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Explorez tous les épisodes du podcast Pergunta Simples

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Como comunicar eficazmente em crises de saúde? Graça de Freitas09 Oct 202400:58:39
Há dois tipos de comunicação especialmente difíceis e arriscados. Porque são complexos, porque acontecem em conta-relógio e porque a audiência está particularmente sensível nesse espaço de tempo. Esses dois tipos de comunicação, são a comunicação de crise e a comunicação de risco. Trocando por miúdos, a comunicação de crise é aquela que temos de usar quando algo correu mal: um acidente, um incêndio, um qualquer evento onde existe um dano real ou potencial a pessoas, ou bens. Principalmente pessoas. A comunicação de risco em saúde pública é aquela que todos beneficiamos aquando da pandemia de COVID-19. Essa comunicação teve como face principal Graça de Freitas, médica de saúde pública e ao tempo diretora-geral da saúde. Esta conversa é sobre a dificuldade de planear, reagir e responder de forma credível a uma das maiores ameaças que vivemos na nossa vida coletiva. Um manual do uso da comunicação tem tempos sem livro de instruções. Todos sentimos: A incerteza era o dia-a-dia. Quando chega a pandemia? Quando chega o vírus? Vai matar-me? Como me salvo desta? Lembram-se? Era este o ambiente que todos vivemos quando percebemos que a anunciada pandemia chegou. Vivemos o receio, o medo, a dúvida. Vivemos a angústia de ficar presos em casa por decreto geral. Das escolas que fecharam. Dos lares com dezenas de idosos doentes. Com hospitais cheios. Com ambulâncias em marcha. Isto foi o que todos vimos em casa. Mas no olho do furacão pandémico, no centro de crise e resposta está Graça de Freitas. Não está sozinha, mas tem uma equipa muito curta. A ela cabe-lhe conseguir consensos entre cientistas e boas explicações e prognósticos para os decisores políticos. No meio de tudo isto há que explicar aos cidadãos o que está a acontecer, como nos protegemos, como vivemos com isto. No tempo das redes sociais. Onde a opinião do mais sabedor dos cientistas parece valer tanto ou menos que o cidadão dedicado à arte nacional da opinião gratuita sobre tudo. Mas mesmo no centro de comando, onde toda a informação chegava, onde todos os pensadores filtravam e tentavam entender o mundo, mesmo aí, havia demasiada informação, demasiadas contradições e um avassalador relógio que corria mais do que qualquer evidência. Mais do que nunca o teste à credibilidade das fontes é critico. Mas a rapidez da comunicação digital e localizada não podia ser ignorada. A pandemia deveria ser por si só um objeto de estudo detalhado da comunicação de risco. Eu já comecei a ler esse livro. A Comunicação em Tempos de Informação Imperfeita Um dos temas mais fascinantes abordados neste episódio é o desafio de comunicar quando a informação está longe de ser completa ou perfeita. “A informação era imperfeita, os dados mudavam a toda a hora”, lembra Graça Freitas, explicando que, muitas vezes, as diretrizes que comunicava ao público eram baseadas em informação que podia ser revista ou até desmentida pouco depois. “O grau de imperfeição era grande”, confessa, num tom honesto que caracteriza toda a sua participação no podcast. Este cenário reflete um dos maiores dilemas da comunicação em saúde pública: como ser honesto e transparente quando as certezas são escassas? Graça optou sempre pela clareza e pela sinceridade. Reconhece que, em muitos momentos, teve de comunicar incertezas e explicar o que ainda não se sabia. Este equilíbrio entre a informação e a cautela foi uma linha ténue que teve de trilhar durante todo o período pandémico. Medo, Resiliência e o Lado Pessoal da Pandemia Outro ponto alto da conversa é quando Graça Freitas reflete sobre o medo. No início, confessa, não teve tempo para sentir medo pessoal, pois estava absorvida em compreender o que estava a acontecer. No entanto, à medida que o número de casos aumentava, especialmente em Itália, e o mundo começava a fechar as suas portas, o medo tornou-se uma realidade inevitável. Mas talvez o relato mais surpreendente seja o momento em que a Dra. Graça começa a receber proteção policial devido a ameaças. “Nunca pensei que precisaria de proteção”, revela, descrevendo o choque de saber que um segurança estaria à porta da casa todos os dias. Este episódio mostra o lado mais humano da crise: a carga emocional e pessoal que quem esteve na linha da frente teve de carregar. Memes e Piadas: Rir para Não Chorar Num tom mais leve, Graça Freitas fala sobre os memes e piadas que circularam nas redes sociais a seu respeito durante os momentos mais difíceis da pandemia. Ela admite que achou graça a muitos deles. O humor, para ela, foi uma forma de a população lidar com a tensão constante, e, em alguns momentos, também serviu para ela própria aliviar o peso da responsabilidade. No entanto, Graça confessa que o que mais a magoou não foram as piadas, mas a ausência de defesa de algumas pessoas que a conheciam bem e que, durante os momentos de maior crítica, escolheram o silêncio. “Doeu mais não ouvir um ‘ela não é assim tão má’ do que as críticas em si”, diz com honestidade. Lições sobre Comunicação em Saúde Pública Este episódio deixa lições claras sobre o que significa comunicar em tempos de crise. Graça Freitas sublinha a importância de ser transparente, mesmo quando as respostas não são certas. A honestidade foi a sua bússola durante toda a pandemia, sabendo que esconder a realidade ou suavizar as mensagens poderia ser ainda mais prejudicial a longo prazo. Esta abordagem honesta, contudo, não foi fácil de manter. Graça admite que, se pudesse voltar atrás, teria dedicado mais tempo a refletir sobre as decisões, reservando momentos para pensar com mais calma e ouvir mais opiniões externas. Outro ponto interessante que ela aborda é o equilíbrio entre as recomendações dos cientistas e as decisões dos políticos. Como Diretora-Geral da Saúde, Graça tinha a responsabilidade de fornecer as melhores recomendações científicas, mas reconhece que os políticos, ao tomarem as decisões finais, lidavam com uma pressão diferente. Eles não só estavam preocupados com a saúde pública, mas também com as implicações sociais, económicas e políticas. Esta tensão entre ciência e política é um elemento central nas crises de saúde pública e, segundo Graça, foi um dos grandes desafios da pandemia. Fechar as Escolas: Uma Decisão Crucial Um dos momentos mais dramáticos da pandemia foi a decisão de fechar as escolas. Graça Freitas descreve este episódio como um dos mais rápidos e intensos que viveu durante aqueles meses. Ela lembra que, num domingo, estava em casa de uma amiga quando recebeu o telefonema da Ministra da Saúde, Marta Temido. Poucas horas depois, já estava numa conferência de imprensa, anunciando uma das medidas mais duras e impactantes para o país. Para ela, este é um exemplo claro de como as decisões políticas, mesmo quando baseadas em recomendações científicas, são tomadas de forma muito rápida e, por vezes, sem o tempo necessário para refletir sobre todas as implicações. No entanto, Graça reconhece que, em muitos casos, essa rapidez era essencial para salvar vidas e minimizar o impacto da crise. Reflexões Finais O episódio termina com Graça Freitas a refletir sobre o seu papel durante a pandemia e o impacto que teve no país. Ao olhar para trás, ela admite que faria algumas coisas de forma diferente, mas mantém a convicção de que fez o melhor que podia com a informação disponível. O legado que deixa não é só o de uma profissional de saúde pública dedicada, mas também de uma comunicadora que, mesmo em tempos de incerteza, soube manter a calma, a integridade e a transparência. Este episódio do “Pergunta Simples” é uma verdadeira aula sobre comunicação em tempos de crise, repleta de momentos humanos e reveladores. As histórias e as lições de Graça Freitas oferecem uma perspetiva única sobre os desafios enfrentados por quem esteve na linha da frente da pandemia e, ao mesmo tempo, mostram o lado mais vulnerável e pessoal da comunicação em saúde pública. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO 00:00:12:23 - 00:00:38:24 JORGE CORREIA Olá! Viva um Bem vindos ao Pergunta simples do vosso full cast sobre comunicação. Há dois tipos de comunicação especialmente difíceis e arriscados, mas necessários e importantes. São complexos porque acontecem em contrarrelógio e porque a audiência está particularmente sensível nesse espaço de tempo ou local. Estes dois tipos de comunicação são a comunicação de crise e a comunicação de risco. 00:00:39:05 - 00:01:11:01 JORGE CORREIA Parecem a mesma coisa, mas não são exactamente a mesma coisa. Trocando por miúdos, a comunicação de crise é aquela que temos de usar quando algo corre mal um acidente, um incêndio, um qualquer evento onde exista um dano real ou potencial para pessoas ou bens, principalmente pessoas. Um outro tipo de comunicação difícil é a comunicação de risco, em particular a comunicação de risco em saúde pública é aquela que todos beneficiamos quando aconteceu a pandemia de Calvi 19. 00:01:11:03 - 00:01:34:12 JORGE CORREIA Esta comunicação teve como face principal Graça de Freitas, médica de Saúde Pública e, ao tempo Directora Geral de Saúde. Esta conversa é sobre a dificuldade de planear, reagir e responder de forma credível a uma das maiores ameaças que vivemos na nossa vida colectiva. Não só responder à ameaça propriamente dita, mas também comunicar sobre aquilo que nos estava a acontecer. 00:01:34:14 - 00:01:52:03 JORGE CORREIA No fundo, como escrever um manual de uso da comunicação de risco em saúde pública em tempos sem livro de instruções? 00:01:52:05 - 00:02:14:06 JORGE CORREIA A incerteza era o dia a dia. Quando chega a pandemia, quando chega, o vírus Vai matar me com um salve desta. Lembram se? Estas eram as perguntas que todos fazíamos todos os dias. Era este o ambiente que todos vivíamos quando percebemos que a anunciada pandemia chegou. Vivemos o receio, o medo, a dúvida,...
Onde guarda as palavras o cérebro? Joaquim Ferreira02 Oct 202400:48:24
O cérebro humano e o seu funcionamento. A caixa onde guardamos as palavras, os sentimentos e os movimentos. O cérebro enquanto caixa de comando e guardador de memórias e identidades. O cérebro que se molda plasticamente para compensar danos, bloqueios e faltas de ar. O cérebro do juízo e da consciência. Da alma ou apenas como fundação biológica.
O que perguntar ao médico? António Vaz Carneiro24 Apr 202400:53:29
Senhor doutor, o que tenho eu? Senhor doutor, o que me vai acontecer? Em linguagem médica pedimos sempre um diagnóstico. O resumo da nossa condição. E principalmente um prognóstico: com o que posso contar para o futuro. Implicitamente as duas perguntas incorporam uma expectativa, um pedido de ajuda e uma esperança. As duas perguntas resumem-se ao apelo: Senhor doutor "safe-me" lá desta maleita. Claro que as respostas nem sempre são assim tão diretas e simples como gostaríamos. TÓPICOS DE CONVERSA Início (00:00:00) A importância dos grandes números na saúde (00:00:12) Discussão sobre a relevância dos dados recolhidos pelo sistema de saúde e as perguntas a serem feitas. Comunicação médico-paciente (00:01:25) Exploração da importância da comunicação na relação médico-doente e das perguntas frequentes feitas pelos doentes. Motivação para ser médico (00:03:57) António Vaz Carneiro a compartilha a sua motivação para seguir a carreira médica. Evolução da carreira médica (00:04:18) António Vaz Carneiro fala sobre a evolução das suas especialidades médicas ao longo da carreira. Comunicação eficaz na prática clínica (00:06:50) Discussão sobre a importância da linguagem adaptada na comunicação médico-doente. Prognóstico e envolvimento do doente (00:08:37) Exploração do envolvimento do doente no tratamento e a importância do prognóstico positivo. Casos raros e avanços médicos (00:11:47) Relato de casos raros de recuperação de cancros avançados. Relação entre doenças cardiovasculares e oncológicas (00:13:01) Análise da relação entre a diminuição de doenças cardiovasculares e o aumento das doenças oncológicas. Importância dos grandes números de dados na área da saúde (00:14:26) Discussão sobre a disponibilização e interpretação dos dados clínicos para melhorar a prática médica. Benefícios dos dados para os doentes (00:14:48) Exploração dos impactos positivos dos dados na melhoria do tratamento e cuidado dos doentes. Utilização de dados clínicos na prática médica (00:15:10) Análise da disponibilidade e utilização de dados clínicos na prática médica diária. Monitorização da qualidade dos dados clínicos (00:16:23) Explicação da importância da monitorização da qualidade dos dados clínicos e o seu impacto na prática médica. Formação e educação baseadas em dados (00:17:35) Discussão sobre como os dados clínicos podem contribuir para a formação e educação médica. Segurança dos dados clínicos (00:18:24) Exploração da segurança e proteção dos dados clínicos dos doentes. Utilização de dados para a investigação científica (00:19:10) Análise do uso dos dados clínicos na pesquisa científica e na identificação de padrões de tratamento. Medicina de precisão e personalização do tratamento (00:18:05) Discussão sobre a importância dos dados na personalização e precisão do tratamento médico. Impacto da informação na prática clínica (00:24:13) Reflexão sobre como a informação influencia a prática clínica e o comportamento dos médicos. Organização e utilização prática da informação (00:25:03) Exploração da importância da organização e utilização imediata da informação clínica na prática médica. Inteligência Artificial e Medicina (00:26:32) Discussão sobre o papel da inteligência artificial na análise de grandes quantidades de dados biomédicos. Erro Médico e Reflexão (00:29:12) Reflexão sobre erros médicos e a necessidade de corrigi-los, com o impacto emocional envolvido. Informação e Desinformação na Saúde (00:31:09) Abordagem sobre a propagação de fake news na saúde e os perigos associados à desinformação. Impacto da Pandemia na Saúde (00:34:02) Análise do impacto da pandemia na saúde, incluindo o abandono de tratamentos e a gestão dos sistemas de saúde. Consequências Geracionais da Pandemia (00:38:24) Discussão sobre o impacto da pandemia na educação e desenvolvimento das crianças, com reflexão sobre as consequências a longo prazo. O medo na tomada de decisão (00:39:37) Discussão sobre a reação de medo e a dificuldade na tomada de decisões durante a pandemia. Desafios na tomada de decisões políticas na saúde (00:40:11) Abordagem sobre a complexidade e desafios na tomada de decisões políticas na área da saúde. Prioridades e gestão dos serviços de saúde (00:41:29) Discussão sobre a priorização e gestão dos serviços de saúde, incluindo a perceção das urgências hospitalares. Falsa urgência nos serviços de saúde (00:43:24) Reflexão sobre a perceção da urgência nos serviços de saúde e a necessidade de uma abordagem mais racional. Impacto ambiental do sistema de saúde (00:47:20) Análise do impacto ambiental do sistema de saúde e a necessidade de repensar práticas para reduzir a pegada ecológica. Reflexão sobre a evolução da medicina (00:51:45) Visão sobre a transformação do papel do médico e a gestão avançada da informação na medicina do futuro. A evolução das profissões de saúde (00:52:20) Discussão sobre a mudança no papel dos profissionais de saúde e a gestão de informação integrada. O futuro da medicina (00:52:38) Reflexão sobre o impacto do conhecimento e da informação na prática médica, e a necessidade de mais humanidade. Ao longo dos anos fui exercitando a minha tarefa de perguntador em múltiplas conversas com este médico que se multiplica por várias áreas: é especialista em medicina interna, em nefrologia e em farmacologia clínica. E insiste sempre em estudar as evidências para responder aos seus doentes. Mesmo quando algum caso individual decide contrariar toda a estatística. Vaz Carneiro tem uma lupa gigante para avaliar series de grandes números. E um microscópio afinado para avaliar aquele doente uno e particular que tem de ajudar. E responder às perguntas. O que tenho, doutor? Como é o futuro? Perguntas simples em busca da tradução da complexidade em poucas respostas. Num mundo em contradição onde lutam as evidências cientificas com a arte de acreditar nas histórias mais mirabolantes. Uma batalha entre os factos verificáveis e a desinformação mais irracional. Todavia, coexistem. Esta é uma conversa carregada de possibilidades e esperança. A gigante quantidade de informação vai finalmente começar a ser de grande utilidade para cada um de nós. É um tempo novo. O que nos dizem os grandes números da saúde? O que podemos ler na gigantesca quantidade de dados que o nosso sistema de saúde recolhe, todos os dias dos seus doentes? Que perguntas temos de fazer? E que respostas queremos obter? Esta edição é muito otimista e carregada de esperança. Numa conversa com António Vaz Carneiro, Professor e médico por vocação e para ter liberdade. Liberdade para fazer e para auxiliar as outras pessoas. Nos próximos minutos percorremos os caminhos da medicina moderna. Que cada vez sabe mais, mas nem sempre tem as respostas todas. No limiar de uma anunciada revolução do conhecimento: a recolha e o entendimento dos chamados dados da vida real. Os grandes dados onde cada um de nós é um ponto na escala. Como as mesmas perguntas de sempre. Haverá respostas para nós? As perguntas são as mesmas de sempre. Que pode trazer nova luz sobre velhas perguntas. A profissão que decide se estamos vivos ou mortos está para ficar. Mas o acervo de informação e conhecimento pode inspirar novas formas de fazer medicina. Mas conhecimento oferecerá seguramente melhor capacidade de reconhecer as melhores práticas. Mas, suspeito, trará consigo muito mais perguntas. Algumas precisam de mais dados. Outras, simplesmente, de mais humanidade. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO TRANSCRIÇÃO AUTOMÁTICA Jorge Correia (00:00:12) - Ora viva! Bem vindos ao Pergunta Simples o vosso Podcasts sobre Comunicação. O que nos dizem os grandes números da saúde? Não, não estou a falar das consultas, das cirurgias, das urgências. Estou a falar dos nossos números pessoais particulares, todos juntos. O que podemos ler na gigantesca quantidade de dados que o nosso sistema de saúde recolhe todos os dias dos seus doentes, isto é, de nós próprios? Que perguntas temos de fazer e que respostas queremos obter destes dados? Esta é uma edição muito otimista e carregada de esperança. Numa conversa com António Vaz Carneiro, professor e médico por vocação e para ter liberdade, diz ele. Liberdade para fazer e liberdade para ajudar outras pessoas. Nos próximos minutos percorremos os caminhos da medicina moderna, que cada vez sabe mais, mas nem sempre tem as respostas todas. Será que alguma vez vai acontecer no limiar de uma anunciada revolução do conhecimento? A recolha e o entendimento dos chamados dados da vida real, os grandes dados onde cada um de nós é um ponto na escala. Mas nós, seres humanos, mantemos as mesmas perguntas de sempre. Jorge Correia (00:01:25) - Haverá respostas para nós? Vamos ao programa? Vamos a isso. As perguntas, as perguntas, as perguntas são as mesmas de sempre Senhor doutor, o que tenho eu? Senhor doutor? O que é que me vai acontecer? Em linguagem médica, pedimos sempre um diagnóstico, um resumo da nossa condição e, principalmente, um prognóstico. Com o que é que posso contar para o futuro? Implicitamente, as duas perguntas incorporam uma expectativa, um pedido de ajuda e uma esperança. As duas perguntas resumem se ao apelo Senhor doutor, safei me lá desta maleita. Claro que as respostas nem sempre são assim tão diretas e simples como gostaríamos, mas continuamos a fazer sempre as mesmas perguntas. Ao longo dos anos eu fui exercitando a minha tarefa de perguntador profissional em múltiplas conversas com este médico que se multiplica por várias áreas. Vaz Carneiro, especialista em Medicina Interna, em Nefrologia e em Farmacologia Clínica, e insiste sempre em estudar as evidências para responder aos seus doentes, mesmo quando algum caso individual decide contrariar toda a estatística....
