica de negócio. 🔄 50.000 taças, 1,5 tonelada de gelo e logística de guerra Um verdadeiro exército operacional garante que cada degustação na ProWine mantenha padrão técnico e profissional. Com estações de lavagem e controle manual, a equipe realiza um espetáculo invisível aos olhos — mas essencial para o sucesso. ♻️ Reciclagem e combate ao mercado ilegal Todas as garrafas da feira são trituradas diariamente para evitar reutilização e falsificação. A preocupação vai além da logística: envolve educação e saúde pública frente ao mercado informal de vinho. 📱 App da feira: Tinder + Instagram + CRM Visitantes e expositores interagem via aplicativo próprio da feira, agendam reuniões e capturam leads. É um espaço digital para conexões reais — e ainda em processo de amadurecimento. 🌍 35 países, com Portugal liderando e Brasil crescendo forte A feira se internacionaliza cada vez mais, mas também abre espaço para o vinho nacional — de Mantiqueira à Bahia, da Dupla Poda às microproduções. A diversidade é real, mas a distribuição ainda é um gargalo. 🚫🍇 Vinhos sem álcool: tendência ou ilusão? Malu e Renato discutem os limites sensoriais do vinho zero. Apesar da explosão de rótulos e apostas mercadológicas, ainda falta qualidade no paladar. Spoiler: até produtores que falavam mal estão lançando os seus. 🧭 A ProWine como radar — e não criadora — de tendências O papel da feira é ser espelho do mercado, e não seu profeta. Ela revela o que está em movimento, mas quem valida é o consumidor. De vinhos em lata a espumantes zero, quem decide o que fica é você. 📦 Do vinho de garrafão ao app de matchmaking A conversa mostra como o Brasil passou da informalidade do “vinho do tio do WhatsApp” para uma feira estruturada, tecnológica e estratégica. Mas sem perder o calor humano — que sempre foi o ingrediente secreto do vinho. | |||
| Marcelo Fonseca - Sommelier do Evvai, melhor sommelier do Brasil pelo Guia Michelin e Comer & Beber SP 2025 #EP78 | 15 Sep 2025 | 02:27:08 | |
Como nasce um sommelier premiado? Neste episódio, o SommCast recebe Marcelo Fonseca, eleito Melhor Sommelier do eixo Rio-SP pelo Guia Michelin, e responsável pelas harmonizações do aclamado restaurante EVVAI, duas estrelas. Com uma trajetória que começa no Gero, no Rio de Janeiro, Marcelo revela como o serviço de salão despertou sua curiosidade pelo vinho — e como essa paixão foi sendo lapidada com muito estudo, autocrítica e um olhar afiado para o paladar brasileiro. Ao longo do papo, ele detalha sua formação — ABS, WSET, livros, grupos de estudo e muita litragem — e mostra como isso se traduz em uma atuação sofisticada e sensível. Marcelo compartilha os bastidores da construção de uma carta de vinhos que já triplicou em tamanho, revela como realiza harmonizações com referências clássicas e ousadas, e comenta sobre as dificuldades reais de trabalhar com vinho no Brasil: preço, acesso, importadoras, tempo. Mais do que técnica, o episódio mergulha em hospitalidade, gestão e identidade. No final, o papo ganha ainda mais força: Marcelo reflete sobre prêmios, críticas construtivas, a diferença entre os serviços no Rio e em São Paulo, e o que significa fazer uma harmonização realmente inesquecível — não para impressionar, mas para emocionar quem está à mesa do EVVAI. Um episódio necessário para quem vive ou sonha viver o vinho no serviço, na carta e na experiência completa. Destaques 🍇 Início na gastronomia e descoberta do vinho Marcelo começou sua trajetória como garçom no Gero, no Rio de Janeiro, onde teve contato com grandes sommeliers e vinhos icônicos — de Lafite a Cheval Blanc — mesmo sem saber o que eram. Essa curiosidade virou paixão e, depois, profissão. 📚 Formação sólida: ABS, WSET e autodidatismo Ele detalha sua busca por conhecimento técnico, passando pela ABS-RJ, WSET até formações autodidatas com livros como o Oxford Companion to Wine e cursos online como o da Wine Guild da Alemanha. A formação nunca para — e o desafio é contínuo. 💡 A construção de uma carta com identidade De 60 para 160 rótulos em três anos: Marcelo conta como expandiu a carta do EVVAI priorizando pequenos produtores, variedade geográfica e importadoras diversas. A curadoria inclui de clássicos como Sassicaia a vinhos naturais brasileiros como os da Vin du Tempo. 