Pergunta Simples – Détails, épisodes et analyse

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Pergunta Simples

Pergunta Simples

Jorge Correia

Société & Culture
Société & Culture
Éducation

Fréquence : 1 épisode/8j. Total Éps: 261

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O Pergunta Simples é um podcast sobre comunicação. Sobre os dilemas da comunicação. Subscreva gratuitamente e ouça no seu telemóvel de forma automática: https://perguntasimples.com/subscrever/ Para todos os que querem aprender a comunicar melhor. Para si que quer aprender algo mais sobre quem pratica bem a arte de comunicar. Ouço pessoas falar do nosso mundo. De sociedade, política, economia, saúde e educação.
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Como comunicar eficazmente em crises de saúde? Graça de Freitas

Épisode 181

mercredi 9 octobre 2024Durée 58:39

Há dois tipos de comunicação especialmente difíceis e arriscados. Porque são complexos, porque acontecem em conta-relógio e porque a audiência está particularmente sensível nesse espaço de tempo. Esses dois tipos de comunicação, são a comunicação de crise e a comunicação de risco. Trocando por miúdos, a comunicação de crise é aquela que temos de usar quando algo correu mal: um acidente, um incêndio, um qualquer evento onde existe um dano real ou potencial a pessoas, ou bens. Principalmente pessoas. A comunicação de risco em saúde pública é aquela que todos beneficiamos aquando da pandemia de COVID-19. Essa comunicação teve como face principal Graça de Freitas, médica de saúde pública e ao tempo diretora-geral da saúde. Esta conversa é sobre a dificuldade de planear, reagir e responder de forma credível a uma das maiores ameaças que vivemos na nossa vida coletiva. Um manual do uso da comunicação tem tempos sem livro de instruções. Todos sentimos: A incerteza era o dia-a-dia. Quando chega a pandemia? Quando chega o vírus? Vai matar-me? Como me salvo desta? Lembram-se? Era este o ambiente que todos vivemos quando percebemos que a anunciada pandemia chegou. Vivemos o receio, o medo, a dúvida. Vivemos a angústia de ficar presos em casa por decreto geral. Das escolas que fecharam. Dos lares com dezenas de idosos doentes. Com hospitais cheios. Com ambulâncias em marcha. Isto foi o que todos vimos em casa. Mas no olho do furacão pandémico, no centro de crise e resposta está Graça de Freitas. Não está sozinha, mas tem uma equipa muito curta. A ela cabe-lhe conseguir consensos entre cientistas e boas explicações e prognósticos para os decisores políticos. No meio de tudo isto há que explicar aos cidadãos o que está a acontecer, como nos protegemos, como vivemos com isto. No tempo das redes sociais. Onde a opinião do mais sabedor dos cientistas parece valer tanto ou menos que o cidadão dedicado à arte nacional da opinião gratuita sobre tudo. Mas mesmo no centro de comando, onde toda a informação chegava, onde todos os pensadores filtravam e tentavam entender o mundo, mesmo aí, havia demasiada informação, demasiadas contradições e um avassalador relógio que corria mais do que qualquer evidência. Mais do que nunca o teste à credibilidade das fontes é critico. Mas a rapidez da comunicação digital e localizada não podia ser ignorada. A pandemia deveria ser por si só um objeto de estudo detalhado da comunicação de risco. Eu já comecei a ler esse livro. A Comunicação em Tempos de Informação Imperfeita Um dos temas mais fascinantes abordados neste episódio é o desafio de comunicar quando a informação está longe de ser completa ou perfeita. “A informação