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Explore every episode of the podcast O Poema Ensina a Cair

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TitlePub. DateDuration
Carlos Fiolhais (II):"Temos de mudar de vida para manter a vida"22 nov. 202401:01:35

Na segunda parte da conversa com o físico Carlos Fiolhais, conversamos sobre 5 poemas e um livro, o Cosmos de Carl Sagan: "o Cosmos é um livro muito interessante e interessa a todos porque trata de tudo. O que é o universo, o cosmos? É tudo o que existe, existiu e existirá."

Poemas:

Jorge de Sena – Homenagem a Francisco Sanches

Vitorino Nemésio – ADN

Álvaro de Campos/ Fernando Pessoa – Ode Triunfal

Antero de Quental – Evolução

Luís de Camões - Canto V de Os Lusíadas (excerto)


Carlos Fiolhais (I):". Poesia e ciência são ambas dimensões humanas, são as duas actividades humanas."15 nov. 202401:05:19

Físico, professor, antigo director da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, criador do Centro de Ciência Viva Rómulo e do Centro de Física Computacional da Universidade de Coimbra, onde instalou o maior computador português para cálculo científico (Centopeia).

Carlos Fiolhais, 68 anos, nasceu em Lisboa, foi baptizado no Mosteiro dos Jerónimos e em criança, porque cresceu no bairro da Ajuda, brincava no jardim da Praça do Império e na Rosa dos Ventos, já andava ali a pisar o mundo todo.

Acredita que descobrir é das coisas mais humanas que há, e foi talvez por isso que estudou física – queria percorrer o caminho da aventura da ciência.

Coimbra primeiro, depois doutoramento na Alemanha, e desde então a tal aventura de conhecer, partilhar conhecimento, com os alunos da faculdade mas também com o público. Podemos dizer que é um divulgador de ciência, mas também um entusiasta dessa divulgação.


Poemas primeira parte:

Adília Lopes – Memórias das Infâncias

Jorge Sousa Braga – Poema de Amor

Eugénio Lisboa – Kepler

Alexandre O’ Neill – Aos vindouros se os houver

António Gedeão – Poema Para Galileu

Luísa Freire: "Escrever poesia é um recolhimento para fora."08 nov. 202401:27:42

Luísa Freire nasceu em Castelo Branco, em 1933. É licenciada em Filologia Germânica e mestre em Literaturas Comparadas pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Lisboa, a mesma onde integrou o Instituto de Estudos sobre o Modernismo, e onde investigou a obra pessoana, sobretudo a poesia inglesa de Fernando Pessoa, que publicou e traduziu. Publicou este ano Atravessar o Frio, o primeiro de 2 volumes de poesia inédita, pela Assírio & Alvim.

Considera que escrever poesia é uma forma de se conhecer melhor, de pensar as coisas, e sente-se "absolutamente filha de Álvaro de Campos", heterónimo de Fernando Pessoa.

Além de continuar a escrever poesia, continua a pintar. Para Luísa Freira "a poesia é uma forma de poema" e quando pinta sente que está a escrever.


Poemas:

Álvaro de Campos/ Fernando Pessoa: Não estou pensando em nada

Bashô: Nada a sugerir

Buson: De pé, em silêncio –

Issa Kobayashi: Floresce a ameixeira:

Shiki: Aqui e ali

Sophia de Mello Breyner Andresen: Movimento

António Ramos Rosa: As palavras dizem os arcos do mar

Eugénio de Andrade: No teu ombro respiro

Albano Martins: Crepúsculo de Agosto

Carlos de Oliveira: Espaço/ para caírem/ gotas de água

Fernando Guimarães: Vens de longe. Mais perto de ti encontras

Pedro Tamen: Suspendo a mão entre o A e o B,

Gastão Cruz: Variação

Carlos Vaz Marques (II):"O Cesariny é uma figura que teve importância na minha imaginação, na relação com a poesia, ao ponto de eu ter tido um cão chamado Cesariny."01 nov. 202401:14:30

Segunda parte da conversa com Carlos Vaz Marques, jornalista, editor e tradutor.

Conversamos sobre alguns dos poemas de que mais gosta, e reflectimos sobre os que os poemas sugerem. Por exemplo, a ideia de cair ou não "verticalmente no vício" de que fala Mário Cesariny, ou a ideia de entrar ou não resignado "nessa noite tranquila", de que nos fala Dylan Thomas.

Para livro de não poesia, o nosso convidado escolheu o Livro do Desassossego, e até sugeriu uma espécie de jogo que cada um de nós pode fazer on-line, para criar a sua própria edição deste livro de Fernando Pessoa.


Poemas segunda parte:

Camilo Pessanha - Singra o navio

Álvaro de Campos - Olha, Daisy, quando eu morrer

Cesário Verde – De Tarde

Mário Cesariny – Pastelaria

Não Entres Resignado Nessa Noite Tranquila, de Dylan Thomas (tradução de Carlos Vaz Marques)


Livro:

Livro do Desassossego

Carlos Vaz Marques (I): "A poesia está no início. Eu acho que a seguir aos livros de aventuras da infância, aquilo que me motivou durante mais tempo na adolescência foi descobrir poetas e poesia." 25 oct. 202401:23:47

Carlos Vaz Marques, 60 anos, vem dizendo que ganha a vida a fazer perguntas, mas hoje em dia, além de jornalista, é também editor e tradutor.

Estudou Línguas e Literaturas Modernas, foi professor durante 2 anos, trabalhou na Rádio universidade Tejo, no JL, no semanário O Jornal, e na TSF durante muitos anos, rádio onde criou esse espaço de entrevistas chamado Pessoal e Transmissível, o programa de comentário cujo nome está impedido de dizer e que permanece até hoje, e um programa diário de sugestões de leitura chamado Livro do Dia.

Na primeira parte desta conversa, dá-nos conta de alguns dos poemas de que mais gosta, do primeiro encontro com a poesia através das palavras do avô materno que sabia o Canto IX dos Lusíadas de cor, das primeiras leituras de ficção com os livros de Enid Blyton, da forma curiosa que escolheu para se relacionar com o mundo: "Há duas formas de nos relacionarmos com o mundo. Uma é esperar que o mundo venha ter connosco, outra é irmos ao encontro do mundo. E no meu caso, até pelo treino de jornalista, sempre fujo muito de me centrar muito em mim próprio."


Poemas primeira parte:

1: Luís de Camões – Sete anos de pastor Jacob servia Labão

2: Ruy Belo – Algumas proposições sobre pássaros que o poeta remata com uma referência ao coração

3: Jorge de Sena – Carta a meus filhos sobre os fuzilamentos de Goya

4: Alberto Caeiro, Poema VIII, O Guardador de Rebanhos

5: Herberto Helder – Li algures que os gregos, A faca Não Corta o Fogo

Mia Couto: "Eu não vejo a poesia como um género literário, acho que a poesia é uma forma de olhar o mundo, é uma sensibilidade, é uma forma de perder fronteira"23 oct. 202400:50:01

Escritor, poeta, filho de poeta, biólogo, um dos nomes maiores da literatura escrita em português, Mia Couto acaba de lançar o livro A Cegueira do Rio, edição Caminho. Sobre o livro, deixou aos futuros leitores esta mensagem escrita à mão numa livraria de Lisboa: “uma visita ao fim da escrita, esse lugar onde os rios já são fronteira e nos ensinam a sermos pontes para chegar aos outros”, fim de citação.


