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# 200 – Ugo Giorgetti em 4 documentários – 1a parte29 Aug 202500:28:49
Neste episódio você vai conhecer um pouco do lado documentarista do cineasta Ugo Giorgetti, por meio de uma análise dos documentários "Pizza" e "Em busca da Pátria Perdida".
Série Termos Ambíguos – #6 Politicamente Correto18 Aug 202500:15:30
Neste novo episódio da série Termos Ambíguos, o verbete abordado é o "Politicamente Correto". O termo começou a ser usado no século XVIII, nos Estados Unidos, para denotar visões e ações políticas e sociais consideradas “corretas e justas” . Como outros termos, aos poucos passou a ser acionado para defender ou justificar declarações que ofendem e agridem verbalmente pessoas negras, mulheres, pessoas LGBTQIA+, PCD’s e outras minorias. Humoristas têm sido grandes opositores do termo, alegando que o politicamente fere a liberdade de expressão. Ouvimos as especialistas Nana Soares, Joana Plaza e Anna Bentes sobre o uso e a desqualificação do termo. ________________________________________________ ROTEIRO Gravação Léo Lins (Humorista): “Tudo fica divertido. Se alguém fala ‘Po, o que aconteceu ali? Um estupro’. Pesado. ‘Que que aconteceu ali? Um estuprito’ Divertido. Estuprito? Posso participar um pouquito? Só a cabecita”. Tatiane: Essa fala foi dita pelo humorista Leo Lins pra ser engraçada, mas brincar com estupro, vamos combinar, não tem nenhuma graça. Daniel: Em junho de 2025, Leo Lins foi condenado a 8 anos e meio de prisão por incitação à discriminação contra pessoas com deficiência. A decisão reconheceu que o conteúdo de suas piadas ultrapassa os limites do humor e configura discurso de ódio. Gravação Léo Lins: “Assim como no meu show, também tem avisos: Show de HUMOR, apresentação de stand up Comedy, obra teatral, ficção, você está entrando em um teatro, está no canal do humorista Léo Lins; mas parece que as pessoas perderam a capacidade de interpretar o óbvio”. Tatiane: A frase, que parece apenas uma defesa pessoal, ecoa um discurso mais amplo, uma tentativa de deslegitimar qualquer responsabilização por falas públicas sob a acusação de que vivemos numa “ditadura do politicamente correto”. Daniel: Tenho certeza de que você já ouviu falar neste termo. Nas últimas décadas, o termo “politicamente correto” tem aparecido constantemente no debate político, e no imaginário coletivo atual. Mas afinal, o que ele realmente significa? [INSERT TRILHA] Tatiane: Pra você que ainda não nos conhece, eu sou a Tatiane... Daniel: E eu sou o Daniel. E esse é o Termos Ambíguos, o podcast que mergulha nas palavras e expressões que se tornaram comuns no debate público atual. Tatiane: Este projeto é uma parceria entre o podcast Oxigênio, do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Unicamp, e o Observatório de Sexualidade e Política, o SPW. Daniel: A cada episódio, analisamos termos usados principalmente por vozes de ultra direita que recorrem a essas expressões para “tensionar, inverter e distorcer as disputas políticas”. Hoje, o termo é: politicamente correto. Tatiane: Desde a primeira onda de propagação nos anos 2000, o termo politicamente correto se cristalizou como acusação pronta. No Brasil e em muitos outros países essa expressão é acionada para desqualificar as ditas “patrulhas que se opõem à Liberdade de expressão”, sendo invocado constantemente para defender ou justificar declarações que ofendem e agridem verbalmente pessoas negras, mulheres, pessoas LGBTQIA+, PCD’s e outras minorias. Daniel: Por conta disso, nos últimos anos, o termo tem causado muitos embates, especialmente sobre os limites do humor, como no caso recente de Léo Lins. Tatiane: Entretanto, é bom saber que o termo Politicamente Correto não é exatamente uma novidade. Já no século XVIII, nos Estados Unidos, o termo era usado para denotar visões e ações políticas e sociais consideradas “corretas e justas” . Daniel:  Mais tarde, no século XX, na União Soviética eram “Politicamente Corretas” as visões e ações que não se desviavam da “linha correta” do Partido Comunista. Joana Plaza: “[...] como politicamente correto mudou de sentido ao longo do tempo. Tatiane: Essa é Joana Plaza, professora do Departamento de Estudos Linguísticos e Literários, da Universidade Federal de Goiás. Joana Plaza: [...
Série Termos Ambíguos – #5 Marxismo Cultural14 Mar 202500:51:57
O episódio trata da expressão Marxismo Cultural, explorando o termo, desde sua origem, e como tem servido à ultradireita no Brasil e outros países.
#120 Leitura de fôlego ep. 3 – Capitu e suas herdeiras? Personagens femininas silenciadas28 Jan 202100:31:02
Neste terceiro episódio da Série Leitura de Fôlego, Lúcia Granja, professora do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Unicamp, fala sobre sua pesquisa relacionada ao silenciamento da mulher em obras literárias brasileiras. Os autores estudados têm um perfil muito semelhante, são, em maioria, homens, brancos, e vivem no Rio de Janeiro e em São Paulo. Através de seus personagens homens, em geral os narradores das histórias que ao contarem sobre algum conflito pelo qual passam ou passaram, tentam omitir a voz da mulher em relação ao acontecimento narrado, sem muito sucesso. Lúcia vem estudando esse tema há quase 30 anos e neste podcast ela conta para a Laís Toledo, algumas passagens de obras importantes, e vai analisando justamente esse aspecto encontrado na literatura brasileira.  _________________________   Laís Toledo: Oi! Eu sou a Laís Toledo, e esse é um episódio da “Leitura de fôlego”, uma série sobre Literatura pro Oxigênio. Laís: Um homem e uma mulher formam um casal. Por algum motivo, acontece um conflito entre eles, e esse relacionamento acaba. O homem, depois, resolve contar esse conflito. Com isso, ele procura dar um novo significado pra própria vida e, ao mesmo tempo, silenciar, omitir, a voz da mulher em relação ao que aconteceu entre os dois. Mas, de alguma forma, a voz dessa mulher consegue escapar e aparecer na história... A Lúcia Granja, que conversa com a gente nesse episódio, percebeu que esse modelo de narrativa se repete em algumas importantes obras literárias brasileiras. Partindo do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis, a nossa conversa passa por Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Raduan Nassar até chegar a um escritor contemporâneo, o Marcelo Mirisola. A Lúcia é professora e pesquisadora do Instituto de Estudos da Linguagem, o IEL da Unicamp. Ela pesquisa principalmente a obra do Machado de Assis; em especial, as crônicas desse escritor e as relações entre Literatura e Jornalismo na produção dele.  Laís: A Lúcia propõe essa análise sobre o silenciamento feminino como uma linha de força na ficção brasileira. Ou seja, como um tema recorrente. Ela desenvolveu essa análise a partir do conhecimento que tem sobre o Machado de Assis e a partir também de pesquisas didáticas que ela vem fazendo há quase 30 anos para oferecer disciplinas, na universidade, sobre Literatura brasileira. Pra começar a conversa, então, eu pedi pra Lúcia explicar essa leitura que ela faz.       Lúcia Granja: Eu acabei percebendo que existe pelo menos um modelo inicial que vai se desdobrar no século XX em termos de romance:  um homem que narra o conflito amoroso (um homem, portanto, que é um narrador personagem), que, depois de ter vivido uma situação traumática de conflito amoroso, vai falar desse conflito e isso seria o romance. Portanto, é um romance autobiográfico. E, nesse caso, existe um processo duplo, que é o processo de silenciamento da mulher, que é o par amoroso desse homem, mas às vezes essa mulher, de alguma maneira, ela recupera um espaço de fala dentro desse relato, que seria o relato unilateral de um homem. Isso vai se transformando ao longo do século XX e vai mudando de romance para romance.  Laís: Para essa análise, a Lúcia selecionou alguns romances, entre outros que poderiam ser incluídos nesse modelo. Eu pedi pra ela comentar sobre essas escolhas. Lúcia: Eu pensei em Dom Casmurro como um paradigma de início, porque Dom Casmurro inaugura o século XX. Dom Casmurro chegou ao Brasil em janeiro de 1900, embora ele tenha sido publicado em 1899 pelos editores Garnier em Paris, ele chegou ao Rio de Janeiro em janeiro de 1900. Então, a partir de Dom Casmurro, o paradigma se estende pra Graciliano Ramos, São Bernardo, depois, de uma maneira muito mais complexa, Grande Sertão: Veredas, mais tarde, Um copo de cólera e, depois, eu acabei abrindo para um romance absolutamente contemporâneo, de um escritor que se chama Marcelo Mirisola, e que se chama Hosana na sarjeta, o romance. Então,
#119 – Escuta Clima – Ep 3: Vulnerabilidade: desigualdade social e estruturas urbanas21 Jan 202100:22:54
A alteração climática tem um forte componente que é a ação humana e que afeta direta e indiretamente sua própria espécie. No entanto, a forma que cada pessoa é atingida pelos desastres naturais causados e intensificados pelo aquecimento global é muito diferente. A vulnerabilidade é um fator determinado pela desigualdade social e isso fica claro ao analisar as estruturas urbanas, um fator decisivo para indicar se o indivíduo vai sobreviver ou não em um evento extremo. Essa é a primeira parte do tema Vulnerabilidade Humana frente às Mudanças Climáticas. A série Escuta Clima é produzida pela Camila Ramos e está ligada ao curso de Especialização em Jornalismo Científico do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor), do Núcleo de Desenvolvimento da Criatividade (Nudecri) da Unicamp. O projeto tem o objetivo de divulgar as pesquisas e pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia sobre Mudanças Climáticas (INCT-MC) e é apoiado pela bolsa Mídia Ciência da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).  ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Camila Ramos - “Twister”, “O dia depois de amanhã”, “O impossível”, “2012”. Você já assistiu algum desses filmes que retratam desastres naturais? É um tema que Hollywood adora e não vou negar que também amo esses filmes. Prendo a respiração nas cenas tensas e até choro nas cenas dramáticas. Mas morro de rir com a falta de realismo e com os efeitos especiais de qualidade questionável. Se no cinema esses eventos extremos provocam emoções que vão da tristeza ao riso, no mundo real a situação é um pouco diferente. Furacões e tornados, terremotos e tsunamis e erupções vulcânicas acontecem de uma forma muito mais cruel, triste e devastadora que na ficção. Você consegue se lembrar de algum exemplo de desastre que tenha ocorrido realmente? Para mim, os tsunamis que atingiram a Indonésia em 2004 e o Japão em 2011 foram os mais marcantes. Mas ao longo dos meus vinte e quatro anos, muitos desses eventos ocorreram, causando perdas humanas e materiais principalmente em localidades mais empobrecidas. E saiba que a perspectiva pro futuro não é nada boa nesse sentido. O relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas de 2014 indica que os eventos extremos de ordem climática estão ficando cada vez mais intensos e mais frequentes. E o principal motivo é o aquecimento global.  Esses desastres causam muitos danos ao meio ambiente, às estruturas urbanas e, principalmente, levam milhões de pessoas à morte ou à situação de fragilidade.  Sabemos que uma parcela da população é muito mais vulnerável que outros grupos. E isso é provocado, principalmente, pela desigualdade social. Por isso, dependendo da localidade em que os eventos extremos ocorrem, o impacto para a população e para a economia são muito diferentes. Por exemplo, no Brasil, a cada 100 habitantes de uma cidade, nove vivem em áreas de risco. Esse dado é de uma pesquisa feita pela Regina Alvalá, que é uma das entrevistadas do episódio de hoje. Ela é pesquisadora e coordenadora de Relações Institucionais do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, o CEMADEN. Outra pessoa que vamos ouvir é o Alberto Najar, que é sociólogo e pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz, a Fiocruz. Eu conversei também com a Gabriela Couto, doutoranda do Centro de Ciência dos Sistemas Terrestres do INPE e pesquisadora associada do Cemaden. Eu sou Camila Ramos e você está ouvindo o Escuta Clima. Um podcast para divulgar as pesquisas do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia sobre Mudanças Climáticas. É vinculado ao Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Unicamp, o Labjor, e é uma seção da revista ClimaCom e Rede de Divulgação Científica e Mudanças Climáticas. [Vinheta do podcast Escuta Clima] Camila Ramos - É muito comum ouvir o termo desastre n...
#118 – Gaia episódio 3 – Projetando o futuro14 Jan 202100:24:34
#117 – Série Casa de Orates – Ep. 03: Tranquem os loucos!07 Jan 202100:26:20
O Casa de Orates é uma série do Oxigênio pra conversar sobre saúde mental. Nesse terceiro episódio vamos falar sobre a luta antimanicomial no Brasil e a regressão nas políticas públicas de saúde mental que vem ocorrendo nos últimos cinco anos. Desde 2015, durante o Governo Dilma, posicionamentos conservadores na psiquiatria estão ganhando espaço e recursos. Esses grupos defendem o isolamento como tratamento e a religião como cura. Para entender como isso pode afetar a vida de milhões de brasileiros, conversamos com Paulo Amarante, presidente de honra da Associação Brasileira de Saúde Mental, a Abrasme, e fundador do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial da Fiocruz, e Fernando Freitas, pesquisador em saúde mental e atenção psicossocial da Fundação Oswaldo Cruz.  O episódio também conta com trechos da obra O Alienista, de Machado de Assis, que está disponível no link: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000231.pdf Confira os documentos e legislações citados no programa.  - A lei nº 10.216, de 2001, que garantiu as novas diretrizes dos tratamentos de saúde mental: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10216.htm - O memorial Retrocessos no cuidado e tratamento de saúde mental e drogas no Brasil, elaborado pela Associação Brasileira de Saúde Mental - ABRASME: https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2020/12/900.8_LY_CARTA_abrasme_A4.pdf - Já as notas do Conselho Federal de Psicologia sobre as comunidades terapêuticas e as novas legislações, principalmente as focadas nas pessoas em situação de rua e em jovens, estão disponíveis no site da instituição: https://site.cfp.org.br/ Roteiro Trecho de O Alienista (Roberta Bueno): Supondo o espírito humano uma vasta concha, o meu fim, Sr. Soares, é ver se posso extrair a pérola, que é a razão; por outros termos, demarquemos definitivamente os limites da razão e da loucura. A razão é o perfeito equilíbrio de todas as faculdades; fora daí insânia, insânia e só insânia. Rafael Revadam: Entre os anos de 1881 e 82, Machado de Assis publicou a obra O Alienista. Na história, o médico Simão Bacamarte resolve analisar o que é a loucura. Pra  isso, consegue a autorização do município de Itaguaí e lá constrói o seu hospício, a Casa Verde. Ana Augusta Xavier: Naquela época, os manicômios eram chamados de Casa de Orates, já que orate significa demente, louco, aquele que perdeu o juízo. E apesar desse termo não ter sido criado por Machado, foi sua obra que inspirou o nome da nossa série de reportagens. Casa de Orates é o título do primeiro capítulo do livro. Rafael: Disposto a recolher toda pessoa que aparentasse traços de loucura, Bacamarte começou a ver a tal falta de sanidade em todo mundo. Pessoas em situação de rua, loucos de amor, gente materialista… Se alguém fugisse dos padrões comportamentais dignos da sociedade, ia parar na Casa Verde. Ana Augusta: E o que parece ser uma sátira de ficção do Machado de Assis, na verdade tem muito da realidade. As políticas manicomiais surgiram para internar qualquer pessoa que se deslocasse do que a sociedade considerava normal. Pobres, homossexuais, mães solteiras, jovens da elite que se envolviam com pessoas de uma classe social diferente. Todos paravam nos hospícios. Rafael: Um exemplo disso é o Colônia, que foi o maior hospital psiquiátrico do Brasil, e ficava na cidade de Barbacena, em Minas Gerais. O psiquiatra Franco Basaglia, precursor do movimento italiano de reforma psiquiátrica, visitou o hospital em 1979. Ao sair, ele deu uma coletiva de imprensa e disse que o Colônia mais parecia um campo de concentração nazista.  Ana Augusta: E a comparação de Basaglia não é exagerada. Entre os anos de 1930 e 1980, foram contabilizadas 60 mil mortes no Colônia. A jornalista Daniela Arbex publicou, em 2013, um livro-reportagem sobre o hospital, que chamou de Holocausto Brasileiro. Rafael: Vale destacar que o Colônia é apenas um dos hospitais psiquiátrico...
#116 – Afinal, o que é bem-estar animal?30 Dec 202000:30:21
Nota da equipe de produção: Este é o último episódio do ano. Agradecemos a audiência neste 2020 e contamos com a companhia de nossos ouvintes em 2021. Agradecemos também a parceria com a Rádio Unicamp. Desejamos muita paz, saúde, realizações e muitos podcasts pra todos!  É comum ver questões polêmicas na mídia que envolvem o bem-estar animal. Nesse cenário, as pessoas frequentemente se posicionam sobre o que deve ou não ser feito para melhorar as condições de vida dos animais mantidos sob cuidados humanos. Mas o que realmente é bem-estar animal? Quais aspectos estão envolvidos e devem ser considerados para melhorar efetivamente a qualidade de vida dos animais? Neste programa, mergulhamos na ciência por trás do bem-estar animal e quem nos ajuda nessa jornada é o médico veterinário e docente da Unesp Stelio Luna, a zootecnista e doutoranda em Zootecnia Marina da Luz, o médico veterinário e doutorando em Biotecnologia Animal Pedro Trindade e a psicóloga e adestradora Marina Bastos.  Érica: Meu nome é Érica, sou de Minas Gerais, de Andradas. O bem-estar animal seria cuidar bem dos animais. Digo da parte da saúde deles. O que tem que ser feito para eles ficarem saudáveis, né? E também eu acho que a gente pode falar a respeito do cuidado mais emocional com o animal hoje em dia, né? Penso no meu pet, a gente cuida deles com muito carinho, porque eles nos dão isso também. Marcel: Meu nome é Marcel Almeida, sou de Botucatu, e no meu entendimento o bem-estar animal ele vai além do simples fato de você prover alimentação e recursos básicos. É você entender a situação em que esse animal vive na natureza e prover para esse animal recursos similares, sejam do âmbito de alimentos, temperatura, umidade e condições de sobrevivência que ele possa ter um ambiente saudável e sem estresse. Gisele: Meu nome é Gisele, sou de Campinas e pra mim o bem-estar animal são todos os bichos na natureza, inseridos onde eles já são nativos. Eu acredito que os bichos perto dos homens, eles não querem; os bichos não gostam dos humanos e não tá sendo bom pra eles não. Eles gostam de ficar na natureza, no seu habitat natural. Plínio: Me chamo Plínio, sou de Botucatu, Estado de São Paulo, e pra mim o bem-estar animal significa um ambiente ou uma condição em que qualquer animal possa viver em total liberdade, sem interferência humana, livre de exploração e crueldade. Carol:  O que vocês acabaram de ouvir são ‘definições’ de bem-estar animal de pessoas que, embora não trabalhem nem estudem isso, gostam muito de animais… Saúde física, boa alimentação, saúde emocional, liberdade total, viver em condições similares à natureza e estar distante dos seres humanos foram elementos trazidos nessas definições. Mas cada uma trouxe um enfoque diferente… Qual delas será que está mais próxima do que se conhece na ciência? Vinícius: Não é difícil ver uma notícia polêmica envolvendo o bem-estar animal. São comuns os debates sobre o sofrimento dos animais utilizados na pesquisa, nos sistemas de produção, nos zoológicos ou quando são abandonados ou maltratados… Mas, embora esses temas sejam frequentes na mídia, dificilmente uma definição de bem-estar animal com embasamento científico aparece. O fato é que, em se tratando de bem-estar animal, ouve-se muito, fala-se muito, mas sabe-se pouco…  Carol: As pessoas definem o bem-estar animal com base em seus próprios referenciais. Opinam sobre o que deveria ou não ser feito em situações que envolvem o sofrimento animal. Mas como saber o que é melhor para os animais, se eles estão bem ou não, sem antes saber de fato o que é bem-estar animal?  Vinícius: Pra responder essas perguntas, o Oxigênio de hoje explora a ciência por trás do bem-estar animal. Eu sou o Vinícius Alves. Carol: E eu sou a Caroline Maia. E começa agora o episódio: Afinal, o que é bem-estar animal? Vinícius: De onde surgiu a preocupação com o bem-estar animal? Bom, o contato direto do ser humano com os animais e o estabelecimento de uma re...
#115 – Leitura de fôlego ep 02: O ensaio em cena ou o espetáculo da dúvida23 Dec 202000:22:24
Às vésperas do Natal de 2020, ano difícil, de pandemia de Covid-19 e isolamento social, o Oxigênio traz o segundo episódio da série "Leitura de Fôlego", uma forma de nos conectarmos com nossos ouvintes com um tema mais suave para esses dias em que começamos a desacelerar. “Leitura de Fôlego” é uma série que apresenta temas de pesquisas de professores do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL), da Unicamp. Nesse episódio, conversamos com o professor e pesquisador Alexandre Soares Carneiro sobre um tipo de texto que pode assumir diferentes formatos e que dá liberdade para seus escritores revelarem o processo irregular de seus pensamentos, suas dúvidas e até seus defeitos, tudo isso em um tom parecido com uma conversa. O assunto de hoje são os ensaios. Após ouvir algumas características desse texto, vamos conhecer mais sobre um importante ensaísta francês do século XVI, Michel de Montaigne. Ele inaugurou o uso da palavra “ensaio” para se referir a esse tipo de texto e escreveu sobre os mais diversos temas: desde o pedantismo, os índios canibais até os polegares. Depois, nossa conversa passou pelo ensaísmo brasileiro, que é mais importante do que parece. E acabou com dicas para quem quiser começar ou continuar a ler esse tipo de texto. Quem está à frente deste projeto é a Laís Souza Toledo Pereira, com supervisão e edição de Simone Pallone e trabalhos técnicos de Gustavo Campos e de Octávio Augusto Fonseca. Quem ajuda na divulgação do podcast é a Helena Ansani Nogueira. Vamos ao episódio, que é o número 115 do Oxigênio. **************************** Laís Toledo: Oi! Eu sou a Laís Toledo, e esse é um episódio da “Leitura de fôlego”, uma série sobre Literatura pro podcast Oxigênio.  Laís: Os bastidores dos nossos pensamentos não são nada glamurosos. Hesitações, dúvidas, correções... A gente tende a não querer mostrar esse tipo de coisa. Ainda mais em um contexto entulhado de textão nas redes sociais, com mitos de um lado e cancelados do outro... Outra coisa que a gente não gosta muito de mostrar são as nossas frustrações, as nossas imperfeições. É filtro, edição, marketing pessoal e #gratidão que não acaba mais... A conversa de hoje é sobre um tipo de texto que autoriza o autor a se mostrar, sem certezas e sem enfeites. Vamos falar sobre Ensaios. Quem conversa com a gente hoje é o Alexandre Soares Carneiro, professor do Instituto de Estudos da Linguagem, o IEL, da Unicamp. Sua trajetória de pesquisa abrange assuntos como Literatura Portuguesa, Literatura Medieval e o Renascimento. E, há mais de dez anos, ele tem se dedicado a pesquisar também o nascimento e as transformações do gênero ensaístico. Bom, o ensaio é um tipo de texto que dá espaço pro autor se mostrar, com suas dúvidas e imperfeições. Mas ele é muito mais do que isso. Pra começar essa conversa, eu pedi pro Alexandre dizer como ele definiria um ensaio. Alexandre Soares Carneiro: Eu diria que o ensaio é um texto de reflexão de forma livre, o que dificulta muito uma definição, porque obviamente ele pode assumir aspectos muito variados. Mas podemos identificar a tal liberdade do ensaio no fato de o ensaísta expressar não apenas o resultado final, mas um pouco do processo irregular do pensamento, desde a formulação de um problema, uma dúvida, um paradoxo que ele observou, passando pelas hipóteses iniciais, as hesitações, desvios, correções. O ensaio tende a incorporar as dúvidas naturais do processo de reflexão, talvez como as perguntas de um interlocutor imaginário, o que remete à característica dialógica do pensamento. Assim, a gente pode associar o ensaio à conversação, com sua típica a-sistematicidade. A liberdade de testar ideias ou perspectivas insólitas também pode ser associada ao espírito da conversação. Laís: Além dessa associação com a conversa, com sua natureza não sistemática, não organizada, o Alexandre falou também sobre uma diferença entre a palavra “ensaio” e os textos com características de ensaio. 