era imperfeita, os dados mudavam a toda a hora”, lembra Graça Freitas, explicando que, muitas vezes, as diretrizes que comunicava ao público eram baseadas em informação que podia ser revista ou até desmentida pouco depois. “O grau de imperfeição era grande”, confessa, num tom honesto que caracteriza toda a sua participação no podcast. Este cenário reflete um dos maiores dilemas da comunicação em saúde pública: como ser honesto e transparente quando as certezas são escassas? Graça optou sempre pela clareza e pela sinceridade. Reconhece que, em muitos momentos, teve de comunicar incertezas e explicar o que ainda não se sabia. Este equilíbrio entre a informação e a cautela foi uma linha ténue que teve de trilhar durante todo o período pandémico. Medo, Resiliência e o Lado Pessoal da Pandemia Outro ponto alto da conversa é quando Graça Freitas reflete sobre o medo. No início, confessa, não teve tempo para sentir medo pessoal, pois estava absorvida em compreender o que estava a acontecer. No entanto, à medida que o número de casos aumentava, especialmente em Itália, e o mundo começava a fechar as suas portas, o medo tornou-se uma realidade inevitável. Mas talvez o relato mais surpreendente seja o momento em que a Dra. Graça começa a receber proteção policial devido a ameaças. “Nunca pensei que precisaria de proteção”, revela, descrevendo o choque de saber que um segurança estaria à porta da casa todos os dias. Este episódio mostra o lado mais humano da crise: a carga emocional e pessoal que quem esteve na linha da frente teve de carregar. Memes e Piadas: Rir para Não Chorar Num tom mais leve, Graça Freitas fala sobre os memes e piadas que circularam nas redes sociais a seu respeito durante os momentos mais difíceis da pandemia. Ela admite que achou graça a muitos deles. O humor, para ela, foi uma forma de a população lidar com a tensão constante, e, em alguns momentos, também serviu para ela própria aliviar o peso da responsabilidade. No entanto, Graça confessa que o que mais a magoou não foram as piadas, mas a ausência de defesa de algumas pessoas que a conheciam bem e que, durante os momentos de maior crítica, escolheram o silêncio. “Doeu mais não ouvir um ‘ela não é assim tão má’ do que as críticas em si”, diz com honestidade. Lições sobre Comunicação em Saúde Pública Este episódio deixa lições claras sobre o que significa comunicar em tempos de crise. Graça Freitas sublinha a importância de ser transparente, mesmo quando as respostas não são certas. A honestidade foi a sua bússola durante toda a pandemia, sabendo que esconder a realidade ou suavizar as mensagens poderia ser ainda mais prejudicial a longo prazo. Esta abordagem honesta, contudo, não foi fácil de manter. Graça admite que, se pudesse voltar atrás, teria dedicado mais tempo a refletir sobre as decisões, reservando momentos para pensar com mais calma e ouvir mais opiniões externas. Outro ponto interessante que ela aborda é o equilíbrio entre as recomendações dos cientistas e as decisões dos políticos. Como Diretora-Geral da Saúde, Graça tinha a responsabilidade de fornecer as melhores recomendações científicas, mas reconhece que os políticos, ao tomarem as decisões finais, lidavam com uma pressão diferente. Eles não só estavam preocupados com a saúde pública, mas também com as implicações sociais, económicas e políticas. Esta tensão entre ciência e política é um elemento central nas crises de saúde pública e, segundo Graça, foi um dos grandes desafios da pandemia. Fechar as Escolas: Uma Decisão Crucial Um dos momentos mais dramáticos