José Manuel Rosendo | Como se conta uma guerra?03 May 202200:39:22
Fazer reportagem de guerra é uma arte jornalística que exige coragem, sangue-frio e bom senso. Diariamente há que enfrentar um dilema complexo: o que se mostra e o que se evita. O que se relata e o que se guarda só para nós? As grandes histórias do jornalismo tem um sinal em comum: o drama da condição humana. As histórias de vida e de morte, de desgraça e de superação são as que mais impacto tem na nossa mente. Conta-se, quase como mantra dos repórteres de guerra, que os jornalistas são aqueles que correm para um sítio de onde todos querem fugir. Vemos a guerra pelos olhos de quem é testemunha profissional. Sobram as perguntas. Como se conta uma guerra? Como se chega lá? Como se sobrevive? Como se descreve? O que sobra na ressaca da volta a casa? Nos últimos meses vários jornalistas portugueses percorreram a Ucrânia para nos contarem a guerra com a nossa maneira de ver o mundo. É isso que os jornalistas fazem num conflito militar como este. Vamos à Ucrânia com o repórter José Manuel Rosendo, jornalista da Antena 1 e da RTP. Um veterano de várias guerras e conflitos. Do médio oriente, ao norte de África e à Europa. Iraque, Egipto, Turquia, Líbia, Faixa de Gaza e agora Ucrânia. Esta conversa tem segredos revelados: como se movimenta um repórter na guerra? Onde se pode ir? Quem nos ajuda? E depois? Importa saber o que se traz na mala. (Foto tirada no Iraque em 2004 por Francisco J. Gonçalves)
Pedro Brinca | Ficamos mais ricos ou mais pobres?26 Apr 202200:54:13
Vamos ficar mais ricos ou mais pobres? Suspeito que a resposta não seja fácil de dar. Talvez seja mesmo impossível. Por mais que os economistas saibam, por melhores computadores e dados que tenhamos, a economia depende de algo incontrolável: a expectativa. E a comunicação, em particular a perceção, joga um papel-chave. Aprendi nesta conversa que em economia o futuro interfere com o passado. Parece estranho. Mas de facto se cada um de nós souber ou entender que vai faltar pão — mesmo que isso seja falso — logo vamos reagir e comprar pão. E talvez comprar mais pão do que precisamos. Com esse simples movimento coletivo de açambarcamento o pão pode mesmo faltar. Não porque haja escassez, mas, porque o nosso medo esgotou o que havia nas prateleiras. Por estes tempos aparecem na minha cabeça, expressões que me lembro de quando era criança. Por exemplo, a carestia de vida. O efeito da inflação. O preço da gasolina. E de tudo o resto. Sempre a subir. Dos salários que pareciam que subiam muito em percentagem, mas menos que o aumento dos preços. Estaremos de novo aí? Está conversa é sobre economia. Como o Professor de Macroeconomia da Universidade Nova Pedro Brinca. Para mim a economia é uma espécie de ciência oculta. Mas uma ciência oculta que me fascina. Mas a pergunta é óbvia: vamos ficar mais ricos ou mais pobres? Quando economia fica mais turbulenta há que poupar e investir melhor. Embora este conselho possa provar desde já a minha incompetência a falar sobre economia. É que os maiores danos da subida dos preços é para as pessoas mais pobres. Quem tem menos recursos pode deixar de conseguir até comprar os bens mais básicos. Estou a falar de comida. Mas o efeito estende-se de forma contagiosa a todas as pessoas. Fecho com uma ideia que me deixa perplexo mostra porque nunca serei rico. Que raio de sociedade reduz cada vez mais o rendimento de quem produz batatas ou leite e pag -a mais a quem faz programas de computador ou telemóvel. Sim, eu sei, digam comigo: “É a economia, estúpido”
Joaquim Furtado | Como se diz Liberdade?19 Apr 202200:59:52
Viva a Liberdade!Viva o 25 de Abril!Não tarda nada e comemoramos os 50 anos da revolução.Hoje é dia de falar do papel da comunicação e do seu contributo para a Liberdade.Sim, é dia de falar de liberdade de expressão, de jornalismo e de mensagens que marcaram o 25 de abril de 1974. Com a “voz” do 25 de abril.Às 4 da madrugada do dia 25 de abril de 1974, esta voz anunciou a revolução,Portugal celebra já hoje mais dias a viver em democracia e liberdade do que os dias que vivemos em ditadura.Em poucos dias celebramos mais um aniversário do dia inaugural que Sophia de Melo Breyner desenhou em 4 versos imortais “Esta é a madrugada que eu esperavaO dia inicial inteiro e limpoOnde emergimos da noite e do silêncioE livres habitamos a substância do tempo” A mensagem poética cruzada com o sincopado da mensagem militar.A revolução foi teve três D's: Democracia, Descolonização e Desenvolvimento.Os 13 anos de guerra colonial foram um dos principais motivadores do movimento dos capitães de abril.Esta conversa com Joaquim Furtado corre o tempo da Guerra Colonial, inscrita na série feita para a RTP, espreita o tempo do jornalismo atual e começa no momento zero: A madrugada da revolução dos cravos.
Como sobreviver à guerra? | Vítor Cotovio12 Apr 202200:52:27
A inquietação. A inquietação que nos desassossega. Pode ser ansiedade. Pode ser medo. Pode ser até depressão. Não sei se vos está a acontecer, mas as notícias da guerra, em filme contínuo, provoca-me uma tensão na cabeça. Primeiro a surpresa do início da invasão à Ucrânia. A estupefação de ver um país invadir outro. Da ideia de guerra na Europa sair de qualquer possibilidade sensata. Os dias passam. As notícias de coisas terríveis invadem-nos constantemente. Sempre na rádio e televisões. Ao segundo nas redes sociais. Entre a verdade e a propaganda. E a nossa cabeça à roda. Entre a necessidade de parar de ver e o medo de perder algo importante. O acumular de tudo isto gera ansiedade. Gera esse desassossego que faz estragos no nosso espírito, na nossa mente. Convidei para esta conversa o médico psiquiatra e psicoterapeuta Vitor Cotovio em busca de chaves para despressurizar. Da guerra que sucede a uma pandemia. Como é que acontecimentos como a guerra e a pandemia de COVID-19 nos afectam a cabeça e como nos podemos defender melhor a nossa saúde mental? Numa conversa sobre a nossa mente na sociedade dos 5V e dos 5C. A saber, os 5V: volume (muito), velocidade, volatilidade, voracidade e vacuidade. Numa sociedade que vive os 5C: consumo (muito), competição, concorrência, cosmética e caos. O resultado não pode ser bom para a nossa cabeça.
Maria de Belém Roseira | Como desenhar o futuro da Saúde?05 Apr 202200:55:43
Estamos na semana da saúde. Dia 7 de abril é o Dia Mundial da Saúde. Não precisávamos de uma pandemia para nos lembrarmos quão importante é a nossa saúde. E agradecer o facto de vivermos num país com um dos sistemas de saúde mais avançados do mundo. Sim, estamos sempre a reclamar. Sim, aborrece-nos que nem todas as pessoas tenham médico de família. Ou que a consulta do especialista demore mais do que esperávamos. Mas o SNS, os hospitais privados, as farmácias, os convencionados e o sector social oferecem uma rede redundante de cuidados de saúde que responde de forma adequada ao que precisamos. E depois há as exceções. As coisas que tem de correr melhor. Mas são infinitamente mais pequenas que os benefícios de ter uma saúde pública, universal, e quase gratuita quando precisamos de ajuda. Gratuita é uma palavra curiosa. Porque, a verdade é que a saúde é paga pelos cidadãos - contribuintes. É portanto paga antecipadamente. Com um princípio de que gosto muito: para o SNS cada um paga conforme o que pode e recebe cuidados conforme precisa. São os princípios que nos dão uma bússola e um mapa para navegar. No caso dos países democráticos liberais, como o nosso, há leis e regras universais a que todos estamos igualmente sujeitos. E essas regras são vitais. Esta conversa com Maria de Belém Roseira, jurista, humanista, duas vezes ministra e pessoa muito atenta aos direitos, liberdades e garantias era para ser sobre saúde. E tudo o resto. Mas o não respeito pelo direito internacional no caso da guerra em curso obrigou a começar por aqui.
Nélson Olim | Como curar as feridas da guerra?29 Mar 202200:54:58
O olhar de um cirurgião de guerra português sobre o trabalho dos médicos em situação de catástrofe como as guerras e conflitos, mundo fora. A guerra na Ucrânia é apenas mais uma para Nelson Olim. Médico-cirugião português com passagens pela Cruz Vermelha Internacional e agora Organização Mundial da Saúde. Ele, como ninguém, aprendeu que o bisturi consegue reparar alguns feridos, mas nunca todos. Como cirurgião de guerra responde no meio do caos. Ordenado por um método escrito num livro sem palavras onde lhe cabe escolher que ferido deve ser operado primeiro. Também que muitos dos não escolhidos vão morrer. Por os ferimentos serem extensos. Porque as equipas médicas não chegam. Porque as balas, granadas, mísseis, obuses e outros engenhos foram feitos para matar. E nem os deuses conseguem parar esta carnificina. As Ucrânia é só mais uma história na vida das guerras dos humanos. Nelson Olim perdeu a conta às missões. Esteve, por exemplo, no Iémen, Sudão do Sul, Nigéria ou Afeganistão. Nesta conversa recolho o seu olhar sobre as imagens que nos chegam da guerra na Ucrânia. Sobre a maneira como as equipas médicas respondem. Como comunicam entre si. Como sobrevivem e ajudam a sobreviver.
Rui Mergulhão Mendes | Como ler uma pessoa?22 Mar 202201:04:30
Hoje é dia de tirar-vos a "pinta". Conhecem a expressão: tirar a "pinta"? Ou, de forma mais descritiva, é um programa que explica alguns dos mistérios da avaliação quase relâmpago que fazemos das outras pessoas. Quando comunicamos somos imediatamente avaliados pela nossa audiência. Seja uma plateia gigante ou simplesmente um só interlocutor. Comunicar não é um simples momento em que debitamos palavras. Ou em que pensamos, falámos e escutamos à vez. Não, comunicar é muito mais vasto do que isso. Grande parte da comunicação é não verbal. Os nossos gestos, a postura, a maneira como olhamos e somos olhados. O timbre de voz, o movimento dos olhos, da boca ou das sobrancelhas. Tudo em simultâneo. E nessa dança há micro expressões que reforçam a verdade das nossas palavras ou denunciam mentiras mais ou menos dissimuladas. Há toda uma ciência à volta da interpretação destes sinais. Muito úteis, por exemplo, para uma investigação criminal ou validação da credibilidade de uma testemunha num tribunal. Ciência ou arte?