#114 Essa tal de Genômica – ep. 221 Dec 202000:20:32
Este programa continua introduzindo um panorama sobre como a Genômica é uma ciência transversal e emergente, contribuindo para desafiar as fronteiras do conhecimento de outras áreas científicas. O que muda do #113 é que agora o potencial da Genômica será relacionado a outros dois campos de atuação: conservação de espécies ameaçadas e saúde pública! Para entender melhor isso, os divulgadores científicos Vinícius Alves e Adriane Wasko conversaram com Patrícia Freitas e Lygia da Veiga Pereira. Patrícia é bióloga, professora da UFSCar e tem experiência de pesquisa com Genômica da Conservação Animal, especialmente primatas como o mico leão preto. Já Lygia é física, professora da USP e tem experiência de pesquisa em Genética Humana e Médica.  Áudios do jornalista científico Marcelo Leite foram cedidos para o encerramento do programa. A seguir, você tem o roteiro completo para acompanhar a conversa. Sejam todos bem vindos ao segundo episódio de “#114 Essa tal de Genômica” do podcast Oxigênio! Obs.: A foto do mico leão preto em vida livre é do Felipe Bufalo. O playback do mico leão preto é da ONG Itapoty. As demais imagens e trilhas sonoras são de bancos de uso público. ******************************** Vinícius: Olá, ouvintes! O Oxigênio de hoje é o segundo episódio sobre Genômica. No episódio anterior, já tivemos uma noção de como a Genômica é uma área emergente e transversal no meio científico. E agora vamos falar um pouco sobre como estudos genômicos podem contribuir com duas outras áreas de amplo interesse público. No caso, a conservação de espécies ameaçadas e a saúde pública. Eu sou Vinícius Alves. Adriane: Eu sou Adriane Wasko e começa agora: “Essa tal de Genômica, episódio 2” Vinícius: Parte dos pesquisadores que trabalham com conservação da biodiversidade vêm utilizando dados genômicos. Por exemplo no Brasil, há projetos que sequenciam genomas de plantas endêmicas e altamente adaptadas ao ambiente estressante do Nordeste. Já em genômica da conservação animal, podemos destacar projetos com espécies ameaçadas de extinção que estudam genes adaptativos em populações de arara-azul, onça-pintada, tubarão-martelo, mico-leão-preto e outras. Adriane: Quem pode comentar melhor sobre genômica da conservação animal é a geneticista Patrícia Domingues de Freitas, que por sinal, estudou comigo. Patrícia é professora do Departamento de Genética e Evolução da Universidade Federal de São Carlos, a UFScar. Uma de suas linhas de pesquisa é a genômica aplicada à conservação animal, com ênfase no grupo dos Primatas. Patrícia: A produção de dados genômicos ela surge com o desenvolvimento das tecnologias de sequenciamento do DNA né, lá na década de 70, de 80, mas principalmente nos inícios dos anos 90, quando surgem os projetos genoma, incluindo o projeto Genoma Humano. Na biologia da conservação, esse processo se dá mais pra frente depois dos anos 2000, quando as tecnologias de sequenciamento de DNA se tornam mais robustas a partir do desenvolvimento de métodos que a gente chama de ‘próxima geração’ que permitem a produção de dados genômicos em maior escala. Vinícius: Ouvindo você agora, Patrícia, eu lembrei que já li que com as técnicas de hoje em dia é possível marcar milhares de genes específicos ou até regiões inteiras do genoma nos indivíduos de uma espécie. Com isso em mãos, eu imagino que a genômica da conservação possa caracterizar geneticamente a população de uma espécie animal ou vegetal que vive em uma determinada área e, também, acompanhar se essa população está mantendo uma boa variabilidade genética com o passar dos anos. É mais ou menos isso? Patrícia: Bom, a gente sabe que a variabilidade genética é um elemento essencial pra manutenção e viabilidade de uma espécie ao longo do tempo perante as mudanças ambientais. Então a gente costuma dizer que quanto maior a variabilidade genética de uma espécie ou de suas populações, maior o potencial evolutivo daquela espécie. Ou seja,
#113 Essa tal de Genômica – ep 0117 Dec 202000:20:38
Este programa traz uma pitada de como a Genômica é uma ciência transversal e emergente, contribuindo para desafiar as fronteiras do conhecimento de outras áreas científicas, como melhoramento genético da agricultura tropical convencional, citogenética e evolução biológica!  Há grandes projetos e linhas de pesquisa em ação que têm a mão direta ou indireta da Genômica. Para entender melhor isso, os divulgadores científicos Vinícius Alves e Adriane Wasko conversaram com Ana Cristina Brasileiro e Cesar Martins. Ana é engenheira florestal da Embrapa de Brasília e tem experiência de pesquisa em Genômica de Plantas. Enquanto Cesar é biólogo e professor da Unesp de Botucatu, com experiência de pesquisa em Citogenética e Evolução Genômica Animal. Áudios da pesquisadora Lygia Pereira e do jornalista científico Marcelo Leite foram cedidos para abertura do programa. A seguir, você tem o roteiro completo para acompanhar a conversa.  Sejam todos bem vindos ao primeiro episódio de “#113 Essa tal de Genômica” do podcast Oxigênio! Obs.: na arte de chamada do episódio, a foto (ao fundo) de bioinformática com análise de genoma é do Ivan Rodrigo Wolf. As demais imagens e também as trilhas sonoras são de bancos de uso público. LYGIA: Um genoma é uma grande receita que a natureza segue para transformar a primeira célula que a gente já foi em um ser humano.. trilhões de células especializadas e organizadas. MARCELO LEITE: Eu gosto de pensar no genoma mais como um ecossistema do que como um programa de computador.  VINÍCIUS: Independente da metáfora que você preferir, provavelmente você já deve ter ouvido falar sobre genoma e também sobre a Genômica, que é a área da ciência que estuda os genomas. ADRIANE: Genômica é filha da Genética e ambas são áreas que conversam entre si, mas não são a mesma coisa, cada uma tem as suas próprias características.     VINÍCIUS: Basicamente, podemos dizer que a Genética é a ciência que estuda a estrutura, a função, a variação e a hereditariedade dos genes, enquanto a Genômica estuda os mesmos aspectos só que sobre um genoma, ou seja, sobre o conjunto de genes, que forma um ser vivo. ADRIANE: O último relatório de avaliação da pesquisa científica realizado pela empresa Clarivate Analytics, em 2018, indicou que a Genômica é uma das áreas que mais crescem em publicações científicas no mundo.   É como se os conhecimentos científicos de Genômica dobrassem a cada 2 anos em uma das mais reconhecidas plataformas de revistas científicas internacionais, a Web of Science.  VINÍCIUS: Realmente é muita coisa né? E isso acontece também porque a Genômica não caminha sozinha. As técnicas e os dados da Genômica podem se associar a outras linhas de pesquisa básica ou aplicada. A agricultura tropical, a evolução biológica, a conservação de espécies e a saúde pública são algumas das áreas em que a Genômica pode atuar. ADRIANE: O fato da Genômica ser uma área emergente e interativa no ambiente de pesquisa não significa que seus avanços cheguem até a sociedade brasileira.  VINÍCIUS: Nos anos 2000, a realização do projeto genoma humano nos Estados Unidos e o sequenciamento do genoma da bactéria Xylella fastidiosa, que causa doença em plantações de citrus, levaram o termo GENOMA para os noticiários, dando um grande reforço para o jornalismo científico, inclusive. Mas, como comenta o jornalista científico Marcelo Leite, após essa época, a Genômica perdeu um pouco a evidência nos noticiários.  ADRIANE: Mesmo que a gente não veja ou ouça a palavra Genoma nas mídias, a área da Genômica continua avançando e pode ter um grande impacto em nossas vidas. Por exemplo, o sequenciamento do novo coronavírus por pesquisadoras da USP, em parceria com Instituto Adolfo Lutz e Universidade de Oxford, que foi realizado em apenas 48h, foi de grande importância para os primeiros estudos sobre o vírus, ainda no começo da pandemia!  VINÍCIUS: Bem lembrado, Adriane. E também recentemente o Nobel de Química premiou duas p...
#112 Casa de orates – ep 02 – Vai passar!11 Dec 202000:23:09
O Casa de Orates é uma série do Oxigênio para conversar sobre saúde mental. No primeiro episódio falamos sobre quais aspectos da sociedade atual têm contribuído para aumentar os casos de transtornos mentais, principalmente ansiedade e depressão. Nesse segundo, vamos falar sobre como é lidar com um diagnóstico de transtorno mental, a partir do relato da Roberta Bueno, que também narra o episódio, junto com o Rafael Revadam. Embora cada caso tenha suas particularidades, em todos eles o primeiro passo é perceber que algo não está bem e procurar ajuda. Depois do diagnóstico, é importante ter o acompanhamento de profissionais qualificados e seguir suas orientações. Não é simples, já que o tratamento às vezes demora e a melhora nem sempre vem na velocidade esperada.  Para discutir o papel de diferentes especialidades profissionais no tratamento das doenças da mente, contamos com a colaboração de Paula Andrada, psicóloga; Carlos Eduardo Rodriguez, psiquiatra; Fauziane Beydoun, nutricionista; e Paulo Ricardo Guerreiro, educador físico. O episódio do Corpo podcast mencionado nesse programa está disponível em Roteiro: Roberta - Sou ansiosa desde criança, mas só descobri que tenho TAG – transtorno de ansiedade generalizada – na idade adulta, por volta dos 23 anos, depois de começar a fazer terapia. Daí, os meus medos sem sentido, os meus pensamentos acelerados e as palpitações no peito começaram a ser compreendidos por mim como sintomas da ansiedade. Por incrível que pareça, quando o que eu sentia ganhou um nome, as coisas começaram a ficar mais claras e eu comecei a lidar melhor com todas essas sensações e a reconhecer quando uma crise de ansiedade se aproxima.  No final de 2019, por volta de outubro ou novembro, a ansiedade veio com tudo e não quis ir embora. Eu tava fazendo terapia e tomando o ansiolítico recomendado pelo médico para ser usado esporadicamente durante os períodos ansiosos, mas nada parecia aliviar a crise. Passava uns dias bem e voltava a sentir todos os sintomas ansiosos de novo, mas com algumas novidades: uma perda gigante de energia, um desânimo e uma angústia enorme. Rafael - A história da Roberta se mistura com tantas por aí. Como falamos no primeiro episódio, diferentes transtornos mentais podem ter sintomas parecidos. Para se chegar a um diagnóstico adequado é preciso uma avaliação cuidadosa, e ainda assim isso pode demorar um tempo.  Roberta - Foi durante uma sessão de terapia que chegamos – eu e minha terapeuta – à conclusão de que eu estava com um transtorno misto de ansiedade e depressão. Isso pra mim foi uma surpresa, porque eu nunca tinha tido depressão antes e pensava que, por serem diferentes, ou a pessoa tinha depressão ou ela tinha ansiedade. Achava que não dava pra ter as duas ao mesmo tempo! Mas pra minha surpresa, esses transtornos podem vir juntos e embaralhar a nossa mente!  Ao passar por essa experiência, eu percebi que é preciso falar sobre os transtornos mentais, sem medo e sem vergonha, pois muitas pessoas passam pela mesma coisa, mas não falam e sofrem caladas por receio do que o outro vai pensar. Não temos que ter vergonha por estarmos doentes.   Rafael - E ainda tem o fato de que muitas pessoas pensam que os transtornos da mente não são doenças, já que eles não são tão perceptíveis quanto as doenças do corpo. Muitos chegam a falar que a depressão é falta de vontade, preguiça ou frescura. Mas não é.  Eu sou Rafael Revadam e este é o Casa de Orates, um podcast para falar sobre saúde mental. Roberta - E eu sou Roberta Bueno, e esse segundo episódio é sobre mim, sobre você e sobre todos que vivem com um diagnóstico de transtorno mental. Paula - Bom, quando a gente fala do transtorno misto de ansiedade e depressão, a gente tá falando de sintomas que se apresentam ao mesmo tempo: sintomas ansiosos e sintomas depressivos, sem que haja uma prevalência,
#111 – Escuta Clima ep. 2 – Rios urbanos e conta-gotas04 Dec 202000:32:18
A água é um recurso fundamental para a vida na Terra. Por isso, o segundo episódio da série Escuta Clima aborda o tema de segurança hídrica e mostra o perfil das crises pluviais no Brasil. As enchentes causadas pelas chuvas torrenciais no Sudeste contrastam com as secas típicas da região semiárida do Nordeste. Com milhares de pessoas em situação de vulnerabilidade devido, tanto ao excesso, quanto à falta d’água, os cientistas buscam soluções criativas para mitigar a situação de ambas regiões, soluções que podem ser expandidas para todo o território brasileiro. A série Escuta Clima é produzida pela Camila Ramos e está ligada ao curso de Especialização em Jornalismo Científico do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) e ao Núcleo de Desenvolvimento da Criatividade (Nudecri) da Unicamp. O projeto tem o objetivo de divulgar as pesquisas e pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia sobre Mudanças Climáticas (INCT-MC) e é apoiado pela bolsa Mídia Ciência da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).  -------------------------------- Camila Ramos - “A Terra é azul”. Foi o que disse Yuri Gagarin, o astronauta russo e primeiro homem a ir pro espaço, quando viu nosso planeta lá de cima. Essa cor azul que ele viu em 1961 eram os gigantes oceanos que cercam os continentes. E é muita água! Imagine… É como estar no meio do mar e olhar pro horizonte em todas as direções sem ver nada além do próprio mar.  Esses oceanos cobrem cerca de 70% de toda a superfície da Terra, e neles estão 97% de toda a água do planeta. Incrível, não? Então não precisamos nos preocupar com a falta d’água, já que temos muito mais que o suficiente para todos, certo? Errado!  Bruno Moraes - Toda essa água dos oceanos é salgada e não é potável. Então, sobram apenas 3% de água doce no mundo. Sendo que a maior parte, por enquanto, tá congelada em geleiras e nos pólos.  Fazendo uma conta rápida, vemos que sobra apenas 1% de água para sobrevivência dos humanos, dos animais, e das plantas. E quando eu digo sobrevivência, eu quero dizer literalmente isso.  A Água é extremamente importante pra vida. E é por isso que os cientistas procuram esse recurso em outros planetas para indicar se podem ou não abrigar vida.  Camila Ramos - Mas muitas pessoas não encaram a água como um bem comum e precioso. E isso fica claro quando vemos pessoas lavando o carro ou a calçada com a mangueira, ou deixando a torneira aberta enquanto fazem outras tarefas.  Mas o uso indiscriminado de água não é apenas responsabilidade dos cidadãos. Na verdade, as indústrias e o setor agropecuário tem grande porcentagem de culpa. Na verdade, o desperdício e uso irresponsável da água é tamanho que estamos prestes a encarar uma crise hídrica sem precedentes.  Segundo a Organização das Nações Unidas, o uso mundial da água vem aumentando cerca de UM por cento ao ano. Pode parecer pouco, mas isso quer dizer que vai ser cada vez mais difícil prover água para todos. Bruno Moraes - Além disso, as mudanças climáticas tornam insuficiente a quantidade de água e pioram a qualidade dela e causam as alterações de volume e frequência de chuvas que afetam a rotina de diversas populações, interferindo na alimentação, saúde e economia dessas pessoas.  E podemos entender essa situação com dois extremos vividos no Brasil, que são as enchentes (geralmente nas regiões Sul e Sudeste) e as secas, típicas do Nordeste. São problemas antigos que deixam centenas de pessoas vulneráveis. E a previsão é que esses eventos piorem nos próximos anos.  Camila Ramos - No episódio de hoje, vamos ouvir os pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia sobre Mudanças Climáticas para entender melhor as crises hídricas e quais são os meios sustentáveis para melhorar essa situação. O José Almir Cirilo é um deles. Ele é professor titular do Campus Agreste da Universidade Federal de Pernambuco.  Bruno Moraes - Também vamos ouvir o Eduardo Mári...
#191 – Mulheres na Ciência07 Mar 202500:45:19
Em um episódio duplamente comemorativo, do Dia da Mulher e os 10 anos do O2, trazemos uma entrevista com Clarisse Palma da Silva, da Unicamp, sobre as conquistas e desafios das mulheres na ciência e sobre suas pesquisas relacionadas às mudanças climáticas.