Neste podcast conversamos sobre o novo romance, mas também sobre poesia , essa forma de perder fronteira que Mia Couto considera ser necessário recuperar.

É escritor de romances mas também poeta e é assim que se assume antes de qualquer coisa, "isso não sai de mim de maneira nenhuma".

Zeferino Coelho (II):"A poesia teve um papel muitíssimo importante na luta anti-fascista."18 oct. 202401:00:21

Segunda parte do podcast com Zeferino Coelho, lendário editor português, um dos fundadores da Caminho e editor de José Saramago, sobre quem conversamos longamente.

A luta anti-fascista é outro dos temas desta segunda parte, assim como a poesia como instrumento de resistência ao regime do Estado Novo. Por exemplo quando um poema de Alexandre O’ Neill dito por Mário Viegas num protesto de estudantes, fez os presentes ficarem no lugar em vez de fugirem à polícia, como queriam inicialmente.


Poemas segunda parte:

Ricardo Reis – Para ser grande sê inteiro

Ricardo Reis – Tirem-me os deuses

Mário Cesariny – You are welcome to Elsinore

Miguel Torga – Dies Irae

Carlos de Oliveira - Acusam-me de mágoa e desalento

Manuel Bandeira – Vou-me embora para Pasargada


Livro:

Ensaio sobre a Cegueira, José Saramago

Zeferino Coelho (I): "A nossa hipótese de sobrevivermos ao quotidiano é através da poesia."11 oct. 202401:19:30

Foi o editor de José Saramago, o único Nobel português de Literatura, e ainda hoje tem orgulho quando se lhe referem assim. Zeferino Coelho, 79 anos, nasceu em Paredes, uma pequena vila do distrito do Porto, em 1945. Filho mais velho de 5 irmãos, foi criado pelo avô, o que terá contribuído para poder estudar e fazer um percurso escolar que o levaria primeiro a Guimarães e depois, no ano lectivo de 62-63, à recém-criada Faculdade de Letras da universidade do Porto, para tirar o curso de Filosofia.

Só na adolescência se consolida como leitor, e deve-o à biblioteca itinerante da Fundação Calouste Gulbenkian, que visitava Paredes quinzenalmente. A entrada na Faculdade trar-lhe-ia o admirável mundo novo da luta antifascista, a ousadia da troca de ideias em cafés do Porto, como o Piolho. Acabaria por aderir ao PCP aos 20 anos, partido onde trabalhou de 72 a 76. Passou pela editora Inova, entes de ajudar a criar a Caminho, onde se mantém até hoje. Foi ele que decidiu publicar o livro Levantado do Chão, de José Saramago, que havia sido recusado antes por outras editoras, e esse facto, marcou a sua vida e a da editora. Poemas primeira parte

Sophia de Mello Breyner Andresen – Arte poética 2

Sophia de Mello Breyner Andresen – Senhora da Rocha

Sophia de Mello Breyner Andresen – Crepúsculo dos Deuses

D. Dinis – Ai flores, ai flores do verde pino

João Roiz de Castelo Branco – Cantiga partindo-se

Luís de Camões – Babel e Sião

Antero de Quental – A um crucifixo



Dia Mundial do Professor - Leitura de poema de João Miguel Fernandes Jorge 05 oct. 202400:07:10

No Dia Mundial do Professor, Raquel Marinho partilha a leitura de um poema de João Miguel Fernandes Jorge chamado "Durante um Exercício de Filosofia" publicado no livro Antologia dos Poemas, edição Relógio D´Água.

Milhanas (II): "A coisa que mais me comove é o silencio numa multidão, uma multidão em silencio."04 oct. 202400:52:03

Nesta segunda parte da conversa com Milhanas, continuamos a conversar sobre os poemas de que mais gosta e, mais uma vez, partimos da poesia para conversar sobre os temas que interessam, inquietam, preocupam mas também motivam e movem a nossa convidada.

Poemas:

Carlos Drummond de Andrade - Os ombros suportam o mundo

Carlos Drummond de Andrade - Congresso internacional do medo

Almeida Santos - Se tardas amor, não venhas

Natália dos Anjos - Rezando pedi por ti

Álvaro Duarte Simões - Barro divino

Milhanas (I): "A poesia transforma-se à medida que eu me transformo, e isso é quase uma atitude egoísta. É egoísta porque o meu amor pela poesia é sobre mim."27 sept. 202401:00:51

Chama-se Milhanas, tem 22 anos, e estreou-se na cena musical portuguesa em 2023 com o disco De Sombra a Sombra. A ligação à poesia, conta-nos, deve-se a uma professora de Literatura do secundário que lhe permitiu uma interpretação mais livre dos poemas, contrariando a análise teórica e pragmática que conhecia até essa altura.Desde a adolescência que leva a cabo uma espécie de diálogo com os poemas que vai lendo: quando gosta e se sente tocada pelas palavras de um poeta, escreve de volta em resposta e diálogo que o que acabou de ler. De vez em quando, essas respostas podem ser letras de canções, na maioria das vezes ficam na gaveta.

Gostaria, um dia, de fazer um disco que incluísse em todas as canções um verso de um poema de que gosta. Já experimentou esse modelo neste primeiro trabalho usando estas palavras de António Barahona no refrão: "que Deus te pague o silêncio que me deste"

Neste podcast, conversamos sobre este percurso de proximidade com a palavra escrita, a que lê e a que vai experimentando, sobre música, sobre a importância da arte na sociedade actual.


Poemas:

Alexandre O' Neill - Um Adeus Português

Fausto - O que a vida me deu

Maria do Rosário Pedreira - Ainda bem que não morri de todas as vezes

José Saramago - Não me peçam razões

Daniel Faria - Estranho é o sono que não te devolve

Milhanas lê Maria do Rosário Pedreira 27 sept. 202400:01:00

A cantora e compositora Milhanas é a próxima convidada do podcast "O Poema Ensina a Cair.

Maria do Rosário Pedreira é uma das suas escolhas.

Hoje, a partir das 20h.

Rosa Maria Martelo (II):"A Fiama descreve essa sensação de que é possível que a natureza nos aponte o nosso lugar e aquilo que somos, que nos diga o que somos." 20 sept. 202401:11:18

Nesta segunda parte do podcast com a professora catedrática de Literatura Rosa Maria Martelo, continuamos a conversa sobre alguns dos poemas de que mais gosta, que incluem autores como Luiza Neto Jorge, Fiama Hasse Pais Brandão, Wallace Stevens, Mário Cesariny e Herberto Helder.