Mónica Dias | Como fazer as pazes?15 Mar 202201:09:00
É preciso dar espaço à Paz. Levamos 19 dias de guerra na Ucrânia. Com incontáveis vítimas. Mortos, feridos. Militares e civis. Com imagens chocantes em todo o lado. Somos diariamente encharcados com histórias, relatos, visões do horror. Para fugir à guerra centenas de milhares formam uma coluna de refugiados para dentro das fronteiras da União Europeia. A guerra é feia. Nesta edição procuramos com Mónica Dias perceber o tabuleiro da guerra. As motivações. As decisões e as consequências. E uma inquietante imprevisibilidade. Ela é professora na Universidade Católica. Mónica Dias é uma estudiosa da Paz. Nem que seja da paz imperfeita como escreve nas primeiras palavras do título do seu doutoramento. Mas todo o saber do mundo não a impede de ficar apreensiva com esta Guerra
Como explicar a guerra? Mendes Dias08 Mar 202200:58:41
Guerra. Dizer a palavra arranha-me a garganta. Fui tentar compreender a guerra. Rapidamente percebi que o nevoeiro da guerra nos impede de saber muitas coisas importantes. Num conflito a verdade é sempre uma vítima. As partes envolvidas tem objetivos, narrativas, caras, ações e intenções. A informação, contrainformação e a propaganda são armas usadas deliberadamente na contenda. A conversa de hoje tenta chegar a um modo de visão mais alargada, menos emocional. O que é difícil. A guerra na Ucrânia é uma guerra em casa. Isso choca-nos. A destruição. A morte de pessoas. Os refugiados. Por que razão a guerra aparece sempre desde tempos imemoriais quando os homens não se entendem? O convidado desta edição é um militar com sólida formação em assuntos de geoestratégia global, em relações internacionais e ciências Sociais. É o Coronel Mendes Dias. Ele esteve na guerra da Bósnia, a última antes desta. A ideia inicial da conversa era falar da maneira como a comunicação é usada num conflito. Mas tudo se alargou a uma lição de geografia e sede de poder ao longo da história. A zona da Ucrânia e da Polónia foi sempre palco central da cobiça de vários impérios. Dos Vikings, aos Romanos e otomanos, aos nazis e aos russos. Aquelas fronteiras foram mil vezes redesenhadas. Milhões de pessoas sofreram. Mas agora vemos o conflito ao vivo e em direto. Nas redes sociais. Na televisão. Por isso a pergunta que mais me inquieta: como explicamos a guerra às nossas crianças? Logo agora que todos lhes tínhamos prometido paz, educação, prosperidade e felicidade. A pergunta que me sobra não tem resposta fácil. Como se resolve este problema? Como se calam as armas? Como se protegem os indefesos? Como voltamos a algo parecido com a normalidade? Quatro perguntas ao invés de uma. A diplomacia e a comunicação tem agora um papel-chave.
Filipe Duarte Santos | Como explicar a ameaça do clima?01 Mar 202200:35:50
As alterações climáticas são um tema sério e sentido diariamente. Apesar de tudo, fingimos preocupação, mas pouco fazemos pessoalmente. Por que razão não estão as mensagens do clima a ser eficazes? Neste inverno em que faz sol. Demasiado sol. E quase nada de chuva. Vemos a consequência: seca. Com isso começamos a perceber melhor aquilo a que os mais entendidos chamam alterações climáticas. O tema é sério. E pouco falamos dele. Ou melhor, falar, falámos. Mas mudar hábitos ou comportamentos é francamente mais difícil. Falar de alterações climáticas é falar da vida dos nossos netos. Assim dito até parece estranho. Mas se pensarmos que abusar do carro, consumir e deitar fora sem regra ou desperdiçar sem freio tem um impacto nas próximas gerações, então podemos começar a ficar angustiados. Quando combinei esta conversa com Filipe Duarte Santos tinha uma ideia de pergunta inicial para abrir o caminho: por que razão num tema tão importante, as mensagens não passam? Sim, todos vemos os efeitos do aquecimento global. Sim, todos estamos a sentir, a ver a olhos vistos, as barragens a secar , as florestas a arder e o mar a subir. Sim, aqui, em Portugal. Não num sítio longínquo. Não noutro povo. E, todavia todos continuamos na mesma vidinha. É um facto que vamos reciclando. Que os sacos plásticos do supermercado já tem alternativas reutilizáveis. Que os passes dos transportes públicos são agora mais acessíveis. Mas o uso do automóvel é permanente. Cada vez há mais carros. Mais estradas boas e cidades com demasiadas pessoas concentradas. A agricultura consegue produzir alimentos em vários ciclos anuais, com consumos de água astronómicos e a industrialização, por exemplo, da eletrónica inventa aparelhos que se cansam num par de anos, porque há outro novo na loja. E porque não ligamos as duas coisas na nossa cabeça? As nossas escolhas enquanto sociedade e os efeitos que eles têm no planeta-casa-terra?
O cliente tem sempre razão? Gisele Paula17 Apr 202400:35:00
Hoje falamos sobre a relação entre as empresas e os seus clientes. A maneira como dialoga. Se é que dialogam. Olhando para um mercado, as empresas criam e vendem produtos. E os consumidores compram e usam. Mas esta relação é bastante mais complexa que a mera transação. É uma relação emocional que vive de expectativas, de felicidades ou de amuos. Salvará a comunicação esta relação? O cliente tem sempre razão? Ou o dito é apenas uma boa desculpa retórica para reparar algo que correu mal? A relação com os clientes é um tópico capaz de encher muitos livros de conselhos e saberes. Mas nem sempre a teoria e a prática se juntam. Por exemplo, na forma como as organizações escutam ou descuram uma reclamação de um cliente. Há canais para ouvir o cliente ou apenas um enfadonho endereço de correio eletrónico ou um asséptico formulário com promessa de resposta sem prazo nem compromisso? Agora nesta relação empresa-cliente apareceram também os robôs automáticos com capacidade de responder às nossas perguntas. E esse diálogo acaba muitas vezes na ligação a uma página de perguntas e respostas que por coincidência ou o meu azar pessoal, tem raramente a resposta que queria ter à minha pergunta. E isso gera frustração. Por má comunicação. Por ausência de comunicação. Por lentidão no processo. Em busca de boas respostas, mais felicidade, decidi gravar uma conversa com Gisele Paula que lidera o Instituto Cliente Feliz e o sítio web Reclame Aqui. Portanto, cobre todas as possibilidades: a de tentar deixar o cliente feliz e de acolher a sua reclamação. Ela defende que só ouvindo os clientes em permanência, de preferência até com conselhos de clientes dentro da organização, é que se pode evoluir. E que em cada reclamação há uma boa oportunidade de melhorar. De tornar o cliente feliz. O tempo conta. E as expectativas também. Saber que as organizações nos ouvem e oferecem-nos mais do que produtos é um bom sentimento. Que consideram o que dizemos, que reparam o que correu mal imediatamente e que mudam o rumo aceitando sugestões. Só me sobra uma pergunta: se é assim tão óbvio porque raio de razão só as melhores empresa e organizações seguem a receita? Temos de falar sobre isto. TÓPICOS DE CONVERSA A importância da satisfação do cliente (00:00:00) Giselle Paula destaca a relevância da satisfação do cliente para o crescimento e prosperidade dos negócios. Trabalhando em três pilares (00:01:41) Giselle explica a necessidade das empresas trabalharem em três pilares: pessoas, processos e estrutura, para proporcionar uma experiência positiva ao cliente. Ouvindo atentamente os clientes (00:04:04) Giselle fala sobre a importância de ouvir atentamente os clientes, inclusive quando estão insatisfeitos, e de encarar as reclamações como oportunidades de melhoria. Criando um conselho do cliente (00:07:36) Giselle explica a criação de um conselho do cliente para trazer a perspectiva do cliente para o dia a dia da empresa. A reclamação como oportunidade de melhoria (00:13:12) Giselle ressalta que a reclamação é uma oportunidade para a empresa melhorar e uma forma de obter feedback valioso dos clientes. Importância de ouvir reclamações (00:16:14) Giselle destaca a importância de ouvir reclamações, mesmo que representem uma pequena parte dos clientes. Desafios do uso de chatbots (00:18:20) Discussão sobre o uso equivocado de chatbots e a importância de compreender quando os clientes desejam interagir com humanos. Relação emocional com o cliente (00:20:09) Giselle enfatiza a natureza emocional da relação com o cliente, mesmo em interações digitais. Impacto do mau atendimento (00:21:36) Destaque para o impacto negativo do mau atendimento, levando à perda de clientes e lucratividade. Interseção entre tecnologia e interação humana (00:23:17) Discussão sobre a importância de equilibrar a automação com a interação humana para atender às necessidades dos clientes. Cultura de atendimento ao cliente (00:27:11) Ênfase na importância da cultura organizacional e do papel da alta liderança na transformação da relação com o cliente. Convencendo os CEOs (00:28:02) Abordagem sobre a necessidade de falar a linguagem dos CEOs ao discutir a importância da experiência do cliente. Feedback e satisfação do cliente (00:29:45) Giselle compartilha sua abordagem como consumidora, enfatizando a importância do feedback e da busca por melhorias. Valorização do baixo esforço do cliente (00:31:18) Discussão sobre a valorização do tempo e da agilidade no atendimento ao cliente. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO Esta transcrição foi gerada automaticamente. Por isso, ela pode não estar totalmente precisa. 0:12 Ora vivão, bem -vindos ao Pregunta Simples, o vosso podcast sobre comunicação. Hoje falamos sobre a relação entre as empresas e os seus clientes, a maneira como dialogam. Se é que dialogam? Como é que dialogam? Olhando para, o mercado as empresas criam e vendem produtos e os consumidores compram e usam. Mas, 0:32 esta relação é bastante mais complexa do que uma mera transação. É uma relação emocional que vive de expectativas, de felicidades ou de amores. Salvará a comunicação? Esta relação? Vamos ao episódio. Vamos a isso. O 0:57 cliente tem sempre razão ou dito é apenas uma boda, desculpa retórica para reparar algo que correu mal. A relação com os clientes é um tópico capaz de encher muitos livros de conselhos e saberes, mas nem sempre a teoria e a prática se juntam. Por exemplo, na forma como as organizações escutam ou discuram uma reclamação de um cliente. Há 1:17 canais para ouvir o cliente ou apenas um disfarce, um infadonho, endereço de e -mail ou um acético formulário com promessa de resposta sem prazo nem compromisso. Agora, nesta relação, a empresa cliente apareceu também os robôs automáticos, conhecidos como Chatbot, com a capacidade de responder às nossas perguntas. Mas 1:36 esse diálogo acaba muitas vezes na ligação a uma página de perguntas e respostas que por usar ao coincidência quase nunca tenha resposta que eu queria para a minha pergunta. E isso gera frustração por má comunicação, por ausência de comunicação, por lentidão no processo. Em 1:53 busca de boas respostas e de mais felicidade pessoal, gravei uma conversa com o Giselle Paula, que lidera o Instituto Cliente Feliz e o site Reclamaqui. Portanto, cobra todas as possibilidades de tentar deixar o cliente feliz e de acolher a sua reclamação. Ela 2:08 defende que só ouvindo os clientes em permanência, de preferência até com o conselho de clientes dentro das organizações, é que se pode evoluir. E que em cada reclamação há sempre uma boa oportunidade de melhorar. E de tornar o cliente mais feliz. Viva! 2:27 Giselle Paula é a CEO do Instituto Cliente Feliz, é também confundadora de uma plataforma chamada Reclamaqui e, além disso, escreveu um livro, aconselho a todos a poderem ler, chamado Cliente Feliz da Lucro. Giselle, 2:42 o que é isto num cliente feliz? Muito bem. Primeiro, Jorge, agradecer o convite de estar com você hoje aqui para falar de um tema que é tão relevante para nós como consumidores, porque vivemos todos os dias em relações de consumo. E 2:59 se fala muito pouco de como está a satisfação dos clientes. E a satisfação dos clientes hoje é fundamental para que os negócios continuem crescendo e prosperando. Então o cliente feliz, eu costumo dizer, que não é fazer tudo o que o cliente quer. E 3:18 sim fazer aquilo que ele precisa e proporcionar para ele um efeito que ele não espera. Então uma empresa que realiza o básico bem feito, entrega para o cliente que o que ele precisa, ela já ganha muitos pontos com ele. Porque 3:35 o cliente hoje vive um desafio muito grande para quando ele precisa resolver um problema com uma empresa. Então hoje dentro da nossa empresa, que é o Instituto Cliente Feliz, nós atuamos trabalhando dentro de grandes companhias, implementando a experiência do cliente, ensinando a fazer e refazendo os processos dela para que esses processos sejam condizentes com uma experiência mais fluida para o cliente. Então 4:06 o que é que faz? O que é que ensina? O que é que treina as empresas com quem trabalha para essa relação com o cliente? O que é que uma empresa precisa de ter de uma forma consciente na sua relação com os seus clientes? Legal, 4:21 Jorge. A empresa precisa trabalhar em três pilares. O Pilar de Pessoas, então treinar essas pessoas para que elas possam realizar uma prestação de serviço adequada para os clientes. O segundo pilar é de processos. Então 4:38 os processos dela tem que estar condizentes para que a experiência do cliente seja fluida, ou seja, se ela tiver muitas burocracias, problemas que o cliente enfrenta ali para poder retirar, por exemplo, uma segunda via de um boleto ou eliminar ali uma questão de uma dúvida ou um suporte. Os 5:01 processos dela tem que estar orientados para reduzir o esforço do cliente, ter um acesso mais fluido, menos burocracia. Para essa experiência funcionar melhor e gerar assim mais rapidões, mais eficiência operacional. E 5:21 o terceiro pilar é o pilar de estrutura, em que você embarca ali uma tecnologia nova, um processo de automação, inteligência artificial, para que a gente possa usar a tecnologia para oferecer uma experiência melhor para o cliente. Porém, 5:41 se você não trabalha essas três frentes de atuação, uma delas, se não tiver bem feita, ela corrompe as outras. Não adianta ter uma boa tecnologia, uma inteligência artificial maravilhosa para atender o cliente, se quando ele precisa falar com uma pessoa, ele é maltratado, por exemplo. Então, 6:03 quando a gente entra na empresa, a gente trabalha essas três frentes de atuação, esses três pilares. Mas muito com o olhar, Jorge, de trazer uma boa experiência para o cliente. Então, qual é a nossa fonte de inspiração? Onde 6:19 ...
Duarte Cordeiro | Como ganhar uma maioria absoluta?22 Feb 202200:55:08
As máquinas eleitorais são uma das coisas que mais me fascinam. São na prática organizações políticas, com ideias e pessoas que querem convencer os seus concidadãos que tem uma forma melhor de resolver os problemas de todos.A máquina pode ser quase unipessoal, com a das candidaturas às juntas de freguesia. Como o candidato, a mulher, os filhos e pouco mais.Ou ser grande, nacional e envolver milhares de pessoas. Desde militantes, quadros do partido e fornecedores.Quem teve de organizar uma dessas máquinas complexas foi Duarte Cordeiro, coordenador da campanha do PS nas últimas eleições.Conquistar o poder é o objetivo de qualquer partido político.Conseguir uma maioria absoluta é o pináculo desse sonho.É que com uma maioria absoluta o partido que a conquista conseguirá aplicar sem ter de fazer grandes concessões o programa eleitoral com que se candidatou.O sistema eleitoral português está feito para dificultar a conquista de maiorias absolutas.A começar pela forma de distribuição proporcional de deputados eleitos por círculo. Ao contrário de outros sistemas onde o partido vencedor de um círculo elege um representante e os outros nada.Nas últimas eleições o partido vencedor conquistou 41,5% e até agora 119 deputados. Faltam atribuir os 2 mandatos do círculo europeu.O homem escolhido por António Costa para organizar a campanha eleitoral foi Duarte Cordeiro.Ele passou os últimos anos na posição de Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares como negociador entre os partidos e o governo. Em particular a dura negociação do orçamento do estado.Mas não só. Tinha outra missão: perguntar aos ministros se cumpriam o acordado com os partidos da oposição.Esta conversa é também sobre negociação. Entre agendas, pessoas, objetivos e sobre sincronismo.