#110 Casa de Orates ep 01 – Por que nossa mente está doente?27 Nov 202000:19:42
O Casa de Orates é um podcast para conversar sobre saúde mental e, nesse primeiro episódio, vamos tentar entender o que está deixando nossa mente doente. No mundo são quase 1 milhão de pessoas vivendo com algum transtorno mental. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 300 milhões de pessoas sofram com a depressão e cerca de 260 milhões com a ansiedade. Ainda assim, a saúde mental é uma das áreas mais negligenciadas da saúde pública. Por que nos dias de hoje transtornos como depressão e ansiedade são cada vez mais comuns? Existe mesmo mais gente doente ou mais casos estão sendo diagnosticados? Será que o modo como vivemos afeta a nossa saúde mental? Para responder a essas e a outras perguntas, conversamos com Marcelo Brañas, médico psiquiatra da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), e Bruno Emerich, psicólogo e doutor em saúde coletiva na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Os dados apresentados nesse episódio foram obtidos no site da Organização Panamericana de Saúde (OPAS) e estão disponíveis em: Créditos da imagem: Fernando Cabral (@cferdo/Unsplash) Roteiro: [primeiro entrevistado]: Saúde pra mim, primeiro começa pela prevenção, né? Você tem que se cuidar, praticar exercício, se alimentar bem, né. Evitar excessos, dormir bem, né... Então isso, eu acho que tudo isso faz parte pra que você tenha uma boa saúde, né. [segunda entrevistada]: Saúde é qualidade de vida. É ter acesso a uma boa educação, acesso a tudo aquilo que o governo deve nos proporcionar de bom, né. Saúde, na minha visão, saúde não tá relacionada só à questão medicamentosa. [terceiro entrevistado]: Acho que saúde é a gente poder proporcionar tanto pra nossa família, nossos filhos, né, toda a assistência básica, né? É uma boa alimentação, é... cultura também, né. Isso tudo tá aí incluído no pacote de saúde, né? [quarta entrevistada]: É quando a pessoa fica bem e ela fica muito saudável. E comer fruta saudável. Roberta Bueno: Quando você pensa em saúde, o que vem à cabeça? Ana Augusta: É bem provável que a sua resposta seja parecida com alguma dessas, ou com mais de uma. Roberta: Pra grande parte da população, a percepção de saúde ou a ideia que se tem sobre o que é levar uma vida saudável tá relacionada basicamente com a nossa saúde física. A gente esquece da mente. Ana Augusta: A própria Organização Panamericana de Saúde diz que a saúde mental é uma das áreas mais negligenciadas da saúde pública. Poucas pessoas têm acesso a serviços e tratamentos de qualidade. Roberta: Pra se ter uma ideia, mais de 75% das pessoas com transtornos mentais não recebem nenhum tipo de tratamento nos países de baixa e média renda. Além disso, ainda tem o estigma e o preconceito com relação a essas doenças, que fazem com que muitas pessoas não procurem tratamento. Ana Augusta: E realmente tem muita gente sofrendo. No mundo, são quase 1 milhão de pessoas vivendo com algum tipo de transtorno mental. A cada 40 segundos uma pessoa morre por suicídio em decorrência da depressão ou de outra doença. Roberta: Pra piorar esse cenário, veio a pandemia de covid-19, que nos trancou em casa, nos afastou fisicamente da família e dos amigos e trouxe o medo e a insegurança pra nossa rotina. Ana Augusta: Os especialistas já alertam pra uma onda enorme de casos de transtornos mentais por causa da pandemia do novo coronavírus. Não dá mais pra negligenciar esse assunto. Eu sou Ana Augusta Xavier. Roberta: Eu sou Roberta Bueno e esse é o Casa de orates, um podcast pra conversar sobre saúde mental. Nesse primeiro episódio, vamos tentar entender porque nossa mente está ficando doente. Anelise Righi: Tá bom amiga, vamo lá... Ana Augusta: Eu queria que tu me contasse, me descrevesse assim,
#109 – Leitura de fôlego ep 1 – Livro licencioso = Leitura proibida20 Nov 202000:39:39
Este é o primeiro episódio da Leitura de fôlego, uma nova série de podcasts do Oxigênio, que apresenta temas de pesquisas de professores do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL), da Unicamp. E começamos contando aqui sobre os livros ou romances licenciosos, que por seu teor tinham que circular de forma clandestina não só no Brasil, mas também em Portugal e França, por exemplo. Isso nos séculos XVIII e XIX. Esses livros foram tema de pesquisa da Márcia Abreu, professora do IEL e que atualmente é também diretora executiva da Editora da Unicamp. Vamos ouvir sobre as características desses livros, porque eles eram proibidos e o que faziam os livreiros e leitores para ter acesso e distribuir esses romances naquela época. Quem está a frente deste projeto é a Laís Toledo, com supervisão e edição de Simone Pallone e trabalhos técnicos de Gustavo Campos e do Octávio Augusto Fonseca. Quem ajuda na divulgação do podcast é a Helena Ansani Nogueira. Vamos ao episódio, que é o número 109 do Oxigênio. Roteiro: Márcia Abreu (MA): Ter um livro licencioso em casa, ou vender um livro licencioso, naquela época, era tão perigoso como hoje seria vender droga pesada. Laís Toledo (L): Devasso, libertino, desregrado, impudico, libidinoso, lascivo, indecente... Esses são alguns sinônimos para a palavra “licencioso”. Mas, afinal, o que é um livro licencioso? Por que era tão perigoso ler ou vender um livro desses no Brasil dos séculos XVIII e XIX? Como a censura de livros agia por aqui nessa época? O episódio de hoje trata de questões como essas. Quem conversa com a gente é a Márcia Azevedo de Abreu, professora e pesquisadora do Instituto de Estudos da Linguagem, o IEL, da Unicamp. A Márcia tem desenvolvido pesquisas principalmente nas áreas de História do Livro e da Leitura e História da Literatura. Além disso, hoje em dia, ela também é Diretora Executiva da Editora da Unicamp. L: Eu sou a Laís Toledo, e esse é um episódio da “Leitura de fôlego”, uma série sobre Literatura pro podcast Oxigênio. Pra começar a conversa, eu pedi pra Márcia explicar o que é um romance licencioso. MA: Um romance licencioso era um tipo de narrativa, que misturava cenas de sexo, ou um enredo sobre sexo, com discussões filosóficas sobre religião, sobre a natureza. Não a natureza assim das plantas, a natureza num sentido amplo, como o funcionamento dos corpos, as diferenças entre as culturas e também sobre as questões de poder. Um exemplo clássico de livro licencioso é o Teresa filósofa. Nesse livro, tem um enredo amplo, que é a trajetória dessa moça chamada Teresa, e ela vai se defrontando com várias situações em que ocorrem cenas de sexo, mas a cada cena de sexo tem uma discussão, sobre uma questão de moral ou sobre o comportamento da igreja, ou sobre uma questão filosófica. Acabada essa discussão, volta a ter uma cena, um encontro sexual de algum tipo.  L: Vamos ouvir um trechinho do começo do livro Teresa filósofa, quando a narradora, a Teresa, aceita contar a história dela e diz que não vai esconder nada. A edição que eu tenho aqui é da editora L&PM, que tem tradução para o português da Carlota Gomes e um prefácio do filósofo Renato Janine Ribeiro.  Thais Oliveira: “O quê, Senhor! Seriamente, quereis que escreva minha história [...] Na verdade, caro Conde, isso parece estar acima de minhas forças. [...] Mas se o exemplo, dizeis, e o raciocínio fizeram a vossa felicidade, por que não tentar contribuir para a dos outros pelas mesmas vias, pelo exemplo e pelo raciocínio? Por que temer escrever verdades úteis ao bem da sociedade? Pois bem, meu caro benfeitor! Não vou mais resistir! Escrevamos! [...] Não, vossa tenra Teresa jamais vos responderá por uma recusa, vereis todos os recônditos do seu coração desde a mais tenra infância, a sua alma vai se revelar inteiramente nos detalhes das pequenas aventuras que, sem que percebesse, a conduziram, passo a passo, ao auge da volúpia.”  L: Ah, o Teresa filósofa foi publicado pela primeira vez em francês,
#108 Gaia episódio 2 – O passado no oceano16 Nov 202000:20:55
Em 2001, o IPCC, o Painel da ONU sobre Mudança do Clima, lançou um relatório que trazia um gráfico que ficou conhecido como Taco de Hockey. O gráfico mostrava, com dados do hemisfério norte, a temperatura da superfície do planeta através dos anos. Começando do ano mil, o gráfico tinha uma tendência bem leve de resfriamento até que no século vinte a linha dispara para cima, como a ponta de um taco de hockey. Nesse episódio do Gaia, vamos dar um passo atrás e ver como é possível saber o clima do passado. Esse episódio contou com a participação de Renata Nagai, da Universidade Federal do Paraná, e Natan Pereira, da Universidade do Estado da Bahia. Este é o segundo episódio da série Gaia. A produção e edição é feita por Oscar Freitas Neto. O projeto é uma produção do podcast Oxigênio, do Labjor/Unicamp, e conta com a orientação de Simone Pallone. Músicas: Fast Talkin – Kevin MacLeod (YouTube Audio Library) Our Only Lark – Blue Dot Sessions Eggs and Powder - Blue Dot Sessions Copley Beat - Blue Dot Sessions Fender Bender – Blue Dot Sessions Ferus Cur – Blue Dot Sessions Imagem: Alain Couette --- Oscar: Em 2001, o IPCC, o Painel da ONU sobre Mudança do Clima, lançou um relatório que trazia um gráfico que ficou conhecido como Taco de Hockey. O gráfico mostrava, com dados do hemisfério norte, a temperatura da superfície do planeta através dos anos. Começando do ano mil, o gráfico tinha uma tendência bem leve de resfriamento até que no século vinte a linha dispara para cima, como a ponta de um taco de hockey. Oscar: Nesse episódio do Gaia, nós vamos dar um passo atrás e ver como é possível saber o clima do passado. E para isso... Oscar: nós vamos para o mar. Renata: Eu amo ir para o mar. Bom, eu sou oceanógrafa de formação. Então, sempre que tem uma oportunidade de ir para fazer coleta, né, eu sou a primeira pessoa a levantar a mão e falar eu quero ir. Oscar: Essa é a Renata Nagai. Renata: Eu falo isso para os meus alunos. Eu me sinto super completa quando estou no navio e eu olho para todos os lados e só vejo água. Aquela água com aquela cor que é um azul, um roxo, não sei, é uma coisa linda. Oscar: Ela é professora na Universidade Federal do Paraná. Renata: Eu coordeno um laboratório que chama Laboratório de Paleoceanografia e Paleoclimatologia. Então, a gente estuda o passado dos oceanos e tenta entender essas relações entre o oceano e o clima no passado, em diferentes escalas de tempo. Renata: Para quem trabalha com paleoclima, a gente olha para o passado e tenta entender como o planeta estava quando a gente tinha, por exemplo, concentrações de CO2 na atmosfera similares com que a gente vai ter ou tem hoje. Será que oceano estava mais quente, será que o oceano estava mais ácido, como será que o oceano influenciava na chuva aqui na região da América do Sul. Natan: A ciência começou a coletar dados de forma sistemática a partir dos anos 50, então é muito pouco tempo. Se você for construir milhares de anos, milhões de anos, é muito pouco tempo. Oscar: Quem fala é o Natan Pereira Natan: Sou biólogo de formação. Oscar: Ele é professor da Universidade do Estado da Bahia. Natan: E atualmente estou trabalhando com geoquímica de corais. Eu tento entender os sinais químicos que estão nesses organismos para entender um pouco do clima. Oscar: Para reconstruir esse clima do passado, é preciso usar formas indiretas de fazer medições. É possível, por exemplo, procurar por documentos históricos que tenham dados do tipo, mas assim só é possível voltar no tempo até certo ponto. Para voltar muito mais é preciso dos arquivos naturais. Natan: Então para isso a gente utiliza proxies geoquímicos, principalmente, que são evidências indiretas sobre as condições ambientais do passado que são registradas de forma ordenada e sequencial dentro de um determinado período específico. Renata: Eu sempre gosto de exemplificar, eu falo: não dá para a gente pegar um sedimento marinho colocar um termômetro dentro dele e falar,
#107 – Escuta Clima ep1. – Ciência em busca de matrizes renováveis06 Nov 202000:29:14
Este é o primeiro episódio de uma série intitulada Escuta Clima, que vai trazer a cada novo programa um dos temas do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Mudanças Climáticas. As pesquisas desenvolvidas no INCT estão distribuídas em seis subcomponentes: Segurança energética; Segurança hídrica; Segurança alimentar; Saúde; Desastres naturais, impactos sobre a infraestrutura física em áreas urbanas e de desenvolvimento urbano; Impactos nos ecossistemas brasileiros, tendo em vista as mudanças no uso da terra e da biodiversidade. Essas subcomponentes estão interligadas por três temas transversais: Economia e impactos em setores-chave; Modelagem do sistema terrestre e produção de cenários climáticos futuros para estudos de Vulnerabilidade-Impactos-Adaptação-Resiliência para Sustentabilidade e Comunicação, disseminação do conhecimento e educação para a sustentabilidade. Escuta Clima faz parte desse último tema transversal, sendo uma nova sessão da revista ClimaCom, e é reproduzido no Oxigênio. A segurança energética é tratada nesse episódio inaugural, apresentando os impactos que já são observados no planeta, provocados pelas alterações climáticas causadas principalmente pela ação humana. Os cientistas entrevistados no episódio falam sobre suas pesquisas que buscam soluções na área de energia, que reduzam o impacto da produção de energia no clima. ____________________________ Camila Ramos - Mudanças climáticas. Esse tema ganhou a atenção de um novo público. Um público jovem, o que repercutiu muito na mídia mundial. Isso foi no ano passado, quando a adolescente sueca Greta Thumberg faltava das aulas nas sextas-feiras para protestar na frente do parlamento do seu país. Essa e outras ações da jovem viralizaram nas redes sociais e milhões de pessoas se engajaram no ativismo e foram pras ruas em manifestações no mundo inteiro. [Transcrição do Discurso de Greta Thumberg]  How dare you! You have stolen my dreams and my childhood with your empty words. And yet I'm one of the lucky ones. People are suffering. People are dying. Entire ecosystems are collapsing. We are in the beginning of a mass extinction, and all you can talk about is money and fairy tales of eternal economic growth. Quem aí lembra desse discurso da Greta no encontro da Cúpula sobre Ações Climáticas da Organização das Nações Unidas? Aliás, a ONU junto com milhares de cientistas vêm se movimentando para diminuir os danos das mudanças climáticas há muitos anos. Mas afinal, o que são mudanças climáticas? O que ela impacta na minha e na sua vida? Pra começar, diferente da previsão de tempo do dia ou da semana, que diz se vai chover mais ou menos, ou se a temperatura vai variar de vinte a trinta graus entre a madrugada e o pico da tarde. As mudanças climáticas são alterações sutis, que com o passar dos anos e décadas, causam grandes desequilíbrios no mundo todo. Ou seja, o aquecimento global que estamos vivendo hoje começou há mais ou menos 100 anos e tá fazendo com que as estações não sejam tão definidas, deixando os verões mais quentes e os invernos mais rigorosos, por exemplo. Além de causar eventos climáticos mais extremos, como chuvas intensas e secas mais prolongadas e, até mesmo colocando animais e plantas em risco, quer dizer, aquele cafezinho que você tanto gosta ou aquele adocicado chocolate podem desaparecer em alguns anos. Ou ainda, milhares de pessoas estão perdendo suas casas, seus trabalhos e suas vidas porque o mar está fazendo suas ilhas e cidades litorâneas sumirem por completo do mapa! Então, é por isso que temos que agir rápido!  Roberto Shaeffer - Em 2010, os estudos indicavam que a humanidade tinha cerca de 30 anos para reduzir suas emissões de gases de efeito estufa a metade. Hoje, a gente já sabe que temos apenas 10 anos, ou seja, entre 2020 e 2030 para reduzir as emissões de gases de efeito estuda a metade para a gente ficar dentro de uma trajetória compatível com o mundo até um grau e meio mais quente do que era na e...
#106 Série Corpo, episódio 7 – Doença comprida29 Oct 202000:25:28
Depois do derrame, a vida segue. Neste episódio, conversamos com Gilmar, que sofreu um AVC aos 41 anos, e tentamos entender um pouco de sua realidade a partir das reflexões de pesquisa da antropóloga Monique Batista, da fisioterapeuta Juliana Valente e do profissional de Educação Física Hélio Yoshida. A série Corpo faz parte do projeto “Histórias para pensar o corpo na ciência”, que é financiado pela FAPESP (2019/18823-0) e coordenado pelo professor Bruno Rodrigues (FEF/Unicamp).    Parte 1   SAMUEL RIBEIRO Eu tinha uns 12 anos e lembro que eu tava sentado em um toco de madeira, na beira de uma lagoa...    SAMUEL Do meu lado tava meu avô materno, o Mário. Eu já falei dele aqui no podcast. Um homem enorme, de mãos grandes, com um bigodão branco e penteado que lembrava um pouco aqueles bandidos de faroeste. A gente tava pescando com varinha de bambu, e eu lembro...   SAMUEL Eu lembro de uma cena em que ele tentava colocar uma minhoca no anzol e não conseguia acertar de jeito nenhum. Alguma coisa caía da mão dele: ou o anzol, ou a minhoca, ou a vara inteira. Tentou, tentou, tentou, e aí cansou e jogou tudo no chão, com raiva, xingando furioso numa mistura de português com italiano que eu não consegui entender bem.   SAMUEL Essa lembrança me marca muito, porque meu avô era esse homem forte, aventureiro, que tinha percorrido o Brasil inteiro de caminhão e pescado peixes enormes, mas que no final da vida tinha ido morar com a gente por causa dos derrames.    SAMUEL Acidente vascular cerebral. AVC... Quando eu penso nisso, a primeira coisa que me vem na cabeça é o Mário e como a vida dele ficou diferente. É disso que a gente vai falar hoje.   SAMUEL Eu sou Samuel Ribeiro, e este é o Corpo, podcast que fala de pessoas e de movimento. E a gente começa...   GILMAR MARQUES ... foi em 2016, em junho, dia 22 de junho, 2016.   SAMUEL ... a gente começa com o Gilmar.   GILMAR Não senti nada assim. Um dia antes eu tinha trabalhado normal, que eu trabalhava com pavimentação asfáltica, sabe? Serviço bem quente mesmo.   GILMAR Aí levantei normal, sabe, coloquei a roupa de serviço, andei um metro assim, deu aquela bambeada na perna. Aí falei, "acho que é cãibra né", já tinha cãibra antes. Aí levantei, andei mais uns 300 metros, aí deu outra bambeada na perna. Aí falei "tem alguma coisa errada né". Aí eu voltei pra casa. Quando eu abri a porta de casa, aí não consegui mais ficar de pé, entendeu...   SAMUEL O Gilmar tinha 41 anos na época, e tava passando ali por um derrame, do tipo hemorrágico, que é quando um vaso sanguíneo se rompe no cérebro.   GILMAR Aí comecei meio, tipo, delirar assim, aí já fui pro UPA, do UPA fui pra Santa Casa, e... e lá não alembro muita coisa, não alembro de quase nada, até hoje não consigo alembrar.    SAMUEL Ele ficou vários dias hospitalizado, depois meses na cadeira de rodas, e por causa daquele dia tá até hoje com algumas sequelas que mudaram completamente a vida dele.   GILMAR E nunca pensava que isso ia acontecer comigo, apesar do médico já ter avisado, que algo ia acontecer. Mas quando você tá no foco da bagunça, aí você nem imagina né. Vê acontecer com o vizinho, mas acha que não vai acontecer com a gente.   Parte 2   SAMUEL O AVC é uma das principais causas de morte no mundo e só no Brasil a gente tem centenas de milhares de casos todos os anos. É um problema que acomete principalmente os idosos, mas também chega em pessoas mais jovens, como foi o caso do Gilmar.   SAMUEL Cada caso é um caso, mas o sobrevivente do derrame geralmente fica com algum tipo de sequela e precisa se adaptar em uma nova realidade.    SAMUEL Pra entender melhor essas mudanças, eu fui conversar com a Monique Batista...   MONIQUE BATISTA ... o derrame ele é um acontecimento que transforma as relações familiares como um todo...   SAMUEL
#105 – Temático: Idosos, asilos e uma pandemia23 Oct 202000:24:36
Os idosos enfrentam situações de discriminação. Por fazerem parte do grupo de risco da Covid-19, a condição de isolamento foi intensificada. Neste episódio, Roberta Bueno e Rafael Revadam falam sobre os cuidados que estão sendo tomados nas Instituições de Longa Permanência para Idosos, como são chamadas as casas de repouso e asilos, e sobre o que o governo brasileiro está fazendo para proteger essa população idosa asilada.  ___________________ ROTEIRO ZULMA: Estou angustiada, né… triste. Uma coisa que nunca imaginei que passaria por isso. Muita coisa acontecendo e sem resultado, né… Não tem resultado. É isso que eu sinto. Estou triste, né? Muito triste. Porque eu tô longe, eu moro em Atibaia agora e a família trata por telefone, é a única coisa que eu tenho. Roberta Bueno: Dona Zulma, de 93 anos, é hóspede de uma casa de repouso localizada em Atibaia, no interior de São Paulo. Ela é uma das 100 mil pessoas que vivem nas ILPIs, as Instituições de Longa Permanência para Idosos, como as casas de repouso e asilos são chamados atualmente. Rafael Revadam: Fazendo parte do grupo de risco, os idosos estão enfrentando mais um cenário de discriminação, intensificado com a chegada do novo coronavírus. Com a pandemia, a população envelhecida encontrou mais uma situação de isolamento do resto da sociedade. Roberta: No episódio de hoje, vamos falar da situação dos idosos na pandemia. Quais são os cuidados que estão sendo tomados nas ILPIs, e o que os políticos estão fazendo pela população idosa asilada. Eu sou Roberta Bueno. Rafael: E eu sou Rafael Revadam. E este é o Oxigênio. [Vinheta de abertura do podcast Oxigênio] Roberta: De acordo com dados do IBGE, no Brasil existem cerca de 22 milhões de pessoas idosas, que são aquelas com idade maior ou igual a 65 anos. Isso corresponde a 10,5% da população. Rafael: Já os idosos que vivem em ILPIs são, aproximadamente, 100 mil, segundo estimativa do Ipea, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, sendo que 60 mil estão em instituições públicas e filantrópicas. Roberta: Mas esses números tendem a aumentar nos próximos anos. É o que explica a psicóloga especialista em cuidados da população idosa, Regina Célia Celebrone. Regina Celebrone: O idoso, ele sempre já esteve na margem. Porque a sociedade está começando a envelhecer agora. A sociedade brasileira, né? Vai ser um grande evento, o envelhecimento humano. Vai ser um grande advento. Vai triplicar o número de idosos até 2050. E o idoso já estava marginal, já tinha um olhar de escanteio na sociedade, porque ninguém quer saber que vai ficar velho. Porque velhice é sinônimo de morte, de coisa feia, de pelanca, daquilo que não é tão lindo, de um corpo que não é mais bonito de se ver, na sociedade do espetáculo que a gente vive hoje, dos corpos perfeitos.  E aí ele sofre: você não pode sair, você não pode colocar os pés fora de casa, ou você é uma ameaça para a gente. Se sai na rua, as pessoas olham feio. E aí, eu faço uma pergunta: será que já não olhavam feio para o idoso? De ser uma ameaça como fim de vida. Rafael: É nesse cenário de discriminação que as ILPIs se encontram. E com o novo coronavírus, o cuidado com o idoso ganhou uma nova realidade. Nós perguntamos para Nadja Cardoso, coordenadora da Casa de Repouso Nova Canaã, em Atibaia, como foi contar para os moradores da casa que eles deveriam se isolar. Nadja Cardoso: O isolamento social foi comunicado aqui na casa dia 10 de março. A princípio, a reação de cada um deles foi assustador, sem entender, na verdade. Mas o que que eu fiz? Eu fiz uma reunião aqui na casa, falando o que realmente estava acontecendo. Eles ficaram assustados, sim, afinal, quem não ficaria, né? Eles têm acesso à televisão, tem hóspedes que têm tablets e celulares... Então, eles têm acesso a informações. Mas, eu tentei passar de uma forma que eles ficassem um pouco tranquilos, pois nós estávamos fazendo a prevenção, precaução, diante dessa situação.