Conversamos também longamente sobre o livro Finisterra, de Carlos de Oliveira, autor sobre quem Rosa Maria Martelo fez a tese de doutoramento com a tese Carlos de Oliveira e a Referência em Poesia.

Rosa Maria Martelo (I):"As pessoas que sabem como é que se produz sentido têm sentido crítico, e é muito mais difícil manipulá-las. Por isso é que as Humanidades são importantes." 13 sept. 202401:29:22

Rosa Maria Martelo nasceu em Vila Nova de Gaia, em 1957. É professora catedrática aposentada da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e investigadora integrada do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa. Doutorada em Literatura Portuguesa com a tese Carlos de Oliveira e a Referência em Poesia, tem-se debruçado particularmente sobre a Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea, as Poéticas do Século XX e a Literatura Comparada, como domínios de investigação.

Neste podcast conversamos sobre alguns dos poemas de que mais gosta e um livro de ficção.

Através destas escolhas, ficamos a conhecer melhor a relação da nossa convidada com a palavra, que é precoce, e, por exemplo, a importância que atribui ao estudo das Humanidades no tempo em que vivemos: "Quando as pessoas aprenderam a analisar um poema de Camilo Pessanha bem, e perceberam como é que ele funciona, são muito mais difíceis de enganar, por exemplo pela propaganda política, pela manipulação. As pessoas que sabem como é que se produz sentido, têm sentido crítico e é muito mais difícil manipulá-las. Por isso é que as Humanidades são importantes. No tempo em que vivemos é muito importante que as Humanidades cumpram o seu papel, desempenhem o seu papel na sociedade em que estamos, porque é por aí que nós conseguimos criar espírito crítico."

Poemas primeira parte:

Poetry - Marianne Moore

O céu, a terra, o vento sossegado - Luís de Camões, Rimas

Manhãs Brumosas - Cesário Verde, O Livro de Cesário Verde

Vénus II - Camilo Pessanha, Clepsidra

Ode Marítima - Fernando Pessoa/ Álvaro de Campos



Lena D'Água: "O meu pai trouxe a música à minha vida porque trazia discos quando ia com a Selecção. Trazia-me discos lá de fora, discos que não havia cá." 06 sept. 202401:54:22

A voz dela acompanhou várias geraçõese marcou indelevelmente a história do rock português. Lena D’ Água, 68 anos, está, uma vez mais, de volta com o disco Tropical Glaciar, autoria de Pedro da Silva Martins, assim como o anterior Desalmadamente, de 2019.

Poemas:

Tu sabes- Lena D'Água

Paz poeta e pombas – Zeca Afonso

É ao mar que eu pertenço – José Fanha

O que a vida me deu – Fausto

Essa Mulher – Ana Terra

Eu não me entendo – José Luís Gordo

O Negócio (para Marc Chagall) – José Fanha

Agostinho da Silva – Somente o traço que ficou no céu importa agora

O Nosso Livro – Florbela Espanca

Poetas ao Domicílio - Maratona de Leitura da Sertã29 août 202400:56:24

Em 2023, a Maratona de Leitura da Sertã iniciou a actividade Poetas ao Domicílio, organizada pela Associação Cultural Casa de Gigante, de Miguel-Manso, e pel' O Poema Ensina a Cair, de Raquel Marinho.

Ao longo de 3 dias, 9 poetas visitaram vários domicílios, leram poesia, conversaram com quem os quis perto, escutaram histórias deste e doutro tempo.

Estiveram presentes André Tecedeiro, Francisca Camelo, João Paulo Esteves da Silva, Margarida Vale de Gato, Raquel Serejo Martins, Ricardo Marques, Rita Taborda Duarte e Vasco Gato.



Maria Antónia Oliveira - Alexandre O' Neill, Uma Biografia Literária21 août 202401:57:00

Maria Antónia Oliveira, biógrafa, autora do livro Alexandre O' Neill, Uma Biografia Literária, segunda edição revista e aumentada, edição Assírio & Alvim, é a convidada de Raquel Marinho para uma conversa sobre a vida e a obra do poeta português que morreu neste dia, 21 de Agosto, em 1986. Nas palavras da biógrafa, O' Neill era fascinado pela banalidade e pelo lugar comum e não gostava de pessoas demasiado conscientes da sua importância. Sobre ele, Baptista Bastos disse "parecia um miúdo com um berlinde na mão".



Catarina Gomes - "Um Dedo Borrado de Tinta"02 août 202400:42:03

Catarina Gomes nasceu em Lisboa, em 1975. É autorade quatro livros de não-ficção e do romance Terrinhas, vencedor do Prémio Revelação Agustina Bessa-Luís. Foi jornalista do Público durante quase 20 anos, tendo recebido alguns dos prémios nacionais mais importantes da área, como o Gazeta. Foi duas vezes finalista do Prémio de Jornalismo Gabriel García Marquez e recebeu o Prémio Internacional de Jornalismo Rei de Espanha. O seu mais recente livro chama-se “Um Dedo Borrado de Tinta – Histórias de quem não pôde aprender a ler”, edição Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Nele, ficamos a conhecer Horácio Bernardo Rocha, IsabelFortuna, Conceição Cameira, Maria José Ferreira, Emília de Jesus Mota e Olívia do Nascimento Almeida. Homens e mulheres que não puderam aprender a ler, e quenasceram numa aldeia do distrito da Guarda chamada Casteleiro onde, em 2011, mais de 40% dos habitantes com mais de 10 anos eram analfabetos.

O ensino era um privilégio para alguns, poucos, esimultaneamente um lugar de medo. Conhecemos, neste livro, ditados como “pelo sangue entra a letra”, que nos dá uma ideia de como os castigos físicos e psicológicos eram prática comum, ou ainda, um outro, que nos revela como se privilegiava o trabalho em detrimento da aprendizagem: “o saber não dá pão”.

Benjamim (II): "Comove-me a vitória de alguém, alguém conseguir fazer alguma coisa. É das coisas que mais me comove."26 juil. 202400:52:34

Segunda parte da entrevista a Benjamim, músico, compositor, cantautor e produtor musical.