🎯 Harmonizações autorais e pensamento estratégico Ao criar as harmonizações para o EVVAI, Marcelo revela seu processo: começa pelas harmonizações mais difíceis (Magna), testa até 15 rótulos para um prato, busca o terceiro sabor e evita o óbvio. Tudo passa pela sensibilidade, pelo time e por quem está à mesa. 🌍 Rio x São Paulo: serviço, cultura e oportunidades Marcelo compara os dois universos: a leveza carioca e a potência paulistana. Ele conta como cresceu mais rápido em SP do que em anos no Rio, sem perder o humor e a autenticidade, mas ganhando refinamento e estrutura. 🏆 Prêmio Michelin: reconhecimento e responsabilidade Ele compartilha como recebeu, de surpresa, o prêmio de Melhor Sommelier Rio-SP e como isso o motivou a elevar ainda mais o serviço, a carta e a experiência no EVVAI. Mais que status, um convite à excelência contínua. 👃 Vinho brasileiro na carta Michelin Apesar das dificuldades de acesso e custo, Marcelo fala da importância de colocar rótulos nacionais no radar, como o Sauvignon Blanc da Bahia e os vinhos da Vin du Tempo. Uma construção ainda em progresso, mas feita com critério e intenção. 🔄 Carta viva: atualização diária e paixão por detalhes No EVVAI, a carta é editada todos os dias. Marcelo compartilha sua obsessão por precisão e frescor, mostrando como até a menor mudança de safra exige atenção — e como isso impacta diretamente na experiência do cliente. 🤝 Parcerias e humildade como diferencial técnico Ele valoriza a colaboração com a equipe — da gerente Jaqueline ao chef Luiz Filipe Souza — e reforça que fazer harmonizações não é sobre ego, mas sobre criar algo memorável para o cliente. Aprender com os outros é parte do jogo. | |||
| Luis Pero - Cachaceiro, sócio-proprietário da Cachaçaria SP #EP77 | 11 Sep 2025 | 02:12:00 | |
Você sabe o que faz da cachaça um dos destilados mais singulares do mundo? Neste episódio especial do SommCast, saímos momentaneamente do universo do vinho para mergulhar de cabeça no mundo da cachaça artesanal com Luis Pero, fundador da Cachaçaria SP, localizada no icônico Edifício Copan, em São Paulo. Mais do que um especialista, LuiS é um verdadeiro contador de histórias — e traz com ele séculos de cultura líquida brasileira condensados em copos de alambique, madeira brasileira e paixão genuína. A conversa percorre desde as raízes históricas da cachaça — que remonta a 1516, antes mesmo do rum — até os desafios enfrentados pela produção nacional, como a alta carga tributária e a dificuldade de reconhecimento internacional. Luis compartilha sua jornada empreendedora ao fundar uma loja 100% dedicada à cachaça de alambique, detalha o papel das leveduras no terroir e mostra por que a degustação é essencial para educar o paladar. O papo é recheado de histórias sobre alambiques familiares, harmonizações inesperadas com queijos e charcutaria, e uma defesa empolgada da cachaça como patrimônio cultural e sensorial brasileiro. Se você acha que cachaça é tudo igual ou guarda memórias de um porre mal resolvido, este episódio vai mudar sua percepção. Com linguagem leve, exemplos práticos e muita paixão, Luis Pero mostra por que a cachaça merece lugar de destaque no mesmo pedestal dos grandes vinhos. Dê o play e descubra como um destilado pode carregar identidade, história e prazer em cada gole. Destaques 🍹 O verdadeiro significado de “cachaceiro” Luis redefine o termo com orgulho: cachaceiro é quem trabalha com cachaça — assim como o padeiro com pão. Ele explica como a legislação já reconhece oficialmente profissões como mestre alambiqueiro e mestre cachaceiro. 📜 A Revolta da Cachaça e o Dia 13 de Setembro Você sabia que o Dia da Cachaça comemora uma revolução contra a Coroa Portuguesa em 1661? Luis relembra como o destilado virou símbolo de resistência e o primeiro produto brasileiro taxado oficialmente. 🏢 A história da Cachaçaria SP no Copan O insight para abrir a loja surgiu da falta de cachaçarias em São Paulo — algo comum em outras capitais. Localizada no centro turístico, ela atrai principalmente estrangeiros curiosos, mas também brasileiros que esqueceram de trazer um presente regional. 🔬 Degustação guiada e vendas consultivas Na Cachaçaria SP, não existe venda sem degustação. Luis compartilha sua filosofia de que vender cachaça é educar o consumidor — com direito a flight de cachaças de diferentes madeiras, origens e envelhecimentos. 