#104 – Temático: Cientistas e filhos em tempos pandêmicos21 Oct 202000:29:32
Neste #DiadoPodcast, o Oxigênio traz um novo episódio, que trata da nova rotina que mulheres, que além de cientistas são mães, tiveram que adotar no período de isolamento social por causa da Covid-19. Para tratar do tema, recorremos às cientistas que atuam nos Centros e Núcleos Interdisciplinares de Pesquisa da Unicamp, que são ligados à Coordenadoria de Centros e Núcleos Interdisciplinares de Pesquisa, a Cocen. O aumento da carga de atividades com os filhos e tarefas de casa  têm afetado a produção científica dessas mulheres. Embora homens com filhos também manifestem um impacto negativo para suas carreiras neste momento, o que estudos na área de gênero indicam é que as mulheres são as mais sobrecarregadas. As entrevistadas foram as pesquisadoras Alline Tribst, Ana Carolina Maciel, Germana Barata e Priscila Coltri; a professora Guita Debert e os pesquisadores Leonardo Abdala Elias e Manuel Falleiros. O episódio foi produzido pela Bianca Bosso e pela Beatriz Oretti, com a supervisão de Simone Pallone e Ana Carolina Maciel. A edição foi de Octávio Augusto, da Rádio Unicamp e de Gustavo Campos, do Labjor. _________________________________ Roteiro PRISCILA: Eu fechei a porta aqui e tô num quarto, espero que nenhuma criança atrapalhe e que dê tudo certo. BIANCA: A paralisação das atividades acadêmicas e escolares presenciais, determinada em virtude da pandemia de covid-19 impôs uma nova rotina às pesquisadoras que são mães. BEATRIZ: Se antes era possível separar temporal e espacialmente os afazeres profissionais e o cuidado com a casa e os filhos, hoje essas tarefas se misturaram. BIANCA: Nessa nova realidade, o espaço do trabalho dos pais se mescla com a escola e o lugar de recreação dos filhos / e ao mesmo tempo se tenta dividir o dia para a realização de mil tarefas. O resultado é uma diminuição na produtividade acadêmica, que já foi relatada em estudos realizados durante a pandemia.  BEATRIZ: O Movimento Parent in Science, que trata das consequências da chegada dos filhos na carreira científica de mulheres e homens, fez um levantamento nos meses de abril e maio, pra ver o impacto do isolamento social por causa da Covid. O levantamento revelou que as mães são as principais afetadas. Enquanto sessenta e cinco por cento dos pais entrevistados conseguiram submeter artigos científicos como planejado, esse número caiu para quarenta e sete por cento das mães. Vamos deixar o link para a pesquisa no site. BIANCA: Eu sou Bianca Bosso, bióloga e divulgadora de ciências BEATRIZ: Eu sou Beatriz Oretti estudante de jornalismo, e esse é o episódio número 104 do podcast Oxigênio. Vinheta do Oxigênio BIANCA: Para analisar o efeito do isolamento social entre pais e mães acadêmicos, realizamos um levantamento de dados com pesquisadores da Coordenadoria de Centros e Núcleos Interdisciplinares de Pesquisa da Unicamp, a Cocen. BEATRIZ: Ao todo, obtivemos vinte e oito respostas e pudemos perceber algo em comum entre os entrevistados. BIANCA: Agora, além das atividades de ensino, pesquisa e extensão, as mães pesquisadoras têm de lidar ao mesmo tempo com as demandas do lar e das crianças. BEATRIZ: A Priscila Coltri, pesquisadora do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura, o CEPAGRI, conta um pouco sobre os desafios de conciliar a criação dos dois filhos, de quatro e seis anos, com o trabalho acadêmico em home office e os serviços domésticos.  PRISCILA: O que é mais difícil é isso, é ter que fazer tudo ao mesmo tempo. A minha funcionária que limpava a casa e fazia almoço e janta estava grávida, então ela teve que ser afastada porque era do grupo de risco. A moça que olhava as crianças à tarde também não foi mais. Então eu fiquei sem nenhum suporte pra casa. Aí eu comecei a trabalhar de casa me dividindo entre todas as coisas que eu tinha que fazer em casa, ou seja, almoço, janta, limpar a casa, lavar roupa e tudo mais, o trabalho home office, né,
#103 – Gaia episódio 1 – Papel ou Secador Elétrico?08 Oct 202000:19:48
É comum encontrar os secadores elétricos nos banheiros por aí, mas será que ele é melhor ambientalmente do que as toalhas de papel? Em 2019, a FGV substituiu as toalhas de papel por secadores elétricos o que fez algumas pessoas levantarem essa questão. A equipe de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV se prontificou a realizar um pequeno estudo que ajuda a responder à questão. Esse episódio contou com a participação de Juliana Picoli e Ricardo Dinato, especialistas em ACV. Este é o primeiro episódio da série Gaia, uma produção do podcast Oxigênio, do Labjor/Unicamp. A produção é feita por Oscar Freitas Neto. O projeto conta com a orientação de Simone Pallone. Músicas: Fast Talkin – Kevin MacLeod (YouTube Audio Library) Desmontes – Blue Dot Sessions Lupi - Blue Dot Sessions Pink - Blue Dot Sessions Fender Bender – Blue Dot Sessions Ferus Cur – Blue Dot Sessions Imagem: RudsonVieiraC ----- OSCAR: Eu sempre ia para o trabalho de ônibus. Trabalho no Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV que fica na avenida Nove de Julho em São Paulo. E a primeira coisa que fazia quando chegava era lavar a mão para tirar aquela sensação de mão suja. E que bom sempre tive esse costume. Um dia no ano passado, BARULHO DE PORTA E MÃOS LAVANDO OSCAR: eu cheguei, lavei as mãos e não encontrei o papel para enxugar. BARULHO DE SECADOR RICARDO: O papel toalha não estava mais lá... tinham colocado ali os secadores de ar OSCAR: Esse é o Ricardo Dinato, especialista em Avaliação de Ciclo de Vida. RICARDO: Começou ali a discussão, porque eu acho que muitas pessoas não gostam do secador a ar, preferem as folhas de papel. E aí veio, pô, será que ele pelo menos é melhor do ponto de vista ambiental? Umas duas, três pessoas perguntaram, comentaram. A gente falou não sei, tem alguns estudos, mas cada um fala uma coisa, depende muito das premissas. A gente falou, vamos fazer, vamos ver o que dá. OSCAR: Eles resolveram fazer um pequeno estudo usando a Avaliação de Ciclo de Vida, também conhecida como ACV JULIANA: É uma técnica para estimar os impactos ambientais de um determinado produto ou serviço olhando para todo o ciclo de vida desse produto ou serviço OSCAR: Essa é a Juliana Picoli. Ela fez a revisão do estudo JULIANA: Ela considera, então, todo o ciclo de vida desde a primeira interação da natureza que esse produto teve que passar até o seu descarte no fim de vida desse produto, né? OSCAR:  Então o estudo tem que considerar cada pequeno caminho, cada a cadeia que interage com esse produto. Pegando por exemplo o papel MÚSICA OSCAR: Tem que considerar RICARDO: Desde o viveiro ali que faz as mudas OSCAR: Na fase de plantação, a fabricação de cada insumo, cada fertilizante e defensivos agrícolas. RICARDO:  Aplicação desses produtos. OSCAR: Que também emitem algumas substâncias. RICARDO: E depois que elas chegarem num tamanho adequado, ela vai ser cortada. Vai para a indústria. Onde ela vai ser processada e se transformar primeiro em celulose, depois em papel. OSCAR: Tem ainda a embalagem, o transporte de caminhão para um centro de distribuição, para um mercado e para a FGV onde ele é usado. RICARDO: Mas não termina o ciclo de vida dele ainda. Porque a gente joga ele no lixo e esse lixo vai ser recolhido e vai ser transportado para um aterro sanitário onde ele vai passar alguns anos se decompondo. E só quando terminar a decomposição desse papel, aí sim termina o ciclo de vida desse papel. FIM DA MÚSICA OSCAR: É muita coisa para considerar, né? RICARDO: Com certeza. É por isso que a gente utiliza software, nesse software tem umas bases de dados. E para esse estudo, por exemplo, a gente trabalhou basicamente com dados secundários. A gente foi nessa base de dados com estudos que outras pessoas fizeram e foi juntando tudo isso para poder ter ali o papel. Então a gente não foi atrás do fabricante de papel para coletar esses dados.
#102 – Temático: A física criativa de Dark24 Sep 202000:30:26
Este programa explora a construção dos conceitos científicos que são apresentados em Dark, uma aclamada série alemã de ficção, suspense e drama que está disponível no canal de filmes via streaming Netflix. Dark é muito conhecida pelo alto grau de complexidade do seu roteiro, que traz diversos elementos da física. Mas o que será que realmente é ciência por trás da série? Como é que os autores conseguem escrever uma história que envolve conceitos difíceis ligados de forma tão complexa? Quem vai ajudar as jornalistas Caroline Maia e Mariana Hafiz a responder essas perguntas, fazendo uma imersão ao universo de Dark são o físico Willian Abreu e o escritor de ficção científica Fábio Fernandes.  E aqui você tem o roteiro completo para acompanhar o programa. Seja bem vindo à física criativa de Dark, o episódio 102 do podcast Oxigênio.  ******************************** Willian: A própria série continuamente faz referências a artigos científicos, como por exemplo os artigos de F. Englert e R. Brout, de 1964 e do próprio Higgs, fazendo uma associação, uma menção rápida ao bóson de Higgs Fábio: O roteiro é fundamental, porque como viagem no tempo é uma coisa que não existe, a gente pode brincar com teorias Willian: Para que o bóson de Higgs fosse evidenciado, foi necessário a construção de um enorme acelerador de partículas na Europa, chamado LHC. Enfim, fica claro que não é possível que uma usina nuclear possa gerar isso. Fábio: Na ficção, o importante é o que Rolland Barthes chamava de "efeito de real": tem que provocar na pessoa - no leitor ou no espectador - a sensação de que aquilo ali é real ou poderia ser real Willian: É realmente uma liberdade 100% artística e que não tem nenhuma relação com o que é de fato representado no universo. Fábio: Usar só o artifício de botar a história no futuro não basta, tem que saber escrever a história mesmo. Saber como escrever a narrativa. E aí é uma coisa que não é ficção científica, é da literatura ou do roteiro.   Caroline: Dark é a primeira série original alemã da Netflix, de drama, suspense e ficção científica. Ela foi eleita a melhor série da Netflix, superando as famosas Stranger Things e Black Mirror. Com 3 temporadas, a série é reconhecida pelo enredo sombrio e super complicado que envolve viagem no tempo. A primeira temporada estreou em dezembro de 2017 e a terceira e última saiu mais cedo esse ano, em julho de 2020.  Mariana: Por envolver viagem no tempo, a série faz várias menções a temas científicos de física. Inclusive o primeiro episódio já começa com uma fala de Albert Einstein sobre o significado de tempo. Mais especificamente, Dark aborda muitos conceitos de fissão nuclear, por conta de uma usina nuclear, que é central no enredo. Caroline: Buracos negros, Ponte de Einstein-Rosen, O paradoxo de Bootstrap, Boson de Higgs...esses são alguns dos elementos da física que a série explora. Mas será que ‘essa ciência’ que a série mostra é real? As coisas que acontecem lá poderiam mesmo acontecer na realidade? E com essa complexidade toda envolvendo física e ficção científica, como é que os roteiristas constroem histórias como Dark?  Mariana: Pra responder essas perguntas, entender melhor a física por trás de Dark e a construção do roteiro de séries como essa, o Oxigênio de hoje mergulha no universo dessa já premiada série. Eu sou a Mariana Hafiz. Caroline: E eu sou a Caroline Maia. E começa agora o episódio 102, A física criativa de DARK. Mariana: Em primeiro lugar, para construir um enredo complexo como o de Dark, o escritor de ficção científica precisa de muita imaginação. Como explica Fábio Fernandes, escritor do gênero, para escrever uma história assim o trabalho é semelhante ao de alguém que escreve uma ficção utilizando elementos históricos, só que com mais criatividade. Fábio: O escritor de ficção científica tem o mesmo tipo de abordagem que um escritor de ficção histórica. O de ficção histórica trabalha com algo que já aconteceu; o es...
#101 Série Corpo, episódio 6 – Quebra-cabeças03 Sep 202000:37:22
Na insuficiência cardíaca e na realização das pesquisas, quando a coisa não vai bem é preciso reorganizar as peças. Em “Quebra-cabeças”, conversamos sobre o papel do exercício na reabilitação cardíaca e sobre os desarranjos trazidos pela pandemia no cotidiano de quem estuda o corpo. Participaram do episódio a professora Lígia de Moraes Antunes Correa e o aluno de mestrado Erick Lucena, ambos da Faculdade de Educação Física da Unicamp. A série Corpo faz parte do projeto “Histórias para pensar o corpo na ciência”, que é financiado pela FAPESP (2019/18823-0) e coordenado pelo professor Bruno Rodrigues (FEF/Unicamp). SAMUEL RIBEIRO:  Olá. Esse é o sexto episódio da série Corpo... Quando eu comecei a produzir o podcast a minha ideia era sair por aí com o gravador na mão pra registrar as cenas das histórias, mas eu nem imaginava que tudo isso ia mudar por causa de uma pandemia. A gente teve que se reinventar. E aqui na educação física, onde muita pesquisa depende desse encontro entre as pessoas, do suor, do movimento, da conversa... teve um tanto de gente que também precisou mudar totalmente os planos pra 2020. Eu sou Samuel Ribeiro, e esse episódio vai ser um pouco diferente dos outros... A gente começa com a Lígia. LÍGIA DE MORAES ANTUNES CORREA: Bom, é... meu nome é Lígia, Lígia de Moraes Antunes Correa, sou docente do Departamento de... [RISOS] calma aí, vou começar de novo! Que horror, nunca fiz isso! Vamos lá! SAMUEL: Eu conheci a Lígia faz pouco tempo, nos corredores da Faculdade de Educação Física da Unicamp. Ela trabalha na área de reabilitação cardíaca e é professora do Departamento de Estudos da Atividade Física Adaptada desde o ano passado. LÍGIA: ... sou mãe de duas crianças... e sou uma pesquisadora que tento conciliar tudo isso junto nesse momento atual, e buscar aí, entender um pouquinho de como o exercício físico pode contribuir pra... pra nossa saúde, em especial pra saúde cardiovascular. SAMUEL: Uma coisa engraçada na história da Lígia é que apesar dela ser bem da área de fisiologia do exercício, eu e ela temos uma orientadora em comum na nossa história, que é a professora Carmen Lucia Soares. SAMUEL: A Carminha, que me orientou na iniciação científica, trabalha com história da educação física e do esporte, nada a ver com reabilitação cardíaca. A Lígia fez TCC com ela lá na graduação, e me explicou que esse passeio faz todo o sentido pra área que ela atua. LÍGIA: E eu acho que a área da saúde é uma área que ela não tem como se separar das áreas das humanidades, a gente tá trabalhando com pessoas né. Então eu sou daquelas que acha que tudo contribui pra gente ter uma formação mais completa e mais humana, porque eu não posso pensar que eu vou por exemplo prescrever um exercício pra um paciente, e que isso aí unicamente vai ter um efeito biológico pra ele, né? Tem outros efeitos que estão envolvidos. SAMUEL: Depois que se formou ela foi pro mercado de trabalho, atuou em escola, em academia... mas nesse meio tempo tinha ainda aquela vontade de trabalhar com pesquisa. LÍGIA: Eu era apaixonada pela fisiologia cardiovascular, tinha assim, nossa, sabe aquela aula que brilha o seu olho, quando cê tá vendo aquele material, estudando... LÍGIA: ... o meu foco, o que eu queria trabalhar, era com reabilitação cardíaca. Eu sou daquele time que não queria trabalhar com exercício pra efeitos estéticos e nem pra performance, nunca foi muito a minha área, então eu queria muito fazer reabilitação cardíaca. SAMUEL: Aí conversando com as pessoas, disseram assim pra ela: LÍGIA: ... "olha, o melhor lugar que você tem pra trabalhar com pesquisa nessa área é o Incor". SAMUEL: ... que é o Instituto do Coração lá na USP, no Hospital das Clínicas. Lá a Lígia fez estágio de pesquisa, doutorado e pós-doutorado, e entrou de cabeça no assunto da insuficiência cardíaca... SAMUEL: ... que é uma doença que atinge muita gente, justamente porque a população tem envelhecido e, com os avanços da medicina,
#190 Acervos pessoais abrigados em museus-casas27 Feb 202500:24:16
Você já parou pra pensar que todos nós acumulamos um acervo pessoal durante a vida? Neste episódio vamos apresentar como funciona o arquivamento e a musealização de acervos pessoais de escritores e pessoas influentes na história literária e cultural do Brasil. Você vai descobrir as características e particularidades do trabalho de arquivamento e tratamento de acervos pessoais, em particular de pequenas-grandes bibliotecas, com livros que foram adquiridos e utilizados por importantes escritores brasileiros. Nós conversamos com gestores, arquivistas e pesquisadores que atuam diretamente em arquivos e acervos abrigados em museus.  Você vai escutar entrevistas com a Roberta Botelho, coordenadora técnica do Centro de Documentação Cultural “Alexandre Eulalio” (Cedae/Unicamp); o Marcelo Tápia, poeta, ensaísta e tradutor, que dirigiu por quinze anos a rede de museus-casa da cidade de São Paulo; a Aline Leal, pesquisadora em práticas arquivísticas, processos e procedimentos de escrita, com foco nas marginálias da biblioteca da escritora Hilda Hilst; o Max Hidalgo, professor associado na Universidade de Barcelona e estudioso do acervo bibliográfico do poeta Haroldo de Campos e o Pedro Zimerman, coordenador do museu do livro esquecido, formado em Psicologia pela USP. Este episódio é parte da pesquisa do Trabalho de Conclusão de Curso na Especialização em Jornalismo Científico do Labjor/Unicamp da aluna Lívia Mendes Pereira e teve orientação do professor doutor Rodrigo Bastos Cunha. As reportagens deste trabalho também foram publicadas no dossiê “Museus” da Revista ComCiência, que você pode ler na página comciencia.br. Mayra: Você já parou pra pensar que todo mundo constrói um acervo pessoal durante a vida? Essas coisas que guardamos em casa: nas gavetas, em armários, em estantes... são objetos diversos e especiais que contam um pouco da nossa própria história de vida e de quem somos. Lidia: “E quem sabe, então O Rio será Alguma cidade submersa Os escafandristas virão Explorar sua casa Seu quarto, suas coisas Sua alma, desvãos” Lívia: Nessa música, “Futuros Amantes”, do cantor e compositor Chico Buarque, que você provavelmente já ouviu tocar por aí e que você ouviu a declamação de alguns versos, é apresentada uma imagem da cidade do Rio de Janeiro submersa pela água do mar. Milênios depois dessa suposta inundação, é imaginada uma cena em que os escafandristas, mergulhadores que investigam o fundo do mar, encontrariam alguns vestígios espalhados pela casa de um casal apaixonado. Esses vestígios seriam cartas, poemas e fotografias, tudo aquilo que a gente costuma guardar  como lembranças. Na música, esse acervo pessoal que sobreviveu ao alagamento funciona como a chave para decifrar os vestígios de “uma estranha civilização”. Mayra: E é exatamente isso que os acervos pessoais fazem na vida real. Quando sobrevivem ao tempo e às intempéries, eles revelam nossos traços de personalidade,  nossa trajetória pessoal, acadêmica, profissional. Eles contam histórias dos lugares que foram percorridos, daquilo que gostamos e das mudanças no percurso histórico que vivemos. O acervo pessoal também pode refletir nossas escolhas, aquilo que escolhemos guardar ou descartar. Lívia: Já que eles carregam tanta informação, esses acervos devem estar disponíveis para serem acessados. É esse o trabalho que os profissionais em arquivos, fundos e museus fazem com acervos pessoais importantes. Eles permitem acessar um material que contém memórias da história política, social e artística de nosso país.  Lidia: “Sábios em vão Tentarão decifrar O eco de antigas palavras Fragmentos de cartas, poemas Mentiras, retratos Vestígios de estranha civilização” Lívia: E sou a Lívia Mendes. Eu sou linguista e esse episódio foi resultado do meu Trabalho de Conclusão de Curso na Especialização em Divulgação Científica no Labjor da Unicamp. Mayra: E sou a Mayra Trinca, que conheci a Lívia nesse mesmo curso de especiali...
#100 – Quarentena ep. 5 – Despedidas31 Aug 202000:21:26
Quando o Brasil atinge a infeliz marca dos mais de 119 mil mortos e 3,8 milhões de infectados, não poderíamos deixar de comentar o assunto e prestar nossa solidariedade aos familiares que agora enfrentam o processo de luto. Os convidados da vez são: Lucas Barbosa (psicólogo especializado em luto), a Professora e Doutora em Antropologia Social Letícia Ferreira (UFRJ), a Helena Ansani (mestranda em divulgação científica e parte da equipe do Oxigênio) e a Maria Aparecida Teixeira (psicóloga clínica e hospitalar)*. Trazemos também relatos de quem perdeu pessoas queridas e agora enfrenta o luto neste momento atípico. A sugestão do tema foi da Helena e encerra a nossa série QUARENTENA com o centésimo episódio do Oxigênio. *A Maria Aparecida Teixeira, em um gesto de solidariedade, está ajudando várias pessoas a conversar sobre suas perdas, inclusive aqueles que não têm condições financeiras de arcar com um serviço do tipo. Para os que podem, a contribuição é bem-vinda. Contato: (19) 99126-7880 (Campinas). **Uma série idealizada, produzida e ilustrada por Carolina Sotério. Minuto da Química - São Carlos: Olá, meu nome é Milene do podcast Minuto da Química. E gostaríamos de parabenizar a temporada do Quarentena. Carolina Pieroni - Campinas: Então eu fui maratonando todos os outros episódios e eu achei muito incrível, muito prático do jeito que a Carol explica dá pra entender super bem coisas que eu não entendo nada. Laís Ferraz - Campinas: É legal ver que tem uma produção com uma qualidade técnica muito alta, e ainda por cima traz um viés científico. Então tem entrevista com especialistas nas áreas de acordo com cada episódio, esclarece bastante os pontos e traz até alguns que a gente não sabia muito. Minuto da Química - São Carlos: E também pela criatividade e contextualização nos episódios, falando sobre ciência, política, saúde… Com base nesse contexto que estamos vivendo de pandemia. Carolina Pieroni - Campinas: Muito bom o Quarentena Podcast. Façam mais! Carol: A série que você ouve agora surgiu em meio às medidas de distanciamento social, em um cenário sem precedentes da doença Covid-19. No primeiro episódio, tratamos exatamente dos anseios e dificuldades de mudar as atividades presenciais para o remoto. No segundo, trouxemos alternativas para colaborar com as pesquisas em andamento sem sair de casa. Já em nossa terceira produção, comentamos dos cuidados necessários com a população idosa, considerada de risco para a doença. No quarto episódio, nos dedicamos a mostrar um pouquinho do trabalho dos cientistas que estão por trás dos estudos das vacinas e o levantamento de dados. Agora, chegamos ao último episódio, bem quando o Brasil ultrapassa a triste marca dos mais de 115 mil mortos pela Covid-19. A obra “A hora da estrela” de 1977 marca o último romance de Clarice Lispector, na qual a morte e a despedida são questões presentes. A escritora ucraniana naturalizada brasileira também inclui nessa narrativa o seu próprio adeus, ao falecer em 9 de dezembro do mesmo ano no Rio de Janeiro. Conforme a escritora registra no começo do livro, a história acontece em estado de emergência e de calamidade pública. Novamente, uma calamidade se repete e com ela o assunto volta à tona. As mortes trágicas, as despedidas incompletas e o luto. O Lucas Barbosa, que fala com a gente, é psicólogo, especialista em luto e desenvolve um projeto chamado “Guarda-chuva”, que trata de oferecer suporte sobre esse processo. Para início de conversa: afinal, o que exatamente é o luto? Lucas: O luto ele pode ser compreendido como uma reação à perda de algo ou alguém. Nos afeta aí em todo o aspecto da nossa vida biopsicossocial. A gente tem alterações biológicas, sono, apetite, o modo ao qual a gente vai reagir às coisas no nosso ambiente, acaba sentindo maior intensidade de alguns sentimentos, da tristeza, raiva, culpa, de como a gente vai compreender nosso mundo na nossa nova realidade que se apresenta e também nos aspectos sociais,
#99 – Temático Memórias: Episódio 2 – O Trauma13 Aug 202000:41:20
Quão fundo podem ir as marcas que o trauma deixa em uma pessoa, e quais são os fatores que determinam a intensidade dessas marcas em cada um? Nessa segunda e última parte da minissérie “Memórias”, nosso temático em duas edições sobre traumas e sua relação com os mecanismos da memória, o trio de divulgadores científicos formado por Bruno Moraes, Caroline Marques Maia e Vinicius Alves tenta entender a relação entre memórias, trauma, transtornos psiquiátricos e a percepção da realidade. Partindo, como da outra vez, de um exemplo ficcional saído dos videogames, o programa traz a maneira como a série Silent Hill representa o trauma, e segue daí para as entrevistas com as psicólogas Paula Rui Ventura e Mara Regina Nunes Alves, com o psiquiatra William Berger, e com a bióloga Juliana Carlota Kramer Soares, que já havia participado da primeira parte. Junto a essa equipe de especialistas de diversas áreas, o Oxigênio tentará dar respostas aos mecanismos por trás do surgimento e da superação do trauma, tratando para isso de temas que vão da genética à terapia, passando até mesmo por um artigo baseado na observação de neurônios disparando em tempo real.  O roteiro e apresentação foram feitos pelos apresentadores Caroline, o Vinícius e o Bruno, com trabalhos técnicos de Octávio Augusto, da Rádio Unicamp, e de Gustavo Campos auxiliando na edição. A coordenação do Oxigênio é de Simone Figueiredo, que também ajudou a elaborar o roteiro. ____________________ Paula: Eventos potencialmente traumáticos são aqueles que ameaçam a vida ou a integridade física das pessoas. Bruno: Por que algumas pessoas são mais vulneráveis do que outras para desenvolverem transtorno após um trauma? Juliana Carlota:  Nem todo mundo que passa por uma situação em que é assaltado vai desenvolver um trauma. Tem gente que supera isso muito bem, outras pessoas não. Então, praticamente todo mundo vai passar por alguma experiência traumática na vida. Carol: Como o trauma se instala na mente na forma de uma memória tão vívida, como se o evento traumático tivesse acontecido agora? William: terapia cognitivo comportamental vai mostrando para o indivíduo que apesar daquele evento ter sido perigoso naquele momento, ele não é mais perigoso de forma que você tenha que recrutar todos os mecanismos de defesa. Vinícius: Como entender os fatores que levam algumas pessoas a superar as experiências traumáticas de longo prazo? E como desenvolver terapias para ajudar as que não conseguem deixar essas memórias pra trás? Carol: O Oxigênio de hoje é o segundo episódio da minissérie MEMÓRIAS e trata de questões sobre o Trauma. Vamos falar sobre eventos potencialmente traumáticos, o que é Transtorno de Estresse Pós Traumático, seus sintomas e também seus tratamentos. Eu sou Caroline Maia. Bruno: Eu sou Bruno Moraes. Vinícius: E eu sou o Vinícius Alves. E começa agora: “Memórias: Episódio 2 - O Trauma” Bruno: Como já comentamos no primeiro episódio, antes desse programa virar uma minissérie, com link pra videogames e ficção, tínhamos uma pauta até que simples: Iríamos falar sobre um artigo publicado no princípio deste ano pelo grupo de pesquisa do professor Susumu Tonegawa, do Massachusetts Institute of Technology, o MIT. Carol: Depois de ler o artigo e de ter entrevistado pessoas de diferentes áreas do conhecimento sobre o tema, que nós percebemos qual era a melhor forma de lidar com ele. Primeiro explicar como funciona a memória, o que fizemos no programa anterior. E no programa de hoje vamos falar sobre o envolvimento das memórias no medo, no trauma, e na superação. Bruno: Mas antes… Tem um pouco mais de videogame pra dar ao programa uma pitada mais nerd… Quer dizer… Pra trazer mais um paralelo entre as questões científicas desse episódio e uma obra ficcional. A gente até tentou pensar em um exemplo que viesse de uma outra mídia pra dar uma variada, mas esse é realmente um dos exemplos mais fortes sobre a relação entre os traumas que alguém car...