Poemas segunda parte:

- Construção – Chico Buarque

- Moonlight Drive / Passeio ao Luar - Jim Morrison

- Testamento - Ana Luísa Amaral

- Uma vez quiseram-me louca a arder - Cláudia R. Sampaio

- Um caso - Inês Fonseca Santos

- Na hora de pôr a mesa - José Luís Peixoto


Livro além da poesia:

O Retorno, Dulce Maria Cardoso, edição Tinta da China

Benjamim (I): "A antropologia foi muito boa porque é uma janela para o mundo, é uma janela para analisar a sociedade. É uma maneira de olhar para o mundo." 19 juil. 202401:10:21
Conhecemo-lo por Benjamim mas chama-se Luís Nunes. Cantautor, escritor de canções, produtor, compositor, músico multi-instrumentista, nasceu em Lisboa em 1986. Estudou Antropologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova, depois rumou a Londres para estudar Engenharia de Som, e foi lá que assinou os primeiros trabalho, em inglês, e como Walter Benjamin.   De volta a Portugal instalou-se no Alentejo, construiu o estúdio que é hoje a sua principal ferramenta de trabalho, e passou a apresentar-se como Benjamim. É assim que o conhecemos e aos vários trabalhos que assinou em nome próprio ou em colaborações, ou ainda, muito importante faceta do meu convidado, como produtor. Lançou recentemente um projecto ambicioso chamado Berlengas. É um disco, mas também um filme e um bailado, que nos propõe uma viagem imaginária às Berlengas ou, diria eu, a qualquer outra ilha para onde quiséssemos fugir. Primeiro criou uma paisagem musical, depois convidou o realizador Bruno Ferreira a assinar um filme inspirado na música que lhe deu a ouvir. O resultado acaba por ser um filme/bailado, mas também um disco com 20 faixas, onde podemos encontrar ideias, no meio das letras, bonitas assim, e vou citar Eu acerto sempre por acaso/Mas o ocaso sei de cor. Poemas primeira parte: - A solução – Bertolt Brecht - Árvore Envenenada – William Blake - Pequena ode a um carro eléctrico – David Mourão-Ferreira - A Morte solitária de Hattie Carrol – Bob Dylan - Jeremias, O Fora da Lei – Jorge Palma
Eucanaã Ferraz (II):"Eu quero acreditar que nós pertencemos à raça daqueles que mergulham de olhos abertos na poesia, nesse idioma, para lá dentro descobrirmos esses corais." 12 juil. 202400:58:36
Segunda parte do podcast com o poeta, professor universitário Eucanaã Ferraz. Poemas: Sophia de Mello Breyner Andresen, Coral Manuel Bandeira, Consoada Caetano veloso, Terra Álvaro de Campos, Poema em Linha Recta António Cícero, Guardar Livro: Clarice Lispector, Água Viva, edição Relógio D´Água
Eucanaã Ferraz (I):"Quando é preciso dizer algo, nada substitui a poesia porque ela vai directo lá, na linguagem, ela é um trabalho com a linguagem. Então, ninguém chega lá."05 juil. 202401:27:34
Eucanaã Ferraz nasceu no Rio de Janeiro, em 1961. É poeta, professor de Literatura Brasileira na Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro e consultor de literatura do Instituto Moreira Salles. Os seus poemas, de 1990 a 2016, estão publicados em Portugal no livro Poesia, editora INCM. Em 2019, a Tinta-da-china, lançou Retratos com Erro, que recebeu o Prémio Oeiras de Poesia e, mais recentemente, no final de 2023, o livro Raio. Conheceu alguns dos nomes maiores da poesia portuguesa, como por exemplo Eugénio de Andrade ou Sophia de Mello Breyner Andresen, sobre quem organizou a antologia Coral e outros poemas, editada no Brasil pela Companhia das Letras. Fez várias outras antologias – Vinicius de Moraes, Caetano Veloso ou Adriana Calcanhoto.  
Maria do Rosário Pedreira (II):"Essa autora (Marguerite Duras) foi a autora que me ensinou que se pode escrever de outra maneira."28 juin 202401:29:41

Segunda parte do podcast com a poeta, editora, letrista, contista Maria do Rosário Pedreira.


Poemas:

Alexandre O´Neill – Gaivota

Ana Luísa Amaral – Passado

José Emílio Pacheco – Uma defesa do anonimato (tradução de António Cabrita)

José Carlos Barros – A Literatura

Livros:

Marguerite Duras, "O Amante" e "Uma Barragem Contra o Pacífico"

Maria do Rosário Pedreira (I):"Ler não é só ler. Ler é compreender." 21 juin 202401:25:07
Maria do Rosário Pedreira nasceu em Lisboa, em 1959. Escritora, poeta, editora, cronista, letrista, começou a escrever cedo, ainda criança, na escola primária, e para isso terá contribuído o facto de ter estudado numa escola cujo patrono era o poeta João de Deus, que incentivava os alunos, por exemplo, a fazer recitais de poesia no final do ano lectivo. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa - "não podia ir para mais lado nenhum, não sabia fazer mais nada" -, passou brevemente pelo ensino, veio a tornar-se uma das editoras portuguesas mais respeitadas e reconhecidas. Escreveu ficção infantil, contos, romance, mas reconhecemo-la sobretudo pela poesia, mais do que uma vez distinguida. Já este mês venceu o Prémio de Poesia de Oeiras com o livro "O Meu Corpo Humano", edição Quetzal. Assina os e-mails com uma frase de C. S. Lewis: "lemos para sabermos que não estamos sozinhos". Poemas Primeira Parte: João de Deus, Boas Noites Álvaro de Campos, Soneto Já Antigo Mário Cesariny, De Profundis Amamus Mário de Sá-Carneiro, Caranguejola Eugénio de Andrade, Véspera da Água
Filipe Melo (II):"A poesia, tal como a música, tem essa capacidade de nos tirar do mundo real e concreto e de nos pôr em contacto com algo que é invisível." 14 juin 202400:53:30

Segunda parte do podcast com o músico, compositor, orquestrador, realizador de cinema, autor de banda desenhada Filipe Melo.

Poemas:

Rainer Maria Rilke, Sonetos a Orfeu

Herberto Helder, A manhã começa a bater no meu poema, "A Colher na Boca", edição Assírio & Alvim

António Variações, diz-me que solidão é essa que te põe a falar sozinho

Ana Luísa Amaral, Dois Cavalos: Paisagem, Peixe, "Mundo", edição Assírio & Alvim

Yvette Centeno, Os jovens não pensam e dizem tudo; Teremos de perceber que a vida não é eterna, “Existir”, edição Eufeme Charles Bukowski, Não há ajuda para isso, "Os Cães Ladram Facas", tradução de Rosalina Marshall, edição Alfaguara,

Livro:

El Abismo del Olvido, Paco Roca


Filipe Melo (I):"O silêncio é a melhor coisa que existe. O silêncio é o espaço, é a tela em branco, é a paz. A música só tem o valor que tem porque existe o silêncio."07 juin 202401:01:56
O nosso convidado de hoje recebeu de presente o primeiro piano, um pianinho Casio, aos 12 anos, para conseguir enfrentar melhor a ansiedade e receio de uma cirurgia. Aos 15 anos foi detido por pirataria informática. Estudou jornalismo, mas, nas suas palavras, “não tinha vocação” e acabou por dedicar-se à música, de onde partiria para muitas outras artes. Músico, compositor, orquestrador, realizador de cinema, autor de banda desenhada, os vários projectos de Filipe Melo movem inúmeras pessoas, mas continua a sentir-se bem em ambientes mais resguardados. Estudou no Hot Clube de Portugal e no Berklee College of Music, em Boston. Durante muitos anos ensinou na Escola Superior de Música, em Lisboa. Na área do cinema, foi criador de vários projetos de culto vencedores de importantes distinções, e na Banda Desenhada também foi reconhecido em Portugal e no estrangeiro. Colabora com Juan Cavia há muitos anos, têm vários livros publicados, entre os quais “Balada para Sophie”, um livro dedicado a Beatriz Lebre, jovem pianista e estudante universitária de psicologia morta em por um colega da universidade. Este livro foi vencedor dos prémios Livro do Ano Bertrand, Melhor BD de Autor Português pelo Festival Amadora BD, e vai ser adaptado para série de televisão nos Estados Unidos. Apesar de ter nascido em Lisboa, em 1977, é para Tondela que se sente rodeado das coisas de infância, e é para lá que vai quando precisa de entrar num modo mais criativo. Poemas: António Gedeão, Poema do fecho eclair Edgar Allan Poe, Dream Within a Dream Adília Lopes, "Pardais" e "Bandolim", edição Assírio & Alvim Ana Hatherly, "Tisanas", Edição Assírio & Alvim Ryokan, "Tal Como és", tradução de Marta Morais, edição Assírio & Alvim
André Tecedeiro (II):"As relações importantes e significativas não precisam de estar amarradas por alianças ou laços de sangue, porque o que une as pessoas não é isso." 01 juin 202400:50:21

Segunda parte do podcast com o poeta e artista plástico André Tecedeiro.


Poemas:

Antón Lopo, Disse-o à minha mãe um dia em que cheguei tarde, “Azul Monforte”

Manoel de Barros, A poesia está guardada nas palavras — é tudo que eu sei, "Poesia Reunida", edição Caminho

Judith Herzberg, Caixas, livro “O que resta do dia” , edição Cavalo de Ferro

Angélica Freitas, Eu durmo comigo, "Um útero é do tamanho de um punho", edição Douda Correria

José Gomes Ferreira, Devia morrer-se de outra maneira

Hellington Vieira, Cafajeste da peste


LIVRO:

"A Lebre de Vatanen", de Arto Paasilinna, edição Relógio D´Água

André Tecedeiro (I):"Eu sempre quis escrever mas nunca achei que isso fosse uma profissão possível."25 mai 202401:07:19

André Tecedeiro nasceu em Santarém, em 1979. É poeta, artista plástico e dramaturgo. É licenciado em pintura, mestre em Artes Visuais, e tem um mestrado integrado em Psicologia. Entre outras publicações, é autor de A Axila de Egon Schiele, Porto Editora, 2020, um livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura. É trans, e activista pela visibilidade da diversidade de género. Poemas primeira parte: María do Cebreiro, Temos, como o leão, a boca cheia de sangue Wislawa Szymborska, O Ódio Kobayashi Issa, O Pequeno Caracol, "Os Animais: haikus", edição Assírio & Alvim Ron Padgett, Varrer, Poemas Escolhidos, tradução de Rosalina Marshall, edição Assírio & Alvim Ron Padgett, "O Poeta Enquanto Pássaro Imortal, Poemas Escolhidos", tradução de Rosalina Marshall, edição Assírio & Alvim Tal Nitzán, Possibilidades Matsuo Bashô, No Outono nos separámos, “O caminho estreito para o longínquo norte", edição Fenda


Katia Guerreiro (II): "Comovem-me os gestos de generosidade pura. As pessoas que se dedicam a causas que são fundamentais para o bom funcionamento da sociedade ou que salvam pessoas."18 mai 202400:45:28

Segunda parte da entrevista a Katia Guerreiro.


Poemas:

Verão, Egídio Santos

Poema no Meio do Caminho, Carlos Drummond de Andrade

Felicidade, Clarice Lispector

Os Meus Versos, Florbela Espanca

Cais da Saudade, Pedro Pio

Tempo de Viver, Manuela de Freitas



Livro:

O Principezinho, Antoine de Saint-Exupéry

Tradução: Joana Morais Varela

Katia Guerreiro (I): "A verdade é que este poema (Quando, Sophia) transformou-me. Deixei de ter medo da morte."11 mai 202401:00:00

Katia Guerreiro nasceu na África do Sul em 1976 mas mudou-se para a Ilha de São Miguel, nos Açores, anda bebé, aos 11 meses, e foi lá que iniciou o seu percurso musical em plena adolescência, a tocar Viola da Terra (instrumento tradicional do arquipélago) no Rancho Folclórico de Santa Cecília.

Rumou a Lisboa para estudar Medicina, mas inicialmente pensou ser médica veterinária, talvez por essa ligação aos animais do campo, com os quais cresceu, nesse lugar chamado Açores, que até hoje continua a considerar o seu chão.

Depois de uma experiência numa banda de rock chamada Os Charruas, acabaria por receber o Fado como vocação e projecto para a vida. Tudo começou no ano 2000, quando se apresentou num concerto de homenagem a Amália Rodrigues, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, onde interpretou “Amor de Mel, Amor de Fel” e “Barco Negro”.

O primeiro disco, Fado Maior, saiu em 2001, e logo na altura, por exemplo, Rui Vieira Nery reconheceu-lhe uma filiação na tradição amaliana.

A carreira é longa e inclui reconhecimento em Portugal e no estrangeiro, e colaborações com muitos nomes da música portuguesa como, por exemplo, José Mário Branco, ou mais recentemente Tiago Bettencourt no disco "Mistura".

Diz que tem de se encontrar naquilo que quer ler a cantar e que aquilo que canta tem de ter um pouco de si.


Poemas:


Recado, António Lobo Antunes

Quando, Sophia de Mello Breyner Andresen

Açores, Sophia de Mello Breyner Andresen

Creio, Natália Correia

Até ao Fim, Vasco Graça Moura

Francisca Camelo (II): "Um poema não tem de ser autobiográfico para ser bom, mas tem de ser verdadeiro"04 mai 202400:56:26

Segunda parte da conversa com a poeta e psicóloga clínica Francisca Camelo.

Francisca Camelo (I): "Poesia para mim sempre foi um exercício de fruição de liberdade"27 avr. 202400:49:22
Francisca Camelo nasceu no Porto em 1990: é poeta e diseuse. Tem poemas espalhados em diversas antologias e revistas, sobretudo em Portugal e na América Latina, tendo sido traduzida em espanhol, grego, francês e alemão. Os seus poemas podem também ser lidos na revistas Enfermaria 6, Pulsar, Tutano, Nervo e PRIMA (Portugal), Círculo de Poesía e Barca de Palabras (México), Palavra Comum (Galiza), Ruído Manifesto e Gueto (Brasil), entre outras. Autora de “Cassiopeia” (Apuro Edições, 2018); “Photoautomat” (Enfermaria 6, 2019); “O Quarto Rosa” (semi-finalista do Prémio Oceanos 2019, Corsário-Satã (Brasil)), “A Importância do Pequeno-almoço” (Fresca Edições, 2020) e “Quem me comeu a carne” (Nova Mymosa, 2022). Organiza performances de Spoken Word e conversas mensais com outros poetas, no seu projecto Sin.cera. Gosta de tomar o pequeno-almoço devagar e com calma e de ouvir Chavela Vargas. Poemas: 1 - Elizabeth Bishop, One Art 2 - Alexandre O’Neill, Um Adeus Português 3 - Adília Lopes, A propósito de estrelas 4 - Frank O’Hara, Poem 5 - Zeca Afonso, Era um redondo vocábulo 6 - Herberto Helder, Poemacto II 7 - Mário Cesariny, de profundis amamus 8 - Maria Teresa Horta, Segredo 9 - Marília Garcia, no dia 7 de março de 2019, Expedição: nebulosa, edição Companhia das Letras 10 - Sharon Olds, Sex Without Love Livro de não poesia: “Your silence will not protect you, Essays and Poems” da Audre Lorde (Silver Press, 2017)
Direito de Resposta - poetas nascidos depois do 25 de Abril conversam com poetas do passado 25 avr. 202400:55:29

Assinalamos os 50anos do 25 de Abril com uma conversa com Ricardo Marques sobre o livro "Direito de Resposta", Flan de Tal, 2024.