Luís Paixão Martins | Como perder uma eleição?15 Feb 202200:54:34
Ganhar três maiorias absolutas é obra.E o feito não está no currículo de nenhum político, mas sim de um homem da comunicação. Luís Paixão Martins era o estratega da comunicação do PS e do candidato António Costa nas últimas eleições.Dirá ele, entre a sua visão da verdade, alguma humildade e uma fina ironia, que apenas foi o consultor.Como se alguém, que não ele, criasse o plano de batalha de comunicação que levou à maioria absoluta socialista.Sim, a campanha era dirigida pessoalmente pelo candidato e experiente político, mas também "marketeer" António Costa, mas por alguma razão o reeleito primeiro-ministro o foi buscar à pacata reforma em Idanha-a-nova. Luís Paixão Martins tem um histórico,  esteve no papel do estratega de comunicação na segunda eleição de Cavaco Silva como Presidente da República e com José Sócrates na primeira maioria de sempre do PS. Agora esteve na maioria de António Costa.Mas a política é apenas uma parte do seu percurso. Locutor e jornalista desde 1971 e relações-públicas a partir de 1986 ele cria a LPM uma empresa que introduz o conceito de comunicação híbrida entre organizações e grande público.Mas finda a campanha, aproveitei o pretexto para ver por dentro os segredos  de uma batalha eleitoral, mas não só.Esta conversa tem uma metalinguagem. Tem que é dito, o não dito e o sugerido.É sobre boa comunicação, controlo da mensagem e motivações.
Duarte Nuno Vieira | Os mortos falam?08 Feb 202200:48:44
Hoje vamos falar muito do silêncio.De fazer perguntas a quem já não consegue responder de viva voz.Mas dá respostas. E essas respostas são pistas para descobrir a verdade.Caminhos que explicam o que aconteceu a alguém num determinado momento.Sim, hoje vamos falar de ouvir os mortos.Mas não só.Todos já vimos as séries com os CSI nas televisões.O trabalho da polícia cientifica é muito esse: descobrir pistas, contextos, tempos e factos que ajudem a esclarecer um crime.E aqui a medicina legal e forense dá uma grande ajuda.Duarte Nuno Vieira é um especialista nesta área com trabalho feito em meio fundo.Da autópsia mais simples, se é que há isso de autópsia simples, até à investigação de casos de tortura algures no globo terrestre.E a minha curiosidade em pulgas para saber como se interrogam aqueles de quem já não podem usar as palavras.Os mortos falam?
Desidério Murcho | Lógica ou falácia?01 Feb 202200:35:47
Saber a causa das coisas é um dos principais motores da curiosidade humana.As dúvidas filosóficas são uma maneira de organizar o nosso mundo.Quem somos?De onde viemos?Para aonde vamos?Mas convidar um filósofo para esta edição teve uma motivação inicial:Saber se estamos a usar bem as ferramentas do entendimento e decisão para construir um país melhor. Um mundo melhor. E chegamos a dois temas em que o filósofo Desidério Murcho tem pensamento e fala habitualmente.Estou a falar da lógica, pois claro, da lógica, do raciocínio lógico.E das falácias.Sim, isso mesmo.Das coisas que se dizem e nos parecem verdadeiras, mas são falsas.Sim, declarações que juntam a retórica com retalhos de lógica, pouco lógica.No fundo, comunicação pouco verdadeira ou com intenção de manipular.
Isabel Nery | O que sentimos ao ler reportagens escritas como livros?25 Jan 202201:02:50
Este é um programa cheio de histórias e narrativas cruzadas.Não fora a convidada uma jornalista, escritora e investigadora do jornalismo que se faz.Isabel Nery escreveu, por exemplo, a biografia de Sophia de Mello Breyner e como doente, súbita e urgente, descreveu o que sentiu deitada numa maca, sem ninguém acertar com o diagnóstico.Durante vários anos escreveu na Visão.E escreveu num modo que junta factos, dos quais os jornalistas são escravos, com uma escrita praticamente literária.Estes rios de experiências, formas de ver e contar o mundo, redundaram na tese de doutoramento que defendeu recentemente.A tese avalia o impacto que os textos jornalísticos têm em nós.Comparando textos escritos da forma mais comum, das notícias do dia-a-dia, com textos do chamado jornalismo literário.São, por exemplo, as crónicas escritas em grandes reportagens.Se leram Ernest Hemingwey está lá tudo.Todavia não são romances. São descrições de factos e emoções reais.Neste caso usando uma das mais belas descrições de um dos mais terríveis acontecimentos da humanidade: o retrato da vida dos sobreviventes (e vítimas) da bomba atómica em Hiroxima, no Japão.Este é um programa sobre a honestidade subjetiva da fórmula jornalística moderna. A foto de Isabel Nery foi tirada por Marcos Borga
Henrique Barros | O que aprendemos com a pandemia?18 Jan 202200:45:33
Como falamos e entendemos a pandemia? Como aceitamos ou protestamos contra as restrições? Como somos mais prevenidos ou pelo contrário mais avessos a medidas de proteção da saúde de todos nós.
Como Contar Histórias Difíceis com Dignidade? Cláudia Pinto11 Jan 202200:51:36
Como entrevistar alguém que está a sofrer? Como ouvir histórias de luto, doença ou superação — e transformá-las em jornalismo digno? Qual é o impacto real de uma boa pergunta? Neste episódio do Pergunta Simples, converso com a jornalista Cláudia Pinto, autora do livro O Intervalo da Vida e uma das vozes mais humanas do jornalismo português. A Cláudia escreve sobre saúde, doença, esperança, luto, saúde mental e tudo aquilo que fica nas entrelinhas de uma história difícil — mas necessária. Falamos da arte de ouvir, da dor de perder entrevistados, da pressão dos editores, da saúde mental dos jornalistas e dos dilemas éticos de quem escreve sobre vidas reais. 🎧 TEMAS EM DESTAQUE NESTE EPISÓDIO Como se faz uma entrevista em contexto de fragilidade O papel das perguntas difíceis (e quando não as fazer) A diferença entre empatia e sensacionalismo O impacto dos títulos e da edição nos media O peso emocional de entrevistar quem está doente Jornalismo freelancer: desafios, limites e liberdade O que ainda falta contar sobre saúde mental em Portugal As histórias que a Cláudia gostaria de poder noticiar um dia 📌 VÊ E OUVE O PERGUNTA SIMPLES EM TODAS AS PLATAFORMAS 🎦 YouTube: https://www.youtube.com/@pergunta.simples?sub_confirmation=1 🎧 Spotify: https://spoti.fi/3kb07qm 🍎 Apple Podcasts: https://bit.ly/3i6P5a3 📺 RTP Play: https://www.rtp.pt/play/p7644/pergunta-simples 🌐 Website oficial: https://www.perguntasimples.com O jornalismo de causas é um género pouco praticado por cá.São histórias de pessoas que de forma tantas vezes heróica conseguem superar-se dia a após dia. As histórias de superação são sempre atrativas para qualquer audiência.Tem sempre um condimento de vulnerabilidade extrema a par da superação. E nem todas acabam bem. Ou sequer ganham espaço na imprensa. Para conversar sobre estas histórias convidei uma boa amiga, jornalista "freelance", e uma das pessoas que mais conta este tipo de histórias. Cláudia Pinto não tem um emprego com secretária numa redação principal de um jornal.O que faz é encontrar boas histórias e depois propo-las aos editores de várias publicações. Ou então transformar essas histórias em livros, ou diretos no Instagram com a marca “No intervalo da vida”. Muitas destas histórias são sobre casos de saúde.E algumas deixaram cicatrizes fundas em quem as escreveu. Afinal escrever notícias implica honestidade, mas nem sempre neutralidade asséptica. As grandes histórias estão sempre aí para serem descobertas e contadas.E vale aprender algumas das técnicas que ouvimos neste programa.Ouvir os outros, fazer parte da sua história e contar com emoção o que levamos de cada conversa.Já imaginaram se conseguíssemos fazer isso em todo e qualquer momento da nossa vida?Adeus monólogos aborrecidos.Adeus reuniões monocórdicas.Adeus pessoas vazias de sentido e poesia. É como as grandes histórias: são utopias para perseguir todos os dias. Pensem nisso quando tiverem que falar a outras pessoas.Criem um momento único e inspirador.
António Costa Pinto | O que nos dizem os políticos?04 Jan 202200:40:22
Este é o mês da campanha eleitoral.Dia 30 de janeiro vamos a votos.São as eleições legislativas.Vamos eleger 230 deputados.E desta eleição nasce o apoio ao governo escolhido para os próximos 4 anos. Então, o que nos dizem os políticos?O que nos dizem os candidatos?Os partidos?As correntes ideológicas? Os partidos políticos têm como objectivo principal chegar ao poder.E para isso precisam de conquistar votos dos eleitores.Para isso tem narrativas.A maneira como nos contam a sua história.Como se apresentam na busca da confiança dos eleitores.Além das ideias, oferecem candidatos.Aqueles que querem merecer a confiança dos cidadãos.É dessa mistura de pessoas e ideias que se faz os projetos de poder e governação.Esta edição serve para entender melhor a maneira como os políticos comunicam connosco e como nós entendemos as suas mensagens
Rui Neves Moreira | Como responder ao imprevisto?28 Dec 202100:47:56
A Organização Mundial de Saúde reconheceu um hospital português pelas suas boas práticas na comunicação em benefício da saúde pública. O hospital de S. João no Porto viu reconhecidas em bom rigor 3 áreas: as urgências, os cuidados intensivos e o departamento de comunicação. Dois serviços de medicina pura e dura, e o serviço que assegura a voz do hospital. É neste serviço que mergulhamos nesta edição. Para saber como se organizou um hospital-cidade com 6 mil pessoas a trabalhar para falar com a comunidade. Os tempos são de COVID por isso muita da informação gerada foi fixada neste tema da agenda pública. No total do ano 2020 foram geradas mais de 18 mil notícias com fonte ou base no hospital de S. João. Mas mais de 40% das notícias nada tiveram que ver com a COVID. Foram outras histórias. Este programa não é só sobre comunicação pública. É também sobre preparação, coordenação, antecipação e liderança. A boa ou má comunicação é normalmente sintoma da saúde de qualquer organização. Rui Neves Moreira tem a seu cargo as relações com a imprensa. E partilha alguns dos segredos da maneira de funcionar da equipa de comunicação. Das regras básicas de transparência e honestidade ao treino nos porta-vozes e à sua resposta ágil e rápida. E a sobrecarga de gerir horas com 50 chamadas perdidas e incontáveis mensagens. Um retrato da célula de crise do Hospital de S. João no papel das notícias.
Rita Marrafa de Carvalho | Como se mata alguém?21 Dec 202100:49:18
Crime, disse ela. Crimes, reportou ela Crimes mediáticos, chocantes, surpreendentes, brutais, violentos, planeados ou simplesmente aconteceram. Toda esta edição é sobre a natureza humana na sua forma mais negra, mais dramática, mais sanguinária. O crimes, como qualquer acontecimento radical da vida humana dão grandes histórias na imprensa. No fundo, cumprem desde logo todos os critérios editoriais que fazem de uma notícia, noticia. Em particular os crimes que nos aconteceram. À porta de casa. Em Portugal ou envolvendo portugueses. Mas a notícia do crime tem dois condimentos insuperáveis na narrativa jornalista: a emoção e a interrogação permanente. Quem matou? Quem morreu? Porque matou? Onde, quando, para quê? Além das perguntas formais sobra a raiva ou a compaixão. E tantas vezes o mistério. Nunca sabemos ou saberemos tudo. Rita Marrafa de Carvalho, jornalista da RTP fez uma série de reportagens e agora um livro que revista os crimes que mais impacto tiveram nos últimos anos em Portugal. Momento para a minha interrogação primária: porque nos fascina a todos o crime? Os mistérios da morte, da violência e da natureza humana vão sempre deixar-nos perguntas por responder. Mas todas as histórias que ouvimos são de tal maneira avassaladoras que é impossível ficar indiferente. Talvez o instinto de matar e o de viver estejam sempre numa luta feroz. E a vontade de contar como somos e o que fizemos seja o instinto da comunicação em todo o seu esplendor. Seja no olhar das testemunhas. No silêncio dos culpados ou na curiosidade dos que espreitam pelo buraco da fechadura.
Como fotografar o momento certo? João Porfírio03 Apr 202400:52:41
Tirar uma fotografia para documentar um momento importante da vida é uma experiência que todos temos. Antigamente apenas fazíamos fotografias de momentos mesmo muito importantes. Como um casamento ou baptizado, como o baile debutante ou o militar fardado em idade de ir à tropa. Era momentos raros. Tinham rituais próprios, que incluíam ir ao fotógrafo ou retratista profissional, vestir as melhores roupas e fazer os melhores penteados. Era o tempo das fotografias analógicas. De chapa ou de rolo de película. Tinham de ser reveladas antes de as vermos. Hoje vivemos o tempo click digital. Rápido, preciso, visto logo que feita a foto. Pronta para enviar, por mensagem ou rede social. Mas há algo que não mudou. Mudaram os equipamentos e as tecnologias, mas a filosofia do fotojornalismo e a sua essência não mudou. É estar no sítio certo, à hora certa, e fotografar, como testemunha, um acontecimento relevante para as nossas vidas. Este programa é sobre essa arte do retrato da actualidade. Da política à guerra, da intimidade da imagem pessoal aos grandes movimentos que nos interpelam. TÓPICOS DE CONVERSA Início (00:00:00)  Eleição do Presidente da Assembleia da República (00:04:38) João Porfírio fala sobre a eleição do presidente da Assembleia da República e a cobertura fotográfica do evento. Relação com Aguiar-Branco (00:06:42) João Porfírio discute sua interação com Aguiar-Branco e a abordagem fotográfica durante a eleição.  Expressões e Emoções (00:08:51) João Porfírio fala sobre a busca por expressões faciais e corporais durante eventos políticos e eleições. Técnica Fotográfica (00:11:31) João Porfírio explica sua abordagem à escolha de ângulos e posicionamento para capturar as melhores imagens durante eventos políticos.  Narrativa Fotográfica (00:13:53) João Porfírio discute a importância de capturar a perspectiva fidedigna das emoções dos políticos durante eventos políticos. A sorte do fotógrafo (00:13:56) João Porfírio fala sobre um momento inesperado durante a cobertura de um evento político. A presença de seguranças (00:16:35) Discussão sobre a presença de seguranças em eventos políticos e a influência na fotografia. A imagem pública de Pedro Nuno Santos (00:18:17) João Porfírio comenta sobre a imagem pública e a personalidade do político Pedro Nuno Santos. A imagem do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa (00:19:36) Análise da relação do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa com o público e a fotografia. Neutralidade do fotógrafo (00:21:49) Discussão sobre a neutralidade emocional do fotógrafo em diferentes contextos de cobertura. Fotografando a emoção (00:23:42) João Porfírio fala sobre a abordagem para capturar emoções em suas fotografias. A guerra da Ucrânia (00:24:48) João Porfírio compartilha a sua experiência inesperada durante a cobertura da guerra na Ucrânia. Preparação para a Ucrânia (00:25:13) João Porfírio fala sobre a decisão de ir para a Ucrânia antes da invasão e a urgência em chegar lá. Entrando na Ucrânia (00:25:50) João Porfírio descreve a sua chegada à Ucrânia e a importância jornalística de entrar no país naquele dia. Contratação de um Fixer (00:27:53) João Porfírio explica o processo de recrutamento de um fixer e os custos envolvidos na cobertura de guerra. Vantagens de ser Português na Ucrânia (00:31:43) João Porfírio destaca as vantagens de ser português na Ucrânia e a empatia das pessoas em relação a Portugal. Impacto da Guerra em Kiev (00:34:22) João Porfírio descreve a sensação de guerra em Kiev e as restrições impostas durante o recolher obrigatório. Medo em Kiev (00:36:25) João Porfírio fala sobre o seu medo em Kiev e a sensação de segurança em comparação com outras regiões. Edição e Omissão (00:38:51) Discussão sobre a seleção e edição de fotos em zonas de conflito, equilibrando informação e dignidade humana. Crise de Refugiados (00:43:16) Comparação entre a crise de refugiados na Europa e a situação dos refugiados em zonas de guerra. Realidade nos EUA (00:46:42) A percepção da realidade nos EUA e a tensão racial e política na América profunda. Violência Policial (00:48:25) Descrição de um evento de violência policial nos EUA, resultando em tensões e confrontos. Acesso a candidatos políticos (00:49:21) Discussão sobre o acesso e a distância física ao fotografar candidatos políticos em comparação com Joe Biden. Segurança de candidatos (00:49:32) Comparação da segurança de Joe Biden e Donald Trump, incluindo o acesso a aeronaves e carros blindados. Definição de uma grande fotografia (00:50:42) João Porfírio discute o que para ele constitui uma grande fotografia e a sua abordagem jornalística à fotografia. João Porfírio é fotojornalista. Um dos mais premiados jovens fotojornalistas portugueses. Diz sentir-se mais jornalista que fotografo. Mas é recorrendo a uma câmara fotográfica que documenta o nosso mundo. Esta conversa é sobre fotografias de momentos que mudam o nosso mundo. O pretexto inicial foi o trabalho que fez recentemente na cobertura da última campanha eleitoral. A maneira como fotografou políticos e povo numa osmose repetida nestes momentos de apelo ao voto. Os comícios, as arruadas, os discursos inflamados, as palmas ou os protestos de ocasião. Os momentos de coreografia ensaiada ou da surpresa absoluta, com o do caso da tinta que ativistas pelo clima, despejaram na cabeça do candidato e agora primeiro-ministro Luís Montenegro. As fotos documentem e contam uma história muito própria do momento da vida. Talvez o momento em que mais se sinta essa suspensão do momento da vida é nas grandes crises: com as guerras ou os momentos dos refugiados. João Porfírio fotografou ambos os cenários. Os migrantes que fogem da guerra ou da pobreza e chegam à Europa rica, mas de muros altos. E o do regresso da guerra à Europa, na Ucrânia, com fotos que se tiram, mas não se podem mostrar, tal é sua violência. Ele cobriu as campanhas eleitorais nos Estados Unidos, com Trump e Biden na corrida, tal como a de Bolsonaro no Brasil. Nos últimos dias combinamos gravar esta conversa por duas vezes. Mas a actualidade, sempre a actualidade mudou-nos os planos. Ele estava escalado para fotografar o dia 1 do novo parlamento. Com a eleição do novo Presidente da Assembleia da República. Um acto habitualmente sem sobressaltos, mas que acabou por se arrastar por 30 horas.