da pandemia foi a decisão de fechar as escolas. Graça Freitas descreve este episódio como um dos mais rápidos e intensos que viveu durante aqueles meses. Ela lembra que, num domingo, estava em casa de uma amiga quando recebeu o telefonema da Ministra da Saúde, Marta Temido. Poucas horas depois, já estava numa conferência de imprensa, anunciando uma das medidas mais duras e impactantes para o país. Para ela, este é um exemplo claro de como as decisões políticas, mesmo quando baseadas em recomendações científicas, são tomadas de forma muito rápida e, por vezes, sem o tempo necessário para refletir sobre todas as implicações. No entanto, Graça reconhece que, em muitos casos, essa rapidez era essencial para salvar vidas e minimizar o impacto da crise. Reflexões Finais O episódio termina com Graça Freitas a refletir sobre o seu papel durante a pandemia e o impacto que teve no país. Ao olhar para trás, ela admite que faria algumas coisas de forma diferente, mas mantém a convicção de que fez o melhor que podia com a informação disponível. O legado que deixa não é só o de uma profissional de saúde pública dedicada, mas também de uma comunicadora que, mesmo em tempos de incerteza, soube manter a calma, a integridade e a transparência. Este episódio do “Pergunta Simples” é uma verdadeira aula sobre comunicação em tempos de crise, repleta de momentos humanos e reveladores. As histórias e as lições de Graça Freitas oferecem uma perspetiva única sobre os desafios enfrentados por quem esteve na linha da frente da pandemia e, ao mesmo tempo, mostram o lado mais vulnerável e pessoal da comunicação em saúde pública. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO 00:00:12:23 - 00:00:38:24 JORGE CORREIA Olá! Viva um Bem vindos ao Pergunta simples do vosso full cast sobre comunicação. Há dois tipos de comunicação especialmente difíceis e arriscados, mas necessários e importantes. São complexos porque acontecem em contrarrelógio e porque a audiência está particularmente sensível nesse espaço de tempo ou local. Estes dois tipos de comunicação são a comunicação de crise e a comunicação de risco. 00:00:39:05 - 00:01:11:01 JORGE CORREIA Parecem a mesma coisa, mas não são exactamente a mesma coisa. Trocando por miúdos, a comunicação de crise é aquela que temos de usar quando algo corre mal um acidente, um incêndio, um qualquer evento onde exista um dano real ou potencial para pessoas ou bens, principalmente pessoas. Um outro tipo de comunicação difícil é a comunicação de risco, em particular a comunicação de risco em saúde pública é aquela que todos beneficiamos quando aconteceu a pandemia de Calvi 19. 00:01:11:03 - 00:01:34:12 JORGE CORREIA Esta comunicação teve como face principal Graça de Freitas, médica de Saúde Pública e, ao tempo Directora Geral de Saúde. Esta conversa é sobre a dificuldade de planear, reagir e responder de forma credível a uma das maiores ameaças que vivemos na nossa vida colectiva. Não só responder à ameaça propriamente dita, mas também comunicar sobre aquilo que nos estava a acontecer. 00:01:34:14 - 00:01:52:03 JORGE CORREIA No fundo, como escrever um manual de uso da comunicação de risco em saúde pública em tempos sem livro de instruções? 00:01:52:05 - 00:02:14:06 JORGE CORREIA A incerteza era o dia a dia. Quando chega a pandemia, quando chega, o vírus Vai matar me com um salve desta. Lembram se? Estas eram as perguntas que todos fazíamos todos os dias. Era este o ambiente que todos vivíamos quando percebemos que a anunciada pandemia chegou. Vivemos o receio, o medo, a dúvida,...