Poeta e tradutor, é de Ricardo Marques a selecção, prefácio e revisão deste livro editado pela Flan de Tal, com grafismo e paginação lina&nando, publicado no mês em que se assinalam os 50 anos da revolução.

No prefácio, que tem como título "TODO O POETA É PUNK", Ricardo Marques faz a pergunta: e se, de repente, pudéssemos responder com um poema a outro poema do passado?

É isso que fazem 25 autores contemporâneos nascidos depois de 25 de Abril de 74, que escolheram poemas do passado para lhes escreverem uma resposta.

Os autores que integram esta antologia, por ordem alfabética, são: Álvaro Seiça, André Tecedeiro, Beatriz de Almeida Rodrigues, Catarina Nunes de Almeida, Catarina Santiago Costa, Ederval Fernandes, Fernanda Drumond, Filipa Leal, Francisca Camelo, Henrique Manuela Bento Fialho, Inês Dias, Inês Francisco Jacob, João Bosco da Silva, José Pedro Moreira, Mariana Varela, Miguel Cardoso, Miguel-Manso, Paola D´Agostino, Pedro Korres, Rafael Mantovani, Rafa (Rafaela Jacinto), Raquel Serejo Martins, Ricardo Marques, Ricardo Tiago Moura e Tatiana Faia.

Entre os poetas do passado com quem dialogam encontram-se autores como Mário de Sá-Carneiro, Ângelo de Lima, Emily Dickinson, Alberto Caeiro, Francisco Sá de Miranda, Gertrude Stein, Matsuo Bashô Soror Juana Inés de la Cruz, Safo ou Mariana Alcoforado.


Luísa Sobral (II): “Gosto da ideia de ser outra pessoa, de ter outra vida dentro da minha” 20 avr. 202400:56:30
Segunda parte do podcast com a cantautora e compositora Luísa Sobral. Poemas: José Régio, Cântico Negro Márcia, Hoje apetece-me ser eu mesma Álvaro de Campos, Todas as Cartas de Amor são Ridículas Miguel Torga, Sísifo José Luís Peixoto, O passado tem de provar constantemente que existiu   Livro – Jon Fosse, Manhã e Noite, tradução de Manuel Alberto Vieira, edição Cavalo de Ferro  
Luísa Sobral (I): “Valsinha: Esta é a canção que eu mais gostava de ter escrito na minha vida.”13 avr. 202400:51:49
A nossa convidada de hoje escreve canções desde os 12 anos e a primeira canção que cantou sozinha “com um radiozinho pequeno” foi escrita por Carlos Tê e chama-se “Não Há Estrelas no Céu”. Luísa Sobral nasceu a 18 de setembro de 1987. Cantautora e compositora, sempre quis ser cantora ou atriz (de teatro) e, para tentar chegar a esse objetivo (Luísa é dada a organizar e planear), além de participar num programa de talentos da televisão, tentou entrar no conservatório. Uma professora disse-lhe que nunca iria ser cantora na vida porque tinha nós nas cordas vocais. Enganou-se, e ainda bem. 6 discos de originais, onde se incluem canções para todas as idades e até canções de embalar, colaborações com nomes importantes da música cá dentro e lá fora, tanto como compositora como como letrista ou produtora. Poemas primeira parte: 1 - Matilde Campilho, O último poema do último príncipe 2 - Maria do Rosário Pedreira, Lábios 3 - Maria do Rosário Pedreira, Costas 4 - Sophia de Mello Breyner Andresen, Quando 5 - Tim Burton, Robot Toy 6 - Vinícius de Moraes, Valsinha
Leonardo Gandolfi (II): "As coisas que me comovem são as transformações que me fazem encontrar pessoas, coisas, linguagem." 06 avr. 202400:50:30
Segunda parte do podcast com Leonardo Gandolfi, poeta, crítico literário e professor universitário em São Paulo. Poemas: Não mais sob a árvore de Bô, de Enterrem meu coração no Ramelau (1982), Jorge Lauten; A gleba me transfigura, de Vintém de cobre (1983), Cora Coralina; Mulher VIII, Dizes-me coisas amargas como os frutos (2001), Paula Tavares; Bibliotecas, Ilhéus (2013), Edson Cruz; “O António Ramos Rosa estava deitado na cama”, de Poemas canhotos (2015), Herberto Helder. Livro de não poesia: Ursinho Pooh, de A.A. Milne, tradução de Monica Stahel.
Leonardo Gandolfi (I): "Eu não escrevo em língua portuguesa, eu escrevo na língua Drummond"31 mars 202400:56:26
Leonardo Gandolfi nasceu em 1981, no Rio de Janeiro, e mora em São Paulo desde 2013, onde trabalha como professor de Literatura Portuguesa na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). É autor, entre outros, de "Robinson Crusoé e seus amigos" (Editora 34, 2023, finalista do prêmio Jabuti de poesia). Organizou a antologia de Manuel António Pina "O coração pronto para o roubo" (Editora 34, 2018) e publicou o ensaio "Manuel António Pina" (Eduerj, 2020), livro da coleção Ciranda de Poesia. Manuel António Pina é um dos autores portugueses que estudou e conheceu pessoalmente cá em Portugal, mas encontramos no seu currículo outras abordagens à poesia portuguesa. Poemas primeira parte: 1. Porquinho-da-índia, de Libertinagem (1930), Manuel Bandeira; 2. Resíduo, de Rosa do povo (1945), Carlos Drummond de Andrade; 3. O sim contra o sim, de Serial (1961), João Cabral de Melo Neto; 4. O texto de Joan Zorro, de O texto de Joan Zorro (1974), Fiama Hasse Pais Brandão; 5. Fala de um homem afogado ao largo da senhora da guia no dia 31 de agosto de 1971, de Toda a terra (1976), Ruy Belo;
Francisco Geraldes (II): "Ele (Charles Bukowski) diz que a poesia é o nosso último reduto de salvação, e eu concordo muito." 23 mars 202400:42:27

Segunda parte do podcast com Francisco Geraldes.