#98 – Temático Memórias: Episódio 1 – O Palácio30 Jul 202000:44:16
Este episódio do Oxigênio traz a primeira parte de um programa que vai tratar das memórias traumáticas. Para introduzir o tema,  no entanto, o Bruno Moraes, a Caroline Maia e o Vinicius Alves começaram falando sobre as memórias, mostrando o que são e como funcionam, como constituem a identidade, questões abordadas sob o ponto de vista da Biologia, da História e até dos games ou indústria cultural. Para trazer explicações consistentes, o trio conversou com a neurobiologista Sophia LaBanca, com a bióloga Juliana Carlota Kramer Soares e com a historiadora Ana Carolina de Moura Delfim Maciel. Roteiro, apresentação e edição ficaram por conta do Bruno, que teve a colaboração da Caroline e do Vinicius na apresentação e elaboração do roteiro, e do Gustavo Campos na edição. A coordenação do Oxigênio é de Simone Pallone. ___________________________________ Sophia LaBanca: A identidade é construída através das memórias. Daí você pega a questão da mortalidade também ligada à memória. William Berger: E a porta de entrada das memórias no nosso cérebro, é uma região do cérebro que tá alí do lado da amígdala, que é o hipocampo. Juliana Carlota Kramer Soares: Então eu acho que o grande desafio de quem estuda a memória é tentar entender como esse processo ocorre. O que acontece no nosso cérebro quando a gente aprende algo novo? Ana Carolina de Moura Delfim Maciel: Tem uma citação da Frances Yates, no livro “A Arte da Memória”, que eu gosto muito. Que é: “a arte da memória é como uma escrita interior”. Carol: Como funciona a nossa memória, e o quanto essa ligação com o passado constrói a experiência do momento presente? Vinícius: Qual a diferença entre se lembrar de uma situação específica e se lembrar de uma informação ou uma técnica aprendida? Bruno: E como diferentes ciências enxergam essas relações, e o que elas têm a nos dizer sobre o que nos constitui como pessoas e como parte de uma sociedade? Vinícius: Qual a relação entre memórias ruins e o trauma, e o quanto da superação desse trauma depende da superação da memória? Carol: O Oxigênio de hoje é o primeiro de dois capítulos voltados a entender a relação entre o trauma e a memória, e nessa parte inicial vamos nos concentrar na questão da memória em si: o que ela é, como se forma, e como NOS forma. Eu sou Caroline Maia… Vinícius: Eu sou Vinícius Alves... Bruno: E eu sou o Bruno Moraes. E começa agora: “Memórias: Episódio 1 - O Palácio” Vinícius: A ideia para este episódio veio de um artigo sobre a extinção de memórias traumáticas, mas a primeira entrevista do programa foi completamente acidental. Bruno: Pois é. Nós já estávamos discutindo a possibilidade de fazer um programa baseado numa publicação de neurociência sobre a extinção de memórias traumáticas e procurando algumas fontes. Daí, num domingo qualquer, depois de terminar a faxina de sempre, eu fui checar meu WhatsApp e vi que minha amiga Sophia LaBanca, neurobiologista e divulgadora científica, que já foi da equipe do Oxigênio, tinha mandado mensagem, falando que tinha terminado de jogar os dez títulos da série de videogames Kingdom Hearts. Carol: O que o Bruno não esperava é que, nessa conversa despretensiosa de domingo, o tema desse programa, que já estava em produção, iria dar as caras. [Trechos de Conversa] Bruno: “Po, e isso nem é tão difícil de fazer, né, cara?” Sophia: “Então, né, Bruno? Eu concordo com você que não é algo difícil de se montar...” Bruno: “Ah, entendi! Eu achei que tinha sido exatamente o contrário...” Sophia: “Mas enfim, está sendo boa essa conversa com você, porque está me ajudando a elaborar um pouco essas questões da temática. Eu acho que realmente, o... Pensando agora nessa nossa conversa, acho que o ponto principal é a memória...” [Fim da Conversa] Bruno: Pois é… Para quem não conhece, Kingdom Hearts é uma série de jogos de RPG criada pela lendária Squaresoft, empresa responsável pelas séries Final Fantasy e Chrono,
# 97 – Quarentena ep. 4 – Os Bastidores da Ciência23 Jul 202000:23:21
A pandemia tem mostrado a importância da ciência no combate ao novo Coronavírus. Mas você já se perguntou sobre quem é esse cientista que está estudando a vacina? Quem são essas pessoas por trás dos dados que acompanhamos todos os dias? Ou o motivo de algumas soluções demorarem tanto a chegar? Isso tudo é discutido neste episódio do QUARENTENA, com a participação de Natalia Pasternak (bióloga e presidente do Instituto Questão de Ciência), Altay Lino de Souza (professor da Universidade Federal de São Paulo e produtor do Naruhodo Podcast) e Rafael Izbicki (estatístico e professor da Universidade Federal de São Carlos). A produção e apresentação do programa são de Carol Sotério.  _________________________ Carol: Elementar, meu caro Watson. Essa expressão tão conhecida surgiu em meio a uma encenação do detetive mais famoso da ficção: Sherlock Holmes. Criado por sir Arthur Conan Doyle, um escritor britânico, o personagem originalmente retratado em livros ajudou na construção do estereótipo de um cientista excêntrico, genial e não muito sociável. A verdade é que não costumamos ver esse tipo de personagem no dia-a-dia. Mas sabemos que os cientistas estão por aí. Nesta pandemia, recebemos notícias o tempo todo sobre essas pessoas. Elas estão desenvolvendo tratamentos, fabricando respiradores, estudando o novo coronavírus ou ainda fazendo previsões sobre o impacto da Covid-19 em todo o mundo. Mas como é que tudo isso é realmente feito? Como é a ciência longe da ficção? Carol: Você está ouvindo o QUARENTENA. Eu sou a Carol, e o no episódio de hoje falaremos sobre os bastidores da ciência em tempos de pandemia. Carol: No livro chamado “um estudo em vermelho”, a primeira obra que apresenta o personagem Sherlock Holmes, vemos a descrição do cientista pelos olhos de seu colega, o médico Watson. Com uma listinha, Watson enumera características sobre o detetive: uma pessoa que possui um vasto conhecimento de química, algumas habilidades musicais e cheio de mistérios. Na vida real, o cientista está longe de ser misterioso, podendo estar mais próximo de você do que possa imaginar. Cerca de 60% da pesquisa que é desenvolvida no Brasil vem de 15 universidades públicas, entre elas a UNICAMP. Mas para estar qualificado pra fazer uma pesquisa de excelência nessas instituições, é preciso estudar muitos anos. Em média, uma graduação leva cinco anos; um mestrado, dois; um doutorado quatro anos e um estágio de pós-doutorado pode durar de seis meses a seis anos, variando entre os programas e as oportunidades de outros trabalhos que vão aparecer no caminho. Esse trabalho, muitas vezes, requer um regime de dedicação exclusiva, isto é, que seja sua única ocupação, e é remunerado com as bolsas de pesquisa com valores não atualizados desde 2013 no Brasil. Sobre isso, a nossa entrevistada, a bióloga Natalia Pasternak e presidente do Instituto Questão de Ciência, tem algo a nos falar: Natalia: As pessoas realmente não têm muita noção de como a ciência funciona no Brasil, como é o trabalho do cientista, qual que é o nível de dedicação, o que um docente faz, o que um pós-doc faz, o que um estudante de pós-graduação faz - na cabeça da maioria das pessoas, inclusive, os estudantes de graduação não são nem profissionais. Eles não entendem que aquele já é um profissional formado que está fazendo um trabalho de pesquisa remunerado por uma bolsa de estudos. E daí a gente junta tudo e fica justamente com aquela impressão que as pessoas têm de que as universidades não servem pra nada. Eles não entendem que as universidades são grandes centros de pesquisa, não são apenas escolas. E isso é algo que também se reflete muito dentro da universidade, que também até hoje acho que não entendeu muito bem qual que é o seu papel na formação de profissionais, na valorização desses profissionais, dos pós-graduandos. Carol: Uma situação que tem sido corriqueira no Brasil é a fuga de cérebros. Em meio a falta de oportunidades no país,
# 96 Série Corpo – episódio 5 – O peso do peso10 Jul 202000:26:42
Obesidade, corpo gordo, plus size. Para falar sobre peso corporal precisamos ir além da balança. Em “O peso do peso”, a gente navega pela história da Júlia, uma professora de balé que ensina outros tipos de corpos a dançar, e discute os vários sentidos do corpo gordo a partir da fisiologia do exercício e da história do peso no Brasil. Participaram do episódio a Cláudia Cavaglieri, da Faculdade de Educação Física da Unicamp, e Denise Bernuzzi de Sant’Anna, historiadora da PUC São Paulo. A série Corpo faz parte do projeto “Histórias para pensar o corpo na ciência”, que é financiado pela FAPESP (2019/18823-0) e coordenado pelo professor Bruno Rodrigues (FEF/Unicamp). Segue o roteiro completo. SAMUEL RIBEIRO - Oi. O que você tá ouvindo é uma apresentação de balé. O som vem de um vídeo, que eu quero que você imagine aí. Fecha os olhos. Tem a plateia, as cortinas, a iluminação... e no meio do palco uma bailarina profissional, graciosa, dançando na ponta dos pés. Visualizou? Agora diz pra mim: como é que era o corpo dessa bailarina? Ela era magra, gorda, musculosa? E por que que você imaginou ela desse jeito? Eu sou Samuel Ribeiro e este é o Corpo, podcast que fala de histórias e de movimento humano. E a gente começa com a Júlia... a bailarina. JÚLIA DEL BIANCO - Meu nome é Júlia Del Bianco, eu sou bailarina, professora de dança, e também sou modelo plus size e influenciadora digital. SAMUEL - A Júlia faz balé clássico desde criança e se formou em Dança na Unicamp. Ela já deu aula em escolas e ONGs, e é fundadora da Dance for Plus, uma escola itinerante que traz a dança pra quem não se encaixa nos padrões de corpo daquela bailarina... que muita gente deve ter imaginado junto com a música. O trabalho da Júlia segue na linha de todo um movimento que aconteceu nas últimas décadas, e que luta contra o preconceito e a estigmatização do corpo gordo. E tem a ver também com as experiências que ela viveu quando era aluna de balé... JÚLIA - Eu hoje, eu olhando as minhas fotos, eu considero que eu era uma pessoa magra. Mas eu sempre tive mais peito, mais coxa, é, mais bunda, e pra uma bailarina isso não é aceitável. Mas quando eu comecei a dançar era uma coisa assim, que você tinha que ser uma tábua assim, sem nada. Então eu era essa pessoa um pouquinho mais curvilínea no meio de um monte de bailarinas que eram mais retas, assim, com o corpo mais reto. Então eu sempre tive um corpo fora do padrão do balé. SAMUEL - A Júlia tinha um dilema ali na adolescência: ela era uma bailarina e se dedicava nos treinos e nos ensaios, só que ao mesmo tempo o ambiente do balé tava ali dizendo que o corpo dela... não era corpo de bailarina. Bom, o tempo foi passando e a Júlia engordou... JÚLIA - ... só que daí eu comecei a perceber um outro lado. Eu comecei a perceber um lado de que eu ia comprar roupa e eu não tinha roupa pra eu comprar, mesmo que fosse de ginástica pra eu querer fazer alguma coisa pra emagrecer, entendeu? SAMUEL - E começou a sentir na pele uma série de outras pressões por causa do corpo, inclusive questões de acessibilidade... JÚLIA - Acessibilidade de as vezes não caber nos lugares, de... eu sempre dancei, sempre fui ativa, mas eu era tida como sedentária. Então eu comecei a ver um outro lado da moeda né. SAMUEL - Aí, vendo esse outro lado da moeda, ela virou professora e quis ensinar dança de um jeito que não deixasse ninguém de fora. E além de ajudar as alunas, ela também acabou se ajudando muito nesse processo. JÚLIA - ... eu comecei a ver que eu tinha um impacto muito grande nas minhas alunas, né, e que elas melhoravam a autoestima delas. SAMUEL - A Júlia pensou... JÚLIA - ... "nossa, mas eu faço tão bem pra elas, né, e eu tô aqui em um processo tão autodestrutivo né, me odiando tanto". Daí foi um começo assim. ... a dança ela é uma coisa que... cê me pergunta "mas como que você não desistiu?", eu falo "não sei", porque pra mim dançar, o movimento, me expressar, é uma coisa que eu me sinto muito bem,
#95 Quarentena – Envelhe(ser)18 Jun 202000:34:04
Nesta pandemia, os cuidados com os idosos precisam ser redobrados! Questões sobre as necessidades especiais, o distanciamento social e as políticas públicas necessárias para assistir essa parte da população são discutidas nesse terceiro episódio da série Quarentena. Foram entrevistados os especialistas: Karina Gramani Say, fisioterapeuta e professora do departamento de Gerontologia da UFSCar; Marco Túlio Cintra, médico geriatra, professor da UFMG e presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia em Minas Gerais; e Maria Santos, filha da Dona Joana (81 anos) e muito experiente no cuidado de pais idosos.  Carol: Desde que passamos a existir, atravessamos as mais diferentes fases da vida. Vida essa com início, meio e fim. Nascemos necessitando de cuidados alheios. Depois, ao crescer, nos tornamos independentes. Mas ao envelhecer, uma parte da independência vai embora e a necessidade de cuidados alheios volta, em maior ou menor intensidade. Em tempos de pandemia do novo coronavírus, o cuidado com o outro se torna ainda mais importante, especialmente com aqueles que já atingiram a terceira idade. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a OMS, essa fase se inicia por volta dos 60 anos, variando entre os países. No Brasil, a estimativa de vida é de cerca de 72 anos para os homens e 79 para as mulheres, segundo o IBGE. Essa diferença é chamada de sobremortalidade masculina, e as razões que definem esses números são várias, entre elas as causas não naturais, como a violência e os acidentes de trânsito. Mas se por um lado temos observado diversos familiares preocupados com seus entes de mais idade, de outro vemos um crescente retrato do abandono. Carol: Você está ouvindo o QUARENTENA. Eu sou a Carol e no episódio de hoje falaremos sobre a velhice em tempos de pandemia. No conto “Feliz aniversário”, a escritora Clarice Lispector retrata a velhice e as relações familiares. Descrevendo o ambiente da comemoração dos 89 anos da dona Anita, Clarice ressalta algumas situações que, às vezes, chegam junto com a idade: a presença familiar por obrigação, a falta de colaboração entre os filhos e a inversão de papéis. E quando a mesa estava imunda, as mães enervadas com o barulho que os filhos faziam, enquanto as avós se recostavam complacentes nas cadeiras, então fecharam a inútil luz do corredor para acender a vela do bolo, uma vela grande com um papelzinho colado onde estava escrito “89″. Mas ninguém elogiou a idéia de Zilda, e ela se perguntou angustiada se eles não estariam pensando que fora por economia de velas — ninguém se lembrando de que ninguém havia contribuído com uma caixa de fósforos sequer para a comida da festa que ela, Zilda, servia como uma escrava, os pés exaustos e o coração revoltado. Então acenderam a vela. E então José, o líder, cantou com muita força, entusiasmando com um olhar autoritário os mais hesitantes ou surpreendidos, “vamos! todos de uma vez!” — e todos de repente começaram a cantar alto como soldados:     Happy birthday to you / Parabéns pra você / Muitas felicidades / Muitos anos de vida Carol: Vemos que a dona Anita do conto chegou aos 89 anos, uma idade já acima da expectativa média de vida para as mulheres brasileiras. Segundo o IBGE, cerca de 14% da população brasileira é composta de idosos, um número que está por volta de 30 milhões de pessoas. Falamos tanto sobre envelhecer, mas o que de fato significa isso? A palavra da vez está com a Karina Gramani Say do departamento de gerontologia da UFSCar. Karina: Primeiro é importante a gente entender que velhice é uma fase da vida - a fase mais madura da vida - mas ela é mais uma fase da vida assim como a infância, a adolescência, a vida adulta e a velhice. Então é importante que a gente entenda que desde o momento que a gente nasce a gente tá num processo de envelhecimento, que inclui passar por todas as fases da vida e atingir a velhice. Aqui no Brasil e em países subdesenvolvidos é considerado idoso a pessoa a partir d...
#94 – Temático: Esperando Betelgeuse11 Jun 202000:27:16
Neste programa contamos a história da estrela Betelgeuse que, no final de 2019, passou a apresentar um comportamento estranho, o que levou muita gente a acreditar que estava prestes a testemunhar um evento único. E astrônomos que estudam a estrela mais de perto levantaram hipóteses do que estava acontecendo. Quem nos ajuda a contar esta história é Geisa Ponte, mestranda em Astrofísica no Centro de Radioastronomia e Astrofísica Mackenzie, e Vladimir Jearim, pesquisador do Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST). GEISA: A gente ver uma comportamento inesperado e inédito que nunca tinha sido registrado nela e aí juntou com esse gatilho com as ondas gravitacionais que não se confirmou, então isso tudo levou a uma crescente de expectativa realmente, inclusive dentro da comunidade científica. OSCAR: Neste programa vou trazer a história de uma estrela chamada Betelgeuse que, no final do ano passado, começou a ter um comportamento estranho.  SAMUEL: Astrônomos do mundo todo começaram a observar mais de perto e estudar o que poderia estar acontecendo. Isso também chamou a atenção de bastante gente…. que começou a acompanhar o assunto na internet com muita expectativa. Eu sou Samuel OSCAR: Eu sou o Oscar e esse é o Oxigênio OSCAR: Quem estava falando no começo do programa é a Geisa Ponte GEISA: Eu trabalho com astrofísica estelar observacional usando dados da missão espacial TESS da NASA para procurar variação de brilho de estrelas de emi solares. E para investigar como que essa variação de brilho tem a ver com o comportamento magnético dessas estrelas. E a gente vai falar um pouco sobre uma estrela que é muito diferente das quais eu trabalho. OSCAR: Eu de fora, assim leigo, você falando me pareceu dentro do assunto. Mas, pelo jeito, não é tanto assim. GEISA: É, bom, ainda é dentro de astrofísica estelar, né? Principalmente, observacional essa questão. SAMUEL: Mas antes de avançar mais no que estava acontecendo, a gente precisa falar sobre Betelgeuse. OSCAR: Além do nome do personagem, se você é fã do Guia do Mochileiro das Galáxias deve lembrar que o Ford Prefect é de um planeta perto dessa estrela. GEISA: Eu trabalho com estrelas que a gente diz que é pequena, estrelas pequenininhas do tipo solar e betelgeuse é muito muito grandona. Betelgeuse é mais ou menos 900 vezes o tamanho do sol. OSCAR: Para tentar dar uma ideia melhor , o tamanho de betelgeuse é equivalente à órbita de júpiter. Se a gente pegasse betelgeuse e colocasse no lugar do sol, ela engoliria mercúrio, vênus, a Terra, Marte e chegaria até júpiter. GEISA: Por que mais ou menos? Porque existe as imprecisões que são inerentes a medidas, análise, instrumentos tudo mais. Mas também porque ela pulsa, esse raio dela varia, ela é uma estrela pulsante SAMUEL: Betelgeuse fica na constelação de Orion. Se você quiser encontrar no céu, a melhor forma é primeiro procurar pelas três Marias VLADIMIR: Então a pessoa tem que identificar as três marias, a um lado e a outro das três marias quase a maneira diametral oposta você vai ter duas estrelas brilhantes. SAMUEL: Esse é o Vladimir. VLADIMIR: Meu nome é Vladimir Jearim de Pena Soares SAMUEL: Ele é pesquisador do Museu de Astronomia e Ciências Afins VLADIMIR: Vai ter uma estrela amarelada, avermelhada, brilhante e vai ter uma estrela branco-azulada. A avermelhada é Betelgeuse. GEISA: Isso, ela é bem vermelha, dá para notar que ela é bem vermelha. E ela vai estar na parte de baixo. Porque a gente está no hemisfério sul, então, na verdade, Orion está de cabeça para baixo. Então quando a gente está vendo a cintura dele, ali as três marias, a gente está vendo a cintura, o cinturão e você vai imaginar os braços onde você normalmente imaginaria a perna. Então ali que ela vai estar, na parte de baixo. E a parte de cima são as pernas que a gente imaginaria que são os braços. Mas é porque a gente está no hemisfério sul e a gente vê invertido de quem convencionou Orion ao contr...