Onde guarda as palavras o cérebro? Joaquim Ferreira

Épisode 180

mercredi 2 octobre 2024Durée 48:24

O cérebro humano e o seu funcionamento. A caixa onde guardamos as palavras, os sentimentos e os movimentos. O cérebro enquanto caixa de comando e guardador de memórias e identidades. O cérebro que se molda plasticamente para compensar danos, bloqueios e faltas de ar. O cérebro do juízo e da consciência. Da alma ou apenas como fundação biológica.

O que perguntar ao médico? António Vaz Carneiro

Épisode 124

mercredi 24 avril 2024Durée 53:29

Senhor doutor, o que tenho eu? Senhor doutor, o que me vai acontecer? Em linguagem médica pedimos sempre um diagnóstico. O resumo da nossa condição. E principalmente um prognóstico: com o que posso contar para o futuro. Implicitamente as duas perguntas incorporam uma expectativa, um pedido de ajuda e uma esperança. As duas perguntas resumem-se ao apelo: Senhor doutor "safe-me" lá desta maleita. Claro que as respostas nem sempre são assim tão diretas e simples como gostaríamos. TÓPICOS DE CONVERSA Início (00:00:00) A importância dos grandes números na saúde (00:00:12) Discussão sobre a relevância dos dados recolhidos pelo sistema de saúde e as perguntas a serem feitas. Comunicação médico-paciente (00:01:25) Exploração da importância da comunicação na relação médico-doente e das perguntas frequentes feitas pelos doentes. Motivação para ser médico (00:03:57) António Vaz Carneiro a compartilha a sua motivação para seguir a carreira médica. Evolução da carreira médica (00:04:18) António Vaz Carneiro fala sobre a evolução das suas especialidades médicas ao longo da carreira. Comunicação eficaz na prática clínica (00:06:50) Discussão sobre a importância da linguagem adaptada na comunicação médico-doente. Prognóstico e envolvimento do doente (00:08:37) Exploração do envolvimento do doente no tratamento e a importância do prognóstico positivo. Casos raros e avanços médicos (00:11:47) Relato de casos raros de recuperação de cancros avançados. Relação entre doenças cardiovasculares e oncológicas (00:13:01) Análise da relação entre a diminuição de doenças cardiovasculares e o aumento das doenças oncológicas. Importância dos grandes números de dados na área da saúde (00:14:26) Discussão sobre a disponibilização e interpretação dos dados clínicos para melhorar a prática médica. Benefícios dos dados para os doentes (00:14:48) Exploração dos impactos positivos dos dados na melhoria do tratamento e cuidado dos doentes. Utilização de dados clínicos na prática médica (00:15:10) Análise da disponibilidade e utilização de dados clínicos na prática médica diária. Monitorização da qualidade dos dados clínicos (00:16:23) Explicação da importância da monitorização da qualidade dos dados clínicos e o seu impacto na prática médica. Formação e educação baseadas em dados (00:17:35) Discussão sobre como os dados clínicos podem contribuir para a formação e educação médica. Segurança dos dados clínicos (00:18:24) Exploração da segurança e proteção dos dados clínicos dos doentes. Utilização de dados para a investigação científica (00:19:10) Análise do uso dos dados clínicos na pesquisa científica e na identificação de padrões de tratamento. Medicina de precisão e personalização do tratamento (00:18:05) Discussão sobre a importância dos dados na personalização e precisão do tratamento médico. Impacto da informação na prática clínica (00:24:13) Reflexão sobre como a informação influencia a prática clínica e o comportamento dos médicos. Organização e utilização prática da informação (00:25:03) Exploração da importância da organização e utilização imediata da informação clínica na prática médica. Inteligência Artificial e Medicina (00:26:32) Discussão sobre o papel da inteligência artificial na análise de grandes quantidades de dados biomédicos. Erro Médico e Reflexão (00:29:12) Reflexão sobre erros médicos e a necessidade de corrigi-los, com o impacto emocional envolvido. Informação e Desinformação na Saúde (00:31:09) Abordagem sobre a propagação de fake news na saúde e os perigos associados à desinformação. Impacto da Pandemia na Saúde (00:34:02) Análise do impacto da pandemia na saúde, incluindo o abandono de tratamentos e a gestão dos sistemas de saúde. Consequências Geracionais da Pandemia (00:38:24) Discussão sobre o impacto da pandemia na educação e desenvolvimento das crianças, com reflexão sobre as consequências a longo prazo. O medo na tomada de decisão (00:39:37) Discussão sobre a reação de medo e a dificuldade na tomada de decisões durante a pandemia. Desafios na tomada de decisões políticas na saúde (00:40:11) Abordagem sobre a complexidade e desafios na tomada de decisões políticas na área da saúde. Prioridades e gestão dos serviços de saúde (00:41:29) Discussão sobre a priorização e gestão dos serviços de saúde, incluindo a perceção das urgências hospitalares. Falsa urgência nos serviços de saúde (00:43:24) Reflexão sobre a perceção da urgência nos serviços de saúde e a necessidade de uma abordagem mais racional. Impacto ambiental do sistema de saúde (00:47:20) Análise do impacto ambiental do sistema de saúde e a