Explorez tous les épisodes du podcast O Princípio da Inquietação
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| O Princípio da Inquietação: Expresso lança podcast que quer pôr os portugueses a pensar | 30 Apr 2026 | 00:03:10 | |
Vem aí o primeiro podcast do Expresso dedicado à Filosofia. O Príncipio da Inquietação é um podcast onde pensar é um verbo que se exercita a sós e em conversa. See omnystudio.com/listener for privacy information. | |||
| José Gil: O Medo que vem aí | 14 May 2026 | 00:32:04 | |
O medo protege-nos, mas também nos pode aniquilar. Segundo José Gil, “retira ao sujeito a sua capacidade de agir”. Gil é um dos maiores filósofos portugueses da atualidade. Neste episódio do Princípio da Inquietação, faz uma caracterização do medo que hoje se anuncia através dos perigos trazidos pelas alterações climáticas, pelos avanços da extrema-direita, pela inteligência artificial e por outros fatores. Analisa ainda diversos tipos e funções sociais do medo, para descrever o sentimento que parece estar a invadir e a moldar as subjetividades contemporâneas. Relembra o medo da ditadura salazarista, o medo político e alguns dos aspetos da repressão do regime de Salazar. Publicou artigos e ensaios científicos em revistas e enciclopédias de todo o mundo, além de romances e numerosos ensaios, alguns traduzidos em francês, espanhol, inglês e italiano. Entre as suas obras destacam-se: Fernando Pessoa ou a metafísica das sensações; Salazar — a retórica da invisibilidade; A imagem-nua e as pequenas perceções; Movimento total; Portugal, hoje — o medo de existir; O impercetível devir da imanência — sobre a filosofia de Deleuze; A arte como linguagem; O humor e a lógica dos objetos de Duchamp (em colaboração com Ana Godinho); Caos e ritmo; e Morte e democracia. Foi o primeiro filósofo a ser homenageado pelo Espanto — Festival Internacional de Filosofia. See omnystudio.com/listener for privacy information. | |||
| Porque é que uma esponja pode despertar o desejo filosófico? Rodrigo Guedes de Carvalho explica-nos | 07 May 2026 | 00:47:18 | |
No episódio de estreia, o convidado que filosofa com David Erlich e Catarina Barosa é Rodrigo Guedes de Carvalho. Pivot da SIC e também escritor, revela as suas duas grandes inquietações: a origem do mal e a morte, dois temas que mantêm a sua mente em alvoroço. Entre o mal e a morte, muitos outros pensamentos foram sendo tecidos durante a conversa. See omnystudio.com/listener for privacy information. | |||
| António de Castro Caeiro: A possibilidade de Resistência | 28 May 2026 | 00:32:19 | |
O filósofo António de Castro Caeiro propõe-nos pensar o assombro como uma sensação de estranheza e inospitalidade perante a perda de objetos ou de pessoas, atitudes inesperadas, mudanças súbitas no familiar ou situações como a doença na infância e as despedidas. É o insólito que irrompe no quotidiano, tornando o conhecido desconhecido e provocando a perceção de que tudo mudou. Desde cedo, experiências radicais (como a morte, a separação ou a ausência) revelam a vulnerabilidade do tempo e do ser: “A morte apresenta-se como um agente patológico”, e o assombro nasce desse confronto com o outro, com o inesperado e com a transformação. Leva à consciência da passagem do tempo, da sua escassez e da esperança que pode emergir após longos períodos de letargia. No fundo de todas as coisas, o assombro é o surgimento do ser, a revelação da vida no próprio ato de resistir ao desaparecimento. A inquietação perante o desconhecido e o desconforto quando este se manifesta retiram o véu da nossa vulnerabilidade e finitude. “E, no assombro, pode parecer que estamos sempre expostos a coisas diferentes, quando podemos estar sempre expostos à mesma coisa.” Nesta jornada filosófica, António de Castro Caeiro leva-nos não apenas pela epistemologia e pela etimologia do assombro, mas também pela realidade intangível com que todos nos deparamos na vida quotidiana, muitas vezes sem disso nos apercebermos. See omnystudio.com/listener for privacy information. | |||