Carlos Manuel de Oliveira | O que é o ‘marketing’ pós-digital?14 Dec 202100:41:41
Quantas vezes já se matou o ‘marketing’? E quantas vezes o marketing ressuscitou? O marketing moderno oferece sempre como música de fundo que a pessoa está no centro. Estou desconfiado que esse centro é apenas retórico e, no fundo, no fundo, o que está no centro é a influência sobre o momento em que o consumidor decide comprar. Não sei se vos acontece o mesmo: mas quando sou vítima de estratégias de ‘marketing’ agressivo ou invasivo tendo a rejeitar qualquer produto que me tentaram impingir à força. No fundo, fico com uma motivação gigantesca de contrariar o planeta inteiro. Em particular a marca que quis com toda a força entrar na minha vontade. Ora o atual ‘marketing’ dito digital veio oferecer boas ferramentas para ajudar a encontrar o produto certo para o cliente certo. Mas também veio criar um monstro de aborrecimento. Que Pode ter várias formas. As incontáveis chamadas de centros de contacto que começam por fingir estar muito interessadas no nosso pensamento ou sentimento para rapidamente anunciar que a chamada vai ser gravada como prova de transação comercial. E eu fico de cabelos em pé. Talvez por isso fui à procura de Carlos Manuel Oliveira Que descreve o seu olhar sobre o futuro do ‘Marketing’ Pós-Digital. Com uma frase que faz toda a diferença “O ‘marketing’ à medida do ser humano” O ‘marketing’ utópico citado por Carlos Manuel de Oliveira pode afinal ser um verdadeiro ovo de Colombo. Será o caminho do propósito e do fazer o bem que mais venderá do que propriamente o vender muito e em massa. E como sabemos em qualquer boa história, a utopia, o sonho maior, faz andar para a frente. Mesmo que o sonho demore tempo, ou seja, imperfeito ou impossível já se andou.
Sena Santos | Como ser uma testemunha profissional?07 Dec 202100:46:33
Contar as notícias de forma rigorosa, ritmada e direta. Com ele aprendi a fazer títulos de 7 palavras. E a contar histórias complexas em 50 segundos. O que define um Mestre? Provavelmente a marca que perdura nos seus discípulos. As manhãs da telefonia eram sempre trepidantes. No ar das 7 as 10.  Acordados desde as 4 e pico da manhã. Reunião de equipa às 5h.  Com cheiro e sabor de café fresco. E depois 10 pessoas lançavam-se no desafio de contar Portugal e o Mundo nos noticiários da Antena 1. Sena Santos assumia a liderança da equipa. Escolhia as notícias. O que se conta e o que já não cabe. Distribuía tarefas. Rápido. Tudo rápido. Mas tantas vezes aceitava sugestões, ângulos, ideias loucas. Tudo resumido a uma frase: conta-me a tua história. E tínhamos uns 10 segundos para fixar o valor do que tínhamos para “vender” em antena. Vender é convencer o editor que o que temos merece ser contado no noticiário. Por estes tempos aprendi muito sobre a arte da pergunta. Sobre como ser eternamente um aprendiz. Sobre o olhar do repórter enquanto testemunha profissional. A honestidade. O rigor ambicionado. O equilíbrio entre pontos de vista. O contraditório. E a simplificação quase absurda de realidades complexas.  Ou sobre como ter coragem, lata ou até inconsciência de acordar poderosos às 6 da manhã. Tantas vezes com notícias difíceis.  E há pessoas com péssimo acordar.  Fixámos, nesta conversa, um olhar atual sobre o nosso mundo. De olhos postos no relógio. Afinal tudo começa com o sinal horário. E esse sinal, repetido cinco vezes, cinco traços de som marcados pelo relógio preto com pontos vermelhos. O sinal horário. O sinal do tempo.
Ana Isabel Pedroso | Qual é o teu maior medo?30 Nov 202100:44:43
O programa de hoje é sobre o medo.O sobre a superação do medo.E vem mesmo a calhar.Logo agora que já nos tínhamos quase esquecido da pandemia e o vírus decidiu mudar de máscara.O SARS-COV₂ tem agora a figura da variante Omicron.As variantes dos vírus são mudanças mais ou menos importantes em particular na capa destes organismos.E, porque nos interessa o tema?Porque o nosso sistema imunitário aprende a defender-se reconhecendo os vírus como ameaças.Aliás, as vacinas são exatamente formas de treinar o nosso sistema imunitário para as verdadeiras ameaças. Se o vírus muda de forma, muitas perguntas ficam no ar:É mais agressivo?As vacinas funcionam?Transmite-se mais? O que sabemos à hora que gravo este programa é que o Omicron mudou 50 zonas do virus conhecido. E 10 dessas mudanças são naquela espécie de coroa de espinhos que ele usa para nos infetar.Dentro de uma unidade de cuidados intensivos, ou numa ambulância rápida do INEM a médica Ana Isabel Pedroso confronta-se diariamente com a fina linha que separa a vida da morte.E decidiu escrever o livro “Para além do medo”, que retrata muita da sua experiência na luta corpo a corpo contra a COVID-19Nestes tempos em voltamos a ver os números a subir. Cá e na Europa.A quinta vaga já não é um medo.É uma realidade.Uma conversa para ouvir com medo ou coragem
Como o Marketing Social Pode Mudar o Nosso Comportamento? Beatriz Casais23 Nov 202100:40:34
Será que nos convencem melhor pelo medo ou pela esperança? A pandemia trouxe a comunicação para o centro da vida coletiva. Máscaras, vacinas, confinamentos e expectativas de “regresso ao normal” foram acompanhados de mensagens públicas que nem sempre corresponderam à realidade. O episódio do Pergunta Simples com a professora Beatriz Casais, especialista em marketing social na Universidade do Minho, mergulha nesta questão essencial: como comunicar para mudar comportamentos que beneficiam o indivíduo e a sociedade? Comunicação, pandemia e gestão de expectativas Beatriz Casais lembra que a comunicação em saúde durante a COVID-19 enfrentou um paradoxo difícil: por um lado, era necessário criar esperança e mobilizar as pessoas para adotarem comportamentos de proteção; por outro, a realidade mostrava avanços e recuos, com novas ondas, novas variantes e sucessivos reforços da vacinação. Esse desfasamento entre expectativa e realidade gerou frustração. E colocou em cima da mesa a questão central: como gerir a perceção pública sem criar desilusão permanente? Segundo a investigadora, o segredo está na perceção de eficácia. As pessoas só aceitam sacrifícios — usar máscara, adiar encontros, tomar vacinas — se acreditarem que a ação é eficaz e traz benefícios reais. Se essa confiança falhar, cai por terra todo o esforço de comunicação. Medo ou estímulos positivos? O marketing social tem duas ferramentas principais: apelos negativos (medo, choque, culpa) e apelos positivos(benefícios, bem-estar, qualidade de vida). Estudos mostram que, no curto prazo, os estímulos negativos funcionam melhor: imagens chocantes nos maços de tabaco, campanhas rodoviárias de choque ou a dramatização do risco durante a pandemia. Mas, a médio e longo prazo, estes estímulos saturam e até provocam rejeição. O verdadeiro desafio é criar hábitos consistentes. E para isso é preciso mostrar o lado positivo: o prazer de uma vida mais saudável, a qualidade de vida que advém de mudar comportamentos, a sensação de bem-estar coletivo quando cada um faz a sua parte. O custo e o benefício Um dos conceitos centrais do marketing é a relação de custo-benefício. Para mudar comportamentos sociais, a lógica é a mesma: O custo pode ser o desconforto de usar máscara, o preço de um produto mais sustentável, ou o esforço de acordar cedo para fazer exercício. O benefício tem de ser claro: proteção da saúde, impacto ambiental positivo, qualidade de vida futura. Sem este equilíbrio, a comunicação não resulta. Por isso, as campanhas eficazes combinam incentivos concretos (como o IVAucher ou deduções fiscais nas faturas) com a criação de barreiras aos comportamentos indesejados (como a proibição de fumar em espaços públicos fechados ou a dificuldade de acesso ao tabaco). O consumo ético e a contradição humana Beatriz Casais também investiga o chamado consumo ético: escolher produtos sustentáveis, justos e socialmente responsáveis. O problema é que entre a intenção e a ação abre-se muitas vezes uma lacuna. Queremos comprar produtos mais éticos, mas cedemos ao preço mais baixo, à conveniência do supermercado ou ao apelo emocional de outros produtos. E é aqui que entra o papel das empresas e do sistema: democratizar o consumo ético. Tornar produtos sustentáveis acessíveis em preço e em distribuição, para que a escolha “certa” não seja um luxo para poucos, mas uma prática possível para muitos. Caso contrário, o “green” arrisca tornar-se apenas o novo símbolo de status. A geração que vai mudar o mundo Um dos pontos mais entusiasmantes da conversa é o retrato da nova geração. Jovens adultos informados, críticos e exigentes, que avaliam as empresas não apenas pelo salário, mas também pelos valores. Hoje, já não são apenas os recursos humanos a “contratar” pessoas: são também os jovens que decidem se contratam a empresa. Se não houver políticas de sustentabilidade, responsabilidade social e qualidade de vida, simplesmente recusam trabalhar lá. Este movimento está a transformar o mercado de trabalho e o consumo. De um lado, gera pressão para que as empresas se tornem mais verdes, mais éticas e mais humanas. Do outro, está a criar novos estilos de vida, mais simples e focados no essencial: tempo, bem-estar, natureza, relações humanas. Do marketing comercial ao marketing social No fundo, o que esta conversa mostra é que o marketing não serve apenas para vender sapatos. Pode ser usado para salvar vidas, promover saúde, proteger o ambiente ou gerar mais justiça social. Mas para ser eficaz, não pode limitar-se à sensibilização. Tem de estruturar sistemas de incentivos e barreiras, reduzir obstáculos e, sobretudo, mostrar de forma clara que o benefício compensa o sacrifício. Conclusão No Pergunta Simples, Beatriz Casais deixa-nos uma ideia clara: o futuro da comunicação socialmente relevante passará por alianças entre comunicação, políticas públicas e empresas. O marketing social pode ser uma ferramenta poderosa para mudar comportamentos e melhorar a vida em comunidade — mas só se for capaz de equilibrar medo e esperança, custo e benefício, indivíduo e coletivo. E talvez até as galinhas já tenham percebido isso: os consumidores estão a preferir ovos de galinhas criadas ao ar livre, e as empresas foram obrigadas a adaptar-se. Se até os ovos mudam, por que não haveríamos de mudar nós? LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO 0:12 Vivam. Bem-vindos à pergunta simples ao vosso podcast sobre comunicação, renovo, esta semana o apelo para que subscrevam o podcast da Apple no Spotify ou nutre qualquer plataforma de que gostem mais se acharem por bem e quiserem, escrevam Um Par linhas de avaliação. 0:30 Numa destas plataformas, 12345 estrelas é o máximo. É que assim o Santo algoritmo funciona e mais pessoas vão descobrir que é um podcast que fala dos temas da comunicação. Se visitarem o refrescado site perguntasempre.com podem ver que é é ainda mais fácil subscrever o partilhar. 0:50 O programa obrigado por isso. Hoje é dia de falar de marketing social. 1:06 Há várias maneiras de convencer as pessoas a fazerem determinadas coisas. Podemos usar estímulos positivos ou estímulos negativos, e a comunicação é ferramenta usada frequentemente para criar muitos destes estímulos a ter esta uma disciplina do marketing que se dedica a estudar e a desenvolver estratégias para aplicar no ambiente social isto marketing social. 1:29 Ao contrário do chamado Martim comercial, quer que os cidadãos tomem decisões conscientes que os beneficiam a si ou à comunidade. No fundo é, ao invés de estimular a compra de bens ou serviços, o marketing social pode ajudar em temas como os da proteção da saúde, o aumento do bem-estar nestes tempos todos já fomos expostos ao medo para modular o nosso comportamento, o medo do vírus, mas também a sensação de estar a contribuir para a proteção dos outros, usando, por exemplo, uma simples máscara. 2:00 Convidada desta semana é Beatriz casais, professor de marketing na escola de economia e gestão da universidade do Minho. Olhando para os números da COVID-19 para o calendário, antecipou que os marketing, comercial, social e da saúde pública se vão conjugar fortemente nas próximas semanas com o Natal. 2:20 Ou em suspenso Beatriz, nós temos que ter sempre Natal. Depende da nossa forma de encarar o Natal. Quer estejamos confinada, 12 quer estejamos com numa nova normalidade, que é isso que é nova normalidade. Obriga a ter 11 forma de encarar uma forma diferente de encarar a realidade ou é naquilo que era o regresso da da normalidade antiga? 2:44 Nós temos sempre que ter Natal é pela forma como encaramos, seja de forma mais é restritiva ou menos restritiva. O Natal estava entrando nós e na forma como nós nos damos aos outros, nós que somos da comunicação é, estamos a lidar com uma coisa, um ano e meio, quase 2 anos, a lidar com uma coisa chamada expectativa, que é, nós acreditamos que Agora É Que É depois desta onda. 3:09 Já nunca mais pensamos na COVID-19 agora, com a vacinação é que é Agora É Que É EE voltamos sempre parece que um bocadinho atrás em termos de comunicação, isto é difícil de gerir ou não, e a gestão das expectativas, que é precisamente um paradoxo, o paradoxo da gestão das expectativas. 3:27 É que quando nós não temos uma realidade que vai ao encontro daquilo que nós esperamos ser o desejável, vamos estar sempre insatisfeitos e, portanto, é a forma de gestão das expectativas. Tem que ser é de acordo com aquilo que é mais razoável e mais provável de acontecer. 3:46 Se nós temos umas expectativas mais próximas daquilo que vai ser a realidade e príncipe, as pessoas vão ficar satisfeitas e até superar as expectativas ao ponto de dizer se ela, afinal, até nem foi tão mal assim. Penso que viria a expectativas de nós regressarmos ao normal antigo após a vacinação e temos que perceber que estamos numa realidade um pouco diferente, que é do novo normal, em que as máscaras têm que continuar em que os cuidados de distanciamento também tem que se manter e temos que nos adaptar ao ao e esse novo normal para que possamos ficar satisfeitos e precisamos viver a nossa vida de uma forma mais normal possível. 4:31 Com uma promessa e foram criadas expectativas do facto com a promessa de do dia da Liberdade ao gordão em outubro e vamos voltar a vamos regressar à normalidade. O antigamente parece que agora que as expectativas estão aceitos, frota da se, portanto, que parece que, afinal, tudo aquilo que foi feito não foi suficiente. 4:55 Eu penso que está em termos de comunicação e nós somos da da da comunicação, precisamente. É muito importante é perceber, é. Quando se procura trabalhar a comunicação para um efeito Martins e ao que é da da da vacinação, cremos adesão da população para a vacinação é dada uma promessa que é é vacinação vai ser a solução desta, desta pandemia. 5:17 A vacinação vai ser a solução para todas as restrições
Francisco Ferreira | Como salvar o planeta Terra?16 Nov 202100:34:39
Se parássemos um bocadinho para pensar, um bocadinho somente, ficaríamos em pânico. Não quero assustar-vos. Se calhar até dava jeito. Mas caminhamos a passos largos para fim da vida na Terra. Esta edição é sobre a surdez humana e insensibilidade radical à mais que certa transformação do planeta num forno. As mensagens ambientais não são eficazes. Os cientistas avisam e mostram provas. Os ativistas fartam-se de gritar ‘slogans’. E nós, nada. É um mistério. Saber que a extinção da vida na Terra num prazo mais ou menos curto nada preocupa os seus habitantes. Sim, isto está mais quente, há plásticos a boiar em todo o lado e só não estacionamos o carro ao lado da cama porque não conseguimos. Todos reclamamos que a gasolina está cara demais e todos assobiamos para o lado quando conduzimos a poluir. Todos suspeitamos que a carne em excesso nos faz mal à saúde e faz mal ao ambiente. Todos consumimos muitas vezes mais do que o necessário para ter uma vida confortável. E o planeta paga a sobrecarga. Esgota-se. Suja-se.  Mas fingimos nem saber. Que paradoxo é afinal este? Em semana de , em Glasgow, converso com Francisco Ferreira, ambientalista a associação Zero, e arauto dos tempos que aí vem. Gravamos há um par de dias, ele estava em plena cimeira, na esperança de tentar travar a marcha dos acontecimentos. E a única certeza que sai desta cimeira é a incerteza.