#93 Série Corpo, episódio 4 – Outra quadra28 May 202000:16:39
Daniel é um professor de inglês e atleta de esgrima em cadeira de rodas. Maria Luiza Tanure Alves é professora da Faculdade de Educação Física da Unicamp e estuda formas de ensinar o esporte paralímpico na escola para promover a inclusão. Em “Outra quadra”, contamos as histórias dos dois e falamos de suas memórias com as aulas de Educação Física. A série Corpo faz parte do projeto “Histórias para pensar o corpo na ciência”, que é financiado pela FAPESP (2019/18823-0) e coordenado pelo professor Bruno Rodrigues (FEF/Unicamp). SAMUEL RIBEIRO Oi. Este é o quarto episódio do Corpo, podcast que fala de pessoas e de movimento e é produzido aqui na Unicamp. Eu sou Samuel Ribeiro, e hoje... a gente começa com a história do Daniel. SAMUEL Parte 1: o esgrimista em quarentena. SAMUEL E pra você assim, que fazia tanta coisa, e tinha uma rotina de treino, de sair, de dirigir, de ir pra Unicamp, como que tá sendo agora esse período do isolamento? DANIEL TIBIRIÇÁ Ah tá sendo um baque, cara, tá sendo um baque. Eu tô fazendo o possível pra não me perder de... o foco né, o momentum. SAMUEL Esse é o Dani, um amigo meu. A gente trabalhou junto em 2012 numa empresa de tecnologia aqui da região de Campinas. DANIEL Bom meu nome é Daniel Tibiriçá. Eu sou atleta de esporte paralímpico... SAMUEL Além de atleta ele é professor de inglês e assim como eu tá trabalhando de casa agora durante a pandemia. DANIEL Eu pratico esgrima em cadeira de rodas principalmente, mas eu também já me envolvi com o basquete em cadeira de rodas, parabadminton e também tô trabalhando com o Wushu adaptado. SAMUEL A locomoção do Dani é prejudicada desde que ele era pequeno, porque ele nasceu com uma malformação na coluna chamada lipomielomeningocele. DANIEL Eu andava mas eu... eu... eu cambaleava, eu jogava as pernas pro lado pra fazer a marcha, né. Então precisei fazer fisioterapia né, pra que não acontecesse nenhum tipo de desvio no desenvolvimento da minha marcha, né. Então eu fazia fisioterapia, eu intermitentemente eu usava órteses, né, quando eu era criança, eu usava órteses durante o período, depois eu não precisava mais. Depois piorava a minha marcha eu tinha que voltar a usar órteses. SAMUEL Na adolescência ele treinava Wushu, que a gente também chama de kung fu, só que conforme ele foi crescendo o problema na locomoção foi piorando. Primeiro ele passou a usar bengala, e aí ele pensou... DANIEL ... bom o Wushu já acabou, não tem o que fazer. SAMUEL Depois foi pra cadeira de rodas, e isso foi mais ou menos na época da Copa. DANIEL ... a Copa do Mundo de 2014 fez eu começar a pensar no esporte novamente e aí 2016 estava vindo né, tava no horizonte, e aí eu comecei a contemplar o esporte paralímpico né, porque Olimpíada também, fiquei sabendo da Paralimpíada, e aí comecei a pensar no esporte paralímpico. SAMUEL Bom, e o primeiro passo pra pensar em praticar um esporte era trocar a cadeira de rodas... DANIEL ... porque assim, a cadeira que eu tinha antes era um trambolhão né. Não era uma cadeira muito dinâmica. Aí essa cadeira nova que eu fui comprar era uma cadeira um pouco menor, um pouco mais leve, um pouco mais ágil. Aí normalmente o que acontece? Quando as pessoas sentam, mudam de uma cadeira grandona trambolho pra uma cadeira pequena e mais leve, ela tem um pouco de dificuldade, ela se sente meio assim sem muito equilíbrio. É um pouco estranho, as pessoas costumam estranhar. Só que eu sentei e eu não tive nenhum problema. Eu comecei a dar volta pela loja, a loja tinha os corredores lá, eu comecei a fazer ziguezague em volta da loja o cara falou tipo assim "oh, você leva jeito para jogar basquete, você já pensou em jogar basquete?". SAMUEL Aí o Dani falou... DANIEL ... "olha eu estava pensando justamente em fazer algum esporte paralímpico mas eu não fazia, eu não faço a menor ideia onde procurar". Aí ele falou que eles tinham contato e aí foi assim que eu comecei. SAMUEL Então ele treinou basquete por um tempo e depois foi s...
#92 – Quarentena – OK, computador14 May 202000:19:45
Você sabia que seu computador pode ajudar na luta ao novo coronavírus? Nesse segundo episódio do QUARENTENA, falamos sobre um jeito de ajudar no combate a COVID-19 sem sair de casa – como recomendam as autoridades sanitárias do mundo todo. É isso mesmo, tratam-se de projetos que envolvem a computação distribuída/paralela, como o Folding@Home, Rosetta@Home e o Open Pandemics da IBM. Quem falou sobre isso foram: Sarita Bruschi, cientista da computação e professora da USP, e Benilton de Sá Carvalho, – estatístico e professor da UNICAMP.  O Quarentena é um projeto ligado ao curso de Especialização em Jornalismo Científico do Labjor/Nudecri/Unicamp e ao Lab 19, proposta de cobertura da Covid-19, dos alunos do curso. Mais informações sobre o Lab-19 em: http://www.comciencia.br/especial-sobre-a-pandemia-da-covid-19/ Esperamos que você goste do programa e compartilhe com seus amigos. Se quiser,  comente nas nossas redes sociais - Twitter (twitter.com/castquarentena), Instagram (https://www.instagram.com/castquarentena/) e Facebook (https://www.facebook.com/quarentenapodcast/) e nas redes sociais do Oxigênio (@oxigenio_news), Instagram (@oxigeniopodcast) e Facebook (/oxigenionoticias) ou escreva para oxigenionoticias@gmail.com.   E aqui vai o conteúdo completo do EPISÓDIO 02 - OK, COMPUTADOR Carol: Ok, Google. Google: Olá, como posso ajudar? Carol: Play Quarentena Podcast. Google: Tocando Quarentena Podcast. Carol: No passado, muitas pessoas se dedicaram a imaginar um futuro para a humanidade. Nas telonas, a mensagem era muito clara: carros voadores, hologramas e até mesmo um mundo formado apenas por droids, os robôs inteligentes. Embora essa seja uma visão deturpada da realidade que conhecemos, não podemos negar o fato de que as máquinas têm evoluído e colaborado na construção de um presente repleto de facilidades. No atual cenário de pandemia, os computadores já ocupam um local de destaque. A vida em rede tem permitido que cientistas desenvolvam novos conhecimentos na batalha contra o novo coronavírus. Assim, nossos próprios computadores podem ser utilizados nas pesquisas sobre a COVID-19. Carol: Você está ouvindo o QUARENTENA. Eu sou a Carol e no episódio de hoje falaremos sobre a tecnologia como aliada no combate ao novo coronavírus. Carol: O conhecido autor de ficção científica, Isaac Asimov, estabelecia três leis para a robótica em seu livro “Eu, robô”, um retrato da relação tênue entre homem e máquina. A primeira falaria justamente sobre essa relação. Google: “Primeira lei: um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal” Carol: Em um paralelo com a realidade, temos tentado cumprir a lei. No atual cenário da pandemia, o que buscamos é justamente remediar ou extinguir a doença que nos tem causado mal, usando, entre outras coisas, a computação a nosso favor. No entanto, a tecnologia precisou evoluir para chegar onde estamos hoje. Se hoje buscamos por respostas de forma mais rápida, é porque antes criamos ferramentas para isso. Sobre esse desenvolvimento da tecnologia, a cientista da computação e professora da USP, Sarita Bruschi, tem algo a nos dizer. Sarita: Realmente são vários episódios que, ao logo da história na evolução da tecnologia, merecem um grande destaque. Eu vou destacar aqui dois que foram particularmente importantes pra evolução da área de computação distribuída, que são: as redes de computadores e a miniaturização dos componentes eletrônicos. Sem a comunicação permitida pelas redes, não seria possível transmitir os dados entre os computadores da maneira rápida, confiável e segura que temos hoje. Também sem o advento dessas redes de computadores, a gente não teria hoje essa grande rede mundial que é a Internet. Carol: A Internet, pela qual estamos conectados agora. Sarita: O outro advento que eu considero muito importante é em relação ao processo de fabricação do principal componente dos circuitos eletrônicos,
#91 Oxilab: Ciência nas crônicas de Machado12 May 202000:17:28
Em “Ciência nas crônicas de Machado”, falamos sobre como o escritor Machado de Assis abordou a ciência em suas crônicas, de forma bem humorada e também crítica. A nossa entrevistada foi a Ana Flávia Cernic Ramos, que hoje é professora do Instituto de História da Universidade Federal de Uberlândia e fez seu doutorado em História Social da Cultura na Unicamp, sobre a participação do Machado na série de crônicas “Balas de Estalo”. OSCAR XAVIER: Aos quarenta anos casou com Dona Evarista, senhora de vinte e cinco anos, viúva de um juiz de fora, e não bonita nem simpática. Um dos tios dele admirou-se de semelhante escolha e disse-lhe. Simão Bacamarte explicou-lhe que Dona Evarista reunia condições fisiológicas e anatômicas de primeira ordem, digeria com facilidade, dormia regularmente, tinha bom pulso, e excelente vista; estava assim apta para dar-lhe filhos robustos, sãos e inteligentes. Se além dessas prendas, – únicas dignas de preocupação de um sábio, Dona Evarista era mal composta de feições, longe de lastimá-lo, agradecia-o a Deus, porquanto não corria o risco de preterir os interesses da ciência na contemplação exclusiva, miúda e vulgar da consorte. LAÍS TOLEDO: Esse é um trecho de “O alienista”, do Machado de Assis. Esse conto foi publicado, aos poucos, entre 1881 e 1882, em um jornal carioca. THAIS OLIVEIRA: O conto narra a história de Simão Bacamarte, um médico que era interessado pelos mistérios da mente humana. Naquela época, esse tipo de médico era chamado de alienista, daí o título do conto. LAÍS: O doutor Bacamarte vivia em função da ciência e construiu uma espécie de hospício. Lá, ele abrigava quem ele achava que era louco, para poder estudar essas pessoas. Só que chegou uma hora que quase todo mundo da cidade acabou internado. Então, o doutor Bacamarte teve que rever sua teoria sobre a loucura... THAIS: O Machado usava muitas vezes o absurdo e o riso para provocar indagações. Isso acontece em “O Alienista”, que mostra, por exemplo, que o limite entre uma pessoa “louca” e uma “normal” não é tão claro assim. Com isso, o Machado mostra também que a ciência não é nem objetiva nem inquestionável. E essa forma crítica de retratar a ciência pode ser encontrada em seus contos, romances e também em crônicas. LAÍS: Esse episódio do Oxigênio é sobre como o Machado de Assis tratou a ciência em suas crônicas, uma parte menos conhecida de sua obra. Para falar desse tema, entrevistamos a Ana Flávia Cernic Ramos, professora da Universidade Federal de Uberlândia. THAIS: Ao longo de quase meio século, o Machado escreveu, sozinho ou com outras pessoas, algumas séries de crônicas. Uma delas se chamava “Balas de Estalo”. E a Ana Flávia pesquisou no seu doutorado a participação do Machado nessa série. ANA FLÁVIA CERNIC RAMOS: Essa série foi publicada num dos maiores jornais do Rio de Janeiro, no final do século XIX. O Machado de Assis escrevia junto a outros jornalistas e literatos, e o Machado usava o pseudônimo Lélio nessa série de crônicas, que eram publicadas quase diariamente nesse jornal do Rio de Janeiro. E essa série era humorística. O Machado de Assis escolhe um personagem que explicita esse caráter humorístico, que é o Lélio, que é uma personagem tirada do teatro italiano, da Commedia dell’arte, no qual você comenta e critica e observa o mundo a partir de um viés humorístico. Rindo você critica ou aponta possíveis transformações ou reformas da sociedade. LAÍS: Depois, a pesquisa da Ana Flávia deu origem ao livro As máscaras de Lélio - Política e humor nas crônicas de Machado de Assis (1883-1886), publicado pela Editora da Unicamp. Hoje, a nossa conversa vai ser sobre um Machado de Assis que talvez você ainda não conheça. Eu sou a Laís Toledo... THAIS: ... eu sou Thais Oliveira. E esse é o Oxilab “Machado de Assis: jornalismo, ciência e outras cousas mais...”. THAIS: Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 1839 no Morro do Livramento, próximo ao centro do Rio de Janeiro.
#189 – Ep. 3: Pistache, cookies e muita soberania14 Feb 202500:18:48
O terceiro e último episódio da série Impactos Socioeconômicos das Big Techs trata de temas como capitalismo digital, coleta de dados, educação midiática, soberania digital e redes sociais contra hegemônicas. 
#90 Série Corpo, episódio 3 – Doze por oito01 May 202000:32:37
Em “doze por oito”, terceiro episódio da série Corpo, abordamos os vários sentidos da pressão alta. Os entrevistados são o professor Bruno Rodrigues, da FEF/Unicamp, que estuda os efeitos do exercício físico em pacientes com hipertensão resistente, e a professora Soraya Fleischer, antropóloga da UnB que publicou uma etnografia sobre a população hipertensa de um bairro da Ceilândia. A série Corpo faz parte do projeto “Histórias para pensar o corpo na ciência”, que é financiado pela FAPESP (2019/18823-0) e coordenado pelo professor Bruno Rodrigues (FEF/Unicamp). SAMUEL RIBEIRO: Esses são relatos que eu recebi por Whatsapp agora durante a quarentena. Eu queria encontrar uma pessoa com hipertensão pra me contar um pouco da sua experiência com a doença, só que eu acabei encontrando muita gente. SAMUEL: Assim... toda família tem alguém com pressão alta. Aquela tia que passa mal nos aniversários, o avô que tá sempre com a caixinha de remédio do lado, prima, pai, mãe, enfim. A gente tá tão acostumado que nem para pra pensar na quantidade de gente no mundo que tem a mesma doença crônica. SAMUEL: Tem um dado do SUS que diz aqui no Brasil mais ou menos 1 a cada 4 mulheres e 1 a cada 5 homens têm hipertensão. E no caso das pessoas mais velhas, esse número aumenta muito: a hipertensão pega mais de 60% dos idosos. A gente tá falando de milhões de pessoas com o mesmo problema. SAMUEL: E já que afeta tanta gente, o que não falta é informação sobre o assunto. Pra controlar a pressão, além dos remédios e da alimentação correta, todo mundo sabe rezar a cartilha: exercício físico ajuda a prevenir a pressão alta! Quem tem pressão alta precisa fazer exercício físico! Exercício físico... exercício físico... exercício físico... SAMUEL: Tá. Vamos falar disso... Eu sou o Samuel Ribeiro, e esse é o Corpo, um podcast pra falar de pessoas e de movimento. E a gente começa... BRUNO RODRIGUES: ... tá me ouvindo bem, tá sem barulho? SAMUEL: ... com o Bruno. BRUNO: O meu nome é Bruno Rodrigues, eu sou professor da Faculdade de Educação Física da Unicamp. O meu foco maior é trabalhar pesquisando efeitos e benefícios e adaptações do exercício em portadores de doenças cardiovasculares. SAMUEL: Um parênteses. Além de ser o entrevistado, o Bruno me orienta na produção do podcast, e isso é até engraçado porque apesar da gente ter algumas coisas em comum, viemos de áreas bem diferentes: ele é pesquisador da área biológica e eu sou um cara super das ciências humanas. BRUNO: Samuel? SAMUEL: Por causa da pandemia, a gente teve que fazer uma entrevista à distância... BRUNO: Samuca? SAMUEL: ... e mesmo a ligação caindo algumas vezes, deu pra gente conversar bastante coisa. BRUNO: O grande problema da hipertensão é que ela é uma doença silenciosa, normalmente. Então a gente, no meio da correria do dia a dia, a gente não percebe. Mas é, eu me lembro dos picos hipertensivos que minha mãe tinha, os picos de pressão alta que minha mãe tinha... ela passava mal, e a gente tinha que correr com ela, as poucas vezes que ela teve as crises fortes, assim, a gente tinha que correr com ela pro hospital porque realmente tava grave. SAMUEL: Lá no começo da carreira o Bruno se apaixonou pela fisiologia e por entender não só como o corpo funcionava, mas também quando e por quê não funcionava direito. BRUNO: Eu comecei a me interessar muito pela doença, né. Ao contrário de muitos que vão por conta da saúde. Aí eu comecei a estudar mais, entrei pra um laboratório de neurofisiologia. A gente estudava Parkinson em animais, e aquilo foi apaixonante! SAMUEL: Isso foi lá atrás, ainda na graduação. Logo em seguida ele se envolveu com uma pesquisa sobre exercício físico em pacientes com AIDS, e por causa dessa pesquisa ele foi procurar um professor em São Paulo que era especialista em HIV. O Bruno chegou lá querendo fazer pós-graduação... BRUNO: Mas ele disse pra mim, falou “não, Bruno, eu não tô mais estudando HIV,
#89 Quarentena, episódio 1 – Mundo a distância16 Apr 202000:22:01
Este é o primeiro episódio da série QUARENTENA, um podcast criado pela Carolina Sotério e pela Raquel Torres, para tratar de questões relacionadas ao período de isolamento social imposto à população brasileira, assim como em outras nações, devido à Covid-19. A ideia é mostrar como as pessoas estão lidando com a quarentena, com os cuidados para evitar contágio e disseminação da doença, com os medos, as incertezas e possibilidades de ocupar o tempo. Também vão mostrar como a tecnologia está auxiliando nesse período e o que os cientistas estão trazendo de descobertas e soluções, e outros assuntos relevantes para atravessarmos esse período estranho que estamos vivendo. A cada quinze dias a Carol e a Raquel vão trazer um novo episódio da série, que é parte do Trabalho de Conclusão do Curso das duas alunas no curso de Especialização em Jornalismo Científico do Labjor.  Esperamos que você goste do programa e compartilhe com seus amigos. Se quiser,  comente nas nossas redes sociais do Oxigênio: Twitter (@oxigenio_news), Instagram (@oxigeniopodcast) e Facebook (/oxigenionoticias) ou escreva para oxigenionoticias@gmail.com. O Quarentena também tem página no Facebook. Entra lá pra conhecer: fb.com/quarentenapodcast. E se quiser falar com as autoras do podcast os contatos são: @casoterio e fb.com/raquel.montantorres. E se tiver um tempinho, colabore respondendo nossa pesquisa sobre podcasts. São apenas cinco minutinhos, e vai nos ajudar muito a conhecer nossos ouvinte. É só clicar aqui. E lembre-se de colaborar com o distanciamento social. A quarentena é importante para salvar vidas neste momento #Ficaemcasa! ******************** Segue a transcrição completa do programa. Como diria Raul Seixas, “Foi assim no dia em que todas as pessoas do planeta inteiro resolveram que ninguém ia sair de casa”. A partir das recomendações da Organização Mundial da Saúde e órgãos competentes sobre a pandemia do novo Coronavírus, o isolamento social foi decretado. Todos foram orientados a permanecer em quarentena e adaptar suas rotinas ao home office. Assim, instaurou-se a QUARENTENA. No entanto, migrar para um mundo à distância exige uma série de medidas as quais não pudemos nos preparar anteriormente, desde questões materiais até questões que envolvem nossa própria mentalidade. É uma essa discussão que o Oxigênio traz à tona: Como está a real situação das famílias com seus trabalhos? E quem não possui ferramentas digitais para se adaptar à educação e/ou trabalho à distância? Estamos incluindo ou excluindo digitalmente as pessoas? Colaboram conosco neste episódio: Carolina Marangoni (estudante de arquitetura do IAU/USP que estava em intercâmbio na Itália durante a pandemia de Coronavírus), Nicole Flores (servidora do IBGE/MG, mãe e estudante da modalidade EaD), Bernardo Sorj (professor aposentado da UFRJ, sociólogo e autor de trabalhos sobre o impacto social das tecnologias) e Christian Dunker (professor da USP e psicanalista). O programa compõe a série QUARENTENA, idealizada e produzida por Carolina Sotério e Raquel Torres, sob orientação da professora Simone Pallone de Figueiredo, do Labjor/Unicamp. A narração é de Carolina Sotério. Este episódio integra a força-tarefa do LAB-19 na cobertura sobre o novo Coronavírus. Carol: Ainda ontem as ruas estavam cheias. Eram carros, ciclistas, pedestres e o mundo todo a milhão. De uma hora pra outra, acordamos num planeta vazio. Algo muito menor que nós mesmos foi ganhando forças e deu origem a um problema de ordem mundial. Reuniões canceladas, prateleiras vazias, indo de um extremo ao outro na questão da empatia. Agora somos todos internautas vivendo dentro de um telão. Muitos de nós sendo parte das estatísticas na televisão. Em meio a tantas questões, tudo ficou à distância. A COVID-19 trancou a porta de nossas casas e nos colocou em um momento de profunda reflexão. A Internet, que rompeu tantas fronteiras, hoje reforça a nossa distância. Como adaptar as nossas rotinas ao meio digital?