necessidade de repensar práticas para reduzir a pegada ecológica. Reflexão sobre a evolução da medicina (00:51:45) Visão sobre a transformação do papel do médico e a gestão avançada da informação na medicina do futuro. A evolução das profissões de saúde (00:52:20) Discussão sobre a mudança no papel dos profissionais de saúde e a gestão de informação integrada. O futuro da medicina (00:52:38) Reflexão sobre o impacto do conhecimento e da informação na prática médica, e a necessidade de mais humanidade. Ao longo dos anos fui exercitando a minha tarefa de perguntador em múltiplas conversas com este médico que se multiplica por várias áreas: é especialista em medicina interna, em nefrologia e em farmacologia clínica. E insiste sempre em estudar as evidências para responder aos seus doentes. Mesmo quando algum caso individual decide contrariar toda a estatística. Vaz Carneiro tem uma lupa gigante para avaliar series de grandes números. E um microscópio afinado para avaliar aquele doente uno e particular que tem de ajudar. E responder às perguntas. O que tenho, doutor? Como é o futuro? Perguntas simples em busca da tradução da complexidade em poucas respostas. Num mundo em contradição onde lutam as evidências cientificas com a arte de acreditar nas histórias mais mirabolantes. Uma batalha entre os factos verificáveis e a desinformação mais irracional. Todavia, coexistem. Esta é uma conversa carregada de possibilidades e esperança. A gigante quantidade de informação vai finalmente começar a ser de grande utilidade para cada um de nós. É um tempo novo. O que nos dizem os grandes números da saúde? O que podemos ler na gigantesca quantidade de dados que o nosso sistema de saúde recolhe, todos os dias dos seus doentes? Que perguntas temos de fazer? E que respostas queremos obter? Esta edição é muito otimista e carregada de esperança. Numa conversa com António Vaz Carneiro, Professor e médico por vocação e para ter liberdade. Liberdade para fazer e para auxiliar as outras pessoas. Nos próximos minutos percorremos os caminhos da medicina moderna. Que cada vez sabe mais, mas nem sempre tem as respostas todas. No limiar de uma anunciada revolução do conhecimento: a recolha e o entendimento dos chamados dados da vida real. Os grandes dados onde cada um de nós é um ponto na escala. Como as mesmas perguntas de sempre. Haverá respostas para nós? As perguntas são as mesmas de sempre. Que pode trazer nova luz sobre velhas perguntas. A profissão que decide se estamos vivos ou mortos está para ficar. Mas o acervo de informação e conhecimento pode inspirar novas formas de fazer medicina. Mas conhecimento oferecerá seguramente melhor capacidade de reconhecer as melhores práticas. Mas, suspeito, trará consigo muito mais perguntas. Algumas precisam de mais dados. Outras, simplesmente, de mais humanidade. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO TRANSCRIÇÃO AUTOMÁTICA Jorge Correia (00:00:12) - Ora viva! Bem vindos ao Pergunta Simples o vosso Podcasts sobre Comunicação. O que nos dizem os grandes números da saúde? Não, não estou a falar das consultas, das cirurgias, das urgências. Estou a falar dos nossos números pessoais particulares, todos juntos. O que podemos ler na gigantesca quantidade de dados que o nosso sistema de saúde recolhe todos os dias dos seus doentes, isto é, de nós próprios? Que perguntas temos de fazer e que respostas queremos obter destes dados? Esta é uma edição muito otimista e carregada de esperança. Numa conversa com António Vaz Carneiro, professor e médico por vocação e para ter liberdade, diz ele. Liberdade para fazer e liberdade para ajudar outras pessoas. Nos próximos minutos percorremos os caminhos da medicina moderna, que cada vez sabe mais, mas nem sempre tem as respostas todas. Será que alguma vez vai acontecer no limiar de uma anunciada revolução do conhecimento? A recolha e o entendimento dos chamados dados da vida real, os grandes dados onde cada um de nós é um ponto na escala. Mas nós, seres humanos, mantemos as mesmas perguntas de sempre. Jorge Correia (00:01:25) - Haverá respostas para nós? Vamos ao programa? Vamos a isso. As perguntas, as perguntas, as perguntas são as mesmas de sempre Senhor doutor, o que tenho eu? Senhor doutor? O que é que me vai acontecer? Em linguagem médica, pedimos sempre um diagnóstico, um resumo da nossa condição e, principalmente, um prognóstico. Com o que é que posso contar para o futuro? Implicitamente, as duas perguntas incorporam uma expectativa, um pedido de ajuda e uma esperança. As duas perguntas resumem se ao apelo Senhor doutor, safei me lá desta maleita. Claro que as respostas nem sempre são assim tão diretas e simples como gostaríamos, mas continuamos a fazer sempre as mesmas perguntas. Ao longo dos anos eu fui exercitando a minha tarefa de perguntador profissional em múltiplas conversas com este médico que se multiplica por várias áreas. Vaz Carneiro, especialista em Medicina Interna, em Nefrologia e em Farmacologia Clínica, e insiste sempre em estudar as evidências para responder aos seus doentes, mesmo quando algum caso individual decide contrariar toda a estatística....

