Palavras do Brasil – Détails, épisodes et analyse

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Podcast Palavras do Brasil

Palavras do Brasil

Agência Timbres

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Fréquence : 1 épisode/28j. Total Éps: 20

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No intuito de promover a Língua Portuguesa no exterior, o “Palavras do Brasil” se propõe a desbravar, a cada episódio, um vocábulo da língua brasileira. Este podcast é uma realização do Programa Leitorado Guimarães Rosa, do Ministério das Relações Exteriores e do Instituto Guimarães Rosa em Roma [https://www.facebook.com/IGRosaRoma], pela voz da Professora-Leitora Camila Almeida, da Università di Bologna [https://www.instagram.com/programaleitoradosunibo/]

- Arte: Carolina Fernandes [https://www.instagram.com/cola.gena/]
- Música: Moisés Bezerra [https://www.instagram.com/moisesgbezerra/]
- Produção: Agência Timbres [https://www.instagram.com/agenciatimbres/]
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Palavras do Brasil - T2Ep#10 (Xingar)

lundi 13 mars 2023Durée 02:40

O poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade escreveu uma “Toada do Amor”.

“E o amor sempre nessa toada:
briga perdoa perdoa briga.
Não se deve xingar a vida,
a gente vive, depois esquece.
Só o amor volta para brigar,
para perdoar,
amor cachorro bandido trem.
Mas, se não fosse ele, também
que graça que a vida tinha?
Mariquita, dá cá o pito,
no teu pito está o infinito.”

Aqui, Drummond é claro ao dizer que “Não se deve xingar a vida.” Concordo que a vida é para ser agradecida e não insultada, mas às vezes um xingamento dá vazão à toda a revolta que temos dentro de nós.

Do quimbundo xinga, xingar é o verbo para expressar raiva, frustração ou desaprovação em relação a algo ou alguém. Em português, existem palavras como insultar e ofender, mas a palavra xingar costuma ser bem mais usual para indicar que alguém usa palavras rudes ou vulgares, como os palavrões, para agredir verbalmente outra pessoa.

A quantidade de xingamentos é infinita porque o ato de xingar é bastante criativo: na raiva, a gente sempre se permite inventar novas formas de ofender os outros.

Apesar disso, xingar pode causar danos emocionais e psicológicos à pessoa que ouve o xingamento, o que gera conflitos e prejudica relacionamentos interpessoais. Em vez de recorrer ao xingamento, é importante buscar formas mais construtivas de lidar com situações difíceis. Uma comunicação assertiva, respeitosa e livre de agressões é a melhor maneira de resolver conflitos e manter relacionamentos saudáveis.

Palavras do Brasil - T2Ep#9 (Fofoca)

lundi 6 mars 2023Durée 03:53

A fofoca talvez seja um dos hábitos humanos mais naturais que existe. Nem por isso, ela deixa de ser controversa. Tem gente que acha que a fofoca não edifica. E, de fato, ela pode ser perigosa, especialmente quando se trata de uma mentira ou de uma informação compartilhada com malícia. Às vezes uma fofoca é mesmo a divulgação de um detalhe da vida alheia que o outro gostaria que fosse ignorado. Mas esse hábito humano, que pode até não parecer muito edificante, é uma grande argamassa nas nossas construções sociais. Somos seres gregários e a fofoca é a grande ferramenta social que usamos para discutir as ações das pessoas que estão no nosso núcleo e nos núcleos que nos cercam.

Quando crianças, a vontade de partilhar informações é muito nítida. Por isso, muitas vezes, as crianças são vistas como pessoas que “falam demais”. Esse filtro social que permite entender o que pode ser compartilhado e o que não pode, a gente adquire com o tempo. E é com o tempo que a gente também entende onde e com quem podemos fofocar, ampliando nossos laços comunitários. Tão natural para as crianças e tão cotidiana para os adultos, acredita-se que a origem da fofoca se entrelaça com a necessidade de se trabalhar em equipe e de se dividir informações ainda nos tempos em que a caça era a forma que o homem encontrava para obter alimento. Teria sido para que os homens apoiassem uns aos outros na tarefa da caça, compartilhando informações relevantes sobre terreno e presas, que a fofoca teria surgido.