#88 Série Corpo, episódio 2 – Gente forte31 Mar 202000:22:26
"Gente forte" é o segundo episódio da série Corpo. Traz histórias de pessoas que queriam ser fortes, que treinaram pra isso, e/ou estudam o tema. Os entrevistados foram a halterofilista paralímpica Maraísa Proença, apelidada de“Boneca de Ferro”, e os professores Marco Carlos Uchida e Renato Barroso, da Faculdade de Educação Física da Unicamp, e que entendem tudo de movimento e força. A série Corpo é produzida pelo Samuel Ribeiro, e faz parte do projeto “Histórias para pensar o corpo na ciência”, que fala de pessoas, de movimento e de pesquisa e de Educação Física. É financiado pela FAPESP (2019/18823-0) e coordenado pelos professores Bruno Rodrigues (FEF/Unicamp) e Marina Gomes, do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo, da Unicamp.  Um lembrete: o Oxigênio está fazendo uma pesquisa de público! Não esqueça de responder. A equipe toda agradece. É só clicar aqui. Segue a transcrição completa do programa. ∗∗∗∗ Samuel: No ano passado eu decidi que ia praticar Powerlifting, que é um esporte de levantamento de peso, e esse som que você tá ouvindo é lá das aulas que são oferecidas na minha faculdade. Mas calma, deixa eu explicar melhor... Samuel: Eu não sou um cara forte, mas eu sou fascinado pela força.  Samuel: Uma coisa que me marcou quando eu era criança eram as histórias que meu avô Mário contava. O Mário era alto e tinha um bigodão, tinha sido caminhoneiro a vida inteira e se gabava de ser um homem muito forte. Ele contava que arremessava sacos de batata pra cima do caminhão usando uma mão só. Que quando era mais novo levantava o carro do amigo e mudava a posição que tava estacionado, só de sacanagem. E que tinha pescado um peixe de mais de 100 quilos e tirado da água sozinho. Samuel: Eu não sei até onde essas histórias são verdade, porque além de caminhoneiro meu avô também era pescador. Mas a presença daquele homem forte ficou gravada na minha imaginação. E é por isso... Samuel: ... que eu precisava falar desse assunto. Samuel: Eu sou o Samuel Ribeiro, e este é o Corpo, podcast da Unicamp que fala de pessoas e de movimento. E neste episódio a gente vai falar de força, de músculos e dos pesos que a gente é capaz de levantar. Samuel: E já que eu tava falando da minha infância...  Samuel: ... eu quis começar perguntando pra Maria Fernanda, minha sobrinha, que não chegou a conhecer o bisavô Mário, se ela conhecia alguém que fosse muito forte. Maria Fernanda: Ninguém que eu saiba. Samuel: ... e depois de alguma insistência... Maria Fernanda: A Capitã Marvel, porque ela consegue voar e ela tem bastante força. Ela tem bastante força, acho que ela consegue levantar 100 kg ou mais e ela consegue tirar do chão uma barra bem pesada. Samuel: Então eu segui a dica da minha sobrinha e fui procurar alguém que conseguisse levantar uma barra bem pesada. Maraísa Proença: É, na verdade eu fazia academia, mas nada pensando no esporte. Na verdade eu nem conhecia o... Samuel: Essa é a Maraísa Proença. Maraísa: ... Powerlifting né, paralímpico, nem nada. Eu treinava normal, pra não ficar sedentária. Samuel: Ela é atleta de Parapowerlifting, ou halterofilismo paralímpico. Maraísa: ... vai fazer 5 anos que eu tô no esporte. Assim, nunca me imaginei uma atleta mas, depois que eu conheci o esporte me apaixonei e não parei mais. Samuel: A Maraísa nasceu com uma malformação e usa prótese de perna desde pequena. Ela começou a se envolver com o esporte praticando o Powerlifting convencional. Depois ela passou para a modalidade paralímpica, e os resultados que ela tem alcançado renderam até um apelido pra ela... Maraísa: ... Boneca de Ferro [risos]... uma vez eu tava em um evento e aí veio um pessoal pra fazer entrevista também, e aí a repórter acabou mencionando depois alguma coisa de boneca de ferro e eu acabei adotando né, gostei, achei até uma música depois, que é o nome de Boneca de Ferro, uma letra bem legal, e aí acabei adotando [risos]. Samuel: Pra quem não conhece,
#87 Temático: Uma velha nova epidemia19 Mar 202000:23:42
O mundo está vivendo, desde o final do ano passado, uma pandemia causada por um vírus. Um coronavírus, altamente contagioso e letal, que se espalhou pelos cinco continentes, já deixando um rastro de mortes. Em nosso dia a dia, convivemos com muitas epidemias, podemos dizer que estamos acostumados com elas, mas não devíamos. Diferentemente desse novo coronavírus que estamos enfrentando, muitas doenças epidêmicas poderiam ser evitadas, com prevenção em relação aos hábitos comportamentais ou vacinas. Esse é o caso da sífilis, uma doença causada por uma bactéria, que esteve controlada no passado e que nos últimos anos voltou a crescer no Brasil. Para se ter uma ideia, de 2010 a 2018, a quantidade de pessoas infectadas pela doença aumentou em 75%. É sobre a Sífilis que o Oxigênio 87 vai tratar. Uma velha conhecida que vem aterrorizando o sistema público de saúde do Brasil. As entrevistadas foram a Edy, pessoa trans não-binária que teve sífilis e resolveu tratar abertamente do tema nas redes sociais, a sexóloga Natalia Fernandes, infectologista Ruth Khalili, da Fundação Oswaldo Cruz e a professora do programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade de Fortaleza, Maria Alix. O programa foi produzido pelo Rafael Revadam e pelo Samuel Ribeiro. A apresentação é do Rafael e da Natália Flores, com coordenação geral da professora Simone Pallone de Figueiredo, do Labjor. O programa conta ainda com trabalhos técnicos do Gustavo Campos e do Octávio Augusto, da Rádio Unicamp, e divulgação de Samuel Ribeiro e Helena Ansani. Músicas: An Oddly Formal Dance.mp3 Valantis.mp3 Vienna Beat.mp3   Deixe um comentário contando para a gente o que achou do episódio. Você pode mandar sugestões também pelo Twitter (@oxigenio_news), Instagram (@oxigeniopodcast) e Facebook (/oxigenionoticias). Se preferir, mande um e-mail para oxigenionoticias@gmail.com.   Obs. Deixamos aqui nossos votos para que a pandemia de Covid-19 seja controlada o mais breve possível e que não seja tão severa no Brasil como foi em outros países. E nossa solidariedade a todos aqueles que têm sido afetados por essa terrível doença.   Roteiro completo Edy: É... isso aconteceu em 2017. E aí eu fui, fiz o teste rápido e tal, e aí deu positivo. Pra mim foi tipo bem... foi bem estranho, foi bem ruim pra falar a verdade, porque... porque por mais que tenha muita informação na internet, ainda... ainda existia e ainda existe né, um senso comum que nos coloca, principalmente quando a gente vai falar de pessoas LGBT, enquanto vetor de doenças  sexualmente transmissíveis. E... e aí foi um choque pra mim por conta disso, sabe, não por conta da infecção em si, até porque eu conversei com os médicos, soube que existia um tratamento e que era um tratamento bem tranquilo, precisava fazer um acompanhamento durante um curto período de tempo e tal. Isso até que me aliviou um pouco, mas era mais pela condição social em que as pessoas enxergam, e como as pessoas enxergavam o meu corpo.  Natália: EPIDEMIA. Este é o termo que especialistas usam ao falar da sífilis no Brasil. Rafael: De acordo com dados do Ministério da Saúde, 18 novos casos de sífilis surgem a cada hora. De 2010 a 2018, a quantidade de pessoas infectadas pela doença aumentou em 75%. Natália: Mas como uma doença que tá aqui faz séculos ainda segue em alta nos dias de hoje? Para pesquisadores, enquanto falar de sexo ainda for um tabu, doenças que envolvem seu universo continuarão presentes. Rafael: Porque, na realidade, a sífilis é um problema sério, mas não é nenhum bicho de sete cabeças. E como qualquer problema de saúde, só dá pra pensar nela se a gente conversar de forma aberta e sem preconceitos. Natália: E no episódio de hoje, a gente vai fazer exatamente isso. Eu sou Natália Flores. Rafael: E eu sou o Rafael Revadam, e este é o Oxigênio! Natália: A gente tá vivendo uma epidemia de sífilis. Todo ano o Ministério da Saúde solta um boletim com os dados da doença,...
# 86 Série Corpo, episódio 1 – vinho e vinagre28 Feb 202000:20:34
Em “vinho e vinagre”, o primeiro episódio da Série Corpo, duas professoras da Faculdade de Educação Física da Unicamp contam tudo sobre envelhecimento e exercício. E um professor que estuda a história da velhice explica que ser velho pode ter mais de um significado. A série Corpo faz parte do projeto “Histórias para pensar o corpo na ciência”, que é financiado pela FAPESP (2019/18823-0) e coordenado pelo professor Bruno Rodrigues (FEF/Unicamp). Lourdes: Ah, mas eu adoro! Amiga: É, não, a gente vai pra dançar, a gente não vai pra arrumar namorado, não é pra nada disso. A gente vai pra dançar, se divertir. Samuel: Onde que a gente tá indo? Amiga: No Clube Aurélia. Lourdes: Então, deixa eu pensar no caminho que eu tenho que fazer... Samuel: Essa última voz que você ouviu é da minha mãe, que tá dirigindo o carro. A outra é da amiga dela. Faz alguns anos que elas se conhecem e tão sempre andando juntas, porque as duas têm uma paixão em comum: elas adoram dançar. E nesse dia, a gente foi pro baile. Samuel: Eu sou o Samuel Ribeiro, e este é o Corpo, um podcast pra falar de pessoas e de movimento. Nesse primeiro episódio, vamos falar de como a vida fica quando o tempo passa. E a gente começa com a minha mãe... Lourdes: Meu nome é Lourdes... Samuel: ...que tem 67 anos... Lourdes: ...eu sou uma dona de casa ativa ainda, com essa idade. Eu cuido da casa toda, de uma família toda, de neto, de filha. Faço compras, lavo, passo, cozinho. E gosto de dançar. Lourdes: Quer ver? [quatro, cinco, seis, sete, oito...] Eu comecei a dançar... acho que 2010... dois mil e... pera aí [quatro, cinco, seis, sete, oito, nove...] 2009, depois que... depois de 5 anos que eu fiquei viúva eu comecei a ir no baile, com a minha irmã. Samuel: O meu pai não saía pra dançar com a minha mãe, e ela, que era costureira, passava quase o dia inteiro trabalhando. Depois que ele morreu, essa irmã dela, que é minha tia Sueli, chegava na porta da oficina de costura e dizia assim: Lourdes: "Mas larga isso daí, vamo no baile!". Até que um dia eu fui, era aniversário dela e ela disse "você vai". Samuel: A minha mãe foi, e nunca mais parou de ir. Já são mais de 10 anos que ela dança quase toda semana. E dança muito bem. Lourdes: Eu tenho assim uma dorzinha no joelho, mas quando eu vou dançar, eu fico boa! É falta de ir no baile! Juro! Porque cê fica o dia inteiro de pé aqui dentro, mas é diferente. Samuel:Por que que é diferente? Lourdes: Porque você anda pra lá, anda pra cá, mas cê não tá... dançando... dançando você... é diferente, não sei explicar. Lourdes: Eu sei que quando eu vou ao baile, eu volto... quando eu tô no baile eu me sinto assim, como se eu tivesse 20, 30 anos... eu não tenho filho, eu não tenho casa, eu não tenho ninguém. Lá aquela música incorpora na gente, o pé acompanha o pé do parceiro, é uma delícia! Eu não lembro de nada, nada, nada! Se eu tiver algum problema, lá eu esqueço de tudo. Samuel: A dona Lourdes é uma senhora com muita energia, e lá no baile tava cheio de gente que nem ela. Gente na casa dos 60, 70 e até mesmo 80, dançando, se divertindo, paquerando. Eu olhava praquele movimento todo durante as músicas e, pra ser sincero, depois de um tempo nem dava mais pra notar quem era velho e quem não era. Samuel: Eu sou da Educação Física, então pra mim isso não é nenhuma novidade. A gente vê idosos correndo, levantando peso, fazendo ginástica, jogando bola, lutando... é a coisa mais normal do mundo. E até a minha mãe, que por enquanto só dança, falou esses dias que tá querendo fazer musculação porque ela acha que tá flácida. Samuel: Aquela imagem dos livros infantis, da vovozinha sentada na cadeira de balanço, não dá mais conta de retratar os idosos de hoje. Mas mesmo assim, a gente sabe que envelhecer continua sendo uma coisa complicada. Pra entender melhor isso eu fui conversar com quem entende de envelhecimento e pesquisa os efeitos do exercício físico nessa fase da vida. Mara Patrícia Traina Chacon-Mikahil: O vô Toninho?
#85 Oxilab: Nexus – Energia14 Feb 202000:24:00
O que significa segurança para você? A segurança da vida contemporânea depende de três elementos: energia, água e alimentos. O NEXUS dessa tríade impõe desafios para suprir as necessidades básicas da crescente população frente a crise climática.  No primeiro episódio da série Oxilab #85 - Nexus, conversamos sobre ENERGIA com o cientista Davi Gabriel Lopes, engenheiro agrônomo, pós-graduado em Engenharia Mecânica pela Unicamp. Ele fala sobre segurança energética, o sistema elétrico brasileiro e políticas públicas que prometem encaminhar o Brasil rumo a agenda do acordo de Paris.  O programa mostra como o país é um verdadeiro paraíso energético. No entanto, sem investimentos em ciência, tecnologia, inovação, infraestrutura e uma agenda política alinhada podemos ficar em apuros.  A entrevista, o roteiro e a narração são de Camila Cunha e a produção do Planteia, iniciativa de divulgação científica. A decupagem de entrevistas é de Paula Gomes; as sonoras e/ou apoio na produção são de Allison Almeida e Samuel Ribeiro; e social mídia por Helena Ansani. A coordenação é da Prof. Simone Pallone do Labjor - Unicamp e os trabalhos técnicos de Gustavo Campos e Jeverson Barbieri da Rádio Unicamp. Deixe seu comentário contando o que achou do episódio. Você também pode mandar sugestões pelo Twitter (@oxigenio_news), Instagram (@oxigeniopodcast) e Facebook (/oxigenionoticias). Se preferir, envie um e-mail para oxigenionoticias@gmail.com. Abaixo, a transcrição do episódio: Camila Cunha: Nas manchetes dos jornais, os efeitos das mudanças climáticas já são rotina. [Som de mudança de estações de rádio…] Camila Cunha: Essa crise traz perigos e incertezas e os danos e riscos estimados por cientistas são alarmantes. O que fazer? Bom, precisamos que os governantes estimulem ações e mudanças via implementação de políticas públicas aqui e agora. Sem investimentos pesados e contínuos em ciência, tecnologia e inovação, além de infraestrutura e incentivos fiscais, as mudanças profundas que a economia, hoje movida a combustíveis fósseis, precisa será inviável. Em 2050 seremos 9 bilhões de habitantes e a necessidade de energia, água e alimentos será cada vez maior. A escassez ou limitada disponibilidade dessa tríade é crítica principalmente nos países pobres ou em desenvolvimento. O desafio está na interdependência desses recursos - energia, água e alimentos. O aumento da oferta direta de um deles implica na depleção (ou redução) dos outros dois e nas suas respectivas cadeias produtivas. Camila Cunha: Eu sou Camila Cunha e pensando nisso, nós do Oxigênio em parceria com a iniciativa Planteia de divulgação científica, preparamos uma série de quatro episódios para conversar sobre o status desses recursos no Brasil. No primeiro episódio da série, o tema é energia. Então, se liga, aí! [Vinheta de abertura da Rádio Oxigênio] Davi Gabriel Lopes: Eu sou engenheiro agrônomo de formação, me formei pela Universidade Federal do Ceará. Sou mestre e doutor em Planejamento de Sistemas Energéticos pela Faculdade de Engenharia Mecânica da Unicamp. Sou atualmente pesquisador colaborador do Instituto de Biologia. A minha linha de pesquisa é células a combustíveis, utilizando o hidrogênio como vetor de energia, principalmente hidrogênio a partir de biocombustíveis, mas não só... A gente está desenvolvendo um projeto com gás natural veicular para diminuir a intensidade de carbono no transporte brasileiro.  Camila Cunha: Quem fala é o Davi Gabriel Lopes, pesquisador no Laboratório de Genômica e bioEnergia da Unicamp. As células a combustível que o Davi estuda são muito interessantes, pois usam hidrogênio para gerar energia elétrica para dispositivos de uso diário, como lâmpadas, eletrodomésticos e até motores de carros elétricos. O mais legal é que essas células a combustível liberam água ao invés de gases do efeito estufa. Isso mesmo, água! Claro, ainda são muitos os gargalos para que elas sejam usadas corriqueiramente,
#84 Temático: Literatura e novela25 Jan 202000:17:00
Neste episódio #84, o Oxigênio trata da literatura apresentada nas novelas, seja em obras completas como em duas novelas no ar atualmente pelas redes Globo e SBT ou fazendo referências a diversas obras como a novela que se encerra hoje, Bom Sucesso, em transmissão na Rede Globo. E como elas podem estimular a leitura. O aumento em índices de procura por livros clássicos abordados nessas novelas, mostra o poder de comunicação da telenovela no Brasil. O programa contou com entrevistas de Rosane Svartman, uma das autoras da novela Bom Sucesso e da professora da Universidade Municipal de São Caetano do Sul e doutora em comunicação, Daniela Jakubaszko. O episódio foi apresentado por Samuel Ribeiro e Rafael Revadam. A produção, roteiro e as entrevistas deste episódio são de Rafael Revadam. A revisão do roteiro e coordenação são da professora Simone Pallone, do Labjor, e os trabalhos técnicos de Gustavo Campos e Octávio Augusto, da Rádio Unicamp.   Samuel Ribeiro: Das cinco novelas inéditas em exibição na TV aberta no Brasil atualmente, três giram em torno do universo literário. Rafael Revadam: Duas delas, Éramos Seis e As aventuras de Poliana, são inspiradas em livros homônimos. A terceira, Bom Sucesso, tem uma editora como núcleo principal e utiliza trechos de obras literárias em sua história, mencionando os títulos e os autores. Samuel: Estamos vivendo um momento em que produções culturais são questionadas por políticos e apoiadores. Como a censura a uma história em quadrinhos durante a Bienal do Livro, no Rio de Janeiro. E diante de fatos como esse, qual a importância de se falar em literatura? Eu sou o Samuel Ribeiro. Rafael: Eu sou o Rafael Revadam, e no programa de hoje vamos abordar a literatura por trás das telenovelas. (Vinheta de abertura do Oxigênio) Samuel: Foi por causa de uma troca de exames, que a costureira Paloma, vivida por Grazi Massafera, e o editor Alberto, Antonio Fagundes, se conheceram. Ao perceberem a paixão em comum por livros, os dois se tornam amigos e passaram a refletir sobre a vida usando as obras da ficção. Rafael: Esse é o começo da novela Bom Sucesso, atual novela das 7 da noite, da Rede Globo, escrita por Paulo Halm e Rosane Svartman. A ideia de trazer o universo literário para a televisão veio das vivências da própria Rosane, coautora da novela. É o que ela conta para nós. Rosane Svartman: Há dois anos eu sou curadora da Arena Jovem, que é um espaço para debates e mesas dentro da Bienal Internacional do Livro, no Rio de Janeiro, que é o maior evento da América Latina dedicado à literatura, né? São mais ou menos 600 mil pessoas que passam pela Bienal, e eu fiquei muito impressionada, como a literatura podia ser popular e como que esse evento, que é um evento comercial, como ele é impactante, como consegui enxergar ali um público muito diverso, interessado na literatura. Então, daí veio a ideia para uma das arenas da novela, né? Porque a novela fala de literatura, tem a editora, mas também fala de outros assuntos, claro. Mas a ideia de que um dos universos fosse uma editora e que a gente pudesse falar de literatura e dos livros, com certeza essa ideia veio por causa desse trabalho na Bienal. Samuel: Rosane explica que os livros citados na novela são selecionados de acordo com o desenrolar da trama. Ela e a equipe buscam na literatura histórias que se encaixem nas situações da novela, mas admite que o contrário também acontece, de criar um roteiro para tratar do livro em questão. Rosane Svartman: A narrativa da novela é o que mais importa. Então, na verdade, a gente vai pensando que livro se encaixaria na narrativa. É claro que, às vezes, vem a ideia de um livro super legal, de uma cena super legal, e a gente tenta fazer com que a história chegue naquele livro, mas é mais difícil disso acontecer. Geralmente é o contrário. A Paloma está na dúvida entre dois amores, nossa, “Dona Flor”, que é aquela mulher que consegue ter dois amores ao mesmo tempo poderia ser um l...
#83 Oxilab: o museu que não pegou fogo26 Dec 201900:13:17
Em formato narrativo e duração de 13m08s, este episódio do Oxigênio partiu das memórias do incêndio do Museu Nacional para abordar o passado, o presente e o futuro do Museu Paulista da USP. Com a sede interditada desde 2013 por problemas estruturais, o museu acabou de ter a sua reforma iniciada, e a expectativa é que tudo esteja pronto até 2022, quando ele será reinaugurado durante as comemorações do bicentenário da Independência do Brasil. Para entender melhor esse contexto, o Samuel Ribeiro conversou com o professor Paulo César Garcez Marins, que é doutor em História e trabalha na divisão de acervo e curadoria do Museu Paulista. Eles falaram sobre o surgimento e a trajetória da instituição, seus primeiros diretores, suas atividades, como foi o processo de interdição do prédio e como será o novo museu após a reinauguração. Este Oxilab #83 foi produzido e narrado pelo Samuel, para a disciplina de História da Comunicação da Ciência, do curso de Especialização em Jornalismo Científico do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo Científico (Labjor), da Unicamp.  Vamos ao programa!   ÂNCORA DE TV1: E atenção, uma notícia que acaba de chegar: um incêndio de grandes proporções está destruindo nesse momento o Museu Nacional no Rio de Janeiro. ÂNCORA DE TV1: O fogo começou por volta das sete e meia da noite, aos poucos todo o prédio histórico foi tomado pelas chamas. ÂNCORA DE TV2: As autoridades dizem que pouco ou nada vai sobrar do museu. Ainda não sabem o que terá provocado o incêndio combatido por bombeiros de vinte quarteis do Rio de Janeiro.   SAMUEL: A primeira vez que eu visitei o Rio de Janeiro foi no ano passado, e eu dei o azar de chegar bem no dia em que o Museu Nacional pegou fogo. Eu lembro que eu tinha acabado de chegar no quarto do hotel. Sentei na cama, liguei a TV e fiquei muito triste com aquelas cenas, porque eram séculos de história que eu nunca mais ia poder visitar. SAMUEL: Pra mim os museus têm essa coisa louca. Cada um é de um jeito, e esse jeito de ser tá sempre mudando. Pode ser uma instituição educativa. Um lugar pra mostrar a ciência ou a arte de uma época. Pra contar as histórias de um povo, de um acontecimento, de um país. Tudo isso junto. Ou até alguma coisa diferente. SAMUEL: E é por isso que é tão triste quando acontece um incêndio em um museu, porque não existem dois museus iguais por aí. SAMUEL: Eu sou Samuel Ribeiro, e neste podcast vou falar sobre um museu que não pegou fogo: o Museu Paulista, fundado no século XIX e que foi o primeiro museu público do estado de São Paulo. SAMUEL: Pra saber mais dessa instituição, eu conversei com o Paulo... PAULO: Paulo César Garcez é... Marins... M-A-R-I-N-S... e eu sou docente e curador do Museu Paulista da USP, que é o Museu do Ipiranga. SAMUEL: O Paulo, que tá lá desde 2004, trabalha na divisão de acervo e curadoria. Eu liguei pra ele porque eu queria conhecer melhor a história do museu, mas a gente acabou indo além disso e falamos também sobre o futuro da instituição. SAMUEL: Se você não conhece ou nunca viu o Museu Paulista, procura uma foto aí no Google. A sede é uma construção antiga enorme, que fica dentro do Parque da Independência no bairro do Ipiranga, em São Paulo, e tá interditada desde 2013 por causa de problemas na estrutura das paredes. Depois de um período de planejamento, as reformas foram iniciadas agora, em 2019, e a previsão é de que a reinauguração do museu aconteça em setembro de 2022, no bicentenário da Independência do Brasil. SAMUEL: O prédio do museu é um patrimônio tombado, assim como o seu acervo, que tem centenas de milhares de itens. Tem fotografias, quadros, esculturas, móveis, utensílios da vida cotidiana, documentos, enfim... tudo isso reunido e organizado ao longo de mais de um século de história. PAULO: O Museu Paulista vai ser inaugurado e aberto ao público em 1895, na última década portanto do século XIX e num contexto importante de transição política do Brasil.