José Manuel Rosendo | Como se conta uma guerra?

mardi 3 mai 2022Durée 39:22

Fazer reportagem de guerra é uma arte jornalística que exige coragem, sangue-frio e bom senso. Diariamente há que enfrentar um dilema complexo: o que se mostra e o que se evita. O que se relata e o que se guarda só para nós? As grandes histórias do jornalismo tem um sinal em comum: o drama da condição humana. As histórias de vida e de morte, de desgraça e de superação são as que mais impacto tem na nossa mente. Conta-se, quase como mantra dos repórteres de guerra, que os jornalistas são aqueles que correm para um sítio de onde todos querem fugir. Vemos a guerra pelos olhos de quem é testemunha profissional. Sobram as perguntas. Como se conta uma guerra? Como se chega lá? Como se sobrevive? Como se descreve? O que sobra na ressaca da volta a casa? Nos últimos meses vários jornalistas portugueses percorreram a Ucrânia para nos contarem a guerra com a nossa maneira de ver o mundo. É isso que os jornalistas fazem num conflito militar como este. Vamos à Ucrânia com o repórter José Manuel Rosendo, jornalista da Antena 1 e da RTP. Um veterano de várias guerras e conflitos. Do médio oriente, ao norte de África e à Europa. Iraque, Egipto, Turquia, Líbia, Faixa de Gaza e agora Ucrânia. Esta conversa tem segredos revelados: como se movimenta um repórter na guerra? Onde se pode ir? Quem nos ajuda? E depois? Importa saber o que se traz na mala. (Foto tirada no Iraque em 2004 por Francisco J. Gonçalves)

Pedro Brinca | Ficamos mais ricos ou mais pobres?

Épisode 80

mardi 26 avril 2022Durée 54:13

Vamos ficar mais ricos ou mais pobres? Suspeito que a resposta não seja fácil de dar. Talvez seja mesmo impossível. Por mais que os economistas saibam, por melhores computadores e dados que tenhamos, a economia depende de algo incontrolável: a expectativa. E a comunicação, em particular a perceção, joga um papel-chave. Aprendi nesta conversa que em economia o futuro interfere com o passado. Parece estranho. Mas de facto se cada um de nós souber ou entender que vai faltar pão — mesmo que isso seja falso — logo vamos reagir e comprar pão. E talvez comprar mais pão do que precisamos. Com esse simples movimento coletivo de açambarcamento o pão pode mesmo faltar. Não porque haja escassez, mas, porque o nosso medo esgotou o que havia nas prateleiras. Por estes tempos aparecem na minha cabeça, expressões que me lembro de quando era criança. Por exemplo, a carestia de vida. O efeito da inflação. O preço da gasolina. E de tudo o resto. Sempre a subir. Dos salários que pareciam que subiam muito em percentagem, mas menos que o aumento dos preços. Estaremos de novo aí? Está conversa é sobre economia. Como o Professor de Macroeconomia da Universidade Nova Pedro Brinca. Para mim a economia é uma espécie de ciência oculta. Mas uma ciência oculta que me fascina. Mas a pergunta é óbvia: vamos ficar mais ricos ou mais pobres? Quando economia fica mais turbulenta há que poupar e investir melhor. Embora este conselho possa provar desde já a minha incompetência a falar sobre economia. É que os maiores danos da subida dos preços é para as pessoas mais pobres. Quem tem menos recursos pode deixar de conseguir até comprar os bens mais básicos. Estou a falar de comida. Mas o efeito estende-se de forma contagiosa a todas as pessoas. Fecho com uma ideia que me deixa perplexo mostra porque nunca serei rico. Que raio de sociedade reduz cada vez mais o rendimento de quem produz batatas ou leite e pag -a mais a quem faz programas de computador ou telemóvel. Sim, eu sei, digam comigo: “É a economia, estúpido”