| Entre um lápis e uma flor: a escolha de Joana Bértholo diz muito sobre nós | 21 May 2026 | 00:39:50 | |
Neste episódio, a conversa flui com Joana Bértholo, escritora que, em paralelo com a criação literária, escreve regularmente para dança e para teatro. See omnystudio.com/listener for privacy information. | |||
| Especial Dia Mundial da Criança com Rodrigo Costa, 10 anos: a prova de que as crianças gostam de Filosofia e de que a praticam | 04 Jun 2026 | 00:36:14 | |
Neste episódio, gravado na semana do Dia da Criança, conversamos com Rodrigo Costa, ator de 10 anos e uma das promessas da ficção nacional, que se estreou em televisão aos 4. Mais do que falar de respostas, exploramos as suas perguntas sobre o infinito, o universo e a importância de continuar sempre a questionar, mesmo quando a tecnologia parece ter soluções. Para Rodrigo, perguntar é essencial: as respostas não são definitivas e dão sempre origem a novas dúvidas. Ao longo da conversa, revela um pensamento surpreendentemente filosófico para a idade, que se estende até temas como o papel do Estado e o uso do dinheiro público. No final, a habitual caixa transforma‑se numa “caixa de interrogações”, onde objetos do quotidiano despertam novas perguntas, entre elas, sobre como funciona um telemóvel e de que forma a voz viaja de um lado para o outro. See omnystudio.com/listener for privacy information. | |||
| A causa da ascensão dos fascismos pode estar na desumanização da nossa experiência humana, diz João Constâncio, filósofo | 25 Jun 2026 | 00:48:58 | |
Neste episódio, junta-se a nós um filósofo, também professor catedrático de Filosofia. Na semana do Espanto - Festival Internacional de Filosofia, onde o tema em debate é o desejo, não poderíamos deixar de conversar com João Constâncio, autor do livro Três Discursos sobre Eros - Meditação sobre o Fedro de Platão, e também tradutor e co-autor da introdução de Lisístrata, de Aristófanes, obra sobre a qual também conversamos. Estas duas obras são clássicas incontornáveis da Filosofia que durante este episódio nos ajudam a olhar para o desejo a partir de um ponto de vista muito especial, inclusivamente, político. O desejo erótico e a forma arrebatadora como a paixão se instala em nós e nos leva à loucura foi um tema em debate. João Constâncio, suportando-se nos Três Discursos de Eros, frisa: “é a ideia de que quando se é atacado por Eros, tudo aquilo que antes se valorizava passa a parecer algo que não parece nada, que não vale nada, por exemplo, o lar, os pais, mãe, irmãos, os amigos, a fortuna que se tem ou não se tem, tudo isso de repente não tem importância nenhuma. É um estado de loucura.” Sobre a obra Lisístrata de Aristófanes quisemos conhecer melhor o plano da personagem principal para terminar com a guerra do Peloponeso e João Constâncio explicou: “ é a ideia de as mulheres se negarem sexualmente aos maridos até que todos os homens façam a paz entre si.” Para a época, ou seja 411 a.C., e segundo o nosso convidado, talvez “seja prudente evitar chamar feminista, mas eu creio que é sem dúvida proto feminista. Um discurso que inclui a defesa de que não há razão para as mulheres não falarem em público, não há razão para as mulheres não governarem a cidade, não governarem as finanças da cidade. É um discurso que implica todo um elogio da sensatez das mulheres e mesmo a ideia de que elas nunca fariam a guerra.” O que acontece nesta obra de Aristófanes, de acordo com o nosso convidado, é “uma crítica do poder dos homens, uma crítica, no fundo, da estrutura normativa, da polis grega, que é uma estrutura desigual e que a peça representa claramente como injusta. Isto é uma estrutura na qual os homens governam e as mulheres obedecem, tratam da casa, tratam do nascimento e da morte, basicamente, na esfera do privado”. Houve ainda tempo para falar de inteligência artificial (IA) uma vez que ela vem espicaçar os nossos desejos mais fúteis. João Constâncio vê claramente uma relação entre a IA e o desejo “A relação que eu vejo entre os dois temas é bastante profunda. Podemos falar do desejo, de um ponto de vista filosófico, talvez a dois níveis diferentes: temos o tipo de reflexão que eu acho que prioritariamente vos está a interessar, o desejo tal como se manifesta quando estamos apaixonados, o desejo no amor sexual, é, portanto, o desejo nesse sentido mais estrito. Mas, num segundo nível, é o de um desejo que não tem necessariamente essa particularização. Por exemplo, alguns filósofos pensam no desejo de viver, o próprio desejo de estar vivo numa relação com o mundo, o próprio desejo pelo mundo, um sentimento de encantamento em relação ao mundo. Talvez genericamente o desejo seja o desejo de beleza, é assim que Platão, por exemplo, pensa nele.” João Constâncio considera que com a inteligência artificial estamos a abdicar de tudo o que é humano, “de sermos nós a fazer arte, sermos nós a pensar, sermos nós a escrever, e entregar isso às máquinas, a uma realidade a que nós temos acesso através de um olhar objetificante, que desfaz o nosso olhar humano, o nosso olhar valorativo, o olhar com que sentimos, com que encontramos beleza no mundo.” O filósofo vê nesta forma objectificante de relação com o mundo e com os outros, uma desumanização que considera ser parecido com o que “está em causa na ascensão dos fascismos, no genocídio, na forma como a guerra se voltou a banalizar e a proliferar nos nossos dias.” Finamente, era importante perceber - tal como faz Sócrates ao dirigir-se a Fedro, nos Três Discursos de Eros: “De onde vens e para onde vais?”, João Constâncio? A resposta é bela porque o nosso convidado veio, está e fica na Filosofia, ou seja, há locais de onde nunca se pode sair: “eu entrei para o curso de Filosofia quando tinha 18 anos. Entrei porque queria muito entrar, porque queria muito estudar Filosofia. E aqui estou passado muitos, muitos anos. Nunca deixei de fazer isso. E é isso que eu faço. Conto já não ir para outro lugar, senão este mesmo onde tenho estado.” Neste episódio não poderia faltar a Caixa dos Desejos filosóficos e o nosso convidado abdicou de muitos objetos: lâmpada, gravata, chocolate, mola de roupa e até uma pastilha para a máquina de lavar loiça, para ficar com uma andorinha. As razões pelas quais o fez são belas e profundamente filosóficas. BIO Resumida João Constâncio é professor catedrático do Departamento de Filosofia da Universidade Nova de Lisboa (NOVA FCSH), onde se doutorou, em 2005, com uma dissertação sobre imagens e conceções da vida humana em Platão, e onde exerce os cargos de diretor do Instituto de Filosofia da Nova (IFILNOVA) e coordenador do Doutoramento em Filosofia. É autor do livro Arte e Niilismo: Nietzsche e o enigma do mundo (Tinta-da-china, 2013), bem como coorganizador de cinco livros sobre Nietzsche — incluindo, com Maria João Mayer Branco e Bartholomew Ryan, Nietzsche and the Problem of Subjectivity (Walter de Gruyter, 2015). Tem escrito e lecionado igualmente sobre questões fundamentais da Estética, da Antropologia Filosófica e da Filosofia da História nas obras de Platão, Kant, Hegel, Schopenhauer e Heidegger. See omnystudio.com/listener for privacy information. | |||
| Madalena Sá Fernandes tiraria Donald Trump da caverna de Platão, mas será essa uma solução? | 18 Jun 2026 | 00:39:49 | |