Rosa Azevedo | Como escolher um bom livro para ler?09 Nov 202100:46:24
Como descobrir um grande livro para ler? Ler um bom livro é um dos maiores prazeres que qualquer leitor tem. Procurar e encontrar o próximo livro pode ser em simultâneo, fascinante ou ansioso. Como descobrimos um grande livro na imensidão quase infinita de todos os livros que se escreveram? Mesmo no grupo dos livros mais clássicos ou populares como descobrimos o que se encaixe no nosso gosto ou necessidade de leitura atual? Quando me assaltam estas dúvidas vou em busca de pessoas como a Rosa Azevedo. Ela ensina a procurar bons livros, oferece menus inteiros de boas leituras e treina-nos a encontrar o que intuímos precisar de ler. Rosa Azevedo tem uma livraria gourmet. Explico-me. Na Livraria Snob estão autores e publicações que escapam ao circuito dos livros mais vendidos. São livros que se encontram habitualmente nas pequenas livrarias independentes. Mas nada isso muda a pergunta inicial: como se escolhe um bom livro para ler?
Ivone Patrão | Como se faz uma cirurgia digital?02 Nov 202100:35:50
Dia 4 de outubro de 202. A ‘internet’ veio abaixo. Talvez esteja a exagerar. As redes sociais vieram abaixo. Talvez ainda haja algum exagero nisto. Vamos aos factos: no dia 4 de outubro o Facebook, o Instagram, o Messenger e o WhatsApp foram abaixo. Tudo ficou em suspenso por 6 horas. Um apagão geral nestas 4 redes do universo de Zuckerberg. E uma estranha sensação de orfandade entre os mais frenéticos e viciados utilizadores destas redes sociais. Descobrimos de súbito que as redes sociais já são mais que uma coisa divertida.  Já são parte de nós. Para o bem e para o mal. Já fazem parte da nossa vida. São poderosos meios de comunicação, informação e entretimento.  Esta conversa, por exemplo, foi precisamente iniciada por WhatsApp. Para convidar Ivone Patrão e termos uma conversa sobre estas coisas das redes e da nossa dependência psicológica. Ivone Patrão é psicóloga clínica, professora do ISPA e tem um curioso projeto de investigação chamado Geração Cordão. Entre outros projetos e linhas de investigação procura compreender o efeito da ‘internet’ nas mentes das crianças e jovens. No dia do apagão tirou umas horas para descanso e leitura. Por isso nem deu conta em tempo real que alguém desligara o interruptor das mais populares redes sociais.
António Mocho | Como sobreviver a uma crise de reputação?26 Oct 202100:57:54
Conter uma crise é das coisas mais difíceis de fazer.Há todo um campo de estudos sobre isso na comunicação.Damos-lhe genericamente o nome de comunicação de crise. Quando uma organização, instituição ou pessoa sofre os efeitos de um acidente, ou incidente, com potencial para afetar a sua reputação há ativar o plano de crise. Esse plano de crise tem normalmente dois braços. E ambos são críticos para sobreviver. São simultâneos, interligam-se, mas não são a mesma coisa. O primeiro dos braços é o que tem de resolver a crise. Reduzir impactos, resolver problemas, mitigar efeitos. No fundo, resolver o problema causado pelo incidente O segundo é o da comunicação. Como explicar o que aconteceu de forma clara, transparente e equilibrada. E a defesa da boa reputação depende da forma como se conseguir fazer estas duas coisas: resolver o problema e comunicar no contexto com públicos tão diferentes com os diretamente afetados, os jornalistas ou o governo. Nesta edição conversamos com António Mocho.Ele viveu, pensou e trabalhou em organizações que passaram por crises mais ou menos graves E recolhe essas reflexões e experiências pessoais no livro“Crise nas Empresas Comunicação com os Media - Guia para Emergências e Catástrofes”. Nele encontrei dicas e pistas para organizar a resposta a uma potencial crise muito antes dela bater à porta.
Isa Alves | Como comunicar com empatia e assertividade?19 Oct 202100:52:28
Várias  pessoas com quem trabalhei ao logo da minha carreira que precisavam de ajuda para comunicar pediam uma de duas coisas: Ou pediam uma receita, uma fórmula para comunicar bem, ou então eram ainda mais pragmáticos e económicos: “Faz-me aí umas mensagens” Como é fácil perceber estes pedidos assim expressos nunca podem transformar alguém num bom comunicador. Porque o processo de comunicação não é simplesmente uma técnica, uma caixa de ferramentas, para poder pegar e usar. A principal ferramenta de comunicação somos nós próprios.Não só no que dizemos e como dizemos, mas principalmente no que sentimos e acreditamos. Os nossos valores, a nossa missão de vida. E só depois vem os nossos objetivos e a forma de dizer o que queremos. Isso implica uma entrega pessoal e intransmissível.Ninguém nos vai fazer um fato ou vestido à nossa medida.Nós somos os alfaiates da nossa forma de comunicar. É preciso descobrir dentro de nós quem somos, o que nos motiva e finalmente como o dizemos aos outros. E isso aplica-se em todo o tipo de comunicação: Da interpessoal à de massas, da familiar à empresarial. No fundo, todos queremos ser entendidos e depois reconhecidos.  Nesta edição converso com uma amiga de longa data. Isa Alves, é uma comunicadora e apoiou múltiplas organizações e lideres a construir as suas narrativas.A contar a sua história. Nos últimos tempos dedicou-se a desenvolver um método de treino e desenvolvimento pessoal.E tal e qual um treinador trabalha pessoalmente com cada um para desenvolver várias competências críticas para bem comunicar. Fiquem com estas duas palavras: empatia e assertividade.Os dois ingredientes do segredo do método. Afinal qual é segredo?
Ricardo Mexia | Como ganhar umas eleições?12 Oct 202100:41:18
Uma campanha eleitoral para umas eleições são batalha com muitas frentes. Mas o objetivo final é sempre conseguir mais votos que os adversários. A estratégia geral da campanha tem sempre uma forte componente de comunicação. O candidato tem de falar ora para as massas em comícios, ora para o povo, em múltiplos contactos pessoais, corpo a corpo, olhos nos olhos. Mas principalmente através dos ‘media’ para chegar mais longe, mais depressa, de forma mais eficaz num tempo escasso. As campanhas são cada vez mais palcos para criar o cenário perfeito para a mediatização. Os gestos, as músicas, as palavras, as frases para ficar no ouvido. Nesta edição vamos em busca desse aroma de uma campanha. Neste caso da eleição autárquica à câmara de Lisboa. Como diretor de campanha do candidato aparentemente derrotado pelas sondagens, Ricardo Mexia aceita a dupla missão de liderar a campanha de Carlos Moedas e correr pessoalmente à junta de freguesia do Lumiar   Este é o retrato de um médico de saúde pública com um grande fraquinho pela política que contrariou as sondagens e ganhou duplamente. Mas o caminho não foi fácil. Fiquem com o manual de instruções de uma vitória eleitoral.
Como sonhar uma marca? Carlos Coelho20 Mar 202400:55:24
Fazer uma marca é mergulhar fundo na organização que a carrega. É por isso tudo menos cosmética. Sim, a cosmética moderna, o ‘marketing’, aparece para embelezar a marca. Mas o importante é o que está dentro. No fundo, a marca é a expressão comunicativa da identidade. Carlos Coelho tem um curioso método para decantar e libertar as marcas. Ele vai, nalguns casos, literalmente, viver e dormir nas organizações ou entidades que o contratam. Vai beber o ar que se respira. Cheirar o ambiente. Ouvir o ruminar das conversas. Falar, ouvir, comer, beber, estar, fazer parte, entender, ver e devolver uma fotografia. É com esse retrato que se funda marca. E que cores tem essa fotografia: algumas óbvias e evidentes: que cultura tem aquela organização, empresa ou região. Que missão reclama para si. E como planeia realizar essa missão no mundo. TÓPICOS DE CONVERSA (00:00:00) Início (00:00:12) A importância das marcas Discussão sobre a importância das marcas na identidade e filosofia de pessoas e entidades. (00:01:24) O método de imersão de Carlos Coelho Descrição do método de imersão de Carlos Coelho nas organizações para compreender a sua cultura e identidade. (00:02:40) Construção de marcas como edifícios e árvores Comparação da construção de marcas com edifícios e árvores, destacando a importância de pilares, raízes, imaginação e ambição. (00:03:57) A criação e desenvolvimento de marcas Exploração da metáfora de edifícios e árvores para explicar o processo de criação e desenvolvimento de marcas. (00:07:29) A intimidade com a marca Discussão sobre a importância de conhecer uma marca na intimidade, exemplificada com a experiência de dormir na livraria Lello. (00:09:19) Os cinco pilares da estrutura de uma marca Exploração dos pilares de patrimônio, ideologia, imagem, ambição e imaginação na estrutura de uma marca. (00:12:10) A importância da cultura na construção de marcas Discussão sobre a importância da cultura e identidade da organização na construção de marcas. (00:14:36) A falta de imaginação nas empresas Abordagem da falta de imaginação e ambição nas empresas na construção de marcas. (00:15:31) A importância da imaginação Discussão sobre a importância da imaginação e ambição na construção de marcas de sucesso. (00:16:21) Imersão nas organizações Exploração do método de imersão nas organizações para compreender a sua cultura e identidade. (00:17:37) Visão do futuro Reflexão sobre a importância de sonhar o futuro e a resistência em relação à imaginação. (00:19:50) Liderança na imaginação Discussão sobre a importância de ser líder na imaginação para inspirar e inovar. (00:24:20) Marcas políticas vs comerciais Comparação entre marcas políticas e comerciais e a importância da identidade e estrutura. (00:28:13) Cosmética de comunicação Reflexão sobre a ineficácia da cosmética tática na construção de marcas fortes. (00:28:56) Exemplo da TAP Abordagem sobre a resistência e resiliência da marca TAP ao longo dos anos. (00:29:32) A relação com a marca TAP Discussão sobre a relação de confiança e exigência com a marca TAP. (00:32:50) Marcas estrangeiras vs. marcas portuguesas Ênfase na preferência por marcas portuguesas e a importância de valorizar a marca Portugal. (00:33:36) Reputação da marca Portugal Análise da reputação e visibilidade da marca Portugal e a dificuldade em monetizar essa notoriedade. (00:35:47) Mentalidade em relação às marcas Discussão sobre a mentalidade em relação à valorização das marcas portuguesas e a necessidade de mudança. (00:37:14) Desenvolvimento de marcas em Portugal Reflexão sobre a capacidade de Portugal em desenvolver marcas sólidas e duradouras. (00:42:07) Desafios na construção de marcas coletivas Abordagem dos desafios e benefícios na criação de marcas coletivas em Portugal. (00:43:05) Importância da marca e liberdade do consumidor Discussão sobre a importância da marca na garantia de qualidade e liberdade do consumidor. (00:43:35) A importância da qualidade intrínseca Discussão sobre a importância do esforço, paixão e qualidade intrínseca na produção de produtos de alta qualidade. (00:44:09) A qualidade percebida e a comunicação das marcas Exploração da diferença entre qualidade intrínseca e qualidade percebida, e a importância da comunicação na valorização das marcas. (00:45:08) A estrutura da Coca-Cola e a relação com os consumidores Análise da estrutura da Coca-Cola e a importância da comunicação na relação com os consumidores para garantir a continuidade do consumo da marca. (00:46:24) A importância da comunicação na valorização das marcas Discussão sobre a importância da capacidade de comunicar na valorização dos produtos e marcas, e a relação entre a qualidade do produto e a comunicação. (00:47:59) Cuidado e responsabilidade na construção da marca pessoal Reflexão sobre a responsabilidade na construção da marca pessoal e a importância de cuidar da imagem e do conteúdo compartilhado. (00:50:13) Exploração e conhecimento do país para a construção de marcas Ênfase na importância de explorar e conhecer o país para falar sobre marcas coletivas, destacando a necessidade de vivenciar e compreender a cultura local. (00:52:04) Visão e paciência na construção de marcas Abordagem sobre a frustração e paciência necessárias ao observar uma visão clara que os outros ainda não viram, e a importância da humildade e técnica para convencer os outros. (00:53:25) Relacionamento interpessoal na construção de marcas Discussão sobre a delicada técnica de relacionamento interpessoal na construção de marcas e a importância de ajudar a materializar visões. As marcas constroem-se Como os Edifícios ou as Árvores Tudo parte de pilares e raízes fortes. É da identidade e sentido de missão que nasce a base para trabalho de fazer coisas. Mas depois há dois ingredientes mágicos para fazer uma marca de sucesso: Imaginação e Ambição. A imaginação não é apenas para sonhadores; é uma ferramenta poderosa para construir realidades. Aprendi como a ambição e a capacidade de sonhar grande são essenciais para levar as marcas a novos e mais elevados patamares. Finalmente entra a comunicação. Afinal, o Pergunta Simples é sobre comunicação. Falo da A Arte de Comunicar a Qualidade Não basta ter um produto de qualidade; é preciso saber comunicar essa qualidade ao mundo. De mostrar. De criar a perceção da qualidade. No fundo, de valorizar o que fazemos e o que somos. Vamos por isso entrar na cozinha-laboratório da Ivity de Carlos Coelho passeando pela sua montra de marcas. E pela maneira como elas se criam, desenvolvem e mostram ao mundo. Os sonhadores e os fazedores. A mistura boa para criar uma marca forte. Espero ter reabilitado os sonhadores nesta edição. Sem sonhadores e loucos visionários, nenhum futuro diferente nasce. Sem fazedores persistentes ficamos só a imaginar. Talvez seja mais fácil dar mais espaço aos fazedores. Afinal a sua realização é palpável, é concreta, podemos medir, pesar, quantificar. Quando aos sonhos eles são leves, ideais, escapistas da espuma dos dias e tão transparentes e necessários como o ar que respiramos. Suspeito que entre fazedores e sonhadores há um leve amuo permanente. Sonhar e fazer. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO JORGE CORREIA (00:00:12) - Ora vivam! Bem vindos ao Pergunta Simples o vosso Podcasts sobre Comunicação. Hoje falamos de marcas, de como as marcas são importantes para nós, como se constroem, como se criam, como se reforçam marcas que não são só identificadores de produtos, mas principalmente berços para a identidade e filosofia de pessoas ou entidades. Se eu vos perguntar um par de marcas assim de cabeça, vão seguramente aparecer de forma imediata, várias na ponta da língua. Temos a nossa cabeça cheia de marcas que usamos como rótulos para catalogar o nosso mundo. Sim, como consumidores, mas também como seres sociais que se relacionam com estas formas de identidade. E isso pode ir desde a gigantesca marca chamada Portugal à mais humilde e egocêntrica marca o eu. Jorge, uma marca unipessoal que carrega todas as minhas virtudes e todas as minhas dores. Mas eu prefiro sempre a marca deste podcast. Pergunta simples a escolha de palavras não foi aleatória e representa uma filosofia do programa. Aqui fazem se perguntas para tentar simplificar coisas complexas. Foi o que fiz nesta edição com Carlos Coelho, um dos nossos mais importantes fazedores de marcas. JORGE CORREIA (00:01:24) - Vamos ao programa. Vamos a isso. Fazer uma marca e mergulhar fundo na organização que a carrega. É, por isso tudo menos cosmética. Sim, a cosmética moderna, o marketing aparece depois para embelezar a marca. Mas o importante é o que está lá dentro. No fundo, a marca é a expressão comunicativa da identidade. Carlos Coelho Tenho um curioso método para decantar e libertar as marcas. Ele vai, nalguns casos, literalmente, viver e dormir dentro das organizações ou entidades que o contratam. Vai beber o ar que se respira, cheirar o ambiente, ouvir o ruminar das conversas, falar, ouvir, comer, beber, estar, fazer parte, entender, ver e devolver. Depois uma fotografia. É com esse retrato que se funda ou desenvolve a marca. E que cores tem essa fotografia? Algumas são óbvias e evidentes. Que cultura tem aquela organização e empresa ou região? Que missão reclama para si e como planeia realizar essa missão no mundo? No fundo, as marcas constroem se como os edifícios ou como as árvores. JORGE CORREIA (00:02:40) - Tudo parte de pilares e raízes fortes e de identidade e sentido de missão que nasce a base para o trabalho de fazer coisas. Mas depois há dois ingredientes mágicos para fazer uma marca de sucesso a imaginação e a ambição. A imaginação não é só para sonhadores, é uma ferramenta poderosa para construir realidades....