Poemas:

O poema - Herberto Helder

Negro Drama - Racionais

Máscaras de Orfeu, Napoleão Mira

In Memoriam, Ary dos Santos


Livro:

O Peso do Pássaro Morto, Aline Bei, edição Nos

Francisco Geraldes (I): "Quando ouço fado estou em casa, estando em minha casa ou em Abu Dhabi."16 mars 202400:51:15
O nosso convidado de hoje é jogador de futebol, leitor, e autor de um livro de poesia. Francisco de Oliveira Geraldes nasceu em Lisboa a 18 de Abril de 1995, e é actualmente jogador no Joho, na Malásia. Formou-se no Sporting Clube de Portugal, onde esteve quase 18 anos, passou pelo Eintracht de Frankfurt , na Alemanha, e pelo AEK de Atenas, na Grécia. Regressou a Portugal para jogar como médio ofensivo do Estoril Praia, de onde saiu há poucos meses para Abu Dhabi, e de lá para a Malásia. Vem ao podcast “O Poema Ensina a Cair” para nos falar dos poemas de que mais gosta, também porque em 2021, publicou um livro de poesia chamado “Cito, Longe, Tarde” com prefácio de Pilar del Rio. Poemas primeira parte: Quase – Mário de Sá-Carneiro David Mourão-Ferreira – Abandono Poema Sujo – Ferreira Gullar Poema em Linha Recta – Álvaro de Campos Operário em Construção – Vinicius de Moraes
Rodrigo Leão (II): "No Frágil, por acaso, conheci o Al Berto. Mas conheci também o Cesariny e o Herberto Helder." 09 mars 202400:45:50

Segunda parte do podcast com Rodrigo Leão.


Poemas:

Minha cabeça estremece com todo o esquecimento (Herberto Helder)

A Magnólia (Luísa Neto Jorge)

Vivamos-  Dinis Muacho

Ode à Paz- Natália Correia

Escrevo-te- Lúcia Vicente

Livro: O Deserto dos Tártaros, Dino Buzzati, edição Cavalo de Ferro

Rodrigo Leão (I): "Comecei a ouvir poesia dita pelo Villaret em casa dos meus pais." 02 mars 202400:56:54

Rodrigo Leão nasceu em Lisboa, em 1964. É o mais velho de 4 irmãos, todos rapazes, com quem partilhou muitos verões da infância e adolescência na Ericeira, numa casa perto do mar, comprada pelo avô materno, matemático. Foi lá, na Ericeira, que compôs as primeiras ideias para o que viria a ser a Sétima Legião, uma das bandas que nos levaram a conhecê-lo, a que se seguiu a Madredeus.

Hoje em dia, muitos anos depois desses dois projetos musicais, conhecemo-lo pela carreira a solo nacional e internacional, mas também pelas incursões no cinema ou no documentário e, inevitavelmente, pelas muitas colaborações que assina com outros nomes da música, dentro e fora de portas. Estamos aqui para falar das suas escolhas poéticas e, olhando para o seu percurso, percebemos que a poesia anda perto há muito tempo. No ano passado lançou O Homem em Eclipse com Gabriel Gomes e Miguel Borges, para assinalar o centenário de Mário Cesariny, mas o projeto Os Poetas que deu corpo a este disco nasceu em 1997 e contava com também Manuel Hermínio Monteiro, então editor da Assírio & Alvim. Nesse primeiro ano gravaram um disco chamado Entre Nós e as Palavras, onde podíamos escutar as vozes de Al Berto, Mário Cesariny, António Franco Alexandre, Herberto Helder e Luiza Neto Jorge. A música era de Margarida Araújo, Rodrigo Leão e Gabriel Gomes.

Para a conversa no podcast trouxe poemas que decorrem desse convívio antigo com poetas portugueses, mas também algumas surpresas.

Poemas:

Pastelaria - Mário Cesariny

O Navio de Espelhos - Mário Cesariny

Toada de Portalegre - José Régio

O Poeta de Pondichéry - Adília Lopes

No sorriso louco das Mães - Herberto Helder

Susana Moreira Marques (II): "O Daniel Faria levou-me a coisas completamente inesperadas. Se eu fosse crente achava que era qualquer coisa sobrenatural." 24 févr. 202401:18:57

Segunda parte do podcast com a escritora e jornalista Susana Moreira Marques.

Poemas:

- Daniel Faria: “Repito que vivo enclausurado na agilidade de um animal nascido”, de Homens Que São Como Lugares Mal Situados 

- Isabel Meyrelles: Livro do Tigre, poema XXV (em Poesia, Quasi Edições) 

- Rosa Alice Branco: Concerto ao Vivo, poema que começa “Há uma menina antiga nos teus olhos” 

- Mário Cesariny, Autografia 

- Wilfred Owen, Cântico da Juventude Condenada


Livro: Vínculos Ferozes, da Vivian Gornick, tradução de Maria de Fátima Carmo, edição D. Quixote