Joaquim Furtado | Como se diz Liberdade?

Épisode 79

mardi 19 avril 2022Durée 59:52

Viva a Liberdade!Viva o 25 de Abril!Não tarda nada e comemoramos os 50 anos da revolução.Hoje é dia de falar do papel da comunicação e do seu contributo para a Liberdade.Sim, é dia de falar de liberdade de expressão, de jornalismo e de mensagens que marcaram o 25 de abril de 1974. Com a “voz” do 25 de abril.Às 4 da madrugada do dia 25 de abril de 1974, esta voz anunciou a revolução,Portugal celebra já hoje mais dias a viver em democracia e liberdade do que os dias que vivemos em ditadura.Em poucos dias celebramos mais um aniversário do dia inaugural que Sophia de Melo Breyner desenhou em 4 versos imortais “Esta é a madrugada que eu esperavaO dia inicial inteiro e limpoOnde emergimos da noite e do silêncioE livres habitamos a substância do tempo” A mensagem poética cruzada com o sincopado da mensagem militar.A revolução foi teve três D's: Democracia, Descolonização e Desenvolvimento.Os 13 anos de guerra colonial foram um dos principais motivadores do movimento dos capitães de abril.Esta conversa com Joaquim Furtado corre o tempo da Guerra Colonial, inscrita na série feita para a RTP, espreita o tempo do jornalismo atual e começa no momento zero: A madrugada da revolução dos cravos.

Como sobreviver à guerra? | Vítor Cotovio

Épisode 78

mardi 12 avril 2022Durée 52:27

A inquietação. A inquietação que nos desassossega. Pode ser ansiedade. Pode ser medo. Pode ser até depressão. Não sei se vos está a acontecer, mas as notícias da guerra, em filme contínuo, provoca-me uma tensão na cabeça. Primeiro a surpresa do início da invasão à Ucrânia. A estupefação de ver um país invadir outro. Da ideia de guerra na Europa sair de qualquer possibilidade sensata. Os dias passam. As notícias de coisas terríveis invadem-nos constantemente. Sempre na rádio e televisões. Ao segundo nas redes sociais. Entre a verdade e a propaganda. E a nossa cabeça à roda. Entre a necessidade de parar de ver e o medo de perder algo importante. O acumular de tudo isto gera ansiedade. Gera esse desassossego que faz estragos no nosso espírito, na nossa mente. Convidei para esta conversa o médico psiquiatra e psicoterapeuta Vitor Cotovio em busca de chaves para despressurizar. Da guerra que sucede a uma pandemia. Como é que acontecimentos como a guerra e a pandemia de COVID-19 nos afectam a cabeça e como nos podemos defender melhor a nossa saúde mental? Numa conversa sobre a nossa mente na sociedade dos 5V e dos 5C. A saber, os 5V: volume (muito), velocidade, volatilidade, voracidade e vacuidade. Numa sociedade que vive os 5C: consumo (muito), competição, concorrência, cosmética e caos. O resultado não pode ser bom para a nossa cabeça.

Maria de Belém Roseira | Como desenhar o futuro da Saúde?