🌎 Por que o mundo conhece o rum, mas não a cachaça? Discussão provocadora sobre marketing, identidade nacional e as limitações do nome “cachaça” no mercado internacional. Luis sugere: se fosse chamada de “rum agrícola brasileiro”, a bebida teria dominado o mundo. 🌳 Madeiras brasileiras x carvalho europeu A riqueza da cachaça também está na diversidade de madeiras: amburana, bálsamo, jequitibá, ipê. Luis explica por que o tempo de envelhecimento não é o fator principal, e sim a relação da madeira com o líquido. 🧬 Levedura como expressão do terroir Assim como no vinho, o terroir na cachaça se revela na fermentação. A levedura local (muitas vezes nativa do ambiente) é quem define as nuances da bebida. Paraty, Salinas, São Paulo — cada região tem sua assinatura. 🧀 Harmonização com gordura: queijo, porco e charcutaria Cachaça dissolve gordura — e isso a torna uma parceira perfeita para harmonizações com torresmo, queijos brasileiros e carnes curadas. Luis compartilha experiências sensoriais incríveis feitas na loja, com foco em produtos nacionais. 🏗️ Copan, design e garrafa-ícone A cachaça Copan, blend criada por Luis, é mais que bebida: é peça de design e narrativa afetiva. Embalada em uma garrafa de porcelana inspirada na curva do edifício, carrega o sabor do centro de São Paulo e 7 anos de escuta ativa do consumidor. | |||
| Bianca Veratti - Sommelière, primeira mulher brasileira DipSET e fundadora do Vitis Lab #EP76 | 08 Sep 2025 | 01:46:55 | |
Ela foi a primeira brasileira a conquistar o WSET Diploma. Mas sua jornada vai muito além do título. Neste episódio do SommCast, Bianca Veratti compartilha sua trajetória com franqueza, bom humor e uma visão afiada sobre o universo do vinho. Educadora, empreendedora, apaixonada por gente e por conteúdo, Bianca transforma sua história em uma verdadeira aula sobre propósito, sensibilidade e coragem no mercado do vinho.Falamos sobre os bastidores da formação em hotelaria, os anos em restaurantes estrelados, a criação do Vitis Lab e a construção de um jeito autêntico de ensinar vinho no Brasil. Entre desafios e conquistas, ela critica os caminhos padronizados da educação enológica, fala sobre as limitações do ensino tradicional e propõe novas formas de formar — mais sensíveis, acessíveis e conectadas com a realidade dos consumidores. Tudo isso regado a histórias de viagens, experiências transformadoras e reflexões sobre prazer, linguagem e pertencimento.Um episódio que vai muito além da técnica. Bianca convida o ouvinte a pensar o vinho como parte da vida — sem filtros, sem pedantismo, com escuta e empatia. Um papo imperdível pra quem quer se aprofundar, empreender ou simplesmente se reconectar com a alegria de beber bem.Destaques🍷 Primeiros goles e memória afetivaBianca relembra sua infância marcada por espumantes nas festas de família e o ritual do vinho branco com o pai — mostrando como o afeto molda nossas preferências desde cedo.🎓 WSET Diploma e educação contínuaA jornada até o WSET Dip é detalhada com franqueza: do encantamento inicial à pressão por performance, passando pelos aprendizados, renúncias e transformações pessoais.🏨 Dos salões à sala de aulaFormada em hotelaria, Bianca traz vivência prática em restaurantes e eventos. Essa bagagem forma a base da sua abordagem pedagógica, sempre atenta à experiência real do consumidor.🧪 Vitis Lab: inovação e conteúdo com almaCriadora do Vitis Lab, Bianca fala sobre seu laboratório de conteúdo e experiências. Um projeto que rompe com as fórmulas e propõe novas maneiras de comunicar o vinho — mais sensoriais, livres e inclusivas.📚 A crítica à educação enológica tradicionalO papo mergulha nos limites da linguagem técnica e nas falhas dos modelos de ensino que afastam mais do que aproximam. Bianca defende um ensino que escute, acolha e provoque — sem repetir fórmulas importadas.🌎 Vinho como estilo de vida, não como statusMais do que rótulos caros, o vinho é apresentado como parte do cotidiano, da comida simples, das escolhas conscientes e da construção de repertório afetivo e cultural.💡 Empreender com propósito e coragemBianca fala sobre as dores e delícias de empreender no setor do vinho, da importância de criar espaços autênticos ao desafio de manter a essência num mercado ainda cheio de vaidades. | |||