Nuno Azinheira | Como treinar a força de vontade?05 Oct 202100:49:07
Esta semana retratamos a força de vontade.Provavelmente já ouviram falar ou leram algo sobre a importância da força de vontade.De querer muito.E de nesse jogo em que nos treinamos para conseguir vamos repetindo a nós mesmos verdadeiros mantra.Como o “vou conseguir, vou conseguir”Quando falamos de motivação o processo de comunicação é chave.O nosso cérebro tem um estranho e guloso apetite por palavras. As ouvidas e até as pensadas.Por isso dizer aos outros ou dizer-mo-nos coisas tem normalmente efeito. É sobre isso que o convidado desta semana nos vem falar.Nuno Azinheira, jornalista, embora diga agora que é ex-jornalista, como se isso fosse possível, criou uma plataforma chamada “Escolher Viver”Ele diz que é sobre nutrição, bem-estar e saúde.Eu digo que é sobre a força de vontade.
João Carlos Brito | Como fala o povo?28 Sep 202100:32:12
Ditos, escritos, códigos, calão e expressões mais ou menos agrestes ou sorridentes. É dia da língua dos que não são doutores, mas sabem tudo sobre a vida.A língua é a nossa biblioteca da alma.Falar e entender português não é simples e mecânica operação de palavras e regras gramaticais. Quando os poetas inventam a língua rasgam estradas no nosso modo de ver.Mas quando povo reinventa palavras e expressões, aperceberemo-nos no mais fundo da cultura popular. Este é o programa em que vos digo "-bai-m’à loja (e traz-me o troco)" Dito assim de forma jocosa. Ou se preferir o mais carinhoso"-vem para a minha beira"Expressão do norte que replica um mais selecto: "anda para o pé de mim"  Nesta edição cabem 12 mil expressões populares recolhidas por João Carlos Brito num livro chamado de “Dicionário de Calão do Norte" Cum carago, João, é preciso comer muita broa para ler isto tudo.
Miguel Prata Roque | Como se faz a Lei da Liberdade?21 Sep 202100:54:02
Hoje o tema do programa é a Liberdade.A liberdade filmada. A liberdade vista e pensada por máquinas ditas inteligentes.O Pergunta Simples  é sobre comunicar sobre a nossa forma de ser humano. Sobre o ar que se respira.Sobre namorar num banco de jardim sem ser visto por alguém com uma câmara autorizada a filmar potenciais criminosos. A expressão “Sorria, está a ser filmado” sempre me causou arrepios.Tenta usar o fino gume da faca do humor para anunciar que a minha imagem é agora de alguém, e a minha liberdade individual reduziu-se. Nas últimas semanas a imprensa dá eco a um novo conjunto de leis que vai permitir mais câmaras, mais filmagens, mais observações em espaço público. Por exemplo, permitindo às polícias usar e ver as imagens das câmaras de vigilância não só públicas mas também privadas. Recorrendo à inteligência artificial. E recolha de dados biométricos. E a minha bolha da intimidade e liberdade de ser e estar ficou de súbito mais pequena. Nestes tempos em que a cada ameaça, real ou comunicada com especial intensidade, tem como consequência uma nova regra é difícil perceber o que está a acontecer-nos a todos. Esta é uma conversa sobre a Liberdade. E como os cidadãos entendem as leis e as regras.
José Gameiro | Como se ouvem as mentes?14 Sep 202100:50:10
Todos os dias ouve pessoas que sofrem.Pessoas que lhe entram no consultório com pedidos de ajuda.Com demandas para ser guia de um certo regresso à felicidade.Ou pelo menos a alguma harmonia.José Gameiro é médico psiquiatra e sonhou-se como médico daqueles que salva o doente contra o relógio.Seria um Doctor House ou um enviado especial do INEM para ressuscitar um sobrevivente impossível?A ideia romântica do que somos ou queremos ser persegue-nos sempre. E o choque com a realidade acorda-nos. Esta conversa esteve aprazada para antes das férias, mas ainda bem que aconteceu agora.Deu tempo para respirar.Simbolicamente esta é a semana em que caem as máscaras das nossas caras, enquanto nos mostramos aos outros na rua. No jogo das máscaras que todos jogamos uns com os outros há terrenos férteis para imaginários, felicidades e dores. As famílias e em particular os casamentos têm bíblias de amores e caneladas.Quando algo corre mal, por crise ou rotina, é a pessoas como José Gameiro que recorremos em busca de uma bússola e de um mapa. A maioria de nós lida mal com a incerteza. E a vida é incerta por natureza.José Gameiro acreditou que a pandemia seria transitória e com poucas nódoas negras na nossa alma. Hoje pensa diferente. E eu quis saber se este período de tréguas a que chamamos férias - para os que puderam - ajudou a equilibrar o nosso mundo interior.
Anabela Mota Ribeiro | Como se faz uma boa pergunta?27 Jul 202100:47:58
A ideia de fazer este podcast foi sempre a falar sobre o dilema da comunicação. Comunicar é um acto fracamente democrático. Todos podemos fazê-lo. Mas comunicar é, em simultâneo, um ato de simplicidade e de complexidade extrema. E eu sempre adorei os paradoxos da vida. A escolha dos vários convidados que aceitaram criar diálogos comigo, teve um critério principal: a existência de uma curiosidade iniciática, um tema, afirmação ou interrogação que fosse detonador para uma vontade de querer saber. Claro que depois se misturou a subjetividade individual, a maneira de comunicar e aquilo que todos podemos fazer uns com os outros: aprender. Por isso fui à procura de inspiradores, criadores, líderes, visionários ou simplesmente crentes na alma humana. Se conseguiram ouvir algo disto no Pergunta Simples então a sua missão está cumprida. Escolhi Anabela Mota Ribeiro criar a edição de hoje. A Anabela é jornalista, tem centenas de entrevistas nos currículo e uma curiosidade insaciável. Coincidimos na telefonia. Na rádio pública algures entre 2008 e 2010. Ela correspondente em Londres. Mas já a tinha descoberto muito antes do que isso. Ao ler aquelas entrevistas lentas escritas em revistas ou jornais de fim-de-semana a pessoas cheias de coisas para contar. Muitas dessas entrevistas estão no site dela https://anabelamotaribeiro.pt/ e podem ser descobertas ou relidas. Mas esta conversa é principalmente sobre uma única coisa: a arte de perguntar. Como se fazem boas perguntas? O que é uma grande pergunta? Foto de Estelle Valente
Carlos Fiolhais | Para que nos serve a ciência?20 Jul 202100:42:45
Nesta semana o tema podia ir daqui atéa Lua.Do movimento dos astros até a teoria da relatividade.Vamos falar de física, de ciência, de biologia.E o que tem a ver isto com a comunicação?Tudo. Todos os físicos que eu tive oportunidade de conhecer na vida tem o dom da comunicação.O convidado desta semana. Tem-no em doses generosas.O segredo só pode ser uma fórmula secreta: junta pensamento estruturado, simplicidade de linguagem, subversão permanente e humor efervescente. Carlos Fiolhais é professor de física na universidade de CoimbraE como todos sabemos os físicos sabem os segredos do universo.Carlos Fiolhais não se limita a saber os segredos. Passou a vida toda a contar a toda a gente o que sabia.E quando digo toda a gente é mesmo toda a gente.É um dos mais importantes divulgadores de ciência portugueses.E tem uma maneira francamente bem humorada de ver o mundo.Neste diálogo percorremos 40 minutos sem pausas nem para respirar.Falou de ciência, da incrível resposta à covid, da internet, como se inventou e afinal para o que serve.E falou - em todas as palavras - do seu compromisso com os factos. Com a verdade.O pretexto desta conversa foi uma última aula.Que afinal foram duas.Talvez isto de dar a última aula seja uma realidade francamente elástica.Os cientistas buscam sempre provas para hipóteses. E quem faz comunicação depende de bons factos para inspirar boas percepções.Pode não ser física quântica nem matemática aplicada, mas todos precisamos de confiar no que nos dizem.E para isso há que escolher fontes fidedignas e bem intencionadas.Regra deste jogo: perguntar primeiro, acreditar depois.
Afonso Cruz | Como se contam boas histórias?13 Jul 202100:36:19
Os escritores são enigmas.E perguntadores por excelência.Não sei se vos acontece, mas a mim os livros enchem-me de perguntas e de legendas de tradução do mundo.Parti para esta edição com a pergunta inicial: “Como se contam boas histórias?” Ninguém melhor que um escritor para explicar como se desenha uma narrativa.Neste caso mais do que um escritor. Afonso Cruz, é escritor mas também realizador, “designer”, ilustrador e músico. Muitos instrumentos para uma voz única.Descobri-o no livro “Para onde vão os guarda-chuvas”. E acabei de devorar o “Vício dos Livros”. Com 50 anos escreveu 30 livros.Afonso Cruz é um homem de mil ofícios criativos. 
Rui Correia | Como ensinar bem?06 Jul 202100:45:16
Hoje falámos da arte de ensinar.E das formas de aprender. Partilhar conhecimento é um ato de comunicação.E os alunos uma audiência exigente.  É dia para falar de fórmulas para enviar e aprender melhor.A escola aborrecia-me muito.Em particular a escola secundária.As matérias eram na sua grande maioria aborrecidas e o estímulo à curiosidade era normalmente baixo.E cá fora, no mundo, havia tanta coisa interessante.Tantos porquês, tantos temas fascinantes.Mas a escola era uma obrigação por isso era para fazer e levar a sério.Mesmo quando pensava que muito daquele conhecimento não me ia oferecer grande coisa.Mas a reduzir o meu percurso pela escola a isto é claramente insuficiente.É que houve momentos de fulgor, de curiosidade, de frenesim do conhecimento. Hoje é para mim fácil perceber quer esses momentos aconteciam quando se juntavam três coisas: um professor com capacidade de gerar em mim emoções, a matéria gerar curiosidade e, principalmente, a minha possibilidade de reinventar essa informação dentro da minha cabeça. Havia também um fator X: Os professores que acreditavam nos alunos e aqueles que cultivavam uma espécie de indiferença. Fui em busca de um professor que tem esse fator X.O professor Rui Correia, das Caldas da Rainha.É professor de história e escreveu um livro a contar como cativa os alunos.O livro pode ser encontrado aqui Cá Dentro - O Lugar da Escola nos Nossos Miúdos Cá Dentro - O Lugar da Escola nos Nossos Miúdos  Mas para já fiquem com a conversa. Eu quis saber desde logo o que leva este professor a ter uma paixão indisfarçável pela arte de ensinar.
Silva Graça | O que aprendemos com os vírus?29 Jun 202100:41:10
Passei 19 anos a falar sobre temas de saúde na rádio pública.E não conhecia, nunca entrevistei até agora, e apenas conheço pelo telejornal. Chama-se António Silva Graça e é médico infeciologista.Coube-lhe explicar-nos os passos do vírus que nos inferniza a vida. Confesso que a forma como a imprensa cobriu a pandemia, e ainda agora cobre, não me satisfaz. Aparecem números. Aparecem estatísticas. Aparecem reportagens dos casos mais emocionais.Mas faltaram muito os “porquês”O contexto. Porque se multiplica o vírus aqui ou ali?Quem são estes grupos de pessoas?Porque chegou a estes e não a outros? Responder aos porquês ajuda-nos a perceber as coisas. A compreender a causa das coisas. Ora foi isso mesmo que Silva Graça nos veio oferecer na televisão.Veio oferecer uma palavra de contexto.Explicar as tendências. Ajudar-nos a perceber melhor. E os próximos tempos serão ainda de dificuldade.As novas variantes. A maneira como as novas gerações interpretam a ameaça que representa este vírus. Para quem dedicou a vida a combater vírus e bactérias, cada nova ameaça é uma nova história.