Sobre a sua etimologia, a teoria mais bem aceita é a da professora etnolinguista Yeda Antonita Pessoa de Castro que, em sua tese de doutorado defendida em 1976 na Faculdade de Letras de Lubumbashi, no Zaire, diz que fofoca tem provável origem no quimbundo “fuka” que significa “remexer”. Com décadas de pesquisa sobre a influência de línguas africanas no português do Brasil, o conjunto da obra da professora Yeda é considerado, em todas as partes, como uma renovação nos estudos afrobrasileiros por redescobrir a extensão da influência banta no Brasil e por introduzir a participação de falantes africanos na formação do português brasileiro.

Um sinônimo para fofoqueiro é mexeriqueiro, palavra que também traz a ideia de remexer. A fofoca, que consiste no ato de descobrir uma informação sobre algo ou alguém e posteriormente contar essa informação a uma ou várias pessoas, dá mesmo uma remexida no fluxo de informações e até na vida das pessoas envolvidas na fofoca. Mas parece que ninguém está imune à ela: em algum momento, ou a gente faz fofoca, ou a gente é vítima dela.

Palavras do Brasil - T1Ep#10 (Sapeca)

Saison 1

lundi 6 décembre 2021Durée 02:09

Sapeca é um adjetivo que vem do tupi sapéka. Sapeca é o que chamamos de adjetivo de dois gêneros. Isso significa que a forma feminina e a forma masculina são iguais. Menina sapeca, menino sapeca. O mesmo acontece com alguns dos sinônimos de sapeca: peralta, serelepe, traquinas. Esses adjetivos costumam ser muito atribuídos a crianças porque têm relação com uma natureza leve, da personalidade de quem ainda não tem maturidade para entender as consequências do que faz. Sem grandes preocupações e responsabilidades, fazer o que se quer só traz diversão.

Mas, afinal, o que significa “ser sapeca”? Uma criança sapeca é aquela criança capaz de fazer gracinhas e bagunça com frequência, sem parar quieta, dando muito trabalho para os adultos ao mesmo tempo em que lhes pode garantir boas risadas.

Já sapecar, como verbo, significa chamuscar, queimar ligeiramente. Pensando nisso, o adjetivo sapeca fica bem visual: o sapeca não para porque parece estar sempre pisando em algo quente.

E você? Foi uma criança sapeca ou não deu tanto trabalho assim?

Palavras do Brasil - T1Ep#9 (Pereba)

Saison 1

lundi 29 novembre 2021Durée 02:32

O balé “O Grande Circo Místico” foi inspirado num poema homônimo do escritor alagoano Jorge de Lima. Para o balé, do início da década de 80, os compositores cariocas Edu Lobo e Chico Buarque compuseram um clássico dos coros infantis, a “Ciranda da Bailarina”. A canção apresenta a personagem da bailarina como uma espécie quase divina, sem defeitos, problemas e experiências comuns a todos nós, meros seres humanos. Os versos iniciais da canção dizem que:

“Procurando bem
Todo mundo tem pereba
Marca de bexiga ou vacina
E tem piriri,
Tem lombriga, tem ameba
Só a bailarina que não tem”

Do tupi peré’wa, a pereba, também chamada de bereba, é uma ferida, uma erupção cutânea. Podemos dizer, por exemplo, que alguém, depois de coçar o local onde foi picado por um mosquito, ganhou uma pereba. Ou, se essa pessoa tiver sido picada várias vezes, podemos dizer que ela agora está cheia de pereba. Uma espécie de alergia que causa úlceras pela pele também pode ser resumida a algo que deixa alguém todo perebento.

Ter pereba, vez ou outra, é normal. Mas esse fato corriqueiro, que às vezes pode deixar marcas para toda a vida, não atinge a bailarina. Sorte dela viver uma vida sem lidar com essas imperfeições? Ou pobre dela que não tem nenhuma cicatriz da vida para contar história?

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Link para o poema “O Grande Circo Místico”, de Jorge de Lima: https://boni.wordpress.com/2018/04/23/175/

Link para a música “Ciranda da Bailarina”, interpretada por Edu Lobo e Chico Buarque: https://www.youtube.com/watch?v=DP4jqyVGjMM

Palavras do Brasil - T1Ep#8 (Maracutaia)

Saison 1

lundi 22 novembre 2021Durée 02:22

Mário Eduardo Viaro, professor livre-docente da Universidade de São Paulo, em “História das Palavras: Etimologia” para o Museu da Língua Portuguesa disse que “estudar etimologia é vasculhar (…) meandros tortuosos da mudança do significado, mas isso deve ser feito com critério e, principalmente, com abonações que atestem as suas afirmações. Isso é difícil de fazer, portanto raros são os trabalhos confiáveis nessa área do conhecimento.”