Susana Moreira Marques (I): "A poesia tem essa capacidade de súmula e de ir ao âmago das coisas. "17 févr. 202401:22:13
Susana Moreira Marques, jornalista e escritora, nasceu em Agosto de 1976. Estudou Comunicação e Cinema, passou pela BBC, Público, Jornal de Negócios, Antena 1, e ganhou vários prémios, incluindo o Prémio de Jornalismo da UNESCO 'Direitos Humanos e Integração”. É autora de três livros de não ficção literária, o mais recente “Lenços Pretos, Chapéus de Palha e Brincos de Ouro”, um relato de viagem que tem como guia “As Mulheres do meu país”, de Maria Lamas, escrito no final dos anos 40 do século passado. Neste ensaio de narrativa autobiográfica, Susana escreve sobre as mulheres que procurou encontrar no Portugal de agora, ao mesmo tempo que buscava as mulheres que Maria Lamas descreveu e fixou no livro “As Mulheres do Meu País”. Mas, simultaneamente, enquanto nos leva por essa demanda, permite que a conheçamos melhor, às suas memórias pessoais e familiares, às suas reflexões sobre o papel das mulheres, os seus silêncios e omissões, a sua importância como testemunhas silenciosas de uma história colectiva que tantas vezes as votou, e ainda vota, ao anonimato. Diz, a dada altura deste livro, que é uma mulher que escuta. Mais à frente, uma mulher que lê. Conta-nos também que como tantas outras mulheres, está, de certa maneira, à janela, e à espera. Poemas: Adrienne Rich: North American Time, tradução de Maria Irene Ramalho e Mónica Andrade (edição cotovia) Anne Carson: A Beleza do Marido - poema XXI - tradução de Tatiana Faia (edição não-edições) Philip Larkin: An Arundel Tomb, tradução de Vasco Gato Elizabeth Bishop: Uma Arte - Geografia III, tradução Maria de Lourdes Guimarães (Relógio d’Água) Sophia de Mello Breyner: Deriva XIV
Ana Paula Tavares (II): "Digamos que foi nestes Cantares de Salomão que eu encontrei muitas maneiras de falar do amor" 10 févr. 202401:00:10
Segunda parte da conversa com a poeta, cronista e historiadora angolana Ana Paula Tavares. Poemas: Cantares de Salomão 5:2-8:14 (Nova Versão Internacional) Adélia Prado - Com Licença Poética Warsan Shire - Casa, tradução de Laura Assis Ama Ata Aidoo - Para uma Saia de Seda ao Sol Conceição Lima - O País de Akendenguê Livro: Chinua Achebe, Quando Tudo se Desmorona; Tradução: Eugénia Antunes e Paulo Rêgo, edição Mercado de Letras
Ana Paula Tavares (I): "Há dias em que há um poema que nos faz a vida"03 févr. 202401:09:39
Na poesia assina Paula Tavares, em tudo o que escreve que não sejam poemas conhecemo-la como Ana Paula Tavares. Poeta, cronista, historiadora angolana a viver em Portugal desde os anos 90, nasceu na província do Huíla, Sul de Angola, em 1952.  Licenciou-se em História, doutorou-se em antropologia da História pela Universidade Nova de Lisboa, tendo obtido o grau de Mestre em Literaturas Brasileiras e Literaturas Africanas de Língua Portuguesa pela Universidade de Lisboa. Publicou o primeiro livro de poesia, Ritos de Passagem, aos 30 anos. Agora, 40 anos depois, acaba de reunir a poesia no livro Poesia Reunida seguido de Água Selvagem, edição Caminho. O seu trabalho poético relaciona-se intimamente com a oralidade do seu país, e explica que não sabendo as línguas que ouviu na infância continua a procurar aquilo que seria essa fonte primordial. Escolheu para o podcast um livro de não poesia e os 10 poemas de que mais gosta. Alguns, precisamente, remontam a esse universo da tradição oral. Poemas (Parte I) Luiza Neto Jorge - O Poema Ensina a Cair A epopeia de Gilgamesh (Tradução de Pedro Tamen) Eugénio de Andrade, Ode a Guillaume Apollinaire Ruy Duarte de Carvalho, A terra que te ofereço Manoel de Barros, o Livro Sobre Nada
Isaque Ferreira (II): "A poesia é um transportador de vocabulário inacreditável"27 janv. 202400:40:38
Segunda parte da conversa com Isaque Ferreira, leitor de poesia, programador cultural e bibliófilo. Poemas: Álvaro de Campos – Tabacaria Bernardo Soares – Cruz na porta da tabacaria Filipa Leal – Hoje também os carros dançam Alberto Pimenta – Carta a uma iniciante Joaquim Castro Caldas – Dos poetas Livro de não poesia: Leonora Carrington, O Leite dos Sonhos
Isaque Ferreira (I): "Realmente a minha moeda de câmbio é a poesia"20 janv. 202401:22:23
Isaque Ferreira nasceu no Porto em 1974. É leitor de poesia, programador cultural e bibliófilo. Leitor habitual das Quintas de Leitura, no Porto, diz, na verdade, poesia em todo o lado e escutá-lo é um deleite, como terão oportunidade de confirmar nesta conversa. Das suas experiências públicas de leitura e eventos que organiza à volta das palavras dos poetas fazem parte locais como Famalicão, Paredes de Coura (onde programou o festival Realizar Poesia), Póvoa de Varzim, Matosinhos, Vila Nova de Gaia ou Figueira da Foz.  Diz com muita naturalidade que a poesia é a sua vida, e será talvez por isso que guarda preciosas edições e histórias com poetas portugueses Poemas: Mário Cesariny – Pastelaria João Habitualmente – Cipreste Adília Lopes – Vieram contar a luz Herberto Helder – Poema IV de As Musas Cegas Rafaela Jacinto – Procissão
Jorge Palma (II): "O Cohen é outro que é capaz de me comover"13 janv. 202401:06:05

Segunda parte do podcast com Jorge Palma, um dos maiores compositores e letristas portugueses.


Poemas:

Herberto Helder - conto de "Os Passos em Volta

Al Berto - Acordar Tarde

Lawrence Ferlinghetti - Os Elevadores de Lisboa (dedicado a Jorge Palma)

Sérgio Godinho - A Noite Passada

Natália correia - Queixa das Jovens Almas Censuradas

Jorge Palma (I): “A liberdade é um valor máximo para mim"06 janv. 202401:09:16
O nosso convidado de hoje é um dos maiores músicos portugueses. Letrista exímio, compositor multifacetado, um homem que aos 73 anos de idade continua a ver-se como um amador de música, que gosta simultaneamente de se divertir e – muito importante – de pensar. Jorge Manuel de Abreu Palma nasceu a 4 de junho de 1950. Começou a estudar piano aos 6 anos, ao mesmo tempo que aprendia a ler e a escrever. Dos clássicos Bach, Mozart ou Beethoven, passa para outros ambientes musicais e horizontes quando, já a estudar no Liceu Camões, frequenta uma taberna em frente à escola onde havia uma jukebox, e onde escutou, por exemplo, Beatles ou Rolling Stones. Percebeu que o queria era Rock & Roll e, nas suas palavras, mandou o piano e a música clássica às urtigas. Haveria de regressar. Viveu em Copenhaga, em casa de amigos, aquando da revolução de Abril, em Paris, a tocar nas ruas, por exemplo com uma guitarra emprestada por Marine Myriam, ao mesmo tempo que estudava as letras de Brell ou Léo Ferré. Tocou também nas ruas de Lisboa, numa esquina da Rua das Portas de Santo Antão, o que lhe valeu algumas visitas à esquadra de polícia mais próxima. Viveu numa pensão chamada Ninho das Águias, porque gostou do nome quando o leu nas Páginas Amarelas. São muitos anos de carreira, de um percurso musical e artístico longo, que atravessa gerações e corações.
O Poema Ensina a Cair em 202330 déc. 202300:58:45
Neste episódio de balanço do ano de 2023, recupero algumas das respostas e leituras de poesia dos convidados. Uma pergunta que costumo fazer-lhes, sabendo tratar-se de algo que não terá resposta, prende-se com a utilidade da poesia. Os convidados deste ano, que escolheram 10 poemas de que gostam muito para a conversa comigo são: Pedro Cabrita Reis, Tó Trips, Lídia Jorge, Tatiana Faia, Rui Zink, Maria João, Frei Bento Domingues, Carminho, Guilhermina Gomes, Manel Cruz, Rafael Gallo, Nuno Costa Santos, Ana Vidigal, João Taborda da Gama, Rita Taborda Duarte, Miguel Guilherme, João Concha, Ana Rita Bessa, Filipe Raposo e Carlos Ascenso André. Há ainda episódios que não estando neste balanço fazem parte do ano de 2023, nos quais os convidados vêm apenas para conversar sobre um livro ou responder brevemente a algumas perguntas, como é o caso de 9 poetas brasileiros que tive oportunidade de conhecer numa viagem a São Paulo.
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