Saison 1 · Épisode 77

mardi 5 avril 2022Durée 55:43

Estamos na semana da saúde. Dia 7 de abril é o Dia Mundial da Saúde. Não precisávamos de uma pandemia para nos lembrarmos quão importante é a nossa saúde. E agradecer o facto de vivermos num país com um dos sistemas de saúde mais avançados do mundo. Sim, estamos sempre a reclamar. Sim, aborrece-nos que nem todas as pessoas tenham médico de família. Ou que a consulta do especialista demore mais do que esperávamos. Mas o SNS, os hospitais privados, as farmácias, os convencionados e o sector social oferecem uma rede redundante de cuidados de saúde que responde de forma adequada ao que precisamos. E depois há as exceções. As coisas que tem de correr melhor. Mas são infinitamente mais pequenas que os benefícios de ter uma saúde pública, universal, e quase gratuita quando precisamos de ajuda. Gratuita é uma palavra curiosa. Porque, a verdade é que a saúde é paga pelos cidadãos - contribuintes. É portanto paga antecipadamente. Com um princípio de que gosto muito: para o SNS cada um paga conforme o que pode e recebe cuidados conforme precisa. São os princípios que nos dão uma bússola e um mapa para navegar. No caso dos países democráticos liberais, como o nosso, há leis e regras universais a que todos estamos igualmente sujeitos. E essas regras são vitais. Esta conversa com Maria de Belém Roseira, jurista, humanista, duas vezes ministra e pessoa muito atenta aos direitos, liberdades e garantias era para ser sobre saúde. E tudo o resto. Mas o não respeito pelo direito internacional no caso da guerra em curso obrigou a começar por aqui.

Nélson Olim | Como curar as feridas da guerra?

Saison 1 · Épisode 76

mardi 29 mars 2022Durée 54:58

O olhar de um cirurgião de guerra português sobre o trabalho dos médicos em situação de catástrofe como as guerras e conflitos, mundo fora. A guerra na Ucrânia é apenas mais uma para Nelson Olim. Médico-cirugião português com passagens pela Cruz Vermelha Internacional e agora Organização Mundial da Saúde. Ele, como ninguém, aprendeu que o bisturi consegue reparar alguns feridos, mas nunca todos. Como cirurgião de guerra responde no meio do caos. Ordenado por um método escrito num livro sem palavras onde lhe cabe escolher que ferido deve ser operado primeiro. Também que muitos dos não escolhidos vão morrer. Por os ferimentos serem extensos. Porque as equipas médicas não chegam. Porque as balas, granadas, mísseis, obuses e outros engenhos foram feitos para matar. E nem os deuses conseguem parar esta carnificina. As Ucrânia é só mais uma história na vida das guerras dos humanos. Nelson Olim perdeu a conta às missões. Esteve, por exemplo, no Iémen, Sudão do Sul, Nigéria ou Afeganistão. Nesta conversa recolho o seu olhar sobre as imagens que nos chegam da guerra na Ucrânia. Sobre a maneira como as equipas médicas respondem. Como comunicam entre si. Como sobrevivem e ajudam a sobreviver.

Rui Mergulhão Mendes | Como ler uma pessoa?

Épisode 75

mardi 22 mars 2022Durée 01:04:30

Hoje é dia de tirar-vos a "pinta". Conhecem a expressão: tirar a "pinta"? Ou, de forma mais descritiva, é um programa que explica alguns dos mistérios da avaliação quase relâmpago que fazemos das outras pessoas. Quando comunicamos somos imediatamente avaliados pela nossa audiência. Seja uma plateia gigante ou simplesmente um só interlocutor. Comunicar não é um simples momento em que debitamos palavras. Ou em que pensamos, falámos e escutamos à vez. Não, comunicar é muito mais vasto do que isso. Grande parte da comunicação é não verbal. Os nossos gestos, a postura, a maneira como olhamos e somos olhados. O timbre de voz, o movimento dos olhos, da boca ou das sobrancelhas. Tudo em simultâneo. E nessa dança há micro expressões que reforçam a verdade das nossas palavras ou denunciam mentiras mais ou menos dissimuladas. Há toda uma ciência à volta da interpretação destes sinais. Muito úteis, por exemplo, para uma investigação criminal ou validação da credibilidade de uma testemunha num tribunal. Ciência ou arte?

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