A palavra maracutaia é uma dessas palavras sobre a qual se ventilam hipóteses etimológicas controversas. Há quem teorize que se trata de uma palavra de origem tupi. Há quem teorize que se trata de uma palavra de origem africana. Há quem teorize que se trata de uma forma espontânea, criada sob a influência da sonoridade da nossa língua popular. Porém, muitas vezes, dar uma explicação etimológica é mesmo dificílimo e o mais honesto é admitir que, pelo menos ainda, não se tem a menor ideia da origem de algumas palavras.

Com relação à palavra maracutaia, sua origem é incerta, mas é certo que o brasileiro tem familiaridade com ela. Do gosto popular, é uma palavra usada para falar de um “negócio suspeito”, de uma “movimentação fraudulenta”. São sinônimos de maracutaia palavras como esquema, falcatrua, mutreta e tramoia.

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Link para o texto do Professor Mário Eduardo Viaro: https://www.museudalinguaportuguesa.org.br/wp-content/uploads/2017/09/Historia-das-palavras.pdf

Palavras do Brasil - T1Ep#7 (Cutucar)

Saison 1

lundi 15 novembre 2021Durée 03:00

Abacaxi, açaí, maracujá, amendoim… A essa altura, acredito que não seja surpresa para você perceber que muitas palavras de étimo tupi nomeiam produtos da natureza que nos servem de alimento. Quando chegaram às terras que hoje constituem parte do Brasil, os colonizadores se depararam com uma realidade misteriosa, cheia de exemplares da flora e também da fauna que lhes eram desconhecidos. Foram os indígenas, já habitantes da região há milhares de anos, os responsáveis por apresentar os nomes de várias plantas e animais aos portugueses. As línguas indígenas têm, portanto, importante contribuição no léxico da língua majoritariamente falada no Brasil. Mas essa contribuição não se limita à esfera alimentícia.

Cutucar é nossa primeira palavra de origem supostamente tupi que não é comestível. Cutucar é um verbo que viria do tupi kutúk’. O significado dele é o de “tocar com os dedos, espetar”. Muitas vezes usamos um cutucão, aplicado não necessariamente com os dedos, para chamar a atenção de alguém que está distraído. É quase como um “Ei, olha aqui.”, mas mais invasivo. No entanto, um cutucão também pode ser usado para provocar alguém, sem fazer nenhum contato físico. “Ele não gostou do que eu fiz e, por isso, passou a noite inteira me cutucando, dando indiretas.”

Uma expressão muito famosa com o verbo cutucar é a “cutucar a onça com a vara curta” especialmente usada antecedida por um “não”, uma vez que é interessante evitar o perigo que cutucar um jaguar com um pedaço de madeira curto pode trazer. Resumidamente, “cutucar a onça com vara curta” significa se colocar em uma situação arriscada, mexendo com algo ou com alguém com mais força ou poder que você. Se for cutucar uma onça, melhor que seja com uma vara bem longa, para dar tempo de correr da fera.

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Link para acesso à reportagem da Empresa Brasil de Comunicação que fala sobre as contribuições de palavras de origem indígena para o português falado no Brasil: https://memoria.ebc.com.br/infantil/voce-sabia/2015/10/palavras-indigenas-nomeiam-maior-parte-das-plantas-e-animais-do-brasil

Palavras do Brasil - T1Ep#6 (Pipoca)

Saison 1

lundi 8 novembre 2021Durée 03:00

No início da década de 1990, o refrigerante Guaraná (uma outra palavra de origem indígena) lançou uma campanha publicitária com um jingle que marcou gerações numa ode à pipoca, a melhor pedida para assistir a um filme, no cinema ou em casa. Um trecho da canção dizia:

"Pipoca na panela
Começa a arrebentar
Pipoca com sal
Que sede que dá"

Do tupi pi’ (pele) e poka (rebentar), pipoca é a pele rebentada, a pele estourada. O poka teria uma origem onomatopaica numa tentativa de reproduzir o barulho do estouro do grão de milho. É notável a semelhança com a formação de pipoca em inglês: popcorn, que significa “milho que estala”.