Neste episódio, conversamos com Madalena Sá Fernandes sobre o seu novo livro Sótão, ainda antes de chegar às livrarias, e sobre a forma como a sua vida se reflete na escrita. Partindo de uma matéria profundamente biográfica, a autora assume uma escrita fragmentária e “desarrumada” como forma de recusar a imposição de uma ordem, mas sem perder unidade ou tensão narrativa. Fala também do seu processo pessoal, incluindo a psicoterapia e uma relação com a escrita centrada mais na elaboração do que na resolução: as experiências não se fecham, regressam em ondas e continuam a ser pensadas e narradas. Ao longo da conversa, sublinha a sua preferência por uma escrita contida, sem excesso de sentimentalismo, procurando “narrar de forma seca”, sem manipular emoções. Houve ainda espaço para momentos mais lúdicos e filosóficos, com referências a Platão e à atualidade política, e para um jogo de escolhas simbólicas, onde um búzio surge como imagem de abrigo e casa, uma metáfora que ecoa o universo íntimo de Sótão. See omnystudio.com/listener for privacy information. | |||
| Ideologia e terror. Será a solidão a condição subjacente a todos os movimentos totalitários? | 11 Jun 2026 | 00:34:33 | |
Neste episódio vamos ser desafiados a refletir sobre a solidão na nossa era de isolamento, enquanto assistimos à ascensão da nova extrema-direita em várias partes do mundo. Samantha Rose Hill, filósofa americana especializada no pensamento de Hannah Arendt, afirma: “Nunca pensei, ao longo da minha vida, tendo estudado isto profissionalmente, que testemunharia o alinhamento entre o que hoje se chama antissemitismos e a nova extrema-direita.” Fala-nos da solidão como condição subjacente a todos os movimentos totalitários e diz-nos que “agora vivemos num mundo onde as pessoas estão isoladas e com medo umas das outras o tempo todo”. Embora vivamos uma forma estranha de solidão, Samantha, inspirada no pensamento de Arendt, insiste que é importante não se deixar levar pela maré. A ideologia é a maré que nos afasta da experiência de estar no mundo como um ser humano único que vive com os outros. Nesta palestra, há um apelo à ação e à coragem. A coragem, como disse Arendt no seu livro “Condição Humana”, é a virtude política por excelência, porque quando se entra na esfera pública e se fala, pode-se ser acusado de estar errado. Pode ser-se morto, pode sentir-se terror. É preciso coragem para falar. É preciso coragem para falar em tempos sombrios. É preciso coragem para agir. Samantha conclui que ninguém sabe o que vai acontecer e apela: “Das pessoas que dizem que sabem o que vai acontecer, fuja, bandeira vermelha, fuja. Pessoas que dizem: 'Eu tenho uma solução para isso'. Fuja.” See omnystudio.com/listener for privacy information. | |||
| Como enfrentar os nossos medos? Bernat Castany Prado, filósofo, explica tudo | 02 Jul 2026 | 00:37:06 | |
Neste episódio, o filósofo catalão, Bernat Castany Prado, fala como o medo é um dos obstáculos fundamentais na construção de uma vida filosófica, pois reduz a nossa capacidade de conhecer e de nos conhecermos a nós próprios; de nos abrirmos e de nos desdobrarmos no mundo; de organizarmos uma existência em que as paixões alegres dominam as paixões tristes e de convivermos em liberdade com os outros. Este episódio foi originalmente gravado no Festival Espanto em Cascais, em 2025. See omnystudio.com/listener for privacy information. | |||
| Escrever à mão ajuda-nos a pensar? José Luís Peixoto fala sobre livros, viagens e filosofia | 09 Jul 2026 | 00:50:35 | |
Neste episódio, José Luis Peixoto reflete sobre a inquietação que atravessa a sua vida e a sua obra: a pergunta "Quem sou eu?". Numa conversa entre literatura, filosofia e música, o escritor fala da escrita como uma viagem de descoberta, do delicado equilíbrio entre razão e emoção e da forma como construímos a nossa identidade na relação com os outros. Uma reflexão na companhia de Catarina Barosa e David Erlich sobre criação, autoconsciência e a resistência aos discursos simplificadores de um mundo cada vez mais polarizado. See omnystudio.com/listener for privacy information. | |||
| Uma cabana imaginária, o tédio e a arte, segundo Rita Redshoes | 20 Aug 2026 | 00:40:06 | |