#82 Temático: Reinventando Moda12 Dec 201900:23:59
Neste episódio temático número 82 falamos sobre como a cultura do consumo, que introduziu no nosso cotidiano objetos cada vez mais baratos e descartáveis, e cada vez mais rápido, tem nos influenciado a adquirir e usar muito mais do que precisamos. Também falamos sobre algumas iniciativas e movimentos que incentivam um consumo mais consciente - como o Desapegue, a Mapeei e o Instituto Ecotece . Os padrões desse tipo de consumo no Brasil também são abordados no programa, a partir dos resultados de uma pesquisa realizada pelo Instituto Akatu.  A narração desse episódio foi de Natália Flores e Gustavo Campos. Produção, roteiro e entrevistas de Natália Flores, Júlia Ramos, Oscar Xavier de Freitas Neto e Camila Cunha. A revisão do roteiro foi feita pela Simone Pallone e pela Camila Cunha. As trilhas são do Youtube Audio Library e foram escolhidas por Oscar Xavier de Freitas Neto. A coordenação é da professora Simone Pallone, do Labjor, e os trabalhos técnicos de Gustavo Campos e Octávio Augusto, da Rádio Unicamp.   Deixe seu comentário contando para a gente o que achou do episódio. Você pode mandar sugestões também pelo Twitter (@oxigenio_news), Instagram (@oxigeniopodcast) e Facebook (/oxigenionoticias). Se preferir, envie um e-mail para oxigenionoticias@gmail.com.  
#81 Temático: Quando o aplicativo é seu chefe15 Nov 201900:22:04
Neste Oxigênio Temático número 81, nossos repórteres mostram uma nova categoria de trabalho, mediada por aplicativos de celular, que colocam os trabalhadores em uma grande fragilidade em relação a direitos trabalhistas e proteção. O fenômeno que tem sido chamado de "Uberização", por ter nessa plataforma de transporte um ícone dessa nova forma de precarização do trabalho, mas é observado em outros setores da economia. A produção, roteiro e as entrevistas deste episódio são de Rafael Revadam e Samuel Ribeiro. Foi apresentado por Luciane Borrmann e pelo Samuel Ribeiro. As trilhas são da Youtube Audio Library e do site Blue Dot Sessions, e foram escolhidas por Paula Gomes e Samuel Ribeiro. A revisão do roteiro é de Natália Flores. A coordenação é da professora Simone Pallone, do Labjor, e os trabalhos técnicos de Gustavo Campos e Octávio Augusto, da Rádio Unicamp. A arte é de Luisa Kanashiro Gebara e a divulgação nas redes sociais de Helena Ansani. Você pode acompanhar o Oxigênio nas redes sociais. Estamos no Facebook, (facebook.com/oxigenionoticias), no Instagram (oxigeniopodcast) e no Twitter (@oxigenio_news). E você também pode deixar a sua opinião sobre este episódio e sugerir temas para os próximos programas. Basta deixar o seu comentário na plataforma de streaming que utiliza. Até a próxima!   Passageiro: Opa, Ademir, boa noite. Motorista: Samuel né? Passageiro: Tudo bem? Motorista: Vai pra onde? Passageiro: Lá perto do Mackenzie… tudo bem? Samuel Ribeiro: Se você já usou algum aplicativo de transporte, como Uber ou 99, esse foi um diálogo fácil de reconhecer. Todos os dias, milhões de pessoas pelo mundo usam o celular para  chamar corridas que costumam ser mais baratas e mais práticas que os táxis convencionais. Luciane Borrmann: É um mercado que movimenta muito dinheiro. Dados da Uber do ano passado mostraram que, só no Brasil, já eram mais de 22 milhões de usuários e 600 mil motoristas cadastrados. Samuel: E isso é só em um aplicativo. Os números aumentam se juntarmos os outros e também as plataformas de entrega de produtos, como o iFood e o Rappi. Essas novas formas de consumir e de trabalhar são cada vez mais comuns e têm mudado nosso cotidiano. Luciane: Mas como funciona a relação de trabalho entre os motoristas e essas plataformas? Para muitos pesquisadores, essa nova modalidade de prestação de serviços traz um quadro de precarização do trabalho no país. É o que explica a socióloga Ana Claudia Moreira Cardoso, professora da Universidade Federal de Juiz de Fora. Ana Claudia Moreira Cardoso: A gente tem vários tipos de trabalhos hoje em dia que são mediados por plataformas. Agora, se a gente pega o trabalho material por demanda, qual a principal característica? É que essas empresas se colocam como se elas não fossem empresas empregadoras. Elas se colocam como se elas fizessem simplesmente a relação entre alguém que está  pedindo um serviço e alguém que está querendo vender o serviço. Por exemplo, a Uber, ou as plataformas de entrega. Elas falam: “não, eu não sou uma empresa de transporte, eu simplesmente sou uma empresa tecnológica que produz uma plataforma. Ponto final”. A partir do momento que ela se coloca desta forma, ela diz: “Bom, se eu não sou uma empregadora, quer dizer que não há trabalhador. Portanto, se não há empregador, se não há trabalhador, não há direito do trabalho. Samuel: A Uber e outras empresas do ramo chamam os seus trabalhadores de “parceiros cadastrados”. Na prática, essas pessoas não têm um salário fixo, limite de carga horária, décimo terceiro, férias e outros direitos comuns de profissionais em regime CLT. Samuel Ribeiro: Eu sou Samuel Ribeiro. Luciane: Eu sou Luciane Borrmann. E no Oxigênio de hoje vamos falar sobre Uberização, a precarização do trabalho que chegou com as plataformas digitais. Motorista: Eu fui um dia, levando uma passageira. Não lembro ao certo de onde, eu acho que foi ali no Centro. E aí, ali Avenida do Estado,
#188 Ep. 2: Por dentro da nuvem06 Feb 202500:23:09
Cada dia mais usuários adentram as redes sociais das Big Techs, como Facebook, Instagram, Threads, e assim por diante. Em 2024, mais de 5 bilhões de pessoas estavam usando as redes sociais, e esses usuários precisam de espaço de armazenamento para guardar seus arquivos, novos data centers precisarão ser construídos para atender às crescentes demandas. Mas qual é o impacto ambiental causado por essas estruturas de armazenamento de dados? Esta inquietação levou a Juliana Vicentini e o Rogério Bordini, a produzirem esta série de podcasts, em três episódios, para tratar do tema Impactos socioambientais das Big Techs, como parte do trabalho de Conclusão de Curso da Pós-Graduação em Jornalismo Científico, um programa do Labjor em parceria com o Departamento de Política Científica e Tecnológica, do Instituto de Geociências, da Unicamp. Os três episódios que compõem a série são: 1) Uma luz que nunca se apaga, (2) Por dentro da nuvem e (3) Pistache, cookies e muita soberania.  Neste segundo episódio, os jornalistas científicos ouviram a Daniela Zanetti, professora de Comunicação Social na Universidade Federal do Espírito Santo e também o Plinio Ruschi, engenheiro ambiental formado pela UNESP que atua como gerente de projetos climáticos na BRCarbon e o Alexandre Ferreira, especialista em computação verde e pesquisador do Recod.ai, Laboratório de Inteligência Artificial da Unicamp, que já conhecemos no primeiro episódio.  Acompanhe a série completa! Roteiro: Rogério: Gente, olha só esse sorvete maravilhoso, Juliana! Vou pegar um pra postar no meu Insta! Juliana: Tá bonito mesmo. Também vou querer. (pausa) Moço, me vê dois de pistache? (pequena pausa) Rogério: Junta aqui pra tirar uma selfie! (entra efeito sonoro de click de câmera seguido de som de notificação de erro) Rogério: Ixi, meu celular tá falando que tô sem espaço de armazenamento pra subir essa foto. Juliana: Afff esses serviços de nuvem limitados. Os caras têm milhares de data centers no mundo e mesmo assim nos cobram um rim pra subir uma mísera fotinho. Rogério: Pois é, né. Até ouvi falar que tem um site chamado Data Center Map que monitora a distribuição desses centros de dados pelo mundo. Numa escala global, já são quase 8000. Já pensou? Juliana: No Brasil temos 150 deles, sendo que 55 estão aqui pertinho da gente em São Paulo, e a tendência é que apareçam ainda mais. Segundo um relatório do Santander que eu li, essa vinda de data centers das Big Techs no território nacional está relacionada ao baixo custo para instalação aqui, boa infraestrutura, menor preço da energia quando comparado ao que é cobrado em outros países, e matrizes energéticas de hidrelétrica, eólica e solar, que, modéstia a parte, temos bastante por aqui. Rogério: Isso quer dizer então que em breve a gente ter espaço de sobra pra arquivar nossas fotos, certo? Juliana: Não é bem assim. Duvido muito que as empresas que estão instalando esses data centers no Brasil estão pensando no benefício dos usuários. É claro que a vinda dessas estruturas poderá gerar empregos à população local, mas certamente as empresas continuarão a expandir seus modelos de negócio enquanto usam nossos recursos naturais. E isso me preocupa um pouco. Rogério: Mas como o uso de recursos naturais acontece? Será que esses centros de dados só causam danos mesmo? Juliana: Não sei, Roger. Melhor pedir ajuda aos nossos universitários. Juliana: Meu nome é Juliana Vicentini e no episódio de hoje, eu e o Rogério Bordini vamos tentar desvendar o que está por detrás dos centros de dados que estão pipocando cada vez mais no Brasil e no mundo, e quais são os impactos socioambientais que eles geram. Este é o segundo episódio de uma série sobre data centers e o impacto socioambiental que eles causam. Se quiser saber mais, ouça o primeiro episódio e acompanhe os próximos. Rogério: Bora lá então, mas eu antes posso terminar meu sorvete? Juliana: Pode, vai.
#80 Oxilab: IA’rte: Inteligência Artificial nas Artes01 Nov 201900:16:35
Nesta edição de número 80 do Oxilab foi pensada especialmente pra você que curte inteligência artificial, que quer saber mais sobre o assunto. E, óbvio, vai contribuir muito também pra você que ainda não está bem familiarizado, mas que percebe que a IA está cada vez mais presente na sua vida. Antes da gente começar a falar propriamente do uso de IAs na Arte, vamos recordar um pouquinho - o que significa Inteligência artificial? O termo que parece ter se popularizado recentemente não é algo tão novo assim.  A primeira vez que falaram de Inteligência Artificial foi em 1956, em uma conferência que reuniu vários cientistas nos Estados Unidos. E, quem esteve por lá foi o cientista da computação John McCarth. Ele é o cara que criou a linguagem de programação conhecida por Lisp. A Lisp se tornou a principal linguagem de programação da comunidade de Inteligência artificial. De lá para cá, já se passaram sessenta e três anos, fizemos uma longa viagem no tempo, cheia de processos, mudanças e aperfeiçoamentos… agora estamos em 2019, e precisamos entender - o que é IA? Então, para entender melhor esse conceito vamos imaginar aqui junto comigo… Quando nós pensamos acionamos processos lá no nosso cérebro, certo?! a todo momento a gente interpreta coisas no nosso quotidiano e, até certa medida, seria o mesmo que dizer que processamos informações. Se por exemplo, a gente for atravessar uma rua e nela passam vários carros, interpretamos que ali existe um fluxo de tráfego e, por isso, precisamos calcular mais ou menos o intervalo de tempo que demoraremos para chegar do outro lado dela.  Caso contrário, a gente pode ser atingido por algum veículo, ... e óbvio, isso não seria bom. Agora vem a sacada para entender a IA... Muito provavelmente a gente só sabe que deve ter essa atenção ao atravessar a rua, porque alguém em algum dia nos alertou sobre esse risco. Ou seja, alguém nos deu essa informação. É mais ou menos esse o funcionamento que constitui a Inteligência Artificial. Ela não interpreta como nós, mas processa informações e calcula dados que são inseridos nela pelo programador - quando falo de programadores, me refiro a essa galera aí que desenvolve pesquisa na área da IA, que criam os algoritmos, que nada mais são do que verdadeiras “receitas de bolo”. Por falar em algoritmo, esse termo se encontra ligado diretamente à IA, mas é um assunto que trataremos em outra edição.  Voltando ao que compreendemos sobre IA, a inteligência artificial é uma espécie de imitação do nosso cérebro, sem influência dos nossos sentimentos. Como já cantava Gilberto Gil, “o cérebro eletrônico faz tudo, quase tudo” e é este "quase" o que diferencia a inteligência artificial da nossa de seres humanos. O fato é que o uso de inteligência artificial (as IAs) nas Artes é uma prática cada vez mais comum. E quando eu falo de obras de arte realizadas por IAs, me refiro às pinturas, como a Mona Lisa, de Leonardo Da Vinci. Estou certo que você, ouvinte, já viu pelo menos a réplica do quadro da Mona Lisa, não é mesmo? Agora imagine que Da Vinci não tivesse utilizado pincel, nem tinta e nem quadro branco na produção da Mona Lisa, mas tivesse usado uma Inteligência Artificial. Conseguiu imaginar. Sim! Ou ainda não? Tudo bem! então, fique ligado no episódio de hoje. Vamos falar sobre IA'rte, lembrando que este é um termo que eu criei carinhosamente para me referir a arte feita com IA, ou seja, IA'rte. Nessa prática, o artista troca o pincel pelo teclado, a tinta é o algoritmo e a tela branca é substituída pela tela do computador. E agora, ficou mais fácil de entender não é mesmo?! Então vem comigo que a gente vai junto descobrir mais desse universo, onde as cores da ciência são organizadas pela relação zero e um. HistórIA O pesquisador Fabrizio Poltronieri realizou uma palestra na Unicamp sobre Inteligência Artificial e Criatividade. Ele é professor na Universidade Pública De Montfort, localizada na cidade de Leicester, na Inglaterra.
#79 Temático: À sombra da floresta15 Oct 201900:38:33
Os Sistemas Agroflorestais misturam na mesma área culturas agrícolas e espécies arbóreas. A planta de origem sul-americana, cultuada por Olmecas e Maias, adora sombra e água fresca. Na verdade, é à sombra da floresta, que o cacau cresce e frutifica.  No episódio #79, vamos até a região Amazônica conhecer dois produtores de cacau do tipo bean-to-bar: Dona Nena e Gustavo Sartori, que exploram essa forma de plantio e criam seus próprios chocolates. Depois conversamos com Idalto Pereira, que deixou a pecuária para plantar cacau, e dois representantes do Projeto Cacau Floresta, iniciativa da ONG The Nature Conservancy, o Rodrigo Freire e a Thaís Maier.  No final, o pesquisador e engenheiro florestal Daniel Braga responde como o cacau ajuda a preservar florestas e a vida selvagem e a melhorar a qualidade de vida na zona rural. Uma viagem que nos leva às raízes da guloseima mais adorada do mundo: o chocolate! O roteiro e a produção é de Camila Cunha. Entrevistas de Camila Cunha, Luciana Rathsam e Oscar Freitas. Narração de Camila Cunha e Gustavo Campos. Revisão de Natália Flores e Allison Almeida. Música de Caroline Maia. Mídia social e divulgação de Paula Gomes, Oscar Freitas Neto, Helena Ansani e Luísa Kanashiro. Coordenação de Simone Pallone e trabalhos técnicos, Gustavo Campos e Octávio Augusto da Rádio Unicamp. Deixe seu comentário contando para a gente o que achou do episódio. Você pode mandar sugestões também pelo Twitter (@oxigenio_news), Instagram (@oxigeniopodcast) e Facebook (/oxigenionoticias). Se preferir, envie um e-mail para oxigenionoticias@gmail.com. Abaixo, a transcrição do episódio.   música... Camila Cunha - Olá, Ouvinte! Bem-vindos! Hoje vamos falar sobre uma planta sagrada de frutos grandes, que está contribuindo para frear o desmatamento de florestas e restaurar áreas degradadas. A cultura também aparece para agregar valor e melhorar a qualidade de vida de agricultores familiares. Você está achando que se trata de uma planta milagrosa? Arrisca um palpite sobre que planta é essa? Aqui vão mais algumas dicas. É uma planta de sombra e água fresca, encontrada naturalmente no sub-bosque de florestas. Seus Frutos, além de serem consumidos a mais de 5.300 anos por nativos do continente americano, vão do amarelo ao roxo e dão nos galhos como jabuticabas, pensos como lanternas. De tão importante para a sociedade, Jorge Amado, um dos maiores nomes da nossa literatura, escreveu um romance dedicado a cultura, que se estabeleceu no sul da Bahia na década de 30.  música... Camila Cunha - Já sabe a resposta? Sim, estamos falando do cacau. Para antigas civilizações mesoamericanas, como os Olmecas e os Maias, os frutos do cacaueiro eram símbolo de poder social, econômico e político. Envolto em misticismo religioso, o cacau era o alimento dos deuses. Quando os espanhóis chegaram por aqui logo perceberam a magia dos frutos, que na Europa, no final da década de 1870, foram misturados a açúcar e leite pelas mãos engenhosas de suíços, produzindo a iguaria mais desejada do mundo, o chocolate. Gustavo Sartori - Se você degustar um chocolate Europeu, um chocolate Suíço, você vai perceber um forte sabor de leite. Eu costumo até dizer que o europeu achou no cacau uma maneira de vender o leite deles, né? E nós estamos tentando trabalhar uma maneira de vender o nosso cacau e não o nosso leite.  Camila Cunha - Quem fala é o Gustavo Sartori, produtor de cacau e chocolateiro no Estado de Rondônia, que vamos conhecer neste episódio. Os grandes fabricantes de chocolate usam muito açúcar e gordura em suas preparações, muitas vezes mascarando o sabor de amêndoas de cacau de baixa qualidade. Produzir uma boa amêndoa, que valha um chocolate amargo, exige um manejo rigoroso da cultura, com investimento, tecnologia e mão-de-obra capacitada. Vários produtores, como o Gustavo, estão produzindo e beneficiando amêndoas e criando os seus próprios chocolates, que levam no sabor a identidade nacional.
#78 Oxilab: Rap e o Brasil atual04 Oct 201900:16:00
A sigla rap é a união das palavras em inglês rhythm and poetry, que significam ritmo e poesia. O gênero se caracteriza por  letras marcantes, que relatam a vida na periferia das grandes cidades e batidas fortes. No Brasil, o rap surge em São Paulo nos anos 80 e ganha visibilidade com os Racionais MC’s.  Mas a partir de 2010 o Rap começa a ocupar locais mais diversos, como livrarias, Sesc, espaços culturais freqüentados por um elite intelectual. Essas mudanças no Rap são estudadas pela pós-doutoranda do IFCH (Instituto de Filosofia e Ciências Humanas) Unicamp, Daniela Vieira dos Santos.  Você já ouvir falar sobre a Nova Geração do Rap? Criolo e Emicida, compõem essa nova geração. No oxilab #78  a pesquisadora Daniela Vieira discute que mudanças aconteceram nas canções e na indústria fonográfica, que fizeram o RAP sair dos limites da periferia e ocupar espaços tão diversos. O episódio de hoje foi produzido por Helena Ansani Nogueira, com colaboração e coordenação de Simone Pallone. Os responsáveis pelos trabalhos técnicos são Octávio Augusto, da Rádio Unicamp, e Gustavo Campos.  Deixe um comentário contando para a gente o que achou do episódio. Você pode mandar sugestões também pelo Twitter (@oxigenio_news), Instagram (@oxigeniopodcast) e Facebook (/oxigenionoticias). Se preferir, mande um e-mail para oxigenionoticias@gmail.com. Abaixo, a transcrição do episódio. A Música é um meio poderoso de expressão das nossas emoções. Por meio da letra e melodia de uma canção podemos transmitir sensações, pensamentos, compartilhar angústias e paixões. Alguns gêneros musicais  demonstram também uma crítica social, canções de resistência surgem em períodos de instabilidade política, ditaduras e expressam um grito de liberdade. Se você ouvinte se interessa por música me acompanhe até o final porque esse episódio é pra você! Quem apresenta o programa é a Helena Ansani Nogueira. Os trabalhos técnicos foram feitos pelo Gustavo Campos e pelo Octávio Augusto, da Rádio Unicamp. Na coordenação do Programa, Simone Pallone.  Este é mais um episódio do Oxigênio. Vamos ao rap! Helena Ansani Nogueira - O Rap surgiu nos Estados Unidos nos anos 70, a sigla rap é a união das palavras em inglês rhythm and poetry, que significam ritmo e poesia. O gênero se caracteriza por  letras marcantes, que relatam a vida na periferia das grandes cidades e batidas fortes. No Brasil, o rap surge em São Paulo nos anos 80 e ganha visibilidade com os Racionais MC’s . Nas músicas eles contam como é a vida na periferia, relatando casos de racismo e violência policial. Outra característica do gênero é a presença do MC, que deriva do termo em inglês Masters of Ceremony, que em português significa Mestre de Cerimônias, ou seja, é aquele que interage com o público.  Helena – Entre 2016 e 2017 buscando aprofundar os estudos sobre RAP a pesquisadora Daniela Vieira viajou para a França, o segundo maior produtor de rap do mundo, e realizou um estágio de pós doutorado em Paris, estudando os rappers franceses. Mas a jornada até este dia foi longa, e ela nos conta um pouco da sua trajetória profissional.  Daniela Vieira - Eu faço meu pós-doutorado na Unicamp no IFCH (Instituto de Filosofia e Ciências Humanas) com fomento da FAPESP. Esse interesse pela área de estudos de música e cultura começou desde a graduação, mas na graduação, na iniciação científica eu estudei um filósofo alemão chamado Walter Benjamim que tava pensando sobre cultura na década de 30 na Alemanha, mas eu já queria estudar cultura brasileira, cultura brasileira no período da ditadura militar e aí eu acho que em 2004 eu entrei em um grupo de pesquisa lá na Unesp, sobre cultura e política nos anos 70. Helena -  A Daniela conta que já no segundo ano da faculdade, antes de fazer a iniciação científica ela já queria fazer algum trabalho relacionado à música, mais especificamente, algo relacionado música à sociedade. Aí ela encontrou um outro grupo de pesquisa sobre teoria crítica,
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