Num momento auto-ajuda, gostaria de propor uma reflexão que fosse além da etimologia e do significado de palavras da língua portuguesa. A experiência nos mostra que a vida nem sempre é fácil, mas sem as dificuldades pelas quais passamos jamais seríamos capazes de nos transformar. Nós somos como o milho da pipoca. O educador e escritor Rubem Alves uma vez disse que o “milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira.” Pipoca nada mais é que o produto dos grãos de milho rebentados no calor do fogo. Como nós, o milho se transforma diante de mudanças.

Do termo pipoca, surgiu o verbo pipocar que, no futebol, figurativamente, passou a ser o ato de um atleta escapar de uma jogada com receio de contusão. A imagem do jogador que pula para fora da jogada é como a de uma pipoca saltando na panela. Podemos dizer que um jogador que pipoca está amarelando, se acovardando.

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Fonte sobre o verbo pipocar: A Origem Curiosa das Palavras, de Márcio Bueno. Ed. José Olympio, 2002.

Palavras do Brasil - T1Ep#5 (Paçoca)

Saison 1

lundi 1 novembre 2021Durée 03:26

Paçoca não é apenas um, mas sim dois pratos típicos da culinária brasileira. Existe a paçoca salgada e a paçoca doce. De origem tupi, pa’soka significa “aquilo que é socado”. Socar nesse contexto tem o sentido de “moer, esmagar, amassar”. Embora muitas pessoas achem que a paçoca é um alimento de origem nordestina, originalmente eram povos indígenas que se alimentavam com a versão salgada dela, feita à base de carne bovina seca desfiada e farinha de mandioca. A carne era socada no pilão junto com a farinha de mandioca, que às vezes podia ser substituída por farinha de milho. Em seguida, ela era temperada com sal e ervas.

Com o tempo, a paçoca se tornou também o alimento levado por viajantes em longas jornadas. Como muitas vezes eles demoravam semanas para chegar a seus destinos, era necessário pensar em uma refeição leve de se carregar e que pudesse ser preparada com facilidade. Essa necessidade fez da paçoca um dos alimentos mais consumidos no país e um dos que rapidamente se popularizou Brasil afora.

Tropeiros, responsáveis por transportar encomendas e mensagens entre diferentes áreas do país, consumiam o alimento. Enquanto responsáveis pela integração entre comunidades e cidades, funcionavam como difusores de conhecimento, informações e mercadorias, tendo sido fundamentais para a circulação da receita no território. A paçoca se popularizou entre outros grupos de trabalhadores que também precisavam de praticidade em suas refeições. Um deles é o de garimpeiros, que a consumiam enquanto buscavam pedras preciosas às margens de rios. A receita foi sendo aperfeiçoada com outros ingredientes e passou, inclusive, a ser industrializada para comércio em escala.

Já a paçoca doce, de amendoim, é um doce tradicional típico da comida interiorana. Ela é consumida especialmente durante os festejos tradicionais que ocorrem nos meses mais frios do ano no Brasil: as festas juninas/julinas. Contudo, a mistura de amendoim, farinha de mandioca e açúcar também é encontrada industrializada, especialmente em formato cilíndrico. Por causa disso, seu consumo é estendido e acaba ocorrendo de janeiro a dezembro.

Palavras do Brasil - T1Ep#4 (Amendoim)

Saison 1

lundi 25 octobre 2021Durée 03:44

No Tratado Descritivo do Brasil, de 1587, o colono português Gabriel Soares de Sousa escreveu que dos "mendobis temos que dar conta particular, porque é coisa que se não se sabe haver senão no Brasil". Esse fruto, não apenas presente em solo brasileiro, mas originário da América do Sul, se desenvolve e amadurece debaixo da terra, nas raízes das plantas. É por isso que uma das hipóteses etimológicas é a de que seu nome vem do tupi ybá (fruto) tibi (enterrado). Contudo, essa não é a única hipótese para a origem da palavra que poderia ser originária de manda-obi, com o significado de “rolo pontiagudo”. Já o acréscimo da vogal “a” no início da palavra teria sido feito pelos europeus ao notarem semelhanças entre o amendoim e a amêndoa.

Achados arqueológicos de mais de 3,7 mil anos fundamentam a utilização do amendoim na dieta dos povos pré-colombianos. O fruto, de casca espessa, contém de duas a cinco sementes, recobertas por uma fina película colorida entre cores como roxo, vermelho e marrom, a depender da espécie. São muitos os produtos feitos com amendoim. Entre os mais populares, estão a farinha, o óleo, a pasta de amendoim e a paçoca. As sementes também podem ser consumidas como petiscos salgados ou em pequenos pedaços em pratos doces. Os grãos de amendoim apresentam alto valor energético, de lipídios e proteínas. Ainda são fonte de minerais, como cálcio, potássio, magnésio e fósforo. Apesar de apresentar muitas vantagens nutricionais, o amendoim também costuma figurar na lista dos alimentos que mais causam reações alérgicas.

Ainda no século XVI, o amendoim foi levado para a China pelos portugueses e passou a fazer parte de vários pratos típicos daquele país, atualmente maior produtor do fruto. Sua produção mundial não é muito grande, mas tem aumentado devido à demanda pela sua transformação em biodiesel. Subprodutos da extração de seu óleo têm demanda na alimentação animal. Refinado, esse óleo é utilizado também pelas indústrias farmacêutica e cosmética. Não refinado, é utilizado como combustível e lubrificante.

O amendoim verde cozido foi reconhecido oficialmente como patrimônio imaterial do estado de Sergipe, localizado na Região Nordeste do Brasil, por meio da Lei 7.682/2013. A legislação assegura a importância cultural desse alimento típico do Estado de Sergipe, mas consumido com gosto por todo o país.

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Link para acesso à lei que torna o amendoim verde cozido patrimônio imaterial do Estado de Sergipe e dá providências correlatas: https://al.se.leg.br/Legislacao/Ordinaria/2013/O76822013.pdf

Palavras do Brasil - T1Ep#3 (Maracujá)

Saison 1

lundi 18 octobre 2021Durée 03:42

Maracujá é a denominação geral dada ao fruto e à planta de várias espécies do gênero Passiflora. Foi ainda no século XVI, nos primórdios da colonização europeia na América do Sul, que as primeiras referências escritas a plantas do gênero Passiflora foram feitas. No Tratado Descritivo do Brasil, de 1587, o colono português Gabriel Soares de Sousa trouxe, em detalhes, traços do Brasil quinhentista, incluindo na obra referências ao maracujá como uma planta exótica com múltiplas potencialidades alimentares, ornamentais e medicinais.

Se algum dia você pensou que o maracujá andou recebendo por aí o nome de “fruto da paixão” porque possui propriedades afrodisíacas, devo dizer que, na verdade, o maracujá é bastante conhecido por suas propriedades nada estimulantes, já que se trata de um calmante natural. Por que então o maracujá acabou ganhando essa fama?

Foi ainda no século XVI que o médico e botânico espanhol Nicolás Monardes fez uma descrição detalhada da planta, permitindo que o historiador italiano Giacomo Bosio fizesse associações das estruturas da flor do maracujá com elementos da paixão, mas a de Cristo. A analogia foi publicada na obra "La trionfante e gloriosa Croce” em 1610. Nela, elementos da flor do maracujá se tornaram representativos dos cravos da crucificação, das chagas e da coroa de espinhos de Jesus e até dos chicotes e das lanças usadas por seus algozes.

Do tupi mboruku'ia, o maracujá é um “alimento que se toma em goles”. Com uma diversidade genética expressiva em suas centenas de espécies, o maracujá pode ser utilizado, de fato, com múltiplas finalidades alimentares, ornamentais e medicinais, como indicado há quase 500 anos no Tratado Descritivo do Brasil.

Mais comumente, com o maracujá se faz sucos, iogurtes, mousses, doces, sorvetes e geleias. Mas, bastante apreciado na gastronomia gourmet, o maracujá é um ingrediente cada vez mais adotado em pratos salgados, sendo base, por exemplo, de molhos para saladas e carnes. A singularidade de suas flores o torna elemento decorativo e paisagístico. Suas finalidades fitoterápicas são voltadas principalmente para problemas relacionados ao sistema nervoso. No entanto, muitas substâncias presentes nos frutos, principalmente na polpa e na casca, contribuem beneficamente para a saúde humana por terem atividade antioxidante e de diminuição da pressão arterial, da taxa de glicose e de colesterol no sangue.

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Link para acesso ao artigo de pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a Embrapa, para o Programa Cooperativo para o Desenvolvimento Tecnológico Agroalimentar e Agroindustrial do Cone Sul, o PROCISUR: https://www.procisur.org.uy/adjuntos/procisur_maracuja_506.pdf

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