Neste episódio, Rita Redshoes convida-nos a entrar no seu universo criativo, onde a imaginação nasce muitas vezes do tédio, do erro e da capacidade de abrandar. Entre música, escrita, psicologia e filosofia, a artista reflete sobre o que acontece quando o quotidiano e as suas urgências sufocam o espaço necessário para criar. Ao longo da conversa, fala da autenticidade como um compromisso consigo própria, da dificuldade em separar a pessoa da obra e da forma como o corpo, o instinto e a emoção orientam o processo criativo. Para Rita, a arte não se mede por regras ou fórmulas: vale sobretudo pela sua capacidade de nos arrepiar, desassossegar e transformar. Da música à poesia, da verdade ao erro, esta é uma conversa franca sobre criatividade, vulnerabilidade e o poder da arte para chegar a lugares onde as palavras, sozinhas, nem sempre conseguem chegar. See omnystudio.com/listener for privacy information. | |||
| Michel Eltchaninoff, filósofo francês: Como viver com o medo em tempos de inquietação política? | 13 Aug 2026 | 00:37:44 | |
Neste episódio vamos ser desafiados a pensar sobre o medo como condição política do nosso tempo, enquanto assistimos à ascensão de lideranças transgressivas que redefinem as fronteiras do que é possível dizer e fazer no espaço público. Michel Eltchaninoff, filósofo francês e chefe de redação da “Philosophie Magazine”, afirma que leu todos os discursos de Vladimir Putin e que isso o levou a compreender algo perturbador: existe uma visão de mundo coerente por detrás do que muitos preferem considerar simples loucura. Fala-nos da “sideração”, um estado de bloqueio, de paralisia, em que ficamos quando confrontados com o excesso de provocações contraditórias que caracterizam o estilo de Trump e de Putin. Como nos diz Michel, “a provocação é uma estratégia da sideração.” Não é caos, é método. E o método funciona precisamente porque nos impede de pensar e de agir. Embora o panorama seja sombrio, Michel, inspirado na tradição filosófica que vai de Heráclito a Hannah Arendt, insiste que é possível e necessário resistir. Não através de grandes gestos, mas através da ação mínima, do pensamento claro, da recusa em deixar que a inquietação se transforme em submissão. A razão, diz-nos, não é um luxo. É uma forma de resistência. Michel conclui que vivemos num mundo de contingência radical, onde a imprevisibilidade não é exceção, mas regra. Apela: a vida, como uma novela, é imprevisível. E é precisamente essa imprevisibilidade que nos obriga a permanecer acordados, atentos e, acima de tudo, livres para pensar. * A sinopse deste episódio foi criada com o apoio de IA. Saiba mais sobre a aplicação de Inteligência Artificial nas Redações da Impresa See omnystudio.com/listener for privacy information. | |||
| Uma pasta de dentes, Heidegger e Hannah Arendt: entrevista a Raquel Marinho, jornalista e storyteller | 06 Aug 2026 | 00:43:58 | |
Neste novo episódio, a convidada, Raquel Marinho, fala-nos das suas grandes inquietações que se enquadram nas grandes questões da filosofia: haverá vida depois da morte? Onde é que eu estava antes de ter existido? Existe Deus ou algum tipo de transcendência? Essa transcendência interfere ou não na minha vida? Para Raquel Marinho, ainda não ter respostas não é um problema, pois, nas suas palavras “É a dúvida que alimenta a procura”. Este episódio está recheado de conversa e humildade: a resposta “eu não sei” deve continuar a ser válida. Será possível dizer se uma poesia é boa ou má? Talvez não. Talvez haja outro critério para avaliar a sua qualidade: o desconforto. Fazendo das palavras da poeta portuguesa Ana Hatherly as suas, Raquel cita “Quando o poema é bom, não te aperta a mão, aperta-te a garganta”. Esse desconforto, essa inquietação gerada quando nos é retirado o chão, não é má em si mesma, entrega-nos uma imagem nova de algo que conhecíamos, mas não conseguíamos denominar. Para que serve a poesia? Se calhar é chocante para uns, ou óbvio para outros, mas a poesia não serve para nada. Mesmo não tendo utilidade, acrescenta à vida coisas que não experimentaríamos sem ela. Nas palavras de Raquel, “A utilidade é uma palavra que não faz muito sentido