Sara Batalha | Como treinar para ser um bom comunicador?22 Jun 202100:50:49
Comunicar precisa de treino.Não chega só treinar.Mas ser bom a comunicar é normalmente um misto entre boas aptidões e treino intensivo.Nos últimos anos a comunicação pública, a fala aos jornalistas, à imprensa, rádio e tv., ganharam expressão. Pessoas e organizações querem cada vez mais participar no diálogo público.Dar a sua visão e influenciar a marcha do mundo. Muitos dos candidatos a aparecer nos média não tinham ou não tem competências para comunicar bem neste palco. E recorrem muitas vezes a empresas que dão formação em media training.Mas estas formações evoluíram igualmente muito nos últimos anos. A convidada desta semana é Sara Batalha, especialista no treino de comunicação e desempenho público de líderes sociais, comunitários e empresariais. Nesta conversa aprendi como se descobrem tópicos e assuntos verdadeiros para depois partilhar com o público. Afinal todos queremos ver e ouvir pessoas interessantes a falar em público.
Como se relata o melhor golo do mundo? Nuno Matos28 Feb 202400:55:11
Minuto 109. Final do campeonato da Europa de 2016 Éder chuta e a bola entra na baliza francesa, tornando Portugal campeão. Em Paris. Nenhum destas linhas faz jus à emoção de ver em directo o momento. Nem há emoção carregada na voz dos jornalistas e narradores desportivos dessa noite, no estádio. É esse momento sublime da liturgia do relato de futebol que quero fotografar nesta edição. TÓPICOS DE CONVERSA O fascínio da bola e do futebol (00:00:12) Discussão sobre o fascínio da bola e do futebol na forma narrada, destacando a emoção do jogo. Preparação e experiência de Nuno Matos (00:01:35) Nuno Matos partilha a sua experiência e processo de preparação para relatos de futebol, salientando a importância da relação com as fontes, a parte emocional na narração e a evolução das tecnologias utilizadas. Preparação para uma competição (00:03:44) Nuno Matos fala sobre como se prepara para uma competição, incluindo o acompanhamento das equipas, treinos, lesões e a importância das fontes credíveis. Relato de futebol e relação com as fontes (00:06:13) Discussão sobre a relação de confiança com as fontes e a importância do timing na divulgação de informações sensíveis, como a convocatória de jogadores. Abordagem emocional no relato de futebol (00:08:30) Nuno Matos destaca a importância de ser informativo, descritivo e emocional no relato de futebol, transportando a paixão e a emoção do jogo para os ouvintes. Momento mágico na história do futebol português (00:10:08) Nuno Matos recorda o momento-chave da história do futebol português, a final do campeonato da Europa de 2016, destacando a emoção e a importância desse momento. Preparação Técnica (00:15:40) Discussão sobre a preparação técnica para relatos desportivos, incluindo problemas com a linha e soluções. Relatos em Condições Adversas (00:16:04) Narrador partilha experiências de relatos em condições adversas e a importância da confiança e profissionalismo. Ligação com os Ouvintes (00:18:11) Discussão sobre a importância da ligação com os ouvintes e a interação através das redes sociais. Emoção na Narração (00:19:58) Exploração da relação emocional do narrador com os clubes e a seleção, e a importância da imparcialidade no jornalismo desportivo. A Importância da Narração (00:21:09) Reflexão sobre a importância da narração desportiva e a responsabilidade de capturar momentos únicos. Impacto do Desporto na Imprensa (00:22:42) Análise do papel do desporto na imprensa e o impacto dos narradores desportivos na vida das pessoas. Momento Crucial no Futebol (00:25:36) Discussão sobre o momento crucial da lesão de Cristiano Ronaldo durante a final do campeonato europeu. Entrevistas no Jornalismo Desportivo (00:28:04) Reflexão sobre a profundidade das entrevistas no jornalismo desportivo e a busca por ângulos diferentes. Formação de Jornalistas (00:29:15) Análise da formação de jornalistas e a importância de procurar abordagens originais nas reportagens. O problema da comunicação nos clubes (00:30:05) Discussão sobre a má comunicação dos clubes e a falta de disponibilidade dos jogadores e treinadores para falar. Bernardo Silva e outros heróis do desporto (00:30:46) Elogio à capacidade de comunicação de Bernardo Silva e a importância de reconhecer heróis de outros desportos. Mudança de paradigma na cobertura desportiva (00:32:11) Reflexão sobre a mudança na cobertura dos jornais desportivos e a necessidade de valorizar outros desportos. Os treinadores no futebol português (00:33:01) Análise dos treinadores de futebol português, destacando as diferentes abordagens comunicativas de cada um. Trabalho emocional e mental no futebol (00:36:09) Ênfase na importância do trabalho emocional e mental dos jogadores e treinadores no futebol. Comunicação dos treinadores e seleção nacional (00:41:50) Discussão sobre a comunicação dos treinadores e a liderança na seleção nacional, com destaque para Roberto Martínez. Problemas nos jogos juvenis (00:42:54) Preocupação com o comportamento dos pais nos jogos juvenis e o impacto negativo na carreira dos jovens jogadores. 00:44:31 - Jogadores em destaque Discussão sobre jogadores promissores em clubes portugueses e o seu potencial de transferência internacional. 00:47:04 - Fadiga pós-jogo Nuno Matos fala sobre o seu estado físico e emocional após narrar intensamente durante um jogo. 00:47:52 - Reconhecimento internacional Nuno Matos menciona prémios e reconhecimento internacional pelo seu trabalho de narração desportiva. 00:49:02 - Cuidados pessoais e agradecimento Nuno Matos fala sobre a sua saúde e a importância da entrega emocional na sua narração, agradecendo o apoio do público. 00:50:15 - Conexão com os ouvintes no exterior Nuno Matos destaca a importância da rádio em aproximar os ouvintes no exterior com Portugal e o seu trabalho como narrador desportivo. 00:51:48 - Reconhecimento e humildade Nuno Matos menciona o reconhecimento de figuras importantes e destaca a importância de tratar todos os ouvintes com igualdade. 00:52:13 - Força do futebol e da rádio Nuno Matos fala sobre a força do futebol e da rádio em unir as pessoas e destaca a importância da dedicação diária ao trabalho de narração desportiva. 00:52:53 - Reconhecimento dos erros Nuno Matos aborda a importância de reconhecer e corrigir os erros durante a narração desportiva, enfatizando o ser genuíno e apostar na ligação com o público. Nuno Matos. Há 35 anos descreve-nos o que está a acontecer em momentos desportivos-chave. E não é só futebol. Nas palavras carrega o descritivo dos factos que vê mas, principalmente, o sonho do herói. O carregamento emocional da grande vitória ou da mais humilhante das derrotas. Sempre entre o céu e o inferno. Entre o mais improvável dos heróis, como Éder na final do europeu, ou a mítica história do deus grego que por acaso nasceu português chamado Cristiano Ronaldo. Talvez o futebol não seja só futebol. E a voz carrega essa narrativa da superação permanente. Não sei se vos acontece, mas por mais mágicas que sejam as imagens de um jogo de futebol da televisão, não há emoção que supere um relato na rádio. Essa fala ao ouvido, ora descritiva, ora emocional, é torrencial. Essa voz é uma marca de verdades impossível de esquecer ou apagar. Num relato temos o privilégio de estar lá, no meio do campo, apenas guiados pelo som. Isto é comunicação. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO JORGE CORREIA (00:00:12) - Cor Viva um Bem vindos ao Pergunta Simples o vosso Podcasts sobre comunicação. O fascínio que uma bola exerce sobre uma criança é das coisas mais curiosas do mundo. O que tem de mágico? O rolar de uma bola? O que provoca nas nossas mentes infantis ou até nos mais crescidos? Esta edição é toda sobre o mágico mundo da bola. O futebol na sua forma narrada. Sim, vamos ligar nos às vozes de rádio que nos trazem a emoção do jogo ao minuto, o relato de futebol. Mas o relato do futebol é muito mais do que um simples descrever de 22 pessoas atrás de uma bola. É toda uma estética emocional e toda a mitologia dos heróis que me interessa. E sobre isso esta edição. Minuto 109, final do Campeonato da Europa de 2016, Éder chuta a bola que entra na baliza francesa, tornando Portugal campeão em Paris, logo em Paris. Nenhuma destas linhas faz jus à emoção de ver em directo o momento, nem a emoção carregada na voz dos jornalistas e narradores que nessa noite no estádio, nos contaram o golo de Éder e esse momento sublime da liturgia do relato de futebol que quero fotografar nesta edição. JORGE CORREIA (00:01:35) - Sigo pela voz de um companheiro de sempre nas lides da telefonia, Nuno Matos, há 35 anos, a descrever nos o que está a acontecer em momentos desportivos chave. E não é só futebol. Nas palavras carrega o descritivo dos factos que vê, mas principalmente o sonho do herói, o carregamento emocional da grande vitória ou da mais humilhante das derrotas de sempre entre o céu e o inferno, entre o mais improvável dos heróis como o Éder na final do Europeu ou a mítica história do deus grego que por acaso nasceu português, o Cristiano Ronaldo. Talvez o futebol não seja só futebol e a voz carrega essa narrativa da superação permanente. Viva! Nuno Matos. NUNO MATOS (00:02:23) - Prazer é meu. JORGE CORREIA (00:02:24) - Camarada. NUNO MATOS (00:02:25) - Encontro. JORGE CORREIA (00:02:26) - Trabalhamos muito, muito tempo, muitos anos. Europeus, de futebol, mundiais de futebol. Tu lá no bem bom e eu do lado. Eu do lado de cá, apenas e apenas ouvido. Acabas de chegar da África. NUNO MATOS (00:02:39) - Sim, estive na Costa do Marfim a fazer a Taça das Nações Africanas, a principal competição de seleções da África, e ainda não tinha no currículo um can. NUNO MATOS (00:02:50) - E foi o meu primeiro ano. Tenho já seis mundiais, vou para o meu sétimo Europeu. E foi meu o meu primeiro canto, portanto uma estreia. A minha estreia foi Sendo que quando tu. JORGE CORREIA (00:03:00) - Quando tu fazes uma cobertura aqui, lembro me do Europeu, da Holanda e da Bélgica. Lembro me da Alemanha. Lembro me de França, claro. Todos nos lembramos de França. É completamente diferente, não é? NUNO MATOS (00:03:13) - Sim, é uma competição com uma exigência diferente, até em termos de condições de trabalho. É mais difícil, mas. Mas merece a pena. JORGE CORREIA (00:03:21) - Estavas mal habituado. NUNO MATOS (00:03:22) - Eu sei que estava mal habituado, mas enfim. Mas vamos dar também uma nota positiva à Costa do Marfim, que acabou por organizar até de forma de forma superior esta Esta competição. É que eu costumo dizer quem dá o que tem a mais não é obrigado. Olha, fala. JORGE CORREIA (00:03:38) - Me da maneira como te preparas para para uma competição destas ou para para o Jaguar ou para os. NUNO MATOS (00:03:44) - 35 anos de rádio. Nunca facilitei,...
Luís Campos | Como será o hospital do futuro?15 Jun 202100:37:45
Como será o hospital do futuro? Nesta edição falamos de saúde.O segundo episódio de uma série de dois em que falámos da maneira com o sistema de saúde responde aos cidadãos.Como os ouve, como responde às suas necessidades.Aproveitando o fórum anual dos administradores hospitalares, vamos fazer um retrato do que temos e precisamos para uma saúde mais ajustada às nossas necessidades. Na primeira edição dessa série ouvimos Alexandre Lourenço.Hoje ouvimos Luís Campos, médico internista e pensador regular da forma como se deve organizar o SNS para melhor servir os cidadãos. Os hospitais estão no limiar iniciar uma verdadeira revolução na sua relação com os doentes.Criados para receber doentes em grandes edifícios, para responder em massa a doenças muito prevalentes e de tratamento agudo, tem agora novas necessidades para responder. Os doentes têm agora e cada vez mais doenças crónicas. Não uma, mas várias doenças.As doenças agudas são tratadas rapidamente e o doente volta à sua casa. E pode precisar de apoio. Muitas das cirurgias, exames e procedimentos já se fazem em ambulatório. E agora vem aí a revolução digital.Caminho certo para o desenvolvimento da telemedicina. Mas por outro lado, e a ciência diz-nos isso, muitas doenças são afinal um sintoma de uma sociedade que se cuida pouco. Se previne pouco. Que se deixa ir. Num país um índice de pobreza muito alto, num país rico, mas com pobres.As repostas têm de ser encontradas mais que em hospitais.É na comunidade, no centro de saúde ou no lar, na farmácia local.E de preferência em casa, com qualidade e humanidade
Margarida Gaspar de Matos | Como se comportam as pessoas?08 Jun 202100:40:35
A comunicação é uma das formas mais eficaz de conseguir que uma comunidade saiba como se deve comportar.O que cada um de nós deve fazer de forma individual, ou todos, de forma coletiva, para nos podermos proteger uns aos outros. A questão dos comportamentos é um dos campos do estudo da psicologia. Quando nos informam que devemos usar máscara, ou manter dois metros de distância, essa informação é entendida por cada pessoa de forma diferente. Os que acreditam, os que duvidam.Ou ainda, aqueles que são indiferentes a esta informação. Mesmo entre aqueles que acreditam no que lhes foi dito, nas provas da bondade, ou na ciência, nem isso garante que se comportem como deveriam. O comportamento humano depende de muitas variáveis. A informação, o conhecimento, as emoções. E hoje em dia, o cansaço.Estar farto da covid, estar farto da pandemia, estar farto de tudo, faz com que se afrouxe a guarda. Para tentar medir os modos de estar e fazer dos portugueses face à pandemia a psicóloga, psicoterapeuta e professora Margarida Gaspar de Matos lidera um grupo de sábios do entendimento do comportamento. Vão procurar chaves. Legendas para o nosso comportamento coletivo. E tem como missão aconselhar o governo. A fotografia é de Carlos Ferreira
Alexandre Lourenço | Como ter melhores serviços de saúde?01 Jun 202100:36:12
Durante 15 meses a Saúde esteve a braços com a mais grave crise dos últimos anos. A pandemia de COVID-19 testou até ao limite a capacidade, resiliência e agilidade do Serviço Nacional de Saúde. No centro desta resposta estiveram os hospitais. Que tiveram de se reinventar em tempo real! Circuitos de doentes. Urgências, internamentos e cuidados intensivos. Os limites foram quase elásticos. Mas não infinitos. E as dores também foram sentidas. Com a COVID em fase de controlo - com incidência baixa e imunidade crescente - graças principalmente à gigantesca campanha vacina em curso, sobra o futuro. Com problemas novos e antigos: A saber:Como recuperar os doentes não COVID?Fazer mais consultas, tratamentos e cirurgias. Como melhor organizar e financiar os hospitais?Como colocar os hospitais adaptados às necessidades dos cidadãos. Num país a envelhecer, com doenças crónicas a somar, mas com cada vez mais e melhores respostas em tecnologia e na inteligência dos dados.Isto no contexto de financiamento apertado e de permanente debate sobre a sustentabilidade. Do SNS, dos hospitais e de todos os parceiros da saúde O convidado é Alexandre Lourenço, Presidente da APAH, Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares.
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