quando falamos de poesia, mas ainda bem”. Refletimos sobre o que realmente importa na vida, e através de um excerto de Amália Bautista, chegamos à conclusão de que há poucas coisas que realmente importam: amar e ser amado, e não morrer antes dos nossos filhos. Tentámos ainda descobrir o grau de parentesco entre a Poesia e a Filosofia. Serão mãe e filha? Se sim, qual ocupa que papel? Serão irmãs ou primas afastadas? O que sabemos é isto “Partilham o Espanto”. Por fim, a frase de Manuel de Barros: “A maior riqueza do homem é a sua incompletude”, marcou este podcast pela paz em reconhecer que somos incompletos. Sabendo isto, não encontrar respostas não nos deve fazer desistir de perguntar, pelo contrário, deve inquietar-nos e perguntar sempre mais. See omnystudio.com/listener for privacy information. | |||
| Medo: O Espelho Intemporal das Sociedades, com o filósofo Daniel Innerarity, filósofo | 30 Jul 2026 | 00:36:00 | |
Neste episódio, gravado no ESPANTO (Festival Internacional de Filosofia) em 2025, Daniel Innerarity, filósofo, reflete sobre o medo como um fator inerente da condição humana. O medo não é uma característica exclusiva da nossa era: os seus objetos podem mudar ao longo da história, mas o medo permanece. Ao reformular um conhecido provérbio, o Daniel Innerarity afirma: "Diz-me de que tens medo, e eu dir-te-ei quem és", sublinhando que são os nossos medos que nos revelam. Daniel Innerarity identifica dois desafios centrais do presente: o medo de perder a democracia e a necessidade de compreender os medos dos outros. Recuperando uma reflexão de Charles Taylor, faz um apelo: "não podemos fazer com que o sonho de uns seja o pesadelo de outros", defendendo que uma sociedade democrática exige a conciliação de perspetivas distintas. Nas palavras do nosso convidado “Se colocarmos as coisas de forma tão dicotómica, inevitavelmente falharemos e, certamente, não evitaremos o medo.” Ouça aqui mais um episódio d'O Princípio da Inquietação. See omnystudio.com/listener for privacy information. | |||
| A música, o futebol e a importância de vivermos no presente: Júlio Resende, músico e compositor | 23 Jul 2026 | 00:41:46 | |
Neste episódio, o convidado Júlio Resende senta-se para uma conversa profunda sobre música, futebol e filosofia. A sua grande inquietação é a vida, a limitação da existência humana, a dificuldade de sair de si próprio e se colocar no ponto de vista do outro. A música surge como uma das formas privilegiadas de tentar ultrapassar os limites do "eu", criando um espaço de encontro, escuta e partilha. See omnystudio.com/listener for privacy information. | |||
| “O Estado fez da Insegurança o seu negócio mais rentável, a sua arma mais poderosa” argumenta Donatella Di Cesare, filósofa e ensaísta italiana | 16 Jul 2026 | 00:27:53 | |
Neste episódio, gravado em 2025 na primeira edição do ESPANTO – Festival Internacional de Filosofia, a filósofa e ensaísta italiana Donatella Di Cesare aborda o medo focando-se nas dinâmicas de poder. Diz-nos que “O medo é o grande recurso das autoridades públicas, partidos e organizações numa época em que as grandes ideias parecem ter perdido credibilidade.” Guerras, alterações climáticas, desertificação, precariedade laboral, instabilidade económica e crises migratórias são apenas algumas das ameaças que Donatella Di Cesare menciona como ameaças que alimentam um sentimento permanente de insegurança. Neste contexto, a segurança, passa a ocupar um lugar central no discurso político, surgindo o chamado Estado de segurança, que promete proteção contra ameaças presentes e futuras. Contudo, essas promessas revelam-se falíveis. Enquanto promete proteger os cidadãos de determinados riscos, o Estado expõe-nos a outros, justificando essas escolhas com base nas leis da Economia ou da História. Di Cesare prefere denominar este fenómeno por fobocracia — do grego phobos (medo) e kratos (poder) —, ou seja, o governo do medo, onde o Estado se aproveita a difusão da ansiedade, do fomento do ódio, do aumento da incerteza e da desconfiança, procurando fortalecer o seu poder político, apropriando-se do medo como um dos seus recursos mais poderosos. Donatella Di Cesare argumenta que as elites ocidentais mantêm a capacidade de decidir sobre a guerra através de uma suspensão técnica da democracia e de um reforço da soberania do poder executivo. Talvez o soberado absoluto do passado monárquico não tenha completamento desaparecido, mas apenas se tenha transformado e evoluído com base em com novos recursos militares, tecnológicos e financeiros. Donatella Di Cesare é professora titular de Filosofia Teórica no Departamento de Filosofia da Universidade Sapienza de Roma, onde é membro do Colégio Doutoral, e na Escola de Estudos Avançados Sapienza (SSAS). O seu pensamento situa-se no âmbito da Filosofia Continental (hermenêutica, desconstrução – Nietzsche, Heidegger, Gadamer, Derrida), aprofundando os temas da verdade e da compreensão. O seu trabalho tem-se centrado na ligação entre tempo e linguagem (Walter Benjamin), considerando as questões éticas e políticas do outro e da alteridade (Emmanuel Levinas). A Shoah tornou-se central na sua reflexão (If Auschwitz is Nothing, 2023). Tendo já contribuído com numerosos estudos sobre este tema, no rescaldo da publicação dos Cadernos Negros de Heidegger, interrogou-se sobre a responsabilidade da Filosofia face ao extermínio (Heidegger, os judeus e a Shoah. Os Cadernos Negros, 2016). Tem examinado repetidamente a relação com a figura do estranho e do estrangeiro (Marranos. O Outro do Outro, 2019), incluindo também a questão da migração (Resident Foreigners. Philosophy of Migration, 2020). Na fronteira entre a biopolítica e a teologia política, analisou a soberania e as formas de dominação (Spinoza). Os desafios da violência, visível e invisível, do totalitarismo (Arendt) às suas formas contemporâneas (terror, tortura, guerra), levaram-na a repensar a vida nua e os direitos humanos. Apelou ao regresso da filosofia à pólis, esboçando a possibilidade de um pensamento radical capaz de conjugar existência e comunidade (A vocação política da filosofia, 2021). Nos últimos anos, tem articulado uma crítica da política estatal, contribuindo para uma reformulação do conceito de democracia (Democracia e Anarquia, 2024). See omnystudio.com/listener for privacy information. | |||
| Peter Sloterdjik, filósofo: Guerra com drones é um feitiço que causa danos à distância | 27 Aug 2026 | 00:37:48 | |
Neste episódio gravado no ESPANTO, Festival Internacional de Filosofia, em 2025, escutamos Peter Sloderdjik, um dos filósofos contemporâneos mais reconhecido. O que nos propõe é uma reflexão sobre o medo numa ótica um pouco diferente e ousada. Como passámos da magia à tecnologia? E porque continuamos a temer ameaças que atuam à distância? Sloterdijk submete uma proposta sobre a genealogia da tecnologia moderna, argumentando que ela não conflitua com o pensamento mágico, mas racionaliza-o. Da magia simbólica às máquinas, da gravidade de Newton aos mísseis, drones, hackers e guerras contemporâneas, o filósofo demonstra como o antigo desejo de agir à distância (actio in distans) continua presente nas novas formas tecnológicas de poder e destruição. A partir do conceito de telemalignidade, Sloterdijk analisa a evolução da violência remota, questiona a relação entre tecnologia, medo e poder, e introduz a ideia de imunidade como um conceito fundamental para compreender a condição humana. Num mundo em que as ameaças circulam cada vez mais depressa e mais longe, este episódio convida-nos a pensar de que forma podemos construir mecanismos de proteção que ultrapassem as fronteiras nacionais, religiosas e ideológicas. Uma reflexão sobre magia, técnica, guerra e filosofia, que desafia a forma como entendemos o presente e o futuro das sociedades humanas. See omnystudio.com/listener